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Um dia de rei e rainha para os plebeus

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 08:34
Segunda, 24 de julho


Deixando um pouco a política de lado, deixando de lado os governos hipócritas que apenas gastam, gastam e gastam, desequilibrando dessa forma as contas públicas, e depois fazem a população pagar pelos seus erros com aumentos de combustíveis, aumento de impostos, e outras decisões impopulares. Deixando de lado políticos que são amigos íntimos de empresários e deles extorquem milhões para seus partidos e seus cofres particulares, e depois que as coisas pegam fogo chamam esses mesmos empresários de “bandidos”, “falastrões” “bisonhos”. Deixando de lado tudo isso, falemos de coisas que não acontecem todos os dias e que chamam a nossa atenção, não importando em que parte do mundo elas aconteçam.

Mas ainda antes de sair dessa seara de vaidades e corrupção na qual se tornou a nossa política, pensemos na questão: Como será que a revelação do desvio de tanto dinheiro se faz sentir na mente daqueles a quem o sistema social jogou para fora de suas máquinas produtivas e lucrativas, como por exemplo os moradores de rua, e aqueles que sobrevivem com menos de um salário mínimo e ainda, com esse pouco, tem que alimentar mulher e filhos, sem que para isso tenham que se converter ao tráfico, nem roubar ninguém?

Que imagens se desenham no coração do brasileiro honesto, pagador de impostos, ao saber que o dinheiro que paga de tributos serve para comprar vinhos cuja uma única garrafa apenas é vendida a peso de ouro? Como fica a consciência e o coração daqueles que sabem que o dinheiro que poderia estar indo para a benfeitoria de hospitais, escolas, universidades, teatros, e todas as atividades que favorecem o desenvolvimento da alma e do espírito, está sendo gasto em banquetes luxuosos patrocinados por políticos ladrões, e empresários desonestos, para os quais a vida humana daqueles a quem governam e a quem servem, representa menos que um níquel?

Assim como, do nascer ao por do sol, precisamos abastecer nosso organismo com comida e bebida, para que ele se mantenha forte, saudável, e tenha energia para desenvolver as atividades que são inerentes ao nosso ser e viver humanos, também é necessário que alimentemos nossos pensamentos e sentimentos para que não sejamos presas fáceis da revolta e do desanimo ao pensar sobre todo esse cenário vergonhoso pelo atravessamos em campo político, do qual a ética, a decência e moral foram expulsos, e tiveram que mudar para bem longe.

Quem se lembrará dos mais necessitados? Que se lembrará daqueles a quem até simples visão de uma mesa para sentar, um pão para comer e um pouco de café para beber parecem coisas utópicas?

Muitos daqueles que acreditam em um ser superior, não importando a denominação religiosa a qual pertençam, seja católico, espírita, evangélico, o qualquer outra com ideias nobres, ainda se lembram, e saem pelas ruas, vielas e becos das cidades, no frio ou calor, na chuva ou no sol, com um pouco de comida para saciar a fome daqueles que tem fome, e com água para matar a sede daquelas cuja garganta está sedenta de água. Esses anjos podem ser encontrados em qualquer lugar, em qualquer país, em qualquer continente. Isso se chama solidariedade: dá sem esperar recompensas.

Lembrando que esse empenho em ajudar a quem mais precisa parte também de organizações não religiosas.

Essa coisa de dar sem receber deve parecer babaquice para a grande maioria de nossos políticos que apenas se interessam em amealhar tesouros para si, enquanto a população fica à mercê da própria sorte. Um exemplo gritante disto é o Estado do Rio de Janeiro, no qual o governador Sérgio Cabral foi tão ávido por propinas, dinheiro sujo e ilícito, tirando o alimento e o remédio da boca daqueles que mais precisavam, e hoje o Rio se encontram em uma escalada impressionante de violência, servidores sem receber salários, e escolas e hospitais às moscas, e um número altíssimo de policiais assassinados. O Rio é hoje um Estado que recebeu grandes eventos, e que do pódio das medalhas de ouro, foi jogado na poeira do abandono.

Sem contudo fugir ao tema de ceias e banquetes, e boas ações, conforme prometido no primeiro parágrafo, este blog sai um pouco do Brasil e de suas crises econômicas, morais e éticas, e vai até Carmel, subúrbio do norte de Indianápolis, capital do Estado norte-americano de Indiana.

Lá a atitude de uma noiva cujo noivado foi desfeito, lembra-nos um pouco a parábola do grande banquete, relatada no livro sagrado dos cristãos. Vamos visitar essa parábola , narrada no evangelho de Lucas, capítulo 14, versículos, 16 a 24, ver o que ela nos conta?

Certo homem estava preparando um grande banquete e convidou muitas pessoas. Na hora de começar, enviou seu servo para dizer aos que haviam sido convidados: Venham, pois tudo já está pronto. Mas eles começaram, um por um, a apresentar desculpas. O primeiro disse: ‘Acabei de comprar uma propriedade, e preciso ir vê-la. Por favor, desculpe-me’. Outro disse: ‘Acabei de comprar cinco juntas de bois e estou indo experimentá-las. Por favor, desculpe-me’. Ainda outro disse: ‘Acabo de me casar, por isso não posso ir’. O servo voltou e relatou isso ao seu senhor. Então o dono da casa irou-se e ordenou ao seu servo: ‘Vá rapidamente para as ruas e becos da cidade e traga os pobres, os aleijados, os cegos e os mancos’. Disse o servo: ‘O que o senhor ordenou foi feito, e ainda há lugar’. Então o senhor disse ao servo: ‘Vá pelos caminhos e valados e obrigue-os a entrar, para que a minha casa fique cheia. Eu lhes digo: nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete’".

Imagine que você é um noivo, ou uma noiva cujo casamento acaba repentinamente quando tudo já estava pronto para a grande festa: vestido, véu, e terno prontos para serem vestidos. Banquete luxuoso para 170 convidados, pago. O custo da festa era de U$ 30.000, cerca de R$ 96.000 mil. Por contrato pré-estabelecido entre as partes, o bufê não aceita devolução dos valores pagos.

O que você faria além de sentar e chorar? Ver o dinheiro a comida pela qual pagou ser desperdiçada? Uma noiva de Indianápolis pensou rápido quando um fato semelhante desagradável aconteceu com ela.

Sarah Cummins e noivo já estavam com tudo pronto para o grande dia em que transformariam em um só seus caminhos na vida. Mas algo não saiu como o esperado e o sonho foi desfeito.

A festa seria no Ritz Charles um luxuoso centro de eventos da cidade. Arrasada, a noiva teve que ligar para 170 convidados e cancelar a festa e pedir desculpas pelo ocorrido. Ligou também para os fornecedores.

Além do dor que vinha do coração partido, uma dúvida que lhe atormentava o coração: o que fazer com a comida que já havia sido encomendada para a recepção dos convidados? Jogar fora. Não era desperdício demais.

Andando pelas ruas da cidade, Sara Cummins, viu muitos moradores de rua. E pensou que aquelas pessoas humildes nunca haviam tido a chance de estar em um lugar luxuoso e muito menos de participar de um banquete de primeira linha.
Sara, que tem vinte e cinco anos, e cursa Farmácia, na Universidade Purdue, logo soube que destino daria a comida que havia encomendado para a festa de casamento: os moradores de rua seriam seus convidados.

Em comum acordo com o ex-noivo, procurou o Wheeler Mission Ministrie, organização beneficente não religiosa que trabalha com moradores de rua, e ver de que modo poderiam fazer para dar outro rumo a uma festa que seria de casamento.
Como ninguém faz nada sozinho, logo, Sara recebeu ajuda de várias pessoas físicas e jurídicas que doaram roupas e outros adereços para vestir os convidados. A própria No dia em que seria a festa de seu próprio casamento, Sara Cummins recebeu os convidados humildes  com um abraço e sorrisos no rosto. Naquele dia, 170 moradores de rua de Indianápolis tiveram um dia de rei e rainha.

E assim, Sara Cummins, mesmo vivendo um dos momentos mais difíceis de sua vida, amenizou um pouco de sua dor, e fez a alegria de quem, de outro modo, não poderia jamais participar de um banquete luxuoso.

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