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Gracias, Colômbia!

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:19
Quinta-feira, 06 de abril


Há duas coisas que fazem dois corações se entrelaçarem de uma forma tão forte e tão bonita, que se torna difícil que alguma outra coisa os separe. Estas duas coisas são o amor e a dor. Assim como dois corações, duas vidas, são afetadas fortemente por esses dois fatores, também dois países, duas cidades, duas equipes de futebol, podem ser afetados por eles de forma tão intensa quanto.

Em final de novembro do ano passado, o Brasil sofria uma grande perda no mundo esportivo: um avião com a equipe futebolística chapecoense caiu a poucos quilômetros da cidade de Medellín, na Colômbia. O terrível acidente deixou um saldo de 71 mortos entre jogadores e dirigentes do clube, convidados, tripulação, e jornalistas que iriam cobrir o evento esportivo na Colômbia.

Antes do terrível acidente, o momento era de pura, festa e alegria. A equipe do Chapecoense nunca havia chegado tão perto de uma tão grande conquista. Aliás, o fato de ter chegado até ali, já era uma grande vitória. O time jogaria a final da Sul-americana com o Atlético Nacional de Medellín.

A alegria dos jogadores era visível, explodia neles como se fosse fogos de artifício de felicidade. Antes do embarque para Medellín, postaram vídeos nas redes sociais, abraçaram-se aos amigos e familiares... E partiram. Infelizmente, quis o destino que o que eram pra ser lágrimas de alegria, se transformassem em lágrimas da mais profunda tristeza.

O Brasil chorou. Vestiu-se de luto. A cidade de Chapecó, em Santa Catarina, tornou-se um rio de lágrimas.

Foi nesse momento de grande dor, que aconteceu uma coisa pela qual os brasileiros não esperavam. O povo colombiano poderia, simplesmente, soltar uma nota de pesar na imprensa acerca do acontecido. Era compreensível. A dor não era deles, era apenas nossa.

Mas não. Nesse momento difícil para o esporte nacional — e, principalmente, para os familiares dos jogadores, da equipe técnica, dos convidados, e na dor dos torcedores da chapecoense — o povo colombiano pegou o Brasil no colo. Chorou junto. Tomou para si uma dor que era apenas nossa.

Apenas uma palavra define isso de forma magistral: SOLIDARIEDADE.

A solidariedade não parou por aí. Era compreensível que os colombianos reclamassem o título da Copa Sul-Americana, mas eles não quiseram. Pediram a Conmebol que o título da competição fosse dado à equipe do chapecoense, e assim foi feito. A entidade futebolística declarou o chapecoense campeão da competição.

Desde então a troca de carinhos, e amabilidades entres as duas equipes tem se aprofundado. Em diversas ocasiões nesses quatros meses isso já aconteceu. Os torcedores das equipes do Chapecoense, e do Atlético Nacional passaram de rivais a irmãos. Claro, que em uma partida sempre haverá um vencedor e um perdedor. Mas entre as duas equipes isso não significará rivalidade.

Na noite desta terça-feira (03), as duas equipes voltaram a campo, na cidade de Chapecó, para disputar a primeira partida pela Sul-Americana. E como não poderia deixar de ser, o jogo foi lindo, emocionante. Poder-se-ia dizer que foi um jogo entre duas equipes irmãs. O jogo da solidariedade. Torcedores do Chapecoense vestiram a camisa do Atlético Nacional, e vice-versa.

As homenagens começaram ainda na segunda-feira, no momento de desembarque da equipe colombiana, no aeroporto de Chapecó. Em seguida, os torcedores das duas equipes se reuniram em uma praça da cidade, em verdadeira festa da alegria de celebrar e confraternizar. Depois as duas torcidas caminharam até o estádio onde seria disputada a partida, muitos de camisa branca, e, em gesto simbólico, deram as mãos e abraçaram a Arena Condá.

A emoção continuou já dentro de campo, e antes do início do jogo. Homenagens, discursos, emoção. Alan Ruschel, Neto, Jackson Follmann e Rafael Henzel, sobreviventes da tragédia também fizeram seus discursos, tornando o jogo? Ou deveria dizer celebração, ainda mais emocionante.

Enfim, como em toda partida de futebol, era hora de fazer a bola rolar. Oh, Deus, e como essa partida era esperada entre as duas equipes, desde novembro do ano passado, quando foi interrompida pelo trágico acidente. Dessa vez, em vez de final de campeonato era o começo. O primeiro jogo entre as duas equipes-irmãs. O lateral Reinaldo fez gol de pênalti, os colombianos empataram a partida com Macnelly Torres, e foram aplaudidos pelos torcedores do chapecoense, Luiz Otávio desempatou a partida. E assim terminou o jogo: 2x1 para o Chapecoense. A vitória deu à equipe catarinense a chance de jogar pelo empate na partida de volta, na Colômbia.

Mais do que uma noite de futebol, viu-se na cidade de Chapecó, uma festa de alegria, solidariedade, e gratidão. Coisa bonita de se ver no mundo do futebol.

Quem dera que esses animais irracionais que andam por aí pelos estádios, disfarçados de torcedores, atrapalhando, agredindo, ou até mesmo ceifando vidas de gente que apenas queria assistir um bom jogo de futebol aprendessem a lição.

Salve Chapecoense! Salve Atlético Nacional! Salve o bom futebol!


Obrigado, Colômbia!

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