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Viciados nas pedras de craques do poder

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:33
Quinta-feira, 30 de março



O crime compensa?

Enquanto o dinheiro entra fácil a ilusão é de que se ó o mais esperto dos seres do universo. Joias caríssimas... Casacos dos mais deslumbrantes... Viagens maravilhosas em lugares paradisíacos... Restaurantes do mais fino trato. Tudo isso, e muito mais, o dinheiro fácil e originário dos mares abundantes da corrupção pode comprar. Até pessoas se podem comprar com o níquel advindo dessas tenebrosas transações.

A ambição desmedida pode ser comparada a uma droga, e como tal leva a caminhos tortuosos. Os miseráveis humanos que foram pegos pelo laço diabólico da droga, não começaram consumindo grandes quantidades, nem as drogas mais pesadas. Muito pelo contrário, começaram com uma dose pequena aqui, outra ali, e quando se deram conta já presas no abismo do vício feroz que as fizeram perder a condição de humanas, e transformarem-se em coisas, objetos, projetos de vida.

A custa de muito esforço se é possível trazer esses zumbis à vida. Isso quando se consegue trazê-los à vida, pois muitos já assumiram como própria sua condição de zumbi, e dificilmente voltam à ter uma vida normal.

Como os corruptos também não é muito diferentes. Também eles não começaram a ser tentados com o oferecimento de grandes propinas que, por sua vez, geraram grandes fortunas malditas. Primeiro foi um pequena propina aqui, outra ali, antes deve ter havido, um pequeno desvio de dinheiro, talvez coisa que nem foi notada.

Depois, o demônio da ambição foi cegando-os cada vez mais e mais com o brilho das joias, como o brilho do ouro e da prata, com o glamour. E o que era pouco já não lhes bastava, e, como os drogados nas ruas esmolando craque, ou roubando para alimentarem seus vícios, eles passaram a querer mais e mais dinheiro. Não importava como e de que modo. De preferência o mais sórdido.

E quando se deram, se é que se deram conta disso, eles tinha se transformado também em zumbis, projetos de humanos, sem caráter e sem moral, os quais, à custa de muito esforço, podem voltar ao caminho da ética e da moralidade.

Hoje, à ex-primeira dama do Rio, Adriana Ancelmo, deixou o complexo de Bangu, onde esteve presa por quatro meses, para ir cumprir pena em regime domiciliar.

Adriana foi hostilizada na saída do presídio, bem como na chegada à sua residência, no Leblon, bairro da Zona Sul do Rio.

O que terá se passado na cabeça da ex-primeira, acostumada ao luxo e à riqueza, e a estar sempre ao lado do marido nos grandes eventos sociais e culturais, ou mesmo em casa, recebendo importantes figuras do cenário nacional, e internacional? Terá ela sentido vergonha, arrependimento, ou será que já terá se tornado uma miserável zumbi: classe de seres nos quais os sentimentos humanos já não são mais sentidos?

 O benefício foi concedido pelo juiz Marcelo Bretas, da 7a Vara Criminal do Rio. O magistrado tomou a decisão baseado na lei que concede prisão domiciliar à mães que tem filhos menores de 12 anos. O filho de Adriana e Sérgio Cabral tem 10 anos.

Para a presidiária também foram impostas algumas regras para que gozasse do benefício. Regras, que, para quem vive na era da tecnologia, deve ser uma tortura.

A ex-primeira dama não poderá ter em casa, nem telefone, nem Internet, seja nos computadores, seja nos celulares. Isso vale para ela, e para os filhos. Os empregados também não poderão usar a Internet enquanto estiverem nas dependências do local de trabalho. O apartamento já foi adaptado para as novas necessidades da moradora.

As exigências impostas pelo magistrado não param por aí. Ela só poderá sair de casa, em caso de emergência médica. Visitas, apenas de parentes de até terceiro grau, e de advogados por ela contratados.

Não foram colocados como imposição o uso de tornozeleiras, e nem o acompanhamento policial. Porém, contudo, todavia, entretanto, policiais podem aparecer de surpresa para fazer inspeções no apartamento, entre 6h e 18hs. Ela já foi avisada de que se descumprir as regras impostas voltará para a cadeia.

Enquanto isso, aquele que já foi um dos homens mais poderosos do Rio de Janeiro, o ex-governador, Sérgio Cabral, continua preso, no Complexo Penitenciário de Bangu.

Entre os muros da prisão, o que será que se passa na cabeça daquele que também não resistiu aos apelos fáceis de um dinheiro maldito? Sérgio deslumbrou-se com as propinas milionárias e por elas se deixou escravizar, tal quais os homens que não tem vontade própria para afastar para longe de si o terrível caminho das drogas, pois se colocando em níveis diferentes a moral é mesma.

O mesmo se diz desses frigoríficos que adulteraram carnes impróprias ao consumo humano, para lhes dar aparência de carne saudável, pondo em risco a saúde da população? Será que os donos e administradores desses estabelecimentos se sentem regozijados vendo seus nomes, e os nome de seus estabelecimentos comerciais jogados na lama, e o prejuízo financeiro advindo de suas práticas ilícitas, crescer vertiginosamente?
Dois frigoríficos situados na Região Metropolitana de Curitiba, pertencentes ao grupo, Central de Carnes Paranaense, fecharam as portas após o escândalo, e demitiram cerca de 280 funcionários. Os outros estão sofrendo graves prejuízos ao verem suas carnes rejeitados pelos mercados importadores da carne brasileira.

Compensou para eles a ganância do lucro a qualquer custo? Quem, a partir de agora, confiará de fato, em seus produtos?

O pior é que, pelos atos praticados por esses ladrões, seja no campo político, seja no setor privado, aqueles que trabalham de forma honesta é que acabam também sendo prejudicados por suas más ações. No caso desse escândalo da carne, os produtores arcam com grande parte do prejuízo, sem que tenha tido participação nos crimes.  

E falando em falta de vergonha e caráter, essa parece ser infinda em nosso país, o que faz com que a Polícia Federal tenha trabalho, muito trabalho.

Na manha desta quarta-feira (29), a PF saiu às ruas em mais operação denominada Quinto do Ouro, referência aos impostos cobrados por Portugal sobre a mineração brasileira, nos tempos do Brasil colônia.  

Foram presos 5 conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), a saber; Aloysio Neves (atual presidente), José Gomes Graciosa, Marco Antônio Alencar, José Maurício Nolasco e Domingos Brazão. Além da prisão temporária foram pedidos também o bloqueio dos envolvidos no esquema.

Além deste foram levados para depor, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), e Lelis Marcos, presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor).

Os envolvidos no esquema são suspeitos de fazer vistas grossas às irregularidades praticadas por empreiteiras, e empresas de ônibus que operam no estado. Como por aqui não faz falcatrua de graça, os conselheiros do TCE recebiam propina para fingir que não estavam vendo nada de errado. Pelos conselheiros era cobrada a taxa de 1% das empreiteiras sobre o valor dos contratos para que estas não fossem incomodadas. A “caixinha da propina” do TCE carioca funcionou durante o governo do ex-governador Sérgio Cabral.


Se o crime compensa ou não é questão fechada para aqueles assentados sobre sólidas bases morais. Para aqueles que possuem algum desvio de conduta, isso é questionável. O que não mais compensa para o povo brasileiro é ter entre nós, nos representados nas mais altas esferas jurídicas e políticas, gente que não nos representa, que só pensa nos próprios interesses. O que não compensa para o Brasil é ter em suas altas esferas políticas e empresariais, zumbis, viciados nas pedras de craque do poder. 

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