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Teori Zavascki: A morte de um guardião

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 23:19
Quinta-feira, 19 de janeiro


 Começar a escrever um texto é quase sempre muito fácil. Mas hoje as palavras não estão querendo sair de seus esconderijos. Talvez seja porque a notícia de hoje nenhum veículo de comunicação gostaria de dar, inclusive, este blog.

Esses reveses do destino! Ás vezes são muito cruéis. Nos pregam peças desagradáveis. Por que as forças do destino agem assim conosco, aproveitando-se de nossa fragilidade? Essas tais forças não respeitam ninguém. Do mais alto na escada do sucesso profissional e pessoal, ao mais simples e de menor brilho em sua carreira profissional, elas agem do mesmo modo: impiedosas.

Dessa vez, brincaram não apenas com seres humanos, mas com um país inteiro.

Na tarde chuvosa desta quinta-feira (19), o destino resolveu brincar com o avião bimotor que transportava o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, Na aeronave estavam ainda mais quatro pessoas além de Teori. A queda foi fatal, e não houve sobreviventes.

Era uma e meia da tarde quando a aeronave levantou voo do Campo de Marte, em São Paulo, com direção à Paraty, sul do estado do Rio de Janeiro. Em Paraty, chovia moderadamente, e não havia registro de fortes ventos na região. Mesmo assim, a visibilidade para um piloto que busca pouso, não era das melhores. O bimotor fez quase que 100% de percurso. 199 quilômetros separam o aeroporto de saída e o de destino. Faltavam apenas dois quilômetros para que a viagem fosse concluída com êxito. Porém, a dois quilômetros da cabeceira da pista, no aeroporto de Paraty, o avião caiu no mar, próximo à Ilha Rasa.

Segundo relatos do dono de uma pousada, que tentou ajudou no resgate, quando ele chegou no local, já estavam ali Marinha e Bombeiros fazendo os procedimentos de praxe em casos de acidentes. O dono da pousada caiu na água junto com um de seus funcionários que também fora ajudar no resgate. Na parte de trás do avião, ainda havia uma mulher com vida. Ela batia na janela e gritava muito. O dono da pousada, e o funcionário, tentaram quebrar o vidro do avião, mas não conseguiram. Fizeram então um buraco na fuselagem, mas quando conseguiram introduzir a mangueira de oxigênio dentro da aeronave, a mulher já estava sem vida.

A aeronave, um Hawker Beechcraft, modelo C90GT, prefixo PR-SOM, com capacidade para sete pessoas, é do tipo de avião dos mais modernos que existem, preparado para fazer pousos de emergência em qualquer aeroporto do mundo. Era novo. Fabricado em 2007, tinha 1.073 horas de voo.

Teori Zavascki era o dedicado relator da Lava Jato, e há apenas um dia, as manchetes de jornais anunciavam que ele havia interrompido as férias para analisar as delações premiadas dos 77 executivos da Odebrecht. Havendo, inclusive, determinado o início das audiências com os depoentes, que já começariam na semana que vem. Essa primeira fase, é um audiência apenas para que os depoentes informem ao STF, se foram ou não coagidos a firmar o acordo de delação premiada com o Ministério Público.

As delações da Odebrecht são como uma rede jogada no mar para pegar peixe grande. Nelas estão citados os nomes do ex-presidente, Luís Inácio Lula da Silva, da ex-presidente Dilma Rousseff, do atual presidente, Michel Temer, do presidente do Senado Renan Calheiros, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, além de muitos ministros e parlamentares.

O ministro havia sido escolhido por sorteio para a relatoria da Lava Jato, em março de 2015. Dentre as atividades de Teori como relator da Lava Jato, estavam a análise dos pedidos de habeas corpus feitos pelos advogados dos presos na operação, e autorizar a prisão de autoridades que tem foro privilegiado, e homologar os acordos de delação premiada. Os recursos que chegavam ao tribunal contra as decisões do juiz Sérgio Moro, era ele quem analisava.

No mês que vem, ele começaria a homologar as delações dos executivos da Odebrecht.

A elite do Poder Judiciário brasileiro lamentou a morte do ministro — bem como esse é o lamento de todos os brasileiros, que acompanham com interesse, e indignação, o desenrolar da Operação Lava Jato: o maior escândalo de corrupção já visto no mundo — e pedem uma investigação rápida e eficaz sobre as causas do acidente.

É o que queremos todos nós, brasileiros, e brasileiras, que as causas do acidente que vitimaram o ministro Teori Zavascki sejam esclarecidas, pois as circunstâncias do acidente que resultou na morte dele, e de mais quatro pessoas, estão ainda tão nebulosas, quanto nebuloso é o lamaçal da corrupção que assola este país.

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