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Insensatos

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:29
Quarta-feira, 28 de dezembro

VLT abandonado em São Luís, Maranhão

Se há algo que podemos afirmar sem medo de incorrermos em erro, é que o que falta aos nossos governantes é bom senso. Esse quesito eles tem muito pouco, quase nenhum.

Vejam só: há alguns dias o presidente Michel Temer conseguiu uma grande vitória no senado, com a votação da Proposta de Emenda Constitucional que congela os gastos públicos por 20 anos.

Nem vou falar da crise que é sabida por todo mundo. Mas da questão da redução das despesas em si mesma.

Ora se você quer reduzir gastos, o que faz? É sábio não fazê-los, concorda? Ou se tiver que fazer, que se façam gastos com essencial, mesmo assim, procurando comprar produtos menos caros. Todo dono de casa, toda dona de casa sabe disso, pois precisam, constantemente, equilibrar o orçamento doméstico.

Nesse contexto, o governo havia marcado para o dia 02 de janeiro de 2017, uma licitação na qual seria definida a empresa que prestaria serviço de bordo no avião presidencial durante um ano. Os gastos os produtos e os serviços contratados ultrapassariam a casa dos R$ 1,7 milhão.

Dentre esses produtos estariam sorvetes de marcas famosas, água de coco, pães, sucos especiais, refeições, inclusas nessas, prato principal e sobremesas. Isso só para citar alguns itens, porque a lista de guloseimas vai bem muito mais além. Enfim, verdadeiro banquete. Isso em um momento de apertar os cintos.

A repercussão da contratação da licitação soou muito negativa perante a opinião pública, e o governo resolveu cancelar o pregão.

Ainda continuando com essa farra que os políticos fazem com o dinheiro público, e nem precisa lembrá-los da crise pela qual atravessa o país, pois ela é sentida por todos, os vereadores da cidade de São Paulo, apresentaram projeto através do qual reajustam os próprios salários em 26,3% a partir de fevereiro do ano que vem.

Com isso, o salário dos vereadores passa dos atuais R$ R$ 15.031,76, para R$ 18.991,68 a partir de fevereiro do ano que vem, quando se inicia a nova legislatura. Como é proibido por lei que os vereadores aumentem seus salários na mesma legislatura, eles usam desse artifício de reajustar os próprios salários no apagar das luzes da legislatura vigente. Já haviam feito isso em 2014, quando, em sessão extraordinária, definiram, em votação simbólica, o novo salário para a nova legislatura, que será iniciada em fevereiro do ano de 2015.

O texto divulgado pela mesa diretora para justificar o aumento diz: “A fixação pelo valor máximo permitido justifica-se diante do gigantismo de São Paulo, a maior cidade do Brasil, cujos problemas sociais, econômicos, políticos e culturais exigem dos vereadores envolvimento e dedicação proporcionais à responsabilidade do mandato que exercem”.
Essa onda de aumento nas câmaras legislativas não acontece apenas em São Paulo, mas também pelo Brasil afora.

Se é verdade que falta bom senso para os nossos políticos, também falta capacidade de mobilização da população, para evitar que os legisladores façam o que bem queiram e entendam.

Mais um exemplo de falta de responsabilidade com o dinheiro público nos vem da cidade de São Luís, capital do Maranhão. Muito mais do que irresponsabilidade, é brincar com os sonhos da população. Nesse caso, foi oferecido um sonho, e quando os maranhenses foram pegar, ele se desvaneceu no ar.

As nossas capitais já são tão carentes de transporte público, e quando aparece oportunidade de solução... Tudo, na verdade, não passou de ilusão.

O caso presente trata-se de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). O veículo foi comprado dois meses antes das eleições de 2012.  Na época, o prefeito, João Castelo (PSDB), comprou o veículo sem que houvesse sido feita nenhuma análise técnica, ou mesmo previsão orçamentária.

Foram comprados dois vagões. Entretanto, a previsão era a construção de 13 km de ferrovia, que ligariam o centro de São Luís, ao bairro mais populoso da cidade, chamado de Anjo da Guarda.

O que fez o tal prefeito? Colocou apenas 800 metros de trilhos. Fez uma inauguração que foi como se diz no ditado popular “coisa pra inglês ver”. Os dois vagões rodaram nesses 800 metros, cheio de eleitores iludidos com a promessa de um transporte urbano melhor, que, extasiados, gritavam “é um sonho, é um sonho”.

E a coisa ficou mesmo apenas no sonho. Passadas as eleições a obra foi abandonada. Abandonados, os dormentes usados para fazer os trilhos foram presas fáceis de ladrão. Ainda por cima, o projeto trouxe gastos à prefeitura, pois o prefeito alugou um galpão para guarda o VLT, e por esse aluguel foram pagos R$ 400 mil. Hoje, o veículo encontra-se abandonado, e ao relento, sujeitos aos fenômenos da natureza que lhe fazem corroer pela ferrugem.

Nisso, foram jogados R$ 8 bilhões. E nem precisa dizer que o prefeito João Castelo brincou com o sonho povo, jogou o dinheiro público pelo ralo, e só pensou em si mesmo.

Como ele, existem muitos Brasil afora. É justamente desse tipo de gente que o Brasil precisa se livrar.

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