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FELIZ 2017

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 17:03
Sábado, 31 de dezembro

Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas.
O poder de criar felicidade!
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela...
de faze-la uma aventura maravilhosa”.
(Charles Chaplin)



“Aos trancos e barrancos”, como diz o ditado popular, chegamos ao final de mais um ano... E que ano, meus Deus do céu!

2016, para os brasileiros em especial, foi um ano em que tudo aconteceu. Presidente caiu. Outro não eleito foi elevado a essa condição. Caíram as máscaras de muito políticos bons-moços. A Lava Jato lavou à jato muito da sujeira, e da podridão daqueles que conduzem os destinos da nossa nação. Desemprego e inflação voltaram a bater em nossa porta. Ufa! Calma, não acabou. Ainda tem pelo menos umas setenta e sete delações premiadas da Odebrecht, que são como metralhadoras apontadas para as cabeças de diversos políticos, e não de qualquer político, mas daqueles em quais sempre depositamos certa confiança, ainda que tímida confiança, pelo que nos acostumamos a ver por aí. A pergunta é: sobrará Brasil depois das delações da Odebrecht?

Quem sabe não seja, justamente, nesse momento conturbado de nossa história que começamos a encontrar o caminho para o Brasil com o qual todos sonhamos: um Brasil mais próspero, mais justo e mais humano, com melhor aplicação dos recursos que pagamos em impostos, e com melhor divisão de renda.

E no mundo, o que vemos?

As ondas de refugiados invadindo os países, principalmente da Europa, como se fosse um grande tsunami; o ódio provocado por grupos radicais que fazem sofrer a tanta gente inocente, perseguida, apenas porque segue essa ou aquela tendência cultural ou religiosa.

O problema é que por ambição ou por ódio, os homens estão simplesmente se esquecendo de que são o que são em essência: humanos. Estão se esquecendo de que o coração que tem dentro de si não se chama dispositivo, se chama apenas coração, e que esse órgão vital que bate no peito de um, bate, igualmente, no peito de cada habitante desse planeta.

Os homens estão se esquecendo de que fomos feitos para a paz e para a fraternidade, e não para a guerra e para o ódio, e que se continuarmos nesse ritmo, em um futuro próximo não teremos mais nem coração, nem homem, nem planeta. O planeta esse, sim, talvez sobreviva e se refaça como faz uma fênix que sempre renasce gloriosa das cinzas. Afinal já foram tantas as eras e períodos que a nossa mãe terra enfrentou, alguns mais quentes, outros mais frios, ela, porém, sempre resistiu soberana, com mudanças bruscas, é verdade, mas sempre firme. Os que habitaram essas eras nem sempre. Sumiram, desapareceram no tempo, viraram cinzas, fósseis, risco no qual também incorre a raça humana, se não criar uma consciência humana e ecológica.

Este texto termina dizendo que, mesmo que tenhais enfrentado problemas e dificuldades esse ano, levantai a cabeça, sacudi a poeira, e daí a volta por cima. Afinal novo ano começará, e nele as esperanças serão renovadas como serão renovadas tuas forças no Deus altíssimo que ama e protege aqueles que nele confiam.

A todos e todas que acompanham esse blog, FELIZ, E PRÓSPERO ANO NOVO! E que venha 2017!

Abaixo, o Cottidianos deixa como complemento dessa mensagem, o primoroso texto do discurso proferido pelo genial Charles Chaplin, no filme, O Grande Ditador, de 1940. Esteja você em qualquer parte do planeta em que estiver, essa discurso parecerá uno, e é uno a toda humanidade, pois são coisas que precisam ser gritadas em cima dos montes. São verdades que a humanidade precisa, não apenas ouvir, mas também, e principalmente, internalizar.

***



Discurso Final do Filme "O Grande Ditador" (1940) - Speech by Charlie Chaplin - A Message for All Mankind

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, gentios... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Charles Chaplin - 1940



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