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Feliz 2017?

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:35
Sexta-feira, 30 de dezembro


O livro do Apocalipse, contido no Novo Testamento, no Livro Sagrado dos Cristãos, nos apresenta visões terríveis de fim de mundo. Trovões, clamores, grandes terremotos. Anjos tocando suas trombetas e chuvas de pedra, e fogo caindo sobre a terra. Áreas verdes da terra queimando, criaturas do mar morrendo. Estrelas caindo do céu, tão ardentes quanto rochas acesas, caindo nos rios e nos mares, tornando a água amarga, imprópria para o consumo humano. E por aí vai.

Se pararmos para pensar em termos de questões climáticas, estamos experimentando, no planeta inteiro, uma visão apocalíptica. Mas não quero falar da questão climática agora.

Ao trazer as visões terríveis do Apocalipse, situo-as, e comparo-as, ao que estamos vivendo na terra brazilis, especialmente em relação ao ano que esta se findando.

Fomos jogados no olho do furacão. O país virou de pernas para o ar, tragado por crise de natureza ético-político-moral.

E 2016 passa a ser considerado por muitos como um dos piores anos da história brasileira. Muitos dizem aliviados: graças a Deus este ano está terminando. É um alívio temporário, e ilusório, pois, ano que vem, começa tudo de novo. Pois o ano que finda entrega ao ano vindouro uma montanha de problemas que se anunciam, talvez, ainda mais sérios do que os deste ano.

A coisa anda tão sem controle que o próprio presidente, em pronunciamento feito à jornalistas, nessa quinta-feira (29), apelou para as técnicas de autoajuda. “2017 será um ano novo, de muita realização, muita esperança, não só para o governo, mas para todos os brasileiros”, disse ele. Haja mentalização positiva para que as palavras do presidente se cumpram.

O presidente também foi de um profecismo que soa um tanto quanto hipócrita, quando lançamos um olhar atento sobre a real situação do país, e do próprio presidente. Disse ele: “Não vamos parar; esse governo há de ser um governo reformista”. Ora, um governo reformista de verdade, não haveria de reformar, primeiramente, a si mesmo?

E como pode um governo que se pretende reformista está atolado até o pescoço em corrupção. Como todos viram, já foram vários os ministros e auxiliares de Temer derrubados porque apanhados em escândalos de corrupção. É pouco provável que o presidente não soubesse do envolvimento de tais pessoas em maracutaias antes de nomeá-las.

O presidente também falou de alguns monstros que assombram o país, como por exemplo, como a questão do desemprego que, desde o ano passado vem incomodando grande parte dos brasileiros, e este ano, atingiu níveis recordes. Temer acenou com a possibilidade de essa situação se reverter apenas no segundo trimestre do ano que vem.

Ele, o presidente, também falou acerca da questão da dívida dos estados brasileiros, que chegam ao fim do ano quebrados, e em situação preocupantes. O governo se propõe a negociar com cada estado. Entretanto, enquanto, no Brasil, não se criar uma consciência de que é preciso cortar na carne os gastos públicos, essa renegociação da divida dos Estados não vai adiantar muita coisa. Pois, se o governo negocia, e os Estados continuam gastando mais do que arrecadam, está-se apenas enxugando gelo. Ou seja, trabalho inútil.
Em meia de hora pronunciamento, o presidente citou também as reformas trabalhista, fiscal, previdenciária, e política que deseja fazer ano que vem.

É meus amigos, e amigas, o negócio é apertar o cinto porque o piloto... O piloto sumiu.

Mas em meio à tempestade, pensemos as coisas pelo seu lado positivo: — e há um lado positivo para se pensar a questão: esse ano começamos a tirar a sujeira escondida embaixo do tapete — Meu Deus! E quanta sujeira... — Então, não foi um ano tão ruim assim.

Nas linhas seguintes, compartilho texto do jornalista, Luiz Rufatto, publicado no jornal, El País Brasil, nesta quinta-feira (29), no qual o jornalista faz uma breve e sucinta análise do ano que passou, e traça perspectivas do ano que passou. Análise e perspectivas, diga-se de passagem, nada animadoras.

***


Próspero ano novo?

Infelizmente, 2016 entra para os compêndios como o ano que, desrespeitando o calendário, invade 2017 como um caminhão sem freios

LUIZ RUFFATO


É tradição, nesta época do ano, desejarmos uns aos outros que tenhamos um próspero ano novo – é o que eu gostaria de fazer também agora, usando este espaço que ocupo desde fins de 2013. Mas, infelizmente, sob pena de parecer cínico, acredito que não podemos ignorar que o Brasil atravessa um momento crítico, uma situação de grave instabilidade econômica e política, mas, mais que tudo, uma profunda crise moral, sem precedentes na história do país. E o fator que provoca maior desânimo é não vermos, em um futuro próximo, qualquer possibilidade de reversão de expectativas. 2016 entra para os compêndios como o ano que, desrespeitando o calendário, invade 2017 como um caminhão sem freios.

Após dois anos de recessão, o mercado financeiro aposta que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá cerca de 0,5% no ano que vem, um percentual pífio, se considerarmos que a economia encolheu 3,8% em 2015 e 3,5% este ano. O resultado é uma taxa de desemprego em torno de 12% – o que significa mais ou menos 12 milhões de pessoas –, que se amplia para 27,7% se levarmos em conta apenas a faixa etária situada entre 14 e 24 anos. Além disso, segundo levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os salários do trabalhador brasileiro sofreram a maior desvalorização em termos reais – ou seja, descontada a inflação - entre os países que formam o G-20. A queda deve alcançar 6,2% do valor nominal este ano.

Se a economia vai mal, não está melhor a política. O presidente não eleito, Michel Temer, termina o ano com uma popularidade baixíssima. Pesquisa da Datafolha, realizada ainda antes da divulgação dos depoimentos de executivos da Odebrecht envolvendo Temer em denúncias de corrupção, apontavam que 51% dos ouvidos consideram o governo ruim ou péssimo e 34% apenas regular. Na mesma pesquisa, 41% afirmavam que o desempenho da economia irá piorar e 27% acreditavam que nada vai mudar. Chegou-se até mesmo a cogitar que, sem apoio popular, Temer poderia renunciar para provocar novas eleições – coisa que não aconteceu.

Resta saber como se comportará o presidente não eleito no ano que vem. O cenário que se descortina aponta para três hipóteses: Temer empurrará o seu mandato até o fim, aprofundando as reformas autoritárias que vem conduzindo; ou, em um gesto de grandeza ou desespero, renunciará; ou ainda o Tribunal Superior Eleitoral decidirá pela cassação da chapa Dilma-Temer. Caso Temer venha a renunciar, abrem-se pelo menos duas possibilidades: eleição indireta pelo Congresso ou votação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permita um mandato-tampão de alguma liderança que promova eleições diretas. No caso de cassação da chapa pelo TSE, há um entendimento desse tribunal, baseado na minirreforma eleitoral de setembro de 2015, que poderia haver a convocação de eleições diretas em 20 a 40 dias após o afastamento, até seis meses antes do término do mandato. Essa interpretação, no entanto, teria de ser referendada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O problema é a crise moral que atinge todos os poderes, indiscriminadamente. No STF, há uma clara divisão entre os ministros, que deixaram de lado a ritualística do cargo e resolveram expor publicamente, e de maneira bastante agressiva, suas diferenças, baseadas em interesses pessoais, muitas vezes escusos. Em acordo de delação premiada, executivos da Odebrecht prometem arrolar dezenas de políticos dos mais diversos partidos, o que atinge o Legislativo – que já tem nove senadores e 45 deputados envolvidos na Operação Lava Jato – e o Executivo, incluindo Temer e alguns de seus ministros, como o da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Restaria a nós, que ansiamos por um país melhor, mais justo e mais democrático, torcer para o encaminhamento de uma solução que contentasse a todos, mas principalmente a camada mais pobre da população, que sofre de maneira direta com a incompetência, a roubalheira e os desmandos. Mas mesmo esse desejo desaparece no firmamento. Os nomes que se apresentam no cenário político estão todos, uns mais outros menos, comprometidos com escândalos de corrupção: no ninho tucano, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves; Marina Silva, que aparece como candidata preferida em pesquisa Datafolha divulgada no começo de dezembro, comanda um partido, a Rede, que mostrou um desempenho medíocre nas eleições municipais; e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A questão é que o PT, outrora guardião da moralidade, chafurda hoje na mesma lama que um dia denunciou e condenou. Vários de seus altos dirigentes encontram-se presos ou envolvidos em processos ligados à Operação Lava Jato, como o próprio Lula. E, para demonstrar de forma cabal que os petistas não são mais os mesmos, basta observar que todos os vereadores do partido, sem exceção, votaram, no último dia de trabalhos da Câmara Municipal de São Paulo, por um aumento de 26% em seus próprios salários, que passaram de R$ 15 mil para quase R$ 19 mil reais por mês...

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