0

Lula e Sérgio Moro: Duelo de Titãs

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:14
Sábado, 30 de julho

Tente!
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Tente outra vez!”
(Tente Outra Vez – Paulo Coelho / Raul Seixas)


Governar.

Palavra bonita que, segundo definição do Dicionário Online de Português, significa “Administrar: governa o país com firmeza e sabedoria”.  Que bom seria se os nossos políticos adotassem essa definição idílica do verbo governar.

Mas, infelizmente, no Brasil não é assim. A palavra governar tomou sentidos muito negativos. Se houvesse um dicionário brasileiro de politiques para o momento atual, o verbo governar, dentre as definições possíveis, teria esta: “Balcão de negócios: a arte de administrar o país baseando nas leis da corrupção, dos contratos ilícitos, sempre visando receber a maior quantidade de propina possível”.

Geralmente, vamos acompanhando os noticiários dos jornais, como se fossem peças separadas de um jogo de xadrez. Fulano de tal fez isso. Sicrano fez aquilo. Beltrano agiu assim ou assado. Porém, quando concatenados os fatos, eles se interligam e, o que eram fatos apresentados de forma fatiada, tornam-se fatos correlatos.

Pensando assim, digo que, nos últimos meses temos assistido a uma guerra de Titãs, personificadas nas pessoas de Sérgio Moro e Luiz Inácio Lula da Silva. E cada uma dessas pessoas, tomadas em universos em separado representam estruturas poderosas.  O primeiro represando a força do judiciário e o senso de justiça, e o segundo, representando o mundo, ou melhor dizendo, submundo, dos partidos políticos, e dos políticos corruptos que o habitam. Indo ainda mais longe, eu diria que é uma guerra ideológica entre bem x mal.

Convido vocês a acompanharem os capítulos desta batalha, que não deixa de ser também ideológica.

Na quinta-feira (21), a Procuradoria da República no Distrito Federal, renovou denúncia contra o ex-presidente Lula, contra Delcídio Amaral, ex-senador — que teve seu mandato cassado no dia 10 de maio do corrente ano — por tentativa de atrapalhar as investigações da Lava Jato. Também incorrem na mesma denúncia; Diogo Ferreira, ex-chefe de gabinete, André Esteves, banqueiro, Edson Ribeiro, advogado, os empresários, José Carlos Bumlai, e o filho, Maurício Bumlai. O grupo é acusado de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobrás, Nestor Cerveró, para que ele não fizesse acordo de delação premiada. A tentativa restou frustrada depois que o próprio de filho de Cerveró denunciou a negociação, divulgando áudios gravados da conversa.

A denúncia de autoria de Rodrigo Janot havia sido apresentada no início deste ano ao Supremo Tribunal Federal por causa do foro privilegiado de Delcídio. Entretanto, depois que Delcídio foi cassado, o ministro do Supremo Teori Zavaski, enviou o processo à Justiça Federal de Brasília.

Antes disso, quando Delcídio perdeu o foro privilegiado, Janot queria que o processo fosse enviado à Justiça do Paraná, diretamente para as mãos do juiz Sérgio Moro. O procurador-geral da República entendia que os fatos possuíam conexão com o esquema de desvio de dinheiro da Petrobrás. Houve uma pequena disputa no âmbito jurídico, pois os advogados de defesa sustentavam que os fatos tinham que ser julgados no local onde ocorreram. Três foram os cenários, a saber, Brasília, São Paulo, e Rio de Janeiro. O advogado de André Esteves defendia que o caso deveria ser julgado em Brasília, os de Lula, em São Paulo.

O STF chegou à conclusão de que os fatos não se conectavam ao esquema da Petrobrás, pelo menos não de forma direta, e resolveu enviar o caso para a primeira instância da Justiça Federal, em Brasília.

Na denúncia, Rodrigo Janot, afirmou, categoricamente, de Lula que ele “impediu e/ou embaraçou investigação criminal que envolve organização criminosa, ocupando papel central, determinando e dirigindo a atividade criminosa praticada por Delcídio do Amaral, André Santos Esteves, Edson de Siqueira Ribeiro, Diogo Ferreira Rodrigues, José Carlos Bumlai”, pedindo a condenação de todos os envolvidos por obstrução à justiça.

Deixo claro aos leitores, que a sucessão de fatos, e seu consequente encadeamento são uma conclusão pessoal minha.

Vendo a flecha da justiça ser acionada em sua direção, Lula tentou uma jogada política. Ele tenta levar um fato da esfera criminal para esfera política, e para tanto envolve um organismo internacional, desrespeitando, em minha opinião, todas as instâncias da justiça brasileira.

Na quinta (28), o ex-presidente, protocolou, em Genebra, Suíça, uma petição contra o Estado Brasileiro, através da qual acusa o juiz Sérgio Moro de “abuso de autoridade”.

O Comitê de Direitos Humanos da ONU analisará o caso com base na Convenção Internacional de Direitos Humanos. Nem o Comitê, nem a Convenção têm o poder de anular ou retificar qualquer decisão da justiça brasileira. O que o organismo internacional pode fazer é recomendações, dizendo se um juiz é parcial ou não.

E porque Lula decidiu tomar esse caminho?

Lula sabe que, pelo andar da carruagem, que, mais dias, menos dia, ele caíra nas mãos de Sérgio Moro, e se isso acontecer, Moro não hesitará em condenar o ex-presidente. E uma das peças chaves nessa caminhada do Lula para as mãos daquele que tanto o incomoda, é o sítio em Atibaia (SP), que o ex-presidente insiste em dizer que não é de propriedade dele.

A respeito desse assunto, na quinta-feira (28), o jornal, Folha de São Paulo, trouxe reportagem que falava em um laudo produzido pela perícia da Polícia Federal, no qual o próprio Lula, e a mulher dele, Marisa Letícia, orientaram as reformas feitas no que eles chamam de sítio, em Atibaia (SP). Detalhe, a reforma foi patrocinada pela Odebrecht e OAS, empresas envolvidas nos escândalos envolvendo a Petrobrás. Ora, como pode alguém coordenar uma reforma em uma propriedade que diz não ser dele? Reflita comigo, caro leitor: Uma propriedade que possui cerca de 173 mil metros quadrados — o equivalente a 24 campos de futebol — piscina, um lindo lago com pedalinhos em forma de cisne, uma miniatura do Cristo Redentor, sem contar a área coberta por uma farta vegetação, merece o nome de sítio?

E ainda tem a questão do luxuoso apartamento triplex no Guarujá, que Lula também diz não ser dele.

Na verdade, Lula quer montar todo esse circo, transformando fatos criminais em jogo político, a fim de chamar a atenção de organismos internacionais, primeiro para se livrar das condenações em futuros processos, e segundo, porque se livrando dessas condenações, ele tem o caminho livre para concorrer às eleições presidenciais em 2018, o que, para ele, seria a tabua de salvação.

Lembram quando Dilma, também na tentativa de salvar a pele de seu padrinho político, tentou nomeá-lo ministro da Casa Civil, para que ele, com foro privilegiado, pudesse escapar desses processos? O que fez o Sérgio Moro? Deixou vazar as conversas telefônicas gravadas com autorização da justiça. O juiz não é bobo. Sabia que seria criticado ao extremo por essa decisão, mas não teve dúvidas... E prestou um favor ao Brasil.

Ou seja, mais uma vez, o jogo de gato e rato. Dilma tentou obstruir a justiça através da nomeação de Lula como ministro, e a justiça joga um balde de água fria nos planos dos dois. Dessa vez, novamente, Lula recebe um balde de água fria.

Ao buscar ofuscar o brilho da justiça brasileira, apresentando a situação como problema político ao comitê da ONU, como quem mexe em casa de abelha, o ex-presidente assanhou os magistrados e procuradores.

Nesta sexta-feira (29), o juiz da 10a Vara Federal em Brasília, Ricardo Leite, aceitou a denúncia que havia sido apresentada pelo Ministério Público, e Lula, passou a ser réu, e levou junto com ele, Delcídio do Amaral, Diogo Ferreira, André Esteves, Edson Ribeiro, José Carlos Bumlai, e o filho dele, Maurício. Com a decisão, é a primeira vez que Lula aparece como réu em fatos ligados, ainda que de forma indireta, à Operação Lava Jato.
  
As gravações, por parte de Maurício Bumlai, que revelaram o esquema, levou à prisão, e posterior cassação do ex-senador, Delcídio do Amaral. Nas conversas, o homem de confiança de Dilma Rousseff, prometia a família de Cerveró que iria tirá-lo da prisão, através da intervenção de ministros do STF. Na ocasião, Delcídio chega a falar da possibilidade de um plano de fuga para tirar Cerveró do Brasil, e levá-lo para a Espanha, além de prometer vantagens financeiras à família Cerveró.

O Ministério Público também já havia afirmado em denúncias que Lula era o chefe do esquema de desvios de dinheiro na Petrobrás.

A decisão de recorrer ao comitê da ONU, tomada por Lula, foi bastante criticada no meio jurídico brasileiro. Carlos Velloso, ex-presidente e ministro aposentado do Supremo, disse a respeito do assunto: “Felizmente temos uma democracia plena, não é? O Poder Legislativo funcionando regularmente; o Judiciário funcionando regularmente; os nossos juízes decidindo com imparcialidade, com independência; os nossos magistrados têm independências, garantia de independência, objetivas, postas na Constituição Federal; os tribunais têm autonomia administrativa, autogoverno, autonomia; portanto, garantia de independência. Então, essa petição não tem sentido”.

Lula participava de um evento em São Paulo, quando soube da notícia, e afirmou que, se a intenção era tirá-lo da disputa presidencial em 2018, não precisariam ter usado desse artifício, e insinuou que estava quase desistindo dessa ideia, mas a decisão judicial de hoje o atiçou, que vai lutar até o último dia de sua vida, que não vai se calar diante das ameaças, e blá, blá, blá.

Aliás, essa arrogância e falta de autocrítica parece ser inerente à máscara de petista usada por ele, e por integrantes do partido, inclusive a presidente afastada, Dilma Rousseff. Por acaso, algum de vocês já ouviu Lula ou Dilma, admitirem cometer algum erro, por menor que seja. Ao contrário, a situação está um caos ao redor deles, a lama da corrupção envolve seus pés, porém, eles estão sempre a dizer: “estamos no caminho certo". Ou então, “eu não sabia de nada, nunca soube de nada”.

Entretanto, a pérola da hipocrisia veio na frase dita por Lula no referido evento desta sexta-feira, em São Paulo: “Duvido que tenha alguém nesse país que seja mais cumpridor da lei do que eu, que respeite mais as instituições do que eu”. A minha tristeza não é ele ter dito isso, dele não espero outra coisa, o que me entristece mesmo, é saber que tem muita gente que acredita nessa asneira.

Enfim, um dia essa queda de braços, esse duelo de Titãs chegará ao fim.

E que vença o Brasil! E que vença a justiça! E que vença a verdade!

É o que desejamos todos nós que sonhamos com um Brasil melhor.

0

Lá vem o pato, pato aqui, pato acolá

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:15
Quinta-feira, 28 de julho

Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há
(O pato – Vinicius de Moraes)


Prezados leitores e leitoras, olhando para o relógio e vendo o adiantado da hora, nem vou escrever texto de minha autoria hoje, em parte por causa do cansaço normal do dia-a-dia, e em parte porque o dia de amanhã promete ser longo.

Porém, compartilho com vocês o excelente artigo do colunista do El País Brasil, Luiz Ruffato, intitulado, Quem paga o pato?

Essa pergunta seria obvia se vivêssemos em um país no qual as lógicas não fossem invertidas, mas, como temos visto, o Brasil é o país que subverte qualquer lógica, chegando a serem inverossímeis os fatos que testemunhamos, diariamente, através dos meios de comunicação.

Por exemplo, o país precisa de ajustes fiscais sérios, mas quem, geralmente, paga o preço nessas ocasiões não é a elite, mas as classes menos favorecidas. Essas não esperem benefícios em um definitivo governo Temer. Dizem que, onde há fumaça há fogo, e Temer já sinaliza a fumaça de um aumento nos impostos, uma espécie de privatização do SUS (Sistema Único de Saúde).

Enquanto isso, projetos de lei como as 10 medidas de combate à corrupção estão paradas em alguma gaveta, sem interesse de nenhum partido político. Também enquanto isso, as casas de fazer e fiscalizar leis continua a ignorá-las, e a empurrar para debaixo dos tapetes os maus atos das elites corruptas.

***

Quem paga o pato?

Todas as vezes em que a elite econômica sente-se ameaçada em seus privilégios recorre a seu braço político para resolver o impasse. Não está sendo diferente agora, sob o Governo de Michel Temer

LUIZ RUFFATO
27 JUL 2016

Somos o país dos cínicos. A elite econômica, cujos interesses a elite política defende, vem dilapidando o bem público desde que aqui pisaram os primeiros europeus no século XVI. Transformaram cada palmo do território em espaço de exploração privada visando manter umas poucas famílias no gozo da riqueza e do conforto. E para isso sempre fizeram uso da mentira, da fraude, da violência. A maior parte da população, acuada pela opressão, pela miséria e pelo analfabetismo, tem como única serventia oferecer sua força de trabalho em troca de salários irrisórios e do usufruto de uma cidadania capenga.

Todas as vezes em que a elite econômica sente-se ameaçada em seus privilégios – por incompetência ou por excesso de exploração – recorre a seu braço político para resolver o impasse. Em geral, a única solução que compreende é o de impor sacrifícios ao povo. Não está sendo diferente agora, sob o governo do presidente interino, Michel Temer. Para enfrentar um quadro internacional desfavorável e uma série histórica de decisões equivocadas, Temer acena com o aumento de impostos e a supressão de direitos básicos que atingem essencialmente a classe média e os pobres.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, avisou que, caso o Congresso não estabeleça um teto para os gastos públicos, haverá aumento de impostos e os juros serão mantidos em patamar alto por longo período. Contraditoriamente, em apenas dois meses, Temer provocou um rombo de 127 bilhões de reais no orçamento da União, entre ampliação de despesas e renúncia de receitas. Foram destinados 67,8 bilhões de reais para reajuste dos salários dos servidores da ativa e aposentados; 4,8 bilhões de reais para correção do valor da bolsa-família e 2,9 bilhões de reais para ajuda para o falido Rio de Janeiro. Além disso, a União abriu mão de 50 bilhões de reais na renegociação da dívida dos Estados e de 1,7 bilhão de reais com a ampliação do Supersimples.

O Brasil, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), é o país onde os impostos arrecadados menos se convertem em serviços para a população. No entanto, possuímos uma das maiores cargas tributárias do mundo – a soma de todos os impostos pagos pelos indivíduos e empresas em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB) -, equivalente a 36%. Também somos líderes mundiais da taxa de juros reais – juros nominais menos inflação do período –, 4,5% ao ano, segundo o ranking da Infinity Asset Management, um ponto percentual acima do segundo colocado, Rússia, com 3,5%. Impostos e juros altos são combustível para destruir o orçamento doméstico.

Outra medida pensada pelo Governo Temer para diminuir os gastos públicos é o da supressão de direitos. Uma das mais importantes conquistas da frágil e confusa Constituição de 1988 foi a de garantir a universalização do acesso ao sistema de saúde. Embora precário, o pouco que o Estado oferece hoje, principalmente aos pobres, é muito mais que se oferecia antes. Cirurgias sofisticadas como transplantes, medicamentos e exames de última geração ou transporte para tratamento em outras cidades só são possíveis a boa parte da população devido à existência do Sistema Único de Saúde (SUS).

Entretanto, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, acredita que o conceito do SUS deve ser revisto. Ele quer impor limites ao direito de o paciente recorrer à Justiça para garantir determinado tratamento ou acesso a uma medicação específica. Barros pleiteia, junto ao Conselho Nacional de Justiça, a criação de varas únicas nos Estados, de núcleos técnicos e de formulários que dificultariam o processo. O ministro defende ainda o ressarcimento pelos planos de saúde privados toda vez que um paciente usar o hospital público, o que geraria uma espécie de reserva de vagas privadas, pondo em marcha a privatização do SUS.

Enquanto isso, o projeto de lei que engloba as chamadas “10 medidas de combate à corrupção”, elaboradas pelo Ministério Público Federal, está parado na Câmara dos Deputados. O projeto, que angariou mais de dois milhões de assinaturas, tem que ser analisado preliminarmente por uma comissão especial, que sequer foi instalada quatro meses após entregue com pompa e circunstância. Já a CPI da Carf, que investiga um esquema de corrupção descoberto no Conselho de Administração de Recursos Fiscais, será abruptamente encerrada, segundo anunciou o novo presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), por acordo de seu partido com o PSDB e o PSB. O Carf é o órgão que julga recursos contra autuações da Receita Federal —várias empresas de grande porte estão envolvidas em fraudes para anular multas milionárias.

Levantamento do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional indica que alcançam 1,2 trilhão de reais os débitos tributários inscritos na Dívida Ativa da União, ou seja, tudo aquilo que o Estado tem a receber de pessoas físicas e jurídicas que deixaram de recolher impostos —62% deste total é devido por 12 mil empresas, principalmente do ramo industrial. Por outro lado, o procurador da República, Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, calcula que o esquema de corrupção desvia dos cofres públicos algo em torno de 200 bilhões de reais por ano. Só para se ter uma ideia, o orçamento da saúde para este ano é de 118,5 bilhões de reais.


Em 1852, Victor Hugo, em prefácio a um de seus livros mais famosos, o romance Os miseráveis, escreveu: “enquanto os três problemas do século – a degradação do homem pelo proletariado; a prostituição da mulher pela fome; e a atrofia da criança pela ignorância – não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis”. Triste saber que 154 anos depois nos mantemos chafurdando na mesma lama.

0

A novela dos atletas russos

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:11
Terça-feira, 26 de julho


Rio. Cidade Maravilha purgatório da beleza e do caos, como diz o verso da canção de Fernanda Abreu, que tão bem te define. Estás há poucos dias do maior evento esportivo do planeta, e um dos mais antigos, e, ao invés de cantares as glórias de um serviço bem feito, escancaras constrangimentos em cima de constrangimentos.  Tens o Cristo Redentor, é verdade. Tens o Pão de Açúcar, é verdade. Tens a bela baía de Guanabara, e a Lagoa Rodrigo de Freitas, belas de longe e tão mal cuidadas quando se chega perto. Ah, Rio, se fosses tu uma cidade bem cuidada, serias o paraíso dos paraísos. Serias um céu então, se em tuas favelas e morros se ouvissem o canto dos pássaros em vez dos tiros dos fuzis.

Nosso Rio, brasileiro, de Janeiro, se já és cartão postal, apesar de todos os problemas que os cidadãos e governantes criaram para ti, imagine o que serias sem esses problemas?

Preparas-te, como podes para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos que já batem às tuas portas. Já começas a receber as delegações estrangeiras e os turistas que vem prestigiar o evento. Na tão falada Vila Olímpica, já se hospedam 115 delegações estrangeiras. Porém, ò vila, tu que poderias imitar-te a cidade no cognome, também és passível de constrangimentos. Não por causa de ti mesma, mas devido ao porco serviço que fizeram os construtores. Como sempre, e como tudo por aqui, tudo foi deixado para ser feito em cima da hora. A Vila Olímpica do jeito como foi apresentada aos atletas parece-se com um sepulcro caiado: bonito por fora, e um horror por dentro.

O avião da equipe australiana pousou no Galeão, a delegação pisou em solo brasileiro, e... Dirigiu-se contente para a Vila Olímpica. Chegando lá, alegria virou decepção. Fiação exposta, vazamentos, falta de iluminação, banheiros bloqueados, e uma sujeira enorme. Os australianos bateram pé, se recusaram a entrar naquelas péssimas acomodações enquanto os problemas não fossem solucionados, e a chefe da delegação resolveu levar seus atletas para um hotel, até que tudo esteja resolvido. Outras dezenas de delegações também reclamaram das péssimas acomodações.

Os problemas dos quais os atletas reclamaram, já haviam sido reportados antes pelos 3.500 homens das Força Nacional de Segurança que chegaram à vila em meados deste mês. Os agentes reclamaram de alojamentos sem água, sem colchões, banheiros e cozinhas mal acabados, além do atraso no pagamento dos salários. Porque então, as autoridades não resolveram esses problemas antes? Pelo menos não teriam que passar vergonha perante as delegações estrangeiras? Até o início dos jogos deverá estar tudo normalizado, mas o constrangimento inicial, a má impressão essa não será apagada.

Apesar de tudo, e tirando os problemas, as delegações estão tranquilas em relação aos seus desempenhos naquelas modalidades de esportes na qual são campeões. Tranquilas e ansiosas também, afinal, cada qual espera dar de si o melhor para conquistar a tão sonhada medalha de ouro, que seja de prata, ou bronze, tá valendo.


Entretanto, quem não está tão tranquilo assim, são os esportistas da Rússia. Ás vésperas dos jogos do Rio, aquele país está numa saia justa perante a Agência Mundial Antidopagem (WADA) e o Comitê Olímpico Internacional (COI). A delegação russa corria, inclusive, o risco de ser banida dos Jogos Olímpicos do Rio e de competições internacionais.

Na manhã de domingo (24), o COI, reunido em Lausanne, após longa polêmica, resolveu permitir a participação dos atletas russos na Rio 2016, com a condição de que eles demonstrem não ter nenhuma relação com o escândalo de doping em massa patrocinado pelo governo russo. Caberá a cada federação internacional de esportes, avaliar, caso a caso, os atletas russos. Os atletas que já tinham no currículo algum histórico de doping, mesmo tendo já cumprido as respectivas punições, a esses é negado o direito de participar das competições. Pelo visto, as federações internacionais, há poucos dias da Olimpíadas e Paraolimpíadas, terão muito trabalho em relação aos atletas russos.  

A WADA não gostou nenhum pouco da decisão do COI deste domingo, e a criticou duramente. O órgão responsável pelo controle das substâncias utilizadas pelos atletas queria punição mais dura, como a exclusão da Rússia da Rio 2016.

Toda essa confusão, na verdade, começou ainda em fins de 2014. Naquela época, o esquema foi denunciado por Grigory Rodchenkov, ex-diretor do laboratório nacional antidoping russo. Rodchenkov afirmou que havia um esquema de manipulação de amostras, e que esse esquema tinha total apoio das autoridades russas.

A partir dessas denúncias, a ARD, emissora de TV alemã, em pareceria com o britânico, The Sunday Times, produziu um documentário no qual revelava o esquema de doping institucionalizado na Arfa, Federação de Atletismo do país, esquema esse que era acobertado pela autoridades do esporte na Rússia. O documentário foi como colocar fogo num paiol, e o incêndio de grandes proporções se alastrou rapidamente, e ficou difícil para os russos controlá-lo.

A partir dessas denúncias, a Agência Internacional Antidoping (WADA), criou, ao final de 2015, uma comissão independente para apurar o caso. Essa comissão, formada por grandes nomes do esporte, tais como; Richard MacLaren, árbitro da Corte Arbitral de Esportes (CAS), e professor de Direito; Richard Pound, ex-presidente da WADA; e Gunter Younger, chefe do departamento de cibercrimes, da Baviera, apresentou um relatório de 325 páginas, no qual recomendava à Federação Internacional de Atletismo (IAAF), que suspendesse a participação dos atletas russos nas práticas de atletismo, incluindo as Olimpíadas do Rio.

No relatório, apresentado em Genebra, Suíça, a comissão também acusava o governo russo de ser cúmplice no esquema, praticando, inclusive, tentativas de omiti-lo. Também era pedido pela comissão que cinco treinadores e cinco atletas russos fossem banidos do esporte. A comissão também pedia no relatório o banimento do esporte de Maruya Sanivova. Sanivova foi campeã olímpica nos 800m, em Londres, 2012. A mesma punição também foi pedida para Ekaterina Poistogovam medalhista de bronze no mesmo ano, e na mesma prova.

As acusações eram graves e, segundo a comissão, agentes do FSB, serviço de inteligência russo, se infiltraram laboratórios dos trabalhos antidoping dos Jogos de Inverno de Sochi. Ainda segundo a comissão, isso comprometeu seriamente os trabalhos antidoping. O próprio Ministro dos esportes, Vitaly Mutko, teria emitido ordens para que amostragens de doping fossem manipuladas. O esquema criminoso funcionou entre 2011 e 2015, transformando resultados positivos em negócios e prejudicando o bom andamento do esporte.

De acordo com as investigações realizadas pela comissão independente da WADA, durante as madrugadas dos Jogos de Inverno de Sochi, sudoeste do país, em 2014, frascos com urina contaminada eram, deliberadamente, esvaziados, e sem seu lugar, era colada urina pura, colhida dos próprios atletas, que haviam sido colhidas alguns meses antes, e guardadas para a fraude. O objetivo do esquema era garantir a hegemonia dos atletas russos durante a competição, uma espécie de superatletas. Não se sabe se por causa deste esquema, mas naqueles jogos a Rússia, realmente, teve um desempenho excelente, conquistando 33 pódios, e 13 medalhas de ouro. Há alguns dias, a Rússia havia sido banida dos jogos do Rio, pelo Tribunal Arbitral do Esporte. O país havia entrado com recurso alegando que atletas que não tinham resultado positivo de doping estavam sendo punidos injustamente e perdeu.

Porém, o Comitê Olímpico Internacional resolveu dar uma colher de chá para os russos e liberar a participação dos atletas russos sob determinadas condições, o que irritou a Agência Internacional Antidoping.


É isso. Nas Olimpíadas e Paraolimpíadas do Rio, é cada um por si, e cada qual com seus problemas. Não havendo nenhum incidente desagradável, como ataques terroristas e zika, problemas de segurança pública, nem manipulação de resultado de doping, o resto vale a festa. 

0

Malditos lobos solitários

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:08
Domingo, 24 de julho


Lobo. Suas origens remontam a Era do Gelo. Seus ambientes preferidos, aqueles nos quais esses animais se sentem em casa, são as florestas, os desertos, as savanas, desertos e montanhas.  Apesar de muito ferozes, entre si, eles são animais sociáveis, pois costumam viver em alcateias.  Engana-se quem pensa que um lobo pode fazer o que quiser, quando quiser, e como bem entender dentro de sua comunidade. Não. Cada lobo tem suas funções a desempenhar no bando, e também obedecem a uma hierarquia. São exímios corredores, chegando, quando em perseguição a uma presa, a uma velocidade de 65 km por hora. Sua forma de comunicação com os demais do bando são os uivos. Os lobos são natureza. E a menos que você seja louco ou demente, irá correr de peito aberto em direção a um bando de lobos. Ou seja, é bem pouco provável que você seja atacado por um lobo durante sua existência.

Mas, recentemente, tem surgido uma espécie de lobo que é perverso e cruel. O lobo das montanhas ataca para se defender, esse outro, ataca por covardia e vingança. Seu ambiente preferido não são as savanas, mas os grandes centros, principalmente, aqueles lugares onde há grandes aglomerações de pessoas. Podem até aparentar ser sociáveis, mas tudo não passa de aparências. Por dentro estão cheios do negrume do ódio.

Falo da ameaça dos lobos solitários, indivíduos que bebem na fonte macabra das ideias dos grupos radicais, como por exemplo, o Estado Islâmico. Esses indivíduos, na maioria das vezes, não são ligados aos grupos centrais ou afiliados, mas sua ação é inteiramente motivada pelas ideologias tortas desses grupos.

Os lobos solitários vivem imersos na sociedade da qual fazem parte. Na maioria das vezes, levam uma vida normal, sem despertar suspeitas. Em muitos depoimentos acerca desses casos, já ouvi dizer deles que eram pessoas tranquilas e serenas. Tranquilos e serenos por fora, por dentro, essa nova espécie de lobo, não vê a hora de ver escorrer sangue inocente.

Diferentemente dos lobos das floretas e montanhas que usam o uivo como forma de comunicação, os novos lobos são bem mais sofisticados em relação a essa questão. Eles usam o mais moderno dos meios de comunicação: a Internet. Sem, contudo, deixar de fazer uso de qualquer meio tecnológico que sirva para alimentar ou difundir ideais envoltos em trevas. As redes sociais tão usadas para pessoas de todo o mundo para interagirem com a aldeia global, serve a essas pessoas como forma de radicalização. Para efetuar seus planos diabólicos os lobos solitários não hesitam em tornar seus crimes ainda mais cruéis ao fazer uso de armas de fogo, ou bombas, muitas vezes, amarradas ao próprio corpo. Livrai-nos Deus, desses emissários do mal.

A poucos dias dos Jogos Olímpicos — faltam apenas 12 dias — a polícia do Brasil, descobriu, na semana que passou, um grupo amador, que se articulava para, possivelmente, praticar algum atentado durante os Jogos Olímpicos.

Foi na quinta-feira (12), que, em operação sigilosa contra o terror, a Polícia Federal prendeu 10 pessoas, em sete estados brasileiros. Foram emitidos 12 mandados de prisões, mas, naquela manhã de quinta-feira, a PF só conseguiu prender 10 deles. Na noite de sexta-feira (22), a PF prendeu mais um suspeito, e o outro se encontra foragido.

Segundo as autoridades, o grupo era uma célula amadora ligada ao Estado Islâmico, mas sem nenhum preparo. Mas, nem por isso, deixou-se de ter para com eles uma ação enérgica e vigilante. O grupo nunca havia se encontrado pessoalmente. Os contatos entre eles se davam pela Internet, e através dos aplicativos de mensagens instantâneas. Apenas dois deles, se conheciam pessoalmente.

Há meses a PF vinha monitorando o grupo. Nesse monitoramento, a equipe de investigadores descobriu que os terroristas amadores, faziam apologia ao terrorismo, e até comemoraram os atentados que ocorreram em Orlando e em Nice. O grupo também postava execuções praticadas pelo EI. Monitorando as conversas a Polícia descobriu que eles compraram um fuzil AK-47, em uma loja clandestina no Paraguai.  E foi no momento em que os homens passaram da simples apologia para atos preparatórios de terrorismo, que a polícia decidiu prendê-los.

O grupo já havia feito contato com integrantes do Estado Islâmico pela Internet, chegando, inclusive a realizar um juramento, que é uma espécie de batismo. Célula amadora ou não, melhor tê-los presos, que circulando por aí, poderem atentar contra a vida de inocentes.

Falando de Estado Islâmico, o grupo terrorista, e outros grupos jihadistas têm enviado mensagens através do Telegram — um serviço de mensagens parecido com o WhatsApp. As mensagens convocam os tais lobos solitários a exercerem sua sede de carnificina durante os Jogos Olímpicos do Rio. As informações foram divulgadas pela empresa SITE — uma empresa de consultoria especializada em ações de grupos extremistas pela Internet.

Acidentes de trânsito, uso de venenos e medicamentos, drones com pequenos explosivos, são dicas dados pelos grupos terroristas de como espalhar o medo e o terror durante o evento esportivo no Rio. Os alvos principais desses ataques seriam os grupos advindos da França, Israel, e Estados Unidos. Mas numa hora dessas, caros leitores, sobra pra quem estiver por perto.

Os grupos terroristas autores das mensagens destacam a seu favor as fraquezas do Brasil na área de segurança, a crescente criminalidade nas favelas, e a facilidade de entrar com armas pelas fronteiras brasileiras. Apesar disso, autoridades brasileiras, em se tratando de atos terroristas durantes os jogos, ainda mantém o sinal amarelo. Porém, o clima está longe de ser tranquilo. Tranquilidade pode e deve existir, até para não espalhar pânico na população do Rio e delegações estrangeiras.


Em tempos de atos terroristas cada vez mais frequentes, finalizando esse texto, eu peço: livrai-nos Deus desses malditos lobos solitários. 

0

O inesperado aconteceu na América... Espero que não aconteça o pior

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:19
Quinta-feira, 21 de julho


Caros leitores e leitoras, não tenho abordado aqui assuntos internacionais, primeiro porque meu conhecimento não é assim tão vasto, e não gosto de falar de qualquer assunto, de qualquer jeito, e segundo porque me falta o tempo que gostaria para falar também desses assuntos, mas, dessa vez, não pude evitar. E não pude evitar porque um homem no comando da Casa Branca comanda, de certa forma, os destinos do mundo, queiram os mais radicais ou não.

Pois bem, na América, acaba de ser confirmada a candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

Eu sempre costumo compartilhar textos de algum outro veículo de comunicação ao final, mas desta vez, farei isso no início. Ontem, (20), no início da madrugada, no Jornal da Globo, o jornalista, Arnaldo Jabor, fez um comentário que gostaria de trazer para este espaço. Dizia ele:

No mundo inteiro as forças do atraso estão se congregando. A lentidão da democracia impacienta as massas, e surge um desejo de radicalismo, e se cria o grande perigo que existe na democracia, que pode ser usada para sua própria destruição. O historiador Tocqueville, em seu livro definitivo sobre a democracia na América, chamou essa possibilidade de “a ditadura da maioria” porque a liberdade pode legitimar o totalitarismo, e estimular a grossa vontade de botar pra quebrar. Já vemos essa tendência no neonazismo, na Alemanha, a subida da direita na França, o recente desastre da Inglaterra, o pré-ditador Erdogan, na Turquia, e a besta do Maduro. E tudo isso sobre uma primavera de homens bomba. Donald Trump é um mal. É o atraso. É a vitória da estupidez e da caretice. Vocês viram as suas mulheres republicanas, falando fino, como barbies, iguaizinhas, com cabelo de chapinha. Todas as republicanas são peruas. Agora, se esse elemento for eleito, estaremos ameaçados. Trump não pode botar a América contra o mundo, propondo um muro no México, condenação de minorias, e pior que tudo, um maluco irresponsável com os códigos da guerra atômica entre os dedos. A única vantagem do Trump é que, se ele não for eleito, que Deus ajude, ele será a caricatura definitiva do partido republicano. Certamente, Trump é candidato preferido do Puttim e do Estado Islâmico.
O que parecia impossível aconteceu... E isso não é nada bom, nem para os Estados Unidos, nem muito menos para os outros países do globo terrestre.

Na terça-feira (19), após uma acirrada batalha, o magnata Donald Trump, finalmente, conquistou a vaga para concorrer à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano.

Se alguém, no início da campanha, me dissesse que isso aconteceria, eu diria dessa pessoa que é utópica e sonhadora. Mas, enfim, não sei foi o dinheiro, e, diga-se de passagem, o muito dinheiro de Trump, ou se foram suas tresloucadas ideias, que o levaram a tão importante conquista, que, queira Deus, pare por aí. As eleições americanas ocorrem em 8 de novembro e a briga será acirrada entre Hilary e Trump. Espero que os americanos tenham sabedoria para escolher o melhor, ou melhor, dizendo, a melhor.

Após o segundo dia da convenção do partido, em Cleveland, Ohio, na qual os delegados do Partido Republicando elegeram o bilionário do ramo imobiliário como candidato do partido à Casa Branca, Trump logo correu para as redes sociais para publicar a seguinte mensagem:

É uma grande honra ser o indicado republicano para presidente dos Estados Unidos". Trabalharei duro e nunca lhes decepcionarei! AMÉRICA PRIMEIRO!
Donald Trump obteve o apoio de 1.725 delegados dentre os 2.472 que tinham direito a voto. Em termos de porcentagem, 69,8% dos delegados resolveram dar um voto de confiança a Trump, contra 30,2% que assim não procederam. O resultado revela algo preocupante, qual seja, o de que nem os próprios republicanos estavam contentes com a escolha, pois o resultado representa um índice de rejeição que só havia ocorrido na campanha de 1976, quando Ronald Reagan foi vencido por Gerald Ford.

No caso da surpreendente vitória de Trump, vale o dito popular “ri, melhor quem ri por último”, pois tanto os analistas políticos, quanto a imprensa americana duvidavam do que aconteceu na terça.

E o que é pior, o candidato do Partido Republicano, venceu a campanha com discursos estapafúrdios e mirabolantes, cheios de xenofobia, intolerância, e preconceito. Por exemplo, o muro a que Jabor se referiu no comentário ao Jornal da Globo, é uma das propostas de Trump de construir um muro na fronteira com o México, cujo objetivo é barrar a imigração ilegal. É dele também a proposta de barrar a entrada de muçulmanos no país. No primeiro caso, é bom que os americanos se lembrem de que muros houve na Alemanha, e a Alemanha não virou um céu, mas um inferno. No segundo caso, é bom também que eles analisem que, barrando a entrada de mulçumanos, estão cometendo uma justiça, de um lado contra aqueles que, realmente, merecem esse nome, e do outro, estão atraindo a ira daqueles que não merecem esse nome.

Lembremos também de que essas ideais tresloucadas arrepiaram os cabelos dos próprios republicanos durante a campanha. E não se espere por parte da maioria destes um apoio ardoroso a Trump.

Quando Donald Trump alçou a posição de favorito, indo parar no topo das pesquisas de opinião, pouca gente levou isso a sério, e, apenas pensavam: “quanto tempo ele permanecerá lá?” A cada discurso controverso de Trump, eles apenas renovavam esses pensamentos. Jeb Bush, também republicano que disputava vaga com Trump, o chamou de “candidato do caos” que seria um “presidente do caos”. Mas Trump, tal qual burro teimoso, empacou no topo das pesquisas, e de lá não mais saiu. Ao contrário, viu seus adversários caírem, um a um.

O que levou Trump a vencer a disputa dentro do próprio partido?  De onde vem sua popularidade. Em minha opinião, vem das ideias, ou melhor, da falta delas. Há tempos não se tem discursos ideológicos fortes, que digam a verdade que a sociedade precisa ouvir, como por exemplo os discursos de Luther King, nem muito menos, políticos dispostos a lutar por uma causa, de fato, humanitária. Hoje, parece mais fácil erguer muros para não ver o outro, ou impedir a entrada deste ou daquele grupo, ou denominação religiosa, como se isso resolvesse o problema da loucura na qual o mundo se vê enredado, como se essas atitudes fossem passíveis de resolver conflitos internos e externos.

É também essa falta de idealismo que leva os jovens a se alistarem nas fronteiras do Estado Islâmico. Diz o ditado popular que “mente vazia é oficina do diabo”, e é verdade. Se você não vê à sua volta ideias que levem o mundo em uma direção mais harmoniosa, então, meu amigo, minha amiga, qualquer porcaria em forma de ideia que lhe apresentarem, você encara de primeira. Talvez se arrependa depois, mas daí já será tarde para voltar ao caminho da luz.

Isso é o que penso, mas vamos ao pensamento dos analistas políticos. Dizem eles que grande parte dos eleitores americanos estão descontentes com a classe política, que anda esquecida das aspirações e necessidades do povo americano. Mas daí, como diz outro ditado popular a “chutar o pau da barraca”, é demais, vocês não acham? Trump deve ter percebido esse descontentamento dos eleitores para com a classe política, pois, ainda em campanha, afirmou: “Não sou um político. Políticos mentem”. Assim, Trump mentiu duas vezes.

Também deve passar pela cabeça de muitos eleitores que a capacidade de Trump para os negócios, também sirva para governar bem o país. Outros devem pensar que, por ser um candidato espontâneo que fala a verdade, ele saberá administrar melhor os conflitos internos e externos. Pra começar, o candidato não fala a verdade, ele fala é muita bobagem, isso sim. E quem confunde bobagem com verdade, pode acabar com os dois pés na lama.

Acredito que, com Obama, os americanos tiveram um governo sem muitos sobressaltos, além do mais, Obama se apresenta como tendo raízes no Kansas e no Quênia, portanto, um símbolo de integração entre os povos, e não de segregação. Além disso, como negro, Obama, representa a igualdade racial, a oportunidade de os negros galgarem posições elevadas na sociedade. Além disso, Obama tinha um discurso de tolerância em relação aos gays, aos imigrantes, e aos mulçumanos, e isso se chama avanço. Diante disso, eu fico me perguntando: escolherão os americanos o retrocesso?

Eu, particularmente, penso que os americanos deram um grande avanço ao escolher um negro como presidente. Acho que eles continuariam a avançar se escolhessem uma mulher para presidir a nação. Quebra de tabus. Na maioria das vezes, isso é muito bom.

Para finalizar, as opiniões contrárias a chegada de Trump à presidência dos Estados Unidos se multiplicam. Além da opinião de Arnaldo Jabor, que, praticamente, abre esse artigo, tem também a opinião de Ernesto Samper, ex-presidente colombiano, e atual presidente da Unasul — organização que reúne doze países da América do Sul, ele disse estar aterrorizado ante a possibilidade de que Trump vença Hilary, e o comparou ao monstro Godzila, que há tempos espalha medo e pavor nas telonas. As afirmações foram feitas à AFP, em Paris.

Um estudo do Economist Intelligence Unit (EUI), aponta o candidato republicano como uma ameaça em nível global, caso ele chegue a presidência. O serviço de análises do The Economist diz que a ascensão dele seria igual a uma ascensão da economia do grupo jihadista, ou como uma ascensão econômica do Estado Islâmico.

Não poderia também de deixar de comentar aqui o plágio do discurso de Michelle Obama, que a mulher de Donaldo Trump fez na terça-feira, por ocasião da vitória do marido. Ora, uma candidata à primeira dama que não tem nada de interessante a dizer, e plagia o discurso de outra, merece mesmo o nome de Barbie, a boneca que tem corpo bonito, roupas elegantes... E nada na cabeça.

Copyright © 2009 Cottidianos All rights reserved. Theme by Laptop Geek. | Bloggerized by FalconHive. Distribuído por Templates