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Eu também tenho um sonho

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:47
Quinta-feira, 30 de junho

Sonhar
Mas um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
(Sonho Impossível - J. Darion - M. Leigh –
Versão Chico Buarque e Ruy Guerra/1972.
Para o musical O Homem de La Mancha)



Caríssimos, e caríssimas,

Permitam-me na postagem de hoje, fugir do factual e tétrico cenário político brasileiro, e mergulhar nos mares do sonho, na esperança de que banhado pelas águas do mar sagrado — mar este que, segundo a crença cristã, foi divido em dois para que o povo hebreu pudesse fugir da ira e da opressão do faraó — possamos fazer aquilo que era sonho, transformar-se em agradável realidade.

E a transformação do sonho em realidade, sempre implica em luta, e muitas vezes em sofrimento e renúncia. Mesmo, assim é algo pelo qual se vale a pena lutar.

Convido vocês a viajar nas asas do sonho, mas sem perder de vista a realidade brasileira, cheia de contradições e controvérsias.

O texto que ofereço a vocês na postagem de hoje, o escrevi inspirado no, Eu tenho um sonho, famoso discurso de Martin Luther King Jr, proferido em frente ao Memorial de Abraham Lincoln, em Washington, em 28 de agosto de 1963. O discurso, desde então, tornou-se um marco na luta pelos direitos humanos e civis, e pela igualdade racial.

Salve, guerreiro Luther King!

Obrigado pelas inspiradas palavras que a tantos tem inspirado, em todas as partes do mundo.

***



Eu também tenho um sonho

Eu também tenho um sonho. Um sonho brasileiro.

Eu sonho com o dia em que as taxas e sobretaxas dos muitos impostos que pagamos, sejam revertidas para nós em benefícios nas áreas de educação, saúde e segurança, melhorias das rodovias estradas por onde transitam os caminhões que levam os produtos do campo para a cidade, e da cidade para o campo.

E quão numerosas são as nossas cargas tributárias... De sol a sol, noite e dia, dia noite, o trabalhador brasileiro sai de casa para ganhar o seu sustento diário. É verdade que, em tempos de era digital, muita gente trabalha em casa mesmo. Entretanto, mesmo trabalhando no conforto de sua residência, esse, também incansável trabalhador, tem sob os ombros o peso dos impostos, tanto quanto os trabalhadores tradicionais, que são a grande maioria.

São cinco meses trabalhando para o governo, e tão somente para o governo. Colocando no papel, e fazendo uma soma geral, são 150 dias de trabalho apenas para pagar impostos. Cinco meses de sufoco que consomem cerca de 42% do nosso salário.

E para que, caros leitores? Para que tanto sacrifício? Temos algum retorno de todo esse sacrifício?

Basta olhar as escolas deterioradas, os hospitais sucateados, a saúde pública em frangalhos, as cidades abandonadas e sem oferecer a devida segurança aos cidadãos brasileiros, e estrangeiros que nos visitam, para ver que não temos nenhum retorno da fortuna que pagamos das cargas tributárias.

E para onde vai todo esse dinheiro, caros concidadãos brasileiros?

Para buscar a resposta, olhemos para a ostentação em nossas casas legislativas. É lá que é gasto, pelo menos, uns 90% de toda essa dinheirama, senhores e senhoras, cidadãos e cidadãs brasileiros. Os nossos parlamentares do Congresso Nacional (Câmara e Senado), custavam, em 2014, segundo dados do site Congresso em Foco, 1.104.128.508, 56 bilhão de reais. Mais de um bilhão de reais por ano, isso segundo cálculos de 2014, fazendo as atualizações, teremos, evidentemente, um valor bem maior. 

É nisso que vai embora nosso tão suado dinheiro pago com pesados impostos na infinidade de benefícios concedidos aos nossos parlamentares alojados em verdadeiras mansões e apartamentos à custa do Estado brasileiro, comendo e bebendo do bom e do melhor, circulando por Brasília em seus luxuosos carros oficiais, e atravessando os céus do Brasil em aeronaves pagas com dinheiro do contribuinte, sem contar com outros tantos benefícios e facilidades ofertados pelo Estado brasileiro à “nobre” classe política.

Eu pergunto: tem valido a pena servir de agulha para tanta linha ordinária?

Eu tenho o sonho de que o lucro de nossas estatais sirva para alavancar o crescimento econômico de nossa nação, que o nosso ouro negro, jorre lucros e dividendos que possam servir para alicerçar nossa educação em bases sólidas para que, nossas universidades possam formar-se cientistas, que, com seu conhecimento busquem soluções eficientes para a vida em nosso solo verde e amarelo, em suas mais diversas áreas.

Entretanto, o que vemos? Vemos, dos ricos poços da Petrobrás, jorrar incansável e imensa quantia de dinheiro que tem ido abastecer os cofres dos partidos políticos e, consequentemente, as campanhas dos candidatos desses partidos. Eles sangram e usurpam nossos tesouros em proveito de interesses mesquinhos e criminosos, que nada tem a ver com democracia e governança. Suas tétricas festas são regadas a vinhos e queijos que custaram o suor de cada brasileiro.

Eu sonho com o dia em que crianças de ricos e pobres possam estudar nas mesmas escolas, ler os mesmo livros, e ter as mesmas oportunidades na vida. Afinal, o bondoso sol não nasce todos os dias, e sobre cada filho dessa nação não brilha o mesmo sol? Por acaso, ricos e pobres também não enchem os bolsos do governo dos mesmos impostos?

Eu também sonho com o dia em que se possa dizer da educação neste país: É PRIORIDADE. Pois, somente no dia em que isto, acontecer, nós pararemos de colocar no comando de nossa nação uma gente sem escrúpulo, criminosa, omissa, ou conivente, pois, tendo sido clareadas as mentes, saberemos fazer boas escolhas, e já não haverá trevas em nossas casas legislativas, porque a luz do conhecimento terá feito brilhar sobre elas a luz da verdade e da justiça, e nas casas e nos corações nos quais brilhe a luz da verdade e da justiça, não pode haver criminosos, nem muito menos quem os acoberte.

Eu sonho com o dia em que aqueles que precisam tratar-se nos hospitais públicos do campo ou da cidade, sejam tratados com dignidade e respeito, e não sejam jogados em macas e corredores para morrer à míngua na casa da saúde. Afinal, eles trabalharam a vida inteira para poder ver uma mão estendida por parte do Estado brasileiro.

Eu tenho sonho de viver em um país no qual o negro não possa depender de vagas em universidades através dos sistemas de cotas, porque a educação é tanto deles quantos dos brancos que ocupam os bancos das universidades — e aqui nem falo tanto das universidades particulares, mas sim das universidades públicas, que deveriam, por si só, sem precisar de cotas e outros recursos mais, acolher os negros, e colocá-los no caminho de uma carreira acadêmica, condição que por séculos lhes foi negada.

Eu tenho um sonho de que as gerações possam viver em país no qual as pessoas possam ser respeitadas pela cor de sua pele, pela sua religião, e pela sua condição social. Aí sim, teremos experimentado o que é viver em uma sociedade realmente evoluída, culta, e sensível às necessidades dos que caminham ao nosso lado.

Eu tenho um sonho hoje, que é também o nosso sonho também de ontem e do amanhã: o sonho de que nas matas e rios da Amazônia, nos prados do Sul, nas caatingas do sertão do nordeste brasileiro, ou nas belas praias de seu litoral, nas montanhas e vales de Minas Gerais, nos campos e cidades do sudeste, e em cada pedaço dessa nação, abrigada sob a bandeira verde, amarela, azul e branca, floresça a ORDEM E O PROGRESSO para todos, sem distinção.

E quando assim se fizer, todos: católicos, protestantes, negros, brancos, judeus, umbandistas, pobres e ricos, crianças e velhos, jovens e adultos, se darão as mãos, pois terão se reconhecido participes de uma mesma raça: a raça humana, e filhos do mesmo Deus.

E nesse, de mãos dadas, afastando toda corrupção, mágoa e dor, orgulhosos, cantaremos os versos do Hino de nossa independência: “Já podeis da Pátria filhos, ver contente a mãe gentil, já raiou a liberdade, no horizonte do Brasil, já raiou a liberdade, já raiou a liberdade, no horizonte do Brasil”.

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