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De grão em grão, a galinha enche o papo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:10
Sábado, 25 de junho


Apesar do burburinho causado mundo afora, pela saída do Reino Unido de um dos blocos econômicos mais poderosos do mundo, a União Europeia, que em minha modesta opinião, foi um erro, mas enfim, eles deram um tiro no escuro, vamos ver se a bala acerta alguma caça, ou não. A despeito disso, continuarei voltando os olhos para o nosso tão conturbado e incerto cenário político brasileiro. Boa sorte para o Reino Unido... Boa sorte para a Europa... E vamos a nossa postagem de hoje.

Além da crise ético-política pela qual passa o Brasil, eu, em meu universo particular, e olhando todo esse cenário, vivo uma crise conceitual. Não sei mais ao certo, o que de fato, seja um partido político, uma vez que eles tem se assemelhado muito mais a organizações criminosas, do que propriamente, a partidos.

O que é um partido político? Um partido político é uma organização burocrática constituída com a finalidade de organiza-se de disputar eleições, ocupar cargos públicos, elaborar leis e projetos. Ou seja, um partido é um grupo organizado com a finalidade de conquistar poder. Até aí tudo bem. É assim em qualquer parte do mundo. Mas, no Brasil, pelo que temos visto ultimamente, as finalidades e objetivos começam a ser desvirtuadas no seguinte ponto. Dentro desses conceitos, os políticos se organizam em partidos para representar uma parcela da população, e defender seus interesses.

Ora, temos visto ocorrer, o avesso disso. Os políticos brasileiros, pelos menos a grande maioria deles, organizam-se, elegem-se através do soberano voto popular... E vão cuidar, não do interesse de uma parcela da população, mas sim, de si mesmos e de seus grupos políticos.

E quanto à organização criminosa?

O parágrafo 1º, do artigo 1º, da Lei 12.850/2013 diz:

Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.

Como não sou filiado a nenhum partido, nem tenho compromisso com nenhum candidato, posso falar à vontade essas coisas, dito de outra forma, fico à vontade para falar a verdade.

Na quinta-feira, tivemos outra notícia explosiva, para o ambiente político brasileiro, e para todos os brasileiros que, sem os véus da ideologia hipócrita que cega o indivíduo, se indignam a desfaçatez, hipocrisia, e falta de caráter de nossa classe política.

A notícia de que falo foi a prisão do ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Paulo Bernardo. Bernardo foi ministro do Planejamento no governo Lula, e ministro das Comunicações no governo Dilma, e é suspeito de desvio de dinheiro de empréstimos consignados de funcionários públicos federais.

Se é verdade que aquele que está na escuridão acostuma-se a viver nela, não é verdade que aquele que vive em sistemas administrados por corruptos devam se acostumar com eles. Não de forma alguma. Ouvia o procurador da República Andrey Borges de Mendonça dizer em entrevista aos veículos de imprensa, em relação aos desvio de dinheiro dos consignados que “Isso tem que nos causar indignação, isso não pode ser algo natural da nossa sociedade.” E concordo plenamente com ele. Nós não podemos mais continuar a viver nas trevas, como por muito tempo estivemos quando silenciamos em relação aos corruptos e aos escândalos de corrupção. Por muito tempo, ouvimos a tola afirmação em relação aos políticos “todo mundo rouba”, mas será que depois dessa praga que é a corrupção ter arruinado o nosso país, depois que os sistemas de saúde, educação e segurança estão um caos, depois de tantas desilusões em relação aos nossos políticos, eu pergunto: será que não está na hora de pensarmos diferente, e elegermos pessoas diferentes?

Voltando ao fato central desta postagem.

Segundo o superintendente adjunto da Receita Federal, Fábio Ejchel, a operação deflagrada na quinta-feira pela PF recebeu o nome de Custo Brasil, porque “ela é um exemplo de como a corrupção e a sonegação prejudicam um cidadão e fazem com que o custo de todas as suas operações acabe sendo muito mais alto tanto para as pessoas físicas como para as empresas”. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Pernambuco, e no Distrito Federal, onde foi preso o principal operador do esquema, Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann, do PT. A Polícia Federal revistou o apartamento funcional da senadora na capital federal, e também fez buscas no apartamento do casal, em Curitiba.

Em São Paulo, um grupo de oito homens da PF, integrantes da equipe de elite, especializada no controle de distúrbios fez busca e apreensão na sede do Partido dos Trabalhadores, de onde levaram caixas contendo recibos e material referente a campanha eleitoral de 2014.

Entre os presos nesta operação estão ainda, Walter Correa da Silva. Walter foi secretário adjunto de Paulo Bernardo quando este era ministro do Planejamento, e atualmente, estava na Secretaria de Gestão, do governo Paulo Hadad (PT), após saber do pedido de prisão, Walter pediu demissão; Paulo Alberto Alves Ferreira, ex-tesoureiro do PT, e atual funcionário da Câmara dos Deputados.

Vocês já repararam que em todos esses grandes escândalos de corrupção, sempre há um tesoureiro do PT envolvido? Foi assim dom Delúbio Soares, João Vaccari Neto, e agora esse Paulo Alberto. Penso que a condição exigida para ser tesoureiro do Partido dos Trabalhadores é ser desonesto, saber operar com perfeição esquemas refinados de corrupção. Penso ainda que se chegar algum candidato à vaga de tesoureiro do partido e que, pelo menos, parece ser honesto, não ficará com a vaga.

E como funcionava o esquema? Tudo muito bem organizado e discreto, cheio de transações ilícitas, como convém a uma organização criminosa, e não a um partido político.

O que é um empréstimo consignado? Em poucas palavras, é aquela modalidade de empréstimo concedida a funcionários de empresas pública ou privadas, bem como a aposentados. Nele o desconto é feito diretamente na folha de pagamento do trabalhador ou aposentado. É bastante atrativo para ambas as partes envolvidas no contrato, por oferecer taxas de juros mais baixas, e pelo risco de inadimplência ser de 0%. Claro que, apesar de todas essas facilidades, só recorre ao consignado que está passando por apertos financeiros. E nem a esses as aves de rapina perdoam.

O esquema criminoso começou em agosto de 2009, e vigorou até agosto de 2015, quando a Operação Pixuleco, foi deflagrada pela PF. A Pixuleco, por sua vez, forneceu elementos que levaram a PF a deflagrar a Operação Custo Brasil, que por sua vez, resultou na prisão de mais um dos figurões do PT.

O “pulo do gato” como diz o ditado popular, estava nas taxas de administrações cobradas pela empresa contratada pelo Ministério do Planejamento para administrar o serviço. Nesse período, o funcionário público da administração federal que contratou o serviço, pagou taxas de administração bem superiores as que eram devidas. Foi justamente essa diferença oriunda do custo total do serviço e do valor descontado em folha de pagamento dos funcionários que abasteceu o bolso dos corruptos e o caixa do PT.

O funcionário público, presume-se, em dificuldades financeiras, recorria ao banco, fazia o empréstimo consignado com desconto em folha, era negociado o valor e o total de parcelas, saia do banco com dinheiro na conta a juros menores, tudo como manda o figurino. Mas, como tudo na vida, o detalhe é que faz a diferença. O problema é que, na maioria das vezes, estamos tão impressionados, fascinados com o todo, e acabamos não prestando atenção aos detalhes.

O detalhe, nesse caso, estava na taxa de administração cobrada pela Consist Software, aquela empresa administradora do serviço contratada pelo Ministério do Planejamento, como já havia dito acima. Não importava se o contratante contratava um empréstimo de R$ 2.000 ou R$ 5.000, por exemplo, a taxa de administração não variava, era sempre a mesma para cada empréstimo contratado.

Em cada parcela do consignado, eram descontados R$ 1,25. Na verdade, o custo total do serviço para a empresa era de apenas R$ 0,40. E os R$ 0,85 restantes. Pois era justamente, esses centavos que entravam fartos nos cofres da organização criminosa. Você pode falar: Nossa, mas estamos falando de centavos. Como eles podem ter amealhado tanto dinheiro com quantias tão poucas? 

É realmente, centavos não fazem a diferença quando se olha um extrato bancário. Não fazem diferença no bolso de uma pessoa. Mas multiplique-se essa quantia por milhares, e durante vários anos. Sabe quanto a quadrilha embolsou com essa maldosa brincadeira? R$ 100 milhões? R$ 100 milhões de reais desviados das contas daqueles que precisavam de dinheiro para sanar suas dificuldades de saúde, educação, e tantas outras necessidades próprias do ser humano. É muita maldade. Não podemos deixar passar isso. Não podemos ficar de braços cruzados. Se eles são capazes de uma coisas dessas, imagine vocês do potencial de corrupção desse povo.

Segundo a PF, desse total R$ 7 milhões foram para as contas de Paulo Bernardo. O restante do dinheiro era repassado para laranjas e firmas fantasmas, dessas que só emitem nota fiscal, sem prestar nenhum serviço. Esses últimos, enfim, repassavam o dinheiro ao seu destino final: os caixas do PT. Depois, certamente, esse dinheiro era espalhado por todo o território nacional e despejado nas campanhas eleitorais dos candidatos petistas e aliados. Ah, ia esquecendo-me de falar: quem coordenava a distribuição dessa fortuna, era o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Depois de todas essas denúncias, ainda temos que ouvir as hipocrisias da senadora, 

Gleisi Hoffmann, uma das principais defensoras da presidente afastada, Dilma Rousseff no senado, dizendo que o marido é um homem santo, que sempre fizeram fortuna honestamente, blá, blá, blá e outras histórias pra boi dormir e idiotas acreditarem.

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