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Navegando em direção a águas seguras

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 23:41
Quinta-feira, 28 de abril

E há muito estou alheio e quem me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno
É dor, se há, tentava, já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor, se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal, faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade e você com outro alguém
(Os barcos – Legião Urbana)


Quando pensamos em reformar uma casa para que possamos viver nela com maior conforto, logo sabemos que a tarefa vai dar trabalho. É preciso mudar coisas de lugar, é necessário derrubar paredes, há o problemas da poeira e dos entulhos, sem contar os gastos e desgastos que isso traz àquele que se propôs reformar.

Acho que é isso que está acontecendo com a sociedade brasileira. Estamos nos reformando. E por isso, talvez, estejamos sentindo tanto desconforto. Há muita poeira no ar, cegando nossos olhos, mas também há muita lama sob os nossos pés, e quem sabe, até uma falta de perspectiva. Reforma, como já disse, é um processo doloroso em uma residência, imagine em uma sociedade.

Os desmandos e atitudes viciosas para os quais estamos abrindo os olhos agora, já existiam em nosso país há muito tempo. Se olharmos para trás, veremos que tudo gira em torno da mesma mor: Polícia Federal investiga, Ministério Público denúncia, manchetes de jornais estampam casos de corrupção abundantes em suas capas. Enquanto tudo isso acontecia é como se estivéssemos apáticos. Como se nos bastasse o pseudo conforto de nossa velha e carcomida casa.

Até chegamos a construir no quintal dela, castelos de areia, belos castelos que embelezavam os jardins de nossa casinha. Olhávamos, admirados para os castelos, e por algumas vezes, até chegamos a pensar que morávamos no castelo. Por fim, descobrimos que não tinham sido colocados alicerces sobre os castelos de nossos jardins, e que o que vivíamos era apenas uma ilusão.

Belo dia, sopraram ventos fortes, e derrubaram de uma vez só, nossos castelos de areia e nossas ilusões. Após esses ventos fortes que vieram acompanhados de impiedosas tempestades foi que descobrimos que nossa casa não era resistente, que os seus pisos de sustentação não eram seguros, e madeira e vigas que sustentavam o telhado estavam apodrecidos.

 E foi aí que, até mesmo com certa revolta e descontentamento percebemos que necessitávamos de uma reforma urgente. Não sabíamos bem por onde começar. Mas a questão se tornava imperiosa. Era preciso reformar. É preciso reformar.

E a indignação, sadia indignação, que invade nosso peito, dá forças para as instituições que lutam por um Brasil mais justo, como a Polícia e o Ministério Público, para que essas instituições atuem com mais vigor no combate à corrupção. É como se fosse a água sendo movida pela força do moinho do senso de justiça.

Finalmente acordamos, e percebemos que os nossos líderes políticos não nos representam, e não adianta eles saírem de debaixo da capa protetora de um partido e irem para debaixo de outro. Não mais os toleramos, nem a eles, nem a suas ideias pífias, nem aos seus partidos sem compromisso com a sociedade. Na verdade nós não os queremos lá. Não o queremos lá vai bem mais lá do que isso pode significar. Na verdade, queremos longe de nossas casas legislativas os corruptos e desonestos, tanto os que estão por lá, quanto os que pretendem ir pra lá.

É bom que a nossa classe política perceba esses sinais. Serão muito tolos se não olharem para o exemplo do que acontece com a Dilma e com o próprio PT. Desde 2013 que o povo vai às ruas gritar, protestar, mostrar sua indignação. O governo e seu partido pareciam não ouvir esse grito que vinha das ruas. Talvez se achassem indestrutíveis, ou melhor, inatingíveis. E deu no que deu.

Estamos navegando em meio a sérias crises, mas é bom que tenhamos a consciência de que a crise tanto pode ser uma escada que nos leva ao sucesso e bem-estar, ou também pode ser uma escada que nos precipite no abismo. Nós brasileiros estamos no meio dessa encruzilhada. Então, porque não escolhermos a primeira opção, e pressionar os nossos políticos a fazerem as reformas que necessitam ser feitas para que o trem realmente ande nos trilhos. E são tantas essas reformas: educacional, partidária, previdenciária, fiscal, financiamento de campanha eleitoral, e tantas outras.

Aproveitemos também para fazer uma reforma pessoal, pois é o homem que faz a sociedade. Sem homens como seria possível haver sociedade? Tratemos de nadar contra a corrente que nos leva para o abismo da corrupção e das facilidades baseadas no ilícito. No início vai parecer estranho nadarmos contra a corrente, mas, passados esses primeiros momentos perceberemos que o mar para o qual nos dirigimos é muito mais seguro e justo. Aí já não quereremos navegando ao nosso lado, os corruptos e corruptores, sejam eles políticos ou não.

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