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FELIZ 2017

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 17:03
Sábado, 31 de dezembro

Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas.
O poder de criar felicidade!
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela...
de faze-la uma aventura maravilhosa”.
(Charles Chaplin)



“Aos trancos e barrancos”, como diz o ditado popular, chegamos ao final de mais um ano... E que ano, meus Deus do céu!

2016, para os brasileiros em especial, foi um ano em que tudo aconteceu. Presidente caiu. Outro não eleito foi elevado a essa condição. Caíram as máscaras de muito políticos bons-moços. A Lava Jato lavou à jato muito da sujeira, e da podridão daqueles que conduzem os destinos da nossa nação. Desemprego e inflação voltaram a bater em nossa porta. Ufa! Calma, não acabou. Ainda tem pelo menos umas setenta e sete delações premiadas da Odebrecht, que são como metralhadoras apontadas para as cabeças de diversos políticos, e não de qualquer político, mas daqueles em quais sempre depositamos certa confiança, ainda que tímida confiança, pelo que nos acostumamos a ver por aí. A pergunta é: sobrará Brasil depois das delações da Odebrecht?

Quem sabe não seja, justamente, nesse momento conturbado de nossa história que começamos a encontrar o caminho para o Brasil com o qual todos sonhamos: um Brasil mais próspero, mais justo e mais humano, com melhor aplicação dos recursos que pagamos em impostos, e com melhor divisão de renda.

E no mundo, o que vemos?

As ondas de refugiados invadindo os países, principalmente da Europa, como se fosse um grande tsunami; o ódio provocado por grupos radicais que fazem sofrer a tanta gente inocente, perseguida, apenas porque segue essa ou aquela tendência cultural ou religiosa.

O problema é que por ambição ou por ódio, os homens estão simplesmente se esquecendo de que são o que são em essência: humanos. Estão se esquecendo de que o coração que tem dentro de si não se chama dispositivo, se chama apenas coração, e que esse órgão vital que bate no peito de um, bate, igualmente, no peito de cada habitante desse planeta.

Os homens estão se esquecendo de que fomos feitos para a paz e para a fraternidade, e não para a guerra e para o ódio, e que se continuarmos nesse ritmo, em um futuro próximo não teremos mais nem coração, nem homem, nem planeta. O planeta esse, sim, talvez sobreviva e se refaça como faz uma fênix que sempre renasce gloriosa das cinzas. Afinal já foram tantas as eras e períodos que a nossa mãe terra enfrentou, alguns mais quentes, outros mais frios, ela, porém, sempre resistiu soberana, com mudanças bruscas, é verdade, mas sempre firme. Os que habitaram essas eras nem sempre. Sumiram, desapareceram no tempo, viraram cinzas, fósseis, risco no qual também incorre a raça humana, se não criar uma consciência humana e ecológica.

Este texto termina dizendo que, mesmo que tenhais enfrentado problemas e dificuldades esse ano, levantai a cabeça, sacudi a poeira, e daí a volta por cima. Afinal novo ano começará, e nele as esperanças serão renovadas como serão renovadas tuas forças no Deus altíssimo que ama e protege aqueles que nele confiam.

A todos e todas que acompanham esse blog, FELIZ, E PRÓSPERO ANO NOVO! E que venha 2017!

Abaixo, o Cottidianos deixa como complemento dessa mensagem, o primoroso texto do discurso proferido pelo genial Charles Chaplin, no filme, O Grande Ditador, de 1940. Esteja você em qualquer parte do planeta em que estiver, essa discurso parecerá uno, e é uno a toda humanidade, pois são coisas que precisam ser gritadas em cima dos montes. São verdades que a humanidade precisa, não apenas ouvir, mas também, e principalmente, internalizar.

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Discurso Final do Filme "O Grande Ditador" (1940) - Speech by Charlie Chaplin - A Message for All Mankind

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, gentios... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Charles Chaplin - 1940



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Feliz 2017?

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:35
Sexta-feira, 30 de dezembro


O livro do Apocalipse, contido no Novo Testamento, no Livro Sagrado dos Cristãos, nos apresenta visões terríveis de fim de mundo. Trovões, clamores, grandes terremotos. Anjos tocando suas trombetas e chuvas de pedra, e fogo caindo sobre a terra. Áreas verdes da terra queimando, criaturas do mar morrendo. Estrelas caindo do céu, tão ardentes quanto rochas acesas, caindo nos rios e nos mares, tornando a água amarga, imprópria para o consumo humano. E por aí vai.

Se pararmos para pensar em termos de questões climáticas, estamos experimentando, no planeta inteiro, uma visão apocalíptica. Mas não quero falar da questão climática agora.

Ao trazer as visões terríveis do Apocalipse, situo-as, e comparo-as, ao que estamos vivendo na terra brazilis, especialmente em relação ao ano que esta se findando.

Fomos jogados no olho do furacão. O país virou de pernas para o ar, tragado por crise de natureza ético-político-moral.

E 2016 passa a ser considerado por muitos como um dos piores anos da história brasileira. Muitos dizem aliviados: graças a Deus este ano está terminando. É um alívio temporário, e ilusório, pois, ano que vem, começa tudo de novo. Pois o ano que finda entrega ao ano vindouro uma montanha de problemas que se anunciam, talvez, ainda mais sérios do que os deste ano.

A coisa anda tão sem controle que o próprio presidente, em pronunciamento feito à jornalistas, nessa quinta-feira (29), apelou para as técnicas de autoajuda. “2017 será um ano novo, de muita realização, muita esperança, não só para o governo, mas para todos os brasileiros”, disse ele. Haja mentalização positiva para que as palavras do presidente se cumpram.

O presidente também foi de um profecismo que soa um tanto quanto hipócrita, quando lançamos um olhar atento sobre a real situação do país, e do próprio presidente. Disse ele: “Não vamos parar; esse governo há de ser um governo reformista”. Ora, um governo reformista de verdade, não haveria de reformar, primeiramente, a si mesmo?

E como pode um governo que se pretende reformista está atolado até o pescoço em corrupção. Como todos viram, já foram vários os ministros e auxiliares de Temer derrubados porque apanhados em escândalos de corrupção. É pouco provável que o presidente não soubesse do envolvimento de tais pessoas em maracutaias antes de nomeá-las.

O presidente também falou de alguns monstros que assombram o país, como por exemplo, como a questão do desemprego que, desde o ano passado vem incomodando grande parte dos brasileiros, e este ano, atingiu níveis recordes. Temer acenou com a possibilidade de essa situação se reverter apenas no segundo trimestre do ano que vem.

Ele, o presidente, também falou acerca da questão da dívida dos estados brasileiros, que chegam ao fim do ano quebrados, e em situação preocupantes. O governo se propõe a negociar com cada estado. Entretanto, enquanto, no Brasil, não se criar uma consciência de que é preciso cortar na carne os gastos públicos, essa renegociação da divida dos Estados não vai adiantar muita coisa. Pois, se o governo negocia, e os Estados continuam gastando mais do que arrecadam, está-se apenas enxugando gelo. Ou seja, trabalho inútil.
Em meia de hora pronunciamento, o presidente citou também as reformas trabalhista, fiscal, previdenciária, e política que deseja fazer ano que vem.

É meus amigos, e amigas, o negócio é apertar o cinto porque o piloto... O piloto sumiu.

Mas em meio à tempestade, pensemos as coisas pelo seu lado positivo: — e há um lado positivo para se pensar a questão: esse ano começamos a tirar a sujeira escondida embaixo do tapete — Meu Deus! E quanta sujeira... — Então, não foi um ano tão ruim assim.

Nas linhas seguintes, compartilho texto do jornalista, Luiz Rufatto, publicado no jornal, El País Brasil, nesta quinta-feira (29), no qual o jornalista faz uma breve e sucinta análise do ano que passou, e traça perspectivas do ano que passou. Análise e perspectivas, diga-se de passagem, nada animadoras.

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Próspero ano novo?

Infelizmente, 2016 entra para os compêndios como o ano que, desrespeitando o calendário, invade 2017 como um caminhão sem freios

LUIZ RUFFATO


É tradição, nesta época do ano, desejarmos uns aos outros que tenhamos um próspero ano novo – é o que eu gostaria de fazer também agora, usando este espaço que ocupo desde fins de 2013. Mas, infelizmente, sob pena de parecer cínico, acredito que não podemos ignorar que o Brasil atravessa um momento crítico, uma situação de grave instabilidade econômica e política, mas, mais que tudo, uma profunda crise moral, sem precedentes na história do país. E o fator que provoca maior desânimo é não vermos, em um futuro próximo, qualquer possibilidade de reversão de expectativas. 2016 entra para os compêndios como o ano que, desrespeitando o calendário, invade 2017 como um caminhão sem freios.

Após dois anos de recessão, o mercado financeiro aposta que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá cerca de 0,5% no ano que vem, um percentual pífio, se considerarmos que a economia encolheu 3,8% em 2015 e 3,5% este ano. O resultado é uma taxa de desemprego em torno de 12% – o que significa mais ou menos 12 milhões de pessoas –, que se amplia para 27,7% se levarmos em conta apenas a faixa etária situada entre 14 e 24 anos. Além disso, segundo levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), os salários do trabalhador brasileiro sofreram a maior desvalorização em termos reais – ou seja, descontada a inflação - entre os países que formam o G-20. A queda deve alcançar 6,2% do valor nominal este ano.

Se a economia vai mal, não está melhor a política. O presidente não eleito, Michel Temer, termina o ano com uma popularidade baixíssima. Pesquisa da Datafolha, realizada ainda antes da divulgação dos depoimentos de executivos da Odebrecht envolvendo Temer em denúncias de corrupção, apontavam que 51% dos ouvidos consideram o governo ruim ou péssimo e 34% apenas regular. Na mesma pesquisa, 41% afirmavam que o desempenho da economia irá piorar e 27% acreditavam que nada vai mudar. Chegou-se até mesmo a cogitar que, sem apoio popular, Temer poderia renunciar para provocar novas eleições – coisa que não aconteceu.

Resta saber como se comportará o presidente não eleito no ano que vem. O cenário que se descortina aponta para três hipóteses: Temer empurrará o seu mandato até o fim, aprofundando as reformas autoritárias que vem conduzindo; ou, em um gesto de grandeza ou desespero, renunciará; ou ainda o Tribunal Superior Eleitoral decidirá pela cassação da chapa Dilma-Temer. Caso Temer venha a renunciar, abrem-se pelo menos duas possibilidades: eleição indireta pelo Congresso ou votação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permita um mandato-tampão de alguma liderança que promova eleições diretas. No caso de cassação da chapa pelo TSE, há um entendimento desse tribunal, baseado na minirreforma eleitoral de setembro de 2015, que poderia haver a convocação de eleições diretas em 20 a 40 dias após o afastamento, até seis meses antes do término do mandato. Essa interpretação, no entanto, teria de ser referendada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O problema é a crise moral que atinge todos os poderes, indiscriminadamente. No STF, há uma clara divisão entre os ministros, que deixaram de lado a ritualística do cargo e resolveram expor publicamente, e de maneira bastante agressiva, suas diferenças, baseadas em interesses pessoais, muitas vezes escusos. Em acordo de delação premiada, executivos da Odebrecht prometem arrolar dezenas de políticos dos mais diversos partidos, o que atinge o Legislativo – que já tem nove senadores e 45 deputados envolvidos na Operação Lava Jato – e o Executivo, incluindo Temer e alguns de seus ministros, como o da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Restaria a nós, que ansiamos por um país melhor, mais justo e mais democrático, torcer para o encaminhamento de uma solução que contentasse a todos, mas principalmente a camada mais pobre da população, que sofre de maneira direta com a incompetência, a roubalheira e os desmandos. Mas mesmo esse desejo desaparece no firmamento. Os nomes que se apresentam no cenário político estão todos, uns mais outros menos, comprometidos com escândalos de corrupção: no ninho tucano, Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves; Marina Silva, que aparece como candidata preferida em pesquisa Datafolha divulgada no começo de dezembro, comanda um partido, a Rede, que mostrou um desempenho medíocre nas eleições municipais; e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A questão é que o PT, outrora guardião da moralidade, chafurda hoje na mesma lama que um dia denunciou e condenou. Vários de seus altos dirigentes encontram-se presos ou envolvidos em processos ligados à Operação Lava Jato, como o próprio Lula. E, para demonstrar de forma cabal que os petistas não são mais os mesmos, basta observar que todos os vereadores do partido, sem exceção, votaram, no último dia de trabalhos da Câmara Municipal de São Paulo, por um aumento de 26% em seus próprios salários, que passaram de R$ 15 mil para quase R$ 19 mil reais por mês...

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Insensatos

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:29
Quarta-feira, 28 de dezembro

VLT abandonado em São Luís, Maranhão

Se há algo que podemos afirmar sem medo de incorrermos em erro, é que o que falta aos nossos governantes é bom senso. Esse quesito eles tem muito pouco, quase nenhum.

Vejam só: há alguns dias o presidente Michel Temer conseguiu uma grande vitória no senado, com a votação da Proposta de Emenda Constitucional que congela os gastos públicos por 20 anos.

Nem vou falar da crise que é sabida por todo mundo. Mas da questão da redução das despesas em si mesma.

Ora se você quer reduzir gastos, o que faz? É sábio não fazê-los, concorda? Ou se tiver que fazer, que se façam gastos com essencial, mesmo assim, procurando comprar produtos menos caros. Todo dono de casa, toda dona de casa sabe disso, pois precisam, constantemente, equilibrar o orçamento doméstico.

Nesse contexto, o governo havia marcado para o dia 02 de janeiro de 2017, uma licitação na qual seria definida a empresa que prestaria serviço de bordo no avião presidencial durante um ano. Os gastos os produtos e os serviços contratados ultrapassariam a casa dos R$ 1,7 milhão.

Dentre esses produtos estariam sorvetes de marcas famosas, água de coco, pães, sucos especiais, refeições, inclusas nessas, prato principal e sobremesas. Isso só para citar alguns itens, porque a lista de guloseimas vai bem muito mais além. Enfim, verdadeiro banquete. Isso em um momento de apertar os cintos.

A repercussão da contratação da licitação soou muito negativa perante a opinião pública, e o governo resolveu cancelar o pregão.

Ainda continuando com essa farra que os políticos fazem com o dinheiro público, e nem precisa lembrá-los da crise pela qual atravessa o país, pois ela é sentida por todos, os vereadores da cidade de São Paulo, apresentaram projeto através do qual reajustam os próprios salários em 26,3% a partir de fevereiro do ano que vem.

Com isso, o salário dos vereadores passa dos atuais R$ R$ 15.031,76, para R$ 18.991,68 a partir de fevereiro do ano que vem, quando se inicia a nova legislatura. Como é proibido por lei que os vereadores aumentem seus salários na mesma legislatura, eles usam desse artifício de reajustar os próprios salários no apagar das luzes da legislatura vigente. Já haviam feito isso em 2014, quando, em sessão extraordinária, definiram, em votação simbólica, o novo salário para a nova legislatura, que será iniciada em fevereiro do ano de 2015.

O texto divulgado pela mesa diretora para justificar o aumento diz: “A fixação pelo valor máximo permitido justifica-se diante do gigantismo de São Paulo, a maior cidade do Brasil, cujos problemas sociais, econômicos, políticos e culturais exigem dos vereadores envolvimento e dedicação proporcionais à responsabilidade do mandato que exercem”.
Essa onda de aumento nas câmaras legislativas não acontece apenas em São Paulo, mas também pelo Brasil afora.

Se é verdade que falta bom senso para os nossos políticos, também falta capacidade de mobilização da população, para evitar que os legisladores façam o que bem queiram e entendam.

Mais um exemplo de falta de responsabilidade com o dinheiro público nos vem da cidade de São Luís, capital do Maranhão. Muito mais do que irresponsabilidade, é brincar com os sonhos da população. Nesse caso, foi oferecido um sonho, e quando os maranhenses foram pegar, ele se desvaneceu no ar.

As nossas capitais já são tão carentes de transporte público, e quando aparece oportunidade de solução... Tudo, na verdade, não passou de ilusão.

O caso presente trata-se de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos). O veículo foi comprado dois meses antes das eleições de 2012.  Na época, o prefeito, João Castelo (PSDB), comprou o veículo sem que houvesse sido feita nenhuma análise técnica, ou mesmo previsão orçamentária.

Foram comprados dois vagões. Entretanto, a previsão era a construção de 13 km de ferrovia, que ligariam o centro de São Luís, ao bairro mais populoso da cidade, chamado de Anjo da Guarda.

O que fez o tal prefeito? Colocou apenas 800 metros de trilhos. Fez uma inauguração que foi como se diz no ditado popular “coisa pra inglês ver”. Os dois vagões rodaram nesses 800 metros, cheio de eleitores iludidos com a promessa de um transporte urbano melhor, que, extasiados, gritavam “é um sonho, é um sonho”.

E a coisa ficou mesmo apenas no sonho. Passadas as eleições a obra foi abandonada. Abandonados, os dormentes usados para fazer os trilhos foram presas fáceis de ladrão. Ainda por cima, o projeto trouxe gastos à prefeitura, pois o prefeito alugou um galpão para guarda o VLT, e por esse aluguel foram pagos R$ 400 mil. Hoje, o veículo encontra-se abandonado, e ao relento, sujeitos aos fenômenos da natureza que lhe fazem corroer pela ferrugem.

Nisso, foram jogados R$ 8 bilhões. E nem precisa dizer que o prefeito João Castelo brincou com o sonho povo, jogou o dinheiro público pelo ralo, e só pensou em si mesmo.

Como ele, existem muitos Brasil afora. É justamente desse tipo de gente que o Brasil precisa se livrar.

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A árvore de Natal na casa de Cristo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 18:34
Sábado, 24 de dezembro


Mais um Natal chega em nossas vidas com sua festa, suas luzes, presentes, badalações. Entretanto, poucos refletem, de verdade, sobre o sentido desse dia, e dessa festa tão grandiosa, e tão grandiosamente simbólica para a humanidade e para sua história.

Que se comemora neste dia? O Papai Noel? Os presentes? A ceia? A bela árvore de Natal enfeitada?

Sim, tudo isto se celebra neste dia. São símbolos fortes dessa época do ano, aguardada por todos, principalmente, pelos comerciantes.

Mas todos esses pequenos símbolos estão a serviço do símbolo maior. Um símbolo maior que nasceu pequenino, numa fria noite, em uma manjedoura nos arredores da cidade de Belém. Os pais haviam vindo de uma longa peregrinação, de cidade em cidade, até chegarem à cidade. Durante essa peregrinação, a mãe grávida, deve ter passado por maus bocados. Se a gravidez exige cuidados, para ela exigiu sacrifício.

E assim aquele meninos, especial Deus-menino, teve de vir à terra dos homens, em condições nada fáceis. Logo ele, que durante o decorrer breve de sua vida terrena cresceria em graça e sabedoria, perante Deus e os homens, que, rei, morreria numa cruz entre dois ladrões. Entretanto, seu reinado não era deste mundo. Era de um mundo glorioso, onde brilha a paz e a justiça. E, por causa as águas da injustiça, e os reinos deste mundo não tiveram poder contra ele, e seu reino cresceu, e se expandiu por toda a terra, após o seu desencarne.

É este mesmo menino Jesus que continua a nascer em condições também nada fáceis em milhões de crianças brasileiras, abandonadas pelo poder público, enquanto aqueles que deveriam trabalhar para lhes dar dignidade se embriagam com o maldito vinho da corrupção.

É este mesmo menino Jesus que nasce nas crianças refugiadas que fogem da guerra e da fome.

É este mesmo menino Jesus que nasce aos seus pais tentar cruzarem, penosamente, as fronteiras americanas, e em busca de uma vida melhor, e são vítimas fáceis da desumanidade.

Mais de dois mil anos se passaram desde que a resplendorosa estrela guiou os magos até Belém. Mas parece que o mundo nada mudou em matéria de saber acolher os pequenos, e tratá-los com dignidade.

Como mensagem de FELIZ NATAL, este blog apresenta um contraditório conto de Natal que é muito profundo e nos faz refletir sobre a fria realidade social de muitos irmãos. . O conto é um clássico escrito pelo russo, Dostoievski, intitulado, A árvore de Natal na casa de Cristo.

A todos um humano e FELIZ NATAL!

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A árvore de Natal na casa de Cristo

Dostoievski

 Havia num porão uma criança, um garotinho de seis anos de idade, ou menos ainda. Esse garotinho despertou certa manhã no porão úmido e frio. Tiritava, envolto nos seus pobres andrajos. Seu hálito formava, ao se exalar, uma espécie de vapor branco, e ele, sentado num canto em cima de um baú, por desfastio, ocupava-se em soprar esse vapor da boca, pelo prazer de vê-lo se esvolar. Mas bem que gostaria de comer alguma coisa. Diversas vezes, durante a manhã, tinha se aproximado do catre, onde num colchão de palha, chato como um pastelão, com um saco sob a cabeça à guisa de almofada, jazia a mãe enferma. Como se encontrava ela nesse lugar? Provavelmente tinha vindo de outra cidade e subitamente caíra doente. A patroa que alugava o porão tinha sido presa na antevéspera pela polícia; os locatários tinham se dispersado para se aproveitarem também da festa, e o único tapeceiro que tinha ficado cozinhava a bebedeira há dois dias: esse nem mesmo tinha esperado pela festa. No outro canto do quarto gemia uma velha octogenária, reumática, que outrora tinha sido babá e que morria agora sozinha, soltando suspiros, queixas e imprecações contra o garoto, de maneira que ele tinha medo de se aproximar da velha. No corredor ele tinha encontrado alguma coisa para beber, mas nem a menor migalha para comer, e mais de dez vezes tinha ido para junto da mãe para despertá-la. Por fim, a obscuridade lhe causou uma espécie de angústia: há muito tempo tinha caído a noite e ninguém acendia o fogo. Tendo apalpado o rosto de sua mãe, admirou-se muito: ela não se mexia mais e estava tão fria como as paredes. "Faz muito frio aqui", refletia ele, com a mão pousada inconscientemente no ombro da morta; depois, ao cabo de um instante, soprou os dedos para esquentá-los, pegou o seu gorrinho abandonado no leito e, sem fazer ruído, saiu do cômodo, tateando. Por sua vontade, teria saído mais cedo, se não tivesse medo de encontrar, no alto da escada, um canzarrão que latira o dia todo, nas soleiras das casas vizinhas. Mas o cão não se encontrava alí, e o menino já ganhava a rua.

Senhor! que grande cidade! Nunca tinha visto nada parecido, De lá, de onde vinha, era tão negra a noite! Uma única lanterna para iluminar toda a rua. As casinhas de madeira são baixas e fechadas por trás dos postigos; desde o cair da noite, não se encontra mais ninguém fora, toda gente permanece bem enfunada em casa, e só os cães,às centenas e aos milhares,uivam, latem, durante a noite. Mas, em compensação, lá era tão quente; davam-lhe de comer... ao passo que ali... Meu Deus! Se ele ao menos tivesse alguma coisa para comer! E que desordem, que grande algazarra ali, que claridade, quanta gente, cavalos, carruagens... e o frio, ah! Este frio! O nevoeiro gela em filamentos nas ventas dos cavalos que galopam; através da neve friável o ferro dos cascos tine contra a calçada; toda gente se apressa e se acotovela, e, meu Deus! Como gostaria de comer qualquer coisa, e como de repente seus dedinhos lhe doem! Um agente de policia passa ao lado da criança e se volta, para fingir que não vê.

Eis uma rua ainda: como é larga! Esmagá-lo-ão ali, seguramente; como todo mundo grita, vai, vem e corre, e como está claro, como é claro! Que é aquilo ali? Ah! Uma grande vidraça, e atrás dessa vidraça um quarto, com uma árvore que sobe até o teto; é um pinheiro, uma árvore de Natal onde há muitas luzes, muitos objetos pequenos, frutas douradas, e em torno bonecas e cavalinhos. No quarto há crianças que correm; estão bem vestidas e muito limpas, riem e brincam, comem e bebem alguma coisa. Eis ali uma menina que se pôs a dançar com um rapazinho. Que bonita menina! Ouve-se música através da vidraça. A criança olha, surpresa; logo sorri, enquanto os dedos dos seus pobres pezinhos doem e os das mãos se tornaram tão roxos, que não podem se dobrar nem mesmo se mover. De repente o menino se lembrou de que seus dedos doem muito; põe-se a chorar, corre para mais longe, e eis que, através de uma vidraça, avista ainda um quarto, e neste outra árvore, mas sobre as mesas há bolos de todas as qualidades, bolos de amêndoa, vermelhos, amarelos, e eis sentadas quatro formosas damas que distribuem bolos a todos os que se apresentem. A cada instante, a porta se abre para um senhor que entra. Na ponta dos pés, o menino se aproximou, abriu a porta e bruscamente entrou. Hu! Com que gritos e gestos o repeliram! Uma senhora se aproximou logo, meteu-lhe furtivamente uma moeda na mão, abrindo-lhe ela mesma a porta da rua. Como ele teve medo! Mas a moeda rolou pelos degraus com um tilintar sonoro: ele não tinha podido fechar os dedinhos para segurá-la. O menino apertou o passo para ir mais longe - nem ele mesmo sabe aonde. Tem vontade de chorar; mas dessa vez tem medo e corre. Corre soprando os dedos. Uma angústia o domina, por se sentir tão só e abandonado, quando, de repente: Senhor! Que poderá ser ainda? Uma multidão que se detém que olha com curiosidade. Em uma janela, através da vidraça, há três grandes bonecos vestidos com roupas vermelhas e verdes e que parecem vivos! Um velho sentado parece tocar violino, dois outros estão em pé junto dele e tocam violinos menores, e todos maneiam em cadência as delicadas cabeças, olham uns para os outros, enquanto seus lábios se mexem; falam, devem falar - de verdade - e, se não se ouve nada, é por causa da vidraça. O menino julgou, a princípio, que eram pessoas vivas, e, quando finalmente compreendeu que eram bonecos, pôs-se de súbito a rir. Nunca tinha visto bonecos assim, nem mesmo suspeitava que existissem! Certamente, desejaria chorar, mas era tão cômico, tão engraçado ver esses bonecos! De repente pareceu-lhe que alguém o puxava por trás. Um moleque grande, malvado, que estava ao lado dele, deu-lhe de repente um tapa na cabeça, derrubou o seu gorrinho e passou-lhe uma rasteira. O menino rolou pelo chão, algumas pessoas se puseram a gritar: aterrorizado, ele se levantou para fugir depressa e correu com quantas pernas tinha, sem saber para onde. Atravessou o portão de uma cocheira, penetrou num pátio e sentou-se atrás de um monte de lenha. "Aqui, pelo menos", refletiu ele, "não me acharão: está muito escuro."

Sentou-se e encolheu-se, sem poder retomar fôlego, de tanto medo, e bruscamente, pois foi muito rápido, sentiu um grande bem-estar, as mãos e os pés tinham deixado de doer, e sentia calor, muito calor, como ao pé de uma estufa. Subitamente se mexeu: um pouco mais e ia dormir! Como seria bom dormir nesse lugar! "mais um instante e irei ver outra vez os bonecos", pensou o menino, que sorriu à sua lembrança: "Podia jurar que eram vivos!"... E de repente pareceu-lhe que sua mãe lhe cantava uma canção. "Mamãe, vou dormir; ah! como é bom dormir aqui!"

- Venha comigo, vamos ver a árvore de Natal, meu menino - murmurou repentinamente uma voz cheia de doçura.

Ele ainda pensava que era a mãe, mas não, não era ela. Quem então acabava de chamá-lo? Não vê quem, mas alguém está inclinado sobre ele e o abraça no escuro, estende-lhe os braços e... logo... Que claridade! A maravilhosa árvore de Natal! E agora não é um pinheiro, nunca tinha visto árvores semelhantes! Onde se encontra então nesse momento? Tudo brilha, tudo resplandece, e em torno, por toda parte, bonecos - mas não, são meninos e meninas, só que muito luminosos! Todos o cercam, como nas brincadeiras de roda, abraçam-no em seu voo, tomam-no, levam-no com eles, e ele mesmo voa e vê: distingue sua mãe e lhe sorrir com ar feliz.

- Mamãe! Mamãe! Como é bom aqui, mamãe! - exclama a criança. De novo abraça seus companheiros, e gostaria de lhes contar bem depressa a história dos bonecos da vidraça... - Quem são vocês então, meninos? E vocês, meninas, quem são? - pergunta ele, sorrindo-lhes e mandando-lhes beijos.

- Isto... É a árvore de Natal de Cristo - respondem-lhe. - Todos os anos, neste dia, há, na casa de Cristo, uma árvore de Natal, para os meninos que não tiveram sua árvore na terra...

E soube assim que todos aqueles meninos e meninas tinham sido outrora crianças como ele, mas alguns tinham morrido, gelados nos cestos, onde tinham sido abandonados nos degraus das escadas dos palácios de Petersburgo; outros tinham morrido junto às amas, em algum dispensário finlandês; uns sobre o seio exaurido de suas mães, no tempo em que grassava, cruel, a fome de Samara; outros, ainda, sufocados pelo ar mefítico de um vagão de terceira classe. Mas todos estão ali nesse momento, todos são agora como anjos, todos juntos a Cristo, e Ele, no meio das crianças, estende as mãos para abençoá-las e às pobres mães... E as mães dessas crianças estão ali, todas, num lugar separado, e choram; cada uma reconhece seu filhinho ou filhinha que acorrem voando para elas, abraçam-nas, e com suas mãozinhas enxugam-lhes as lágrimas, recomendando-lhes que não chorem mais, que eles estão muito bem ali...

E nesse lugar, pela manhã, os porteiros descobriram o cadaverzinho de uma criança gelada junto de um monte de lenha. Procurou-se a mãe... Estava morta um pouco adiante; os dois se encontraram no céu, junto ao bom Deus. 

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O Brasil em busca de um rumo certo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 17:49
Quinta-feira, 22 de dezembro


O brasileiro está apreensivo. O Brasil anda como trem desgovernado. Ninguém pode prever o que acontecerá em cada curva.

Afora a crise econômica que sacode o país, e faz sofrer a todos — uns mais, outros menos é verdade — ainda há uma crise ético-política sem precedentes.

Este ano, uma presidente da República foi afastada acusada de manobras nada conservadoras para equilibrar os gastos públicos. Além disso, ainda rondam indícios de que suas contas de campanha, e de seu vice, atual presidente da nação, terem sido irregulares.

Há um ex-presidente envolvido até o pescoço em denúncias de corrupção, e réu em cinco processos. Ah, não nos esqueçamos do presidente do Senado Federal que é réu em uma ação no STF, e investigado em outras onze.

Também a cassação do deputado e presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, também submerso em denúncias de corrupção. Não esqueçamos a prisão do ex-governador do Rio, que levava uma vida de faraó, enquanto seus súditos cariocas amargavam condições de vida nada adequadas ao porte de uma cidade cartão-postal do Brasil.

Pra fechar o ano, os executivos da gigante Odebrecht resolveram abrir a boca.

E o que eles têm dito é de fazer arrepiar os cabelos do político mais honesto... Se é que nas atuais circunstâncias existe algum, não é verdade?

Ainda no entardecer deste ano, quando o sol já está se recolhendo atrás das montanhas para, depois de uma noite turbulenta, renascer glorioso, eis que o mar de lama da corrupção atinge o Palácio do Planalto, e ameaça sujar ainda mais a imagem já gasta do presidente empossado há apenas alguns meses, Michel Temer. (Dilma Rousseff também navegando no mar de lama, deve estar dando risada da situação).

Quer governo de gestão mais instável do que o Temer?

Ah, sim, o da ex-presidente Dilma não foi diferente. Era um tal de cair ministro envolvido em escândalos...

Daqui a pouco vão faltar dedos das mãos para contar os ministros e auxiliares de Temer que pediram demissão, ou foram afastados por causa do envolvimento em escândalos.

O último foi José Yunes, ex-assessor especial do governo, em um escândalo que trouxe o presidente Temer, digamos assim, para a cena do crime.

E agora? Quem será o próximo? Podem apostar suas fichas no atual ministro chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Por quê?

Em delação premiada o lobista Lúcio Funaro, disse que entregou R$ l milhão, em dinheiro vivo à Yunes. O dinheiro, segundo Funaro, havia saído dos cofres da Odebrecht. Ainda segundo Funaro, o pedido para que o dinheiro fosse entregue a Yunes partiu do atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. O ministro nega. Mas quem nesse rolo compressor que é a Lava Jato admite alguma coisa. Todos se declaram automaticamente inocentes. Na verdade, deveriam se declarar hipócritas.

Não se sabe até quando Eliseu Padilha vai se sustentar no governo, ou até quando Temer vai segurá-lo. Temos visto pelos métodos e critérios do novo governo que, enquanto ele puder segurar, ele vai segurar, só quando não houver mais jeito, é que o envolvido no escândalo, “gentilmente”, pede para sair. Esses são os métodos de Temer: acobertar os culpados até enquanto possível.

De qualquer modo, com essa delação de Funaro, pode-se dizer que Eliseu Padilha já foi para a panela de pressão. Óbvio que, apesar de ser íntimo de Temer, é possível que a saída de Padilha seja agora uma questão de tempo.

Lembrando que Lúcio Funaro é próximo de Eduardo Cunha...

E olha que o ex-presidente da Câmara dos Deputados, preso em Curitiba, ainda não resolveu falar, Cunha é outro que é dinamite pura, sabe todos os podres dos podres poderes, até porque já esteve imerso neles.

Outro fato que é destaque em todos os jornais e telejornais de hoje, é o Relatório do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, divulgado ontem (21), por autoridades do Brasil, dos Estados Unidos, e da Suíça. O relatório trata do acordo de leniência feito pela empreiteira Odebrecht, e a empresa do ramo petroquímico, Braskem, com os três países citados.

O relatório revela que as duas empresas montaram um gigantesco esquema fraudulento que distribuiu propinas em 12 países da América do Sul, América Central, e África. Mais de cem projetos foram trocados por propina. Com essas negociações escusas a Odebrecht faturou bilhões de reais.

Uma em maior quantidade, a outra menos, as duas empresas pagaram propinas a candidatos, e partidos políticos. Em troca, as duas empresas recebiam vantagens e contratos ilícitos no Brasil, e no exterior.

A empreiteira e a empresa do ramo petroquímico chegaram até a montar um departamento secreto, porém, muito ativo, com o sugestivo nome de Departamento da Propina, que movimentou centenas de milhões de dólares com quais — tal qual um mercado de frutas podres — comprava políticos corruptos.

Com o maior acordo de leniência da história, as duas empresas terão que devolver R$ 6,9 bilhões, sendo R$ 3,8 bilhão de parte da Odebrecht, e R$ 3,1 bilhão de parte da Braskem. Dessa soma, R$ 5,3 bilhão voltarão para os cofres do Brasil, e R$ 1,6 bilhão serão divididos entre Estados Unidos e Suíça.

A quantia que as duas empresas terão que devolver aos cofres brasileiros será parcelada em 23 anos, e corrigida pela taxa Selic.
As empresas ainda concordaram em ser monitoradas por durante dois anos, pelo Ministério Público Federal.

Fica o exemplo para a Odebrecht, para a Braskem, e para quem mais quiser andar pelas sombras da lei, e pelo submundo do crime.

Compensa jogar o nome na lama, em busca de vantagens ilícitas? Perguntem aos donos dessas empresas, sob cujos holofotes estão de forma negativa, e vendo os gráficos de suas conquistas despencarem pelo descrédito e pela desconfiança, e terão a resposta exata.

Para finalizar: Apesar de todas essas mazelas citadas no texto, pode-se dizer que o Brasil atravessou um dos seus melhores anos. Como assim? O Brasil atravessando um momento difícil, pessoas desempregadas, empresas falindo, políticos corruptos levando à lona a nossa democracia, e tudo o mais, e esse blog afirma que o Brasil atravessou um dos melhores anos? Isso é loucura!

Não, não é loucura.

Pense da seguinte forma: quando um paciente está com doença grave, ele fica em casa à espera de um milagre? Não, os seus familiares correm em busca de um hospital, de preferência, o melhor, para que sejam tratadas as mazelas.

E o tratamento de mazelas não se dá sem dor e sofrimento. É preciso cortar na carne, tirar a podridão que estava entranhada na carne. É necessário cirurgia — às vezes mais de uma. É necessário transplante. Tudo isso dói, para o paciente, e para os familiares.

Porém é desse sofrimento, desse calvário no hospital que virá a cura.

E o Brasil é um paciente grave, quase em estado terminal. A corrupção estava corroendo suas vísceras, estava destruindo-o. Foi preciso que fosse construído um hospital chamado Lava Jato, com médicos e enfermeiros que tivessem a coragem de por o dedo nas feridas, mesmo contrariando alguns, para que a doença fosse revelada, e consequentemente tratada.

O paciente Brasil sofre na mesa de cirurgia... E a cirurgia mais grave talvez ainda nem tenha começado... 2017 vêm aí, e com ele mais dores, mais sofrimento, mais cirurgia...

E, nós seus filhos, Brasil amado, na sala de espera do hospital, aguardamos ansiosos a sua recuperação. Esperamos o dia em que, curado de todas as mazelas, e longe dos inimigos que sugam a tua pujança e vitalidade, poderás nos pegar no colo, e correr conosco pelos campos verdes e floridos, sob um céu verde e amarelo, cheio de cuidados, como faz um pai zeloso que ama seus filhos.


Brasil, amado! Nosso Brasil! Amamos a ti! Queremos o teu bem! E queremos que te recuperes o mais breve possível dessa doença grave que é a corrupção.

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