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Aproveita teu tempo com sabedoria. Usa teus dons com alegria

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:11
Domingo, 22 de novembro

O tempo corre, o tempo é curto:
preciso me apressar, mas ao mesmo tempo
viver como se esta minha vida fosse eterna”.
(Clarice Lispector)



A cada um de nós é dado um tempo para gastar nessa terra. É como o Pai que concede dinheiro aos filhos e lhes diz: “Vão por aí e gastem bem esse dinheiro. Um dia chamarei vocês volta e lhes pedirei conta de como e em que gastaram essa quantia”.  Entretanto, esse Pai não diz aos filhos, quando, nem em que momento de suas andanças pelo mundo, os chamará de volta. A uns ele concederá mais tempo, a outros, menos tempo.  A uns chamará no início da caminhada, a outros no meio, e outros, apenas no fim. Também aos filhos não é dado conhecer os critérios que o Pai eterno usará para esse chamado.

E os filhos saem por aí, mundo afora, com esse dinheiro chamado tempo para gastar. Uns o investem bem, em coisas construtivas, que fazem multiplicar, triplicar ou quadruplicar o dinheiro investido. Esses são os que se lembraram das últimas palavras do pai de que um dia seriam chamados de volta.

Outros não. Passam a vida a gastar o tempo em atividades que em nada lhes faziam crescer. Riam-se do sofrimento alheio. Divertiam-se espalhando medo e terror. Compraziam-se em disseminar o mal, e embriagavam-se do amargo veneno da inveja e da cobiça. Por mais que ajuntasse em celeiros, suas riquezas não se multiplicavam, suas moedas nada rendiam. Queixavam-se de que não conseguem aproveitar bem a vida, e outras queixas mais. Mas não percebiam que estavam empregando mal o tempo que lhes fora dado.

Além do tempo, o pai presenteou os filhos com um dom. A nenhum deles enviou à terra de mãos vazias. A uns deu mais que um dom, mas a nenhum deles enviou de mãos vazias. Tempo e dom. Dom e tempo. Duas moedas valiosas colocadas em nossas mãos com funções diferentes. O primeiro regulará o modo como vivemos nossas vidas, o segundo cuidará de nos fazer frutificar, a nós mesmos, e aos que dividem a caminhada terrena conosco. Sobre cada um ele soprou um dom fundamental, e eles foram em número de sete, a saber; sabedoria, ciência, fé, cura, milagres, profecia, discernimento, o dom de falar em línguas, e o dom de interpretar essas línguas.

Se cada um exercer bem o dom que lhes foi dado, as comunidades funcionarão em harmonia e perfeição, assim como funciona nosso corpo humano. Por acaso alguém já viu a mão se enfurecer com o pé, ou as pernas reclamarem com tronco por causa do peso do corpo, ou, por acaso, alguém já viu o pulmão com inveja do coração porque este bombeia mais ou menos sangue? Ou as veias contrariadas por que estão tendo trabalho excessivo na distribuição de sangue pelo organismo? Mesmo que tivéssemos essa capacidade de perceber o diálogo entre os membros e órgãos de nosso corpo, jamais veríamos uma discussão entre eles, pois as palavras de ordem que regem nosso corpo físico são duas: movimento e harmonia. Se um órgão se enfraquece, o outro se enfraquece junto.  Já pensou se o fígado reclamasse das aproximadamente 500 funções que desempenha no funcionamento do organismo?

E nas comunidades religiosas, ou nos grupos sociais e de trabalho? Às vezes reclamamos ao desempenhar apenas uma função que nos é confiada. Às vezes ainda reclamamos por algo simples de fazer. Ou então, às vezes perdemos tempo ficando com inveja de A ou de B, por que lhe foi confiada esta ou aquela tarefa, que nos esquecemos de desempenhar bem aquela tarefa que a nos foi confiada, e em consequência, enfraquecemos o trabalho de todo um grupo, de toda uma comunidade.

Ao sairmos de casa, de nossa casa eterna, o Pai nos concedeu ainda dons auxiliares, dons estes que possuem a função de alegrar a nossa vida, suavizar a nossa caminhada, e a de nossos irmãos em humanidade. A uns ele abençoou com o dom da música; a outros com o dom do canto; a outros ainda com o dom da pintura; da escultura, de gerenciar negócios, de governar, de escrever, de representar. Mesmo dentro de um mesmo dom há uma diversidade. Por exemplo, no campo musical, há músicos que apenas tocam, outros apenas compõem, outros apenas cantam, há os que regem, e outros que conseguem desempenhar todas essas tarefas.

Porém em se tratando de dom, ele é para ser distribuído, é luz para ser posta em cima da mesa para clarear a todos. Esse é a função dos dons: unir e irmanar os irmãos. Qual o objetivo de se esconder uma lâmpada debaixo da mesa? A quem ela irá iluminar? Aos seus pés? Mas para que iluminar os pés se quem precisa de luz é o coração, às mentes? Há pessoas que, por egoísmo, ou por desconhecimento das leis eternas agem desse modo, escondendo seus dons. Quem age assim vive triste e leva uma vida sombria, pois guarda dentro de si uma luz que é para iluminar a todos. É semelhante a pessoa que se tranca um quarto e come sozinha, um pão que é para ser repartido com a comunidade.

Ao voltar para casa, o Pai eterno, pedirá contas a ambos os grupos de pessoas dos dons que lhe foram ofertados. Àqueles que souberam que souberam saber fazer bom uso do tempo, dos dons fundamentais e acessórios que lhes foram dados, aqueles que souberam fazer crescer e multiplicar o que receberam, o Pai se alegrará com eles e lhes dará em dobro o que já possuem. Infelizes daqueles que não souberam aproveitar o tempo que lhes dado, nem os dons com quais foram presenteados, com esses o Pai ficará triste e lhes tirará os presentes que lhes deu por que vê que esses não souberam usá-los em beneficio próprio ou dos outros.

E eu e você, e nós? Como estamos usando o tempo que nos foi dado? Estamos apenas em quimeras, ou a disseminar a inveja e a maldade por onde passamos? Como estamos usando os dons que nos foram dados? Estamos empenhados em multiplicá-los fazendo com que se tornem luzes a iluminar o caminho? Ou estamos apenas colocando nossa lamparina embaixo da mesa. Estamos vivendo e usando o nosso dom, ou estamos apenas preocupados em olhar a vida alheira. Já pensou se todos fossem cantores? Quem sobraria para fazer os melodiosos acordes, função inebriante dos instrumentos musicais? Lembremo-nos, de que também nós, cada um de nós, prestará contas ao Pai eterno. E como queremos que seja a atitude dele para conosco, de alegria, ou de tristeza? Queremos ver nossos presentes multiplicados, ou, justamente, retirado de nossas mãos?

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