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Bagdá em chamas

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:07
Sexta-feira, 31 de julho

O mesmo sol, a mesma lua
A mesma chuva, o mesmo vento
Por que não termos mesma voz
E mesmo pensamento?
O velho sol amigo e bom
Que brilha aqui que nasce lá
No horizonte de Washington
É o mesmo sol de Bagdá
(Sol de Bagdá – Jorge de Camargo)


Uma simples caminhada pelas ruas de Bagdá no dia ontem já era suficiente os iraquianos se sentirem no inferno, de tanto calor que fez. Bem, eu nunca estive no inferno, confesso que espero nunca chegar nem perto desse lugar prá lá de quente, descrito nos livros mitológicos e/ou sagrados. Olha que o povo do Iraque está acostumado com altas temperaturas. Imagine se não estivessem.

Devido à onda de calor sem precedentes na região, o governo iraquiano resolveu decretar feriado de quatro dias, com início no dia de ontem. A recomendação do governo é a mesma que em todos os lugares onde se faz muito calor: evitem o sol e bebam muita água. Também, que se animaria a enfrentar um sol escaldante de 520C? Só mesmo os masoquistas, ou quem tem que sair para resolver um problema de grande urgência. Coitado desses últimos, não é mesmo?

Para agravar ainda mais a situação, o povo iraquiano ainda tem que enfrentar os constantes cortes de eletricidade e água que atingem o Iraque e outros países vizinhos, que vivem em conflito.

Ainda se tivesse a brisa da beira do mar a quem recorrer, bem que os iraquianos podiam aproveitar bem esses dias. Mas eles não foram presenteados pela natureza com esses paraísos chamados praias.  Aí as opções ficam bastante limitadas. Para refrescar o corpo e a mente, o jeito é ir tomar um banho em canais de irrigação e rios da região... Ou correr para os ambientes refrescantes do shopping centers, templos do consumo.

Mas se a onda de calor é ruim para muitos, é bom também para os bolsos de alguns. Por exemplo, os vendedores de geradores de energia, ar condicionado, e ventiladores.

Todas essas coisas deveriam servir de alertar para qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo. Não nos esqueçamos de que o homem maltrata o planeta, e o planeta dá sinais de que está ficando irritado. E com isso quem perde somos todos nós. É fácil perceber isso, em qualquer do mundo. Sabe aquela frase dita ou pensada: “Antes não era assim”.

Aqui na cidade de Campinas, por exemplo, os dezembros e janeiros estão ficando a cada ano, mais e mais quentes. Não chega a fazer os 520C do Iraque, mas já dá sentir a pele ardendo sob o sol que deveria ser agradável, mas que se torna temível. O jeito que tem, nesses dias, é ir se esgueirando pelos toldos das lojas comercais, ou procurando a sombra primeira da árvore que atravessa nosso caminho.

Sem contar que por aqui, ainda vivemos sob o fantasma da possibilidade de enfrentar uma seca feroz. Já tivemos medo no ano passado, quando vimos nascentes, rios grandes e pequenos, reservatórios principais e secundários, minguarem suas abundantes reservas de água, chegando a se tornarem filetes d’água. Com as minguadas chuvas que caíram esse ano, não dá para ficarmos muito animados, não. Logo chegam os meses de outubro e setembro...

É bom a gente abrir bem os olhos. Não dá mais para cair na indiferença e dizer: “Ah, esse calor infernal é lá no Iraque, bem longe daqui”. Abra mais os olhos ainda mais, e pense que o Iraque também faz do mesmo planeta no qual todos nós habitamos, e o qual todos nós devemos preservar. E, coisa importante, é nosso papel pressionar os poderosos e governos para que tomem atitudes que detenham esse assassinato em gotas, cometido contra nossa tão querida Terra, nosso lar, nosso berço, nossa mãe. 

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Inimigo do leão

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:09
Quinta-feira, 30 de julho

Atrair com uma isca e matar um animal ameaçado
como esse leão africano e considerá-lo um ato esportivo
não poder ser chamado de caça,
mas sim de uma vergonhosa amostra de crueldade desapiedada
(Betty McCollum – Congressista democrata americana)



Na segunda-feira, dia 20 de julho, fiz uma postagem que falava de uma história bela e comovente: a amizade entre um alemão e uma leoa, em Botswana. Infelizmente, hoje falo do reverso cruel dessa medalha que expressa os conceitos de vida humana x vida selvagem. Ou seriam alguns humanos selvagens e alguns selvagens humanos. Afinal de contas, o que é ser humano e o que é ser selvagem? Penso que tudo passa por uma questão de caráter. E caráter, depende de que? Do dinheiro que se tem? Da cor da pele? De orientação sexual? De nacionalidade? Não! Definitivamente não para todas as questões. Penso também que caráter tem a ver com o processo evolutivo de cada um de nós. Tem gente que avançou bastante em conhecimento, posição social e todas essas coisas, porém em se tratando de processo evolutivo rumo à verdadeira descoberta de si mesmo como ser humano, estão bem longe disso.

Hoje falo de um assassinato que comoveu o mundo: o do leão africano, Cecil. Ele era jovem, tinha 13 anos. Era um símbolo da vida selvagem em sua terra, o Zimbábue. Vivia em plena liberdade em um parque nacional. Apesar de seu porte majestoso e forte, era um animal dócil. Era paparicado pelos milhares de turistas que visitam o parque. Foi morto com requintes de crueldade.

Infelizmente, no início deste mês, o rei da selva, teve o azar de cruzar o caminho de Walter Palmer, um dentista americano, de 55 anos, frio e cruel. Não foi a primeira vez que o dentista mostrou sua natureza selvagem. Mas sempre se saiu bem com o poder do dinheiro, como verão no texto que compartilharei logo abaixo.

Segundo denuncia da ONG Zimbabwe Conservation Task Force (ZCTF), Walter Palmer pagou 50.000 dólares à empresa Bushman Safari, para que fosse organizada uma caçada noturna. Tudo certo para a caçada, o grupo prendeu um animal morto no carro por eles utilizado e, com isso, atraíram Cecil para fora do parque.

Palmer, então, com os olhos cheios de prazer, o prazer de matar, armou o arco, posicionou a flecha, e mirou o alvo. Veloz como um raio a flecha correu em direção ao rei da selva. Um urro de dor ecoou pelo ar, quebrando a quietude da noite. Cecil, ferido correu pela selva. O grupo de caçadores, entre eles, o seu patrocinador, Palmer, não descansaram enquanto não encontraram o leão. Encontraram-no agonizando devido aos ferimentos provocados pela flecha.

Ao aproximarem-se, descobriram que o leão trazia ao pescoço um GPS, e que era protegido da Universidade de Oxford. O animal fazia parte de um estudo daquela universidade. Logo perceberam que a “prazerosa” caça havia se tornado para eles um problema. Resolveram então livrar-se dele. Um tiro ecoou, quebrando, pela segunda vez, o silencio das matas. Em seguida, Cecil foi decapitado e teve a pele arrancada.

O ato covarde provocou revolta no mundo inteiro. Já em sua casa, no estado americano de Minnessota, fechou sua clinica e ainda teve que bloquear suas contas nas redes sociais, tão grande foram as intensidades dos ataques dos internautas. Em frente a clinica do dentista, pessoas colocaram bichinhos de pelúcia e colocaram flores, em memória de Cecil.

"Animais estão aqui para aproveitar o mundo e nos ajudam a sobreviver. Sem as abelhas não teria mel, sem as vacas não haveria leite". Estas foram as sábias palavras de uma menina do Zimbábue, comentando o triste fato, em entrevista à imprensa.

Abaixo, compartilho matéria publicada no site do jornal El País Brasil.


***



Caçador do leão Cecil já matou um urso de maneira irregular


SILVIA AYUSO Washington

Walter Palmer, o dentista norte-americano que matou o leão protegido ‘Cecil’ em uma batida de caça no Zimbábue, tem antecedentes de caça ilegal. Palmer, que dirige uma clínica em Minnesota, foi condenado em 2008 por abater um urso negro no estado de Wisconsin dois anos antes. O caçador disparou no animal fora da área autorizada e tentou disfarçar o feito, como se tivesse sido abatido em outro lugar. Palmer foi condenado a pagar uma multa de 3.000 dólares (9.974,40 reais) e esteve em liberdade condicional durante um ano. Além disso, as autoridades limitaram sua permissão de usar o arco — a mesma arma que usou para matar o leão protegido — a usos esportivos.

Não foram seus primeiros problemas com a justiça. Em 2006, Palmer foi denunciado por assédio sexual por uma recepcionista que trabalhava com ele. O dentista evitou o julgamento com um acordo privado no qual pagou à mulher mais de 127.000 dólares (422.249,60 reais), segundo os registros da Junta de Odontologia de Minnesota.

O dentista norte-americano, de 55 anos, está sendo objeto de uma campanha massiva de críticas que o levaram a fechar sua clínica – até mesmo bloqueou sua página online –. Mais de 265.000 pessoas assinaram uma petição na Internet que pede justiça para ‘Cecil’ e exige que o Governo do Zimbábue pare com a emissão de permissões de caça para os animais que estão em risco de extinção. Além disso, Palmer poderá ter problemas legais pela morte de Cecil.

As investigações do Escritório de Parques e Vida Selvagem do Zimbábue e a Associação de Operadores de Safári desse país mostram que Palmer supostamente pagou 50.000 dólares (166.240 reais) para caçar o felino protegido. As investigações indicam que o dentista norte-americano e o responsável pelo safári em que estavam enganaram ‘Cecil’, de 13 anos e o animal mais representativo do parque nacional de Hwange, para que saísse da área protegida. Com o leão fora do parque, Palmer o acertou com uma flecha. ‘Cecil’ – que estava com um GPS pois fazia parte de um estudo da Universidade de Oxford – agonizou durante 40 horas. Depois, foi morto, decapitado e despelado.

As autoridades do Zimbábue já abriram processo contra duas pessoas pela caça ilegal de ‘Cecil’. Elas são Theo Bronkhorst, caçador profissional e organizador do safári, que ocorreu no começo de julho, e Honest Ndlovu, dono da fazenda onde foram encontrados restos do animal e onde ele morreu, segundo os dados do GPS que levava. Ambos enfrentam acusações por caça ilegal.

Palmer, que em um comunicado na terça-feira lamentou o ocorrido e afirmou que acreditava que a caça do felino havia sido legal, afirmou que não foi contatado pelas autoridades do Zimbábue e dos EUA. Ainda que diga que irá colaborar em qualquer investigação. O dentista, um grande entusiasta da caça que possui quase cinquenta troféus por matar com arco e flechas desde búfalos e alces até um urso polar, poderá ser acusado no país africano por praticar caça ilegal, segundo a porta-voz da polícia do Zimbábue, Charity Charamba.

A associação de defesa dos direitos dos animais PETA pediu através de um comunicado que o dentista norte-americano seja extraditado, julgado e condenado pela morte de ‘Cecil’, um símbolo do Zimbábue.

Os problemas legais de Palmer, entretanto, poderão começar em seu próprio país. Se ficar comprovado que o dentista subornou os caçadores para realizar a caça ilegal, poderá então ser julgado nos EUA por violação de leis nacionais que proíbem esse tipo de prática no estrangeiro.

A congressista democrata por Minnesota Betty McCollum já pediu a investigação de um caso que a afeta pessoalmente. Não somente por ser representante do estado onde vive Palmer, mas porque é uma ativa defensora de espécies em perigo e faz parte do caucus (grupo parlamentar) para proteção animal da Câmara de Representantes em Washington.

“Como alguém comprometida em pôr fim à caça ilegal de espécies africanas icônicas, acredito que a Promotoria Geral e o Serviço norte-americano de Pesca e Vida Selvagem deveriam investigar se foram violadas leis norte-americanas em matéria de conspiração, suborno de funcionários estrangeiros e a caça ilegal de uma espécie protegida”, informou em um comunicado.

“Atrair com uma isca e matar um animal ameaçado como esse leão africano e considerá-lo um ato esportivo não poder ser chamado de caça, mas sim de uma vergonhosa amostra de crueldade desapiedada”, frisou McCollum, que além disso prometeu continuar lutando para que sejam aprovadas leis que protejam os animais “icônicos, ameaçados e em perigo de extinção em todo o mundo da ‘caça esportiva’ bárbara nas mãos das elites ultra ricas”.

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Harmonia dos Salmos: Gotas de música e poesia no deserto da vida

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:19
Terça-feira, 28 de julho


“No deserto da vida, quando a sede me vem,
Quando clamo bem alto, e não vejo ninguém,
Eu me lembro de ti, e me sinto feliz,
Pois escuto bem alto, uma voz que me diz:
“Quem tiver sede venha a mim e beba,
E do seio de que quem crer em mim,
Hão de brotar torrentes de água viva,
Jorrando sempre sem jamais ter fim”.  

Há coisas que não se apagam de nossas mentes, e de nossos corações, não importa quanto tempo tenha se passado, ou que estejamos distante do lugar onde nascemos, ou qualquer outra situação semelhante. Os versos acima são de uma canção muito cantada na igreja de minha comunidade, lá no Rio Grande do Norte. O interessante é que fazia tempo que não ouvia essa música. Para falar a verdade, nem me lembrava mais dela. Mas bastou apenas colocar as mãos no teclado, escrever o título, para que esses versos viessem à minha mente com intensidade.
Não se sei se foi a palavra chave “deserto” que fez jorrar em minha mente, essa torrente de água viva e de boa qualidade que comecei a beber nas fontes de águas puras e cristalinas de minha amada terra natal. Até hoje, continuo a beber dessa água benéfica e curadora chamada fé.
Quando, atravessando os desertos da vida, nos tornamos por demais sedentos, nada melhor do que beber uma gotas de salmo. Bebida revigorante, que brota do coração daqueles que sabem amar a Deus com profundidade, sentimento. Quando a tristeza bater em nossa porta, bebamos salmos para confortar e revigorar nossa alma, e quando nossos corações estiverem transbordando de alegria, salmodiemos para louvar e agradecer ao criador.
Falando em salmos, falo também do lançamento do livro, A Harmonia dos Salmos, lançado na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi Campinas, no sábado, 18 de julho, é uma releitura dos 150 salmos de David. Os salmos foram transformados em sonetos pelo poeta Vidal Ramos, e musicado pelo Maestro Urban. Podem ser cantados a uma, duas, ou três vozes, podendo também ser acompanhados por instrumentos musicais.
Conversei com o Maestro Urban, a respeito desse projeto, sobre o patrocínio do livro, sobre Vidal Ramos, e sobre projetos futuros. Vendo tanta lucidez do alto dos 96 anos do maestro, tiro a conclusão de que os projetos de vida, a esperança, e o querer fazer bem feito, mantém o homem vivo e lúcido.



José Flávio - Como surgiu a ideia do projeto do Livro, A Harmonia dos Salmos?

Maestro Urban - Eu recebi do Vidal, um livro com o título, A Beleza dos Salmos, em que ele fez uma dedicatória muito pessoal, motivadora. Ele pôs: “Ao caríssimo Urban e a doce Letícia, o meu abraço…”, algo assim. Eu gostei daquilo, e gostei do livro também. Comecei a ler. Li salmo por salmo. Ia e voltava. Lia de noite antes de dormir. Daí veio a ideia de musicá-lo. Telefonei para ele (Vidal Ramos), pedi permissão. Ele fez por escrito uma autorização, dizendo da satisfação dele de poder colaborar não só para que as pessoas entendessem melhor os salmos, em linguagem mais poética, mas que sentissem o valor do salmo pela música. Isso tem tudo no livro. Então no livro, tem um prefácio da Arita, tem uma explicação minha, e tem a permissão do Vidal. Aí me veio a ideia de musicar. Então experimentei um, tocava um pouco ao teclado, gostei, e escrevi. Fui fazendo isso durante o ano de 2007/2008, e montei todo o livro. E quem me ajudou foi o Décio (Décio Delamano, coralista falecido do PIO XI), que era do Coral, que transformava em linguagem visível e legível minhas músicas. Então o livro surgiu assim. E o Marcelo, meu filho, tomando conhecimento desse trabalho, pediu para ver. Olhou muitas vezes. Cantou comigo algumas coisas. Gostou demais, e se incumbiu de patrocinar a edição do livro. Foi ele que bolou a capa, estrututrou o como fazer o livro. Levou para Florianopólis, e lá tem a Essentia Farma, farmácia de manipulação, da qual ele faz parte. Ele é médico, e, junto com mais alguns médicos, resolveu formar um grupo avançado na medicina e nos medicamentos, coisa de última geração. Então montaram isso aí,e hoje ele tem uma verdadeira indústria de essências, remédios, suplementos alimentares, etc, e já estão indo pelo mundo todo. Tem na Europa, Estados Unidos, e por aí afora. Então ele se incubiu disso. Eu devo a ele, realmente, o patrocínio da impressão do livro. E, por isso, esperei um dia em que ele estivesse por aqui para poder lançar o livro junto com ele. E foi o que aconteceu.


José Flávio - Por isso que o lançamento do livro foi adiado algumas vezes?

Maestro Urban - Sim, porque ele mora no México e só vem aqui de quatro em quatro meses, mais ou menos. E vai também a Florianópolis, onde ele tem um grupo para o qual transmite as últimas novidades da medicina, da psicologia, etc.

José Flávio -  Qual a especialidade dele?

Maestro Urban - Ele é psiconeuroimunologista. Em uma das vezes em que nós fomos ao México visitá-lo, ele estava trabalhando com uma pessoa a quem os médicos tinham dado apenas um mês de vida e, com o trabalho dele, com o tratamento que ele ofereceu a essa senhora, ela viveu mais cinco anos. É isso, ele trabalha, principalmente, com pessoas em fase terminal, e transmite isso nos cursos. Ele dá cursos em Florianópolis, mas também já deu cursos na Itália, Londres, Berlim, ele é internacional.


José Flávio -  O que o Dr. Marcelo Urban achou do resultado desse trabalho com o livro?

Maestro Urban - Ele ficou maravilhado, disse que não esperava — como eu também não esperava — que fosse tão deslumbrante, tão empolgante. Ele gostou muito das coisas que eu falei antes da apresentação porque eu procurei explicar o sentido dos salmos e demonstrar que, assim como o salmo serviu há três mil anos atrás para o Rei David e os outros que os compuseram, para agir em várias situações da vida, como angústia, sofrimento, desespero põe isso nos salmos, mas também quando recebe o benefício ele se expande em fazer versos de alegria, de alivio, de agradecimento, etc. Tem salmo de tristeza, mas tem salmo de grande louvor, e acima de tudo ele procurava focalizar a grandeza de Deus, a bondade de Deus, a misericórdia de Deus para com os homens, para com a humanidade. E hoje, o Deus que era dele é o nosso Deus. Então, Deus não mudou, e o homem também mudou muito pouco, porque o homem ainda hoje é cheio de misérias, de necessidade, mas também cheio de confiança, e a gente pode traduzir tudo isso nos salmos. Eu gostei, principalmente, do jeito que terminei que foi “só espero que o místico perfume destes salmos em forma de soneto, e musicados, inebriem e santifiquem àqueles que vierem a cantá-los. É uma obra de compromisso, não é uma obra literária, é uma obra de convicção religiosa, de lógica, de formação educacional, cultural”.

José Flávio - Quanto ao Vidal Ramos, quando começou sua amizade com ele?

Maestro Urban - Foi ainda no tempo da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), eu trabalhava em um setor da PUC, ele também trabalhava na mesma região. Ele atendia mais ao que a Reitoria pedia. Não sei se ele fundou, mas é bem possível que tenha fundado a Rádio Andorinha, que transmitia notícias da PUC para o exterior. E trabalhando nesse setor artístico e cultural, ele apresentou muitas vezes o coral universitário, que eu dirigia, me acompanhou muito tempo. Eu fiquei vinte anos como diretor do Insituto de Artes e Comunicação (IAC), um pouco antes tinha sido diretor da faculdade de Música. Então o Vidal trabalhava muito comigo nesse sentido. Eu sempre apreciei o trabalho dele. Ele sempre foi muito cordato, amigo, e procurava servir a gente de todo jeito. Então quando soube que ele escreveu o livro, e ele me ofereceu um bonito. Esse livro, o dele, foi impresso por um juiz aposentado aqui de Campinas, chamado Francisco Fernandes Araújo que, até hoje, publica livros e vai no Largo do Rosário, e os distribiu ao povo. Foi ele que patrocinou o livro, A Beleza dos Salmos, do Vidal. Ele (o juiz) me falou isso quando o convidei para o lançamento do livro, A Harmonia dos Salmos. Ele não pode estar presente porque houve um caso de doença na família e ele não pode sair de casa.

José Flávio - O Vidal não esteve no lançamento do livro, ele faleceu antes desse momento…

Maestro Urban - Ele faleceu exatamente um mês do lançamento do livro, no dia 18 de junho. Ele estava com uns problemas de coração. Mas eu cheguei a levar um livro para ele, e ele ficou maravilhado quando viu. Eu estava junto com o Márcio, e o Vidal nos pediu para cantar alguns salmos. Ele estava se preparando para tomar parte nesse lançamento, mas Deus o levou antes.

José Flávio - O senhor sentiu bastante a morte dele…

Maestro Urban - Muito. Infelizmente não pudemos cantar na missa de sétimo dia dele. Mais ainda teremos tempo cantar em homenagem a ele. A viúva dele foi muito atenciosa quando eu falei que ia fazer essa apresentação do livro. Convidei-a para declamar a parte inicial do livro, que é a apresentação, com o título de, A Beleza dos Salmos.

José Flávio - Como é o seu processo de criação?

Maestro Urban - Baixa.

José Flávio - Baixa?

Maestro Urban - Baixa (o santo) ( Risos). Olha, geralmente, eu tenho muita inspiração à noite. Acordo e me vem aquilo (a ideia). Tanto que me muni de uma caneta que tem lanterninha na ponta. Para não esquecer, me levanto e anoto tudo. Depois revejo tudo aquilo, e trabalho para poder apresentar. E os salmos me empolgaram.

José Flávio - A sua mulher, Letícia, lhe inspira?

Maestro Urban - Ela é a minha musa inspiradora. Ela me dá uma mão forte, muito apoio. Ela me aguenta muito, pacientemente, quando estou ali dedicado a música e não quero saber de mais nada, de prosa nenhuma, de vez em quando ela me dá umas tacadas, “agora é só música, só música”, mas enfim, ela compreende, e me abençoa.

José Flávio - É um amor muito lindo que já dura…

Maestro Urban - 60 anos. Graças a Deus, nós nos damos muito bem. Eu a quero muitíssimo bem, ela me valoriza muito também. Somos um casal que se ama. No dia que nós completamos 60 anos (de casados), o Pe., praticamente, me obrigou a falar como é que nós conseguimos chegar até ali.

José Flávio - Qual é o segredo de tanta dedicação, de tanta vitalidade?

Maestro Urban - É pensar muito no assunto, ruminar, e eu tenho esses ideais, principalmente, em se tratando dos corais e, de maneira especial, o PIO XI, para que as coisas possam ser executadas da melhor forma. Não gosto das coisas pela metade. Ou faz direito ou não faz. E isso me inspira a procurar sempre o melhor. Eu vivo da música, gosto da música. Acho que é isso que me dá essa juventude toda, aos meus 96 anos. (risos)

José Flávio -  Sr. tem novos projetos em andamento?

Maestro Urban - Tenho. Eu, praticamente, já terminei o Cântico dos Cânticos de Salomão. Só que nesse caso, eu fiz o verso e a música, o poema e a música. Está sendo transposta para partituras. A manuscrita não fica muito bem. Mas a Corona (José Carlos Corona, Presidente do Coral PIO XI), está me ajudando. O Marcelo veio com uma ideia interessante. Ele já foi muitas vezes para o Oriente, para a Arabia. Ele pratica a doutrina Surfi.  Não sei se você já ouviu falar. É uma doutrina arabe que tem uns poetas, que tem escritores, cultivadores de virtudes, de dons, de pensamentos, é uma doutrina de muita elevação. Alguma coisa é baseada em Maomé, mas muita coisa é criação dos próprios autores. E tem um poeta chamado, Rumi, que é tido como um dos maiores pensadores do mundo. Ele está me mandando os versos de um poema inteiro que Rumi compôs, para ver se eu acrescento ao que Salomão escreveu, no trabalho sobre o qual eu fiz os versos, para mostar a identidade de pensamento, a igualdade de doutrina, afinal de contas, mostrar o paralelismo que existe entre as coisas. Marcelo me trouxe também os Cantares de São João da Cruz, que se assemelham muito ao que Rumi escreveu, ou é o Rumi que se assemelha muito a ele. Os dois falam a mesma linguagem. A gente percebe como no cristianismo, o que é de valor permanece, cresce. E em outros setores, o que é de valor também cresce, e se une ao que o cristianismo programa.

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Salmos: Um divino legado do Rei David para a humanidade

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:06
Domingo, 26 de julho

Ao quente sol balançam os trigais,
Como chuva dourada sobre a terra.
A natureza lembra em seus florais,
Um cofre santo que a pureza encerra
(Salmo 65 – Vidal Ramos (letra), Maestro Urban (música))




Nos átrios do palácio do rei David, certamente, foram discutidos muitos assuntos de grande importância para o povo de Israel. Na qualidade de rei, David tinha que tomar decisões fundamentais que influiriam diretamente na vida militar, social e política de sua gente.

Mas nem só de conflitos e guerras vivem os reis. E o rei David devia saber muito bem disso. Pois, além do Deus todo poderoso lhe brindar com o dom da sabedoria, também lhe deu como presente o dom da música e da poesia.

E assim, enchendo o ar com o som de sua harpa, e o coração com o amor divino, David deixou para humanidade o livro dos Salmos: um dos livros  mais inspiradores contido no livro Sagrado dos Cristãos. Os salmos são uma oração cantada que, tal qual uma bússola, orienta os navegantes perdidos no mar da vida. Com eles, podemos cantar, louvar, agradecer, implorar o amor divino, e a Ele pedir proteção.

Deus presenteou o Rei David com esse maravilhoso dom, chamado música, e continua oferecendo essa dádiva aos homens através dos séculos. Os que ouvem a música também devem recebê-la como um presente do altíssimo que serve como bálsamo num mundo de tribulações. Afinal, a música acalma nossos espíritos, nos toca o coração, estimula nossas áreas sensoriais, motoras, emocionais e intelectuais. Resumindo, os benefícios proporcionados pela música são tão contáveis quanto os grãos de areia espalhados à beira mar.

No sábado, dia 18 de julho, as mais de cem pessoas que lotaram o auditório da Livraria Cultura, no Shopping Iguatemi Campinas, reviveram aquelas mágicas e divinas emoções experimentadas pelos frequentadores dos átrios do palácio real de David.

Dos átrios dos palácios celestiais, o Rei David exultava de alegria ao ver que seu legado continua, até os dias de hoje, sendo propagado entre as nações, e que seus discípulos se esmeravam por estar sempre atualizando sua maravilhosa obra.


Na Livraria Cultura, no esplendor daquele fim de tarde de sábado, era lançado o livro de partituras musicais, A Harmonia dos Salmos, de autoria do escritor Vidal Ramos, e do Maestro Oswaldo Antonio Urban. O primeiro fez uma releitura dos 150 Salmos, e o segundo os musicou, em uma parceria que resultou em um magnífico trabalho de grande sensibilidade e espiritualidade. Antes da sessão de autógrafos, houve um concerto musical com os corais PIO XI (coral formado por vozes masculinas) e Vozes Amigas (formado por vozes mistas), ambos regidos pelo maestro Urban, que, do alto de seus 96 anos, comanda, com voz e mãos firmes, os dois grupos. Para tornar o evento ainda mais sublime, estavam Francisco Emanuele, tecladista do PIO XI, e os músicos convidados; Fabrício e Bira, ao violino; Victor, no violoncelo; e Bruno, no contra baixo acústico.

Antes de prosseguir, devo dizer que, junto com David, nos átrios da morada celeste, estava Vidal Ramos. Vidal trabalhou junto com o Maestro nesse projeto, mas o Senhor dos Senhores, resolveu chamá-lo de volta, no dia 18 de junho deste ano, quando o projeto já estava totalmente finalizado, e quando se começava os preparativos para o lançamento do livro.


Dito isto, prossigo. Os corais se perfilaram... O maestro se colocou em posição de regência... Os músicos se posicionaram aos seus instrumentos... As luzes da plateia se apagaram... Acenderam-se as luzes da ribalta. O maestro comandou o acorde inicial e o auditório lotado se encheu dos maravilhosos sons dos violinos, violoncelo e contra baixo acústico... De afinadíssimas vozes masculinas e femininas... E da doce e divina harmonia dos salmos.

Maestro Urban em sessão de autografos

Antes de cada número musical, foi feita a declamação de cada salmo a ser executado. O primeiro da série foi declamado pela esposa de Vidal Ramos, que aproveitou a ocasião para entregar ao Maestro Urban, um belíssimo e significativo quadro, no qual estavam as figuras dos dois autores, do livro de Vidal que deu origem ao projeto, e do livro que estava sendo lançado.


Na plateia, estavam pessoas de pessoas de outros estados brasileiros, da cidade de São Paulo, de cidade circunvizinhas, e obviamente, de Campinas. Ao final de cada salmo cantado, o público emocionado, soltava de gritos de “Bravo!” “Magnífico!” “Belo!”. Ao final do concerto maestro, músicos e corais foram aplaudidos de pé.

Após esse manjar para os ouvidos e para o coração, no saguão do auditório, foi servido um coquetel para os convidados. Ali também aconteceu a sessão de autógrafos.

Músico Bruno Buzzo

Ao final da apresentação, conversei com o músico, Bruno de Moraes Buzzo, 32 anos, formado em música pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Bruno toca em casamentos, fixo em restaurantes de hotéis, e também tem um trabalho autoral em um grupo de Jazz, do qual faz parte, e no qual as composições executados pelo grupo são de autoria dele. Jazz e Blue são o principal material de trabalho do músico.

A respeito das impressões sobre o livro, sobre a apresentação e sobre o maestro Urban, Bruno comentou: “Achei muito interessante, primeiro por serem salmos, que falam da palavra de Deus. Na verdade, não sabia o que esperar. Já tinha ouvido falar sobre o maestro Urban, e vejo que ele está muito bem, apesar da idade que tem. Quando fomos fazer os ensaios, fizemos uma reunião para ver qual era o repertório, e a gente foi fazer os ensaios e, realmente vimos que era muito interessante os arranjos, a harmonização que ele fez, e daí nos ensaios, ver o jeito que ele trabalha, muito minucioso, um ouvido muito bom, apesar de que a gente vai perdendo a audição ao longo dos anos, imagine então depois dos 90 como é que fica. Mas ele é impecável. Fiquei impressionado com um trabalho de tamanha qualidade, e fiquei muito feliz poder fazer parte disso”.

Na quinta-feira (23), o Coral PIO XI, do qual eu também, orgulhosamente, faço parte, viveu outro momento especial. Dessa vez, no plenário da Câmara Municipal de Campinas. Houve naquela Casa Legislativa a comemoração do Dia do Líder Comunitário e Presidente de Bairro, um projeto de lei, de autoria do vereador, Luiz Henrique Cirilo, que foi sancionado pelo prefeito Jonas Donizette. No plenário havia líderes comunitários das principais regiões da cidade. Além de apresentar alguns números musicais, o coral também recebeu homenagens, junto com os líderes comunitários, afinal ele também faz um importante trabalho social através da música. Ao final da sessão foi entregue um diploma comemorativo ao Dia do Líder Comunitário e Presidente de Bairro, a todos os agentes comunitários presentes à sessão, e também a todos os componentes do Coral PIO XI.

Vereador Luiz Henrique Cirilo
Antes de se iniciarem a sessão de homenagens, conversei com o vereador Luiz Henrique Cirilo, que cumpre seu segundo mandato na Câmara Municipal de Campinas, a respeito dessa justa homenagem àqueles que estão junto às comunidades, cumprindo o importante papel de ser ponte entre elas e o poder público.

Hoje nós comemoramos o Dia do Líder Comunitário e Presidente de Bairro, e por uma iniciativa minha, há três anos, eu apresentei um projeto de lei, essa lei foi aprovada, foi sancionada pelo prefeito municipal, e hoje nós temos que todo dia 11 de julho, nós comemoramos o Dia do Líder Comunitário e o dia do Presidente de Bairro, figuras altamente importantes no cenário político, porque se não fosse o líder comunitário e o presidente de bairro, as reivindicações dificilmente chegariam administração municipal, então são as pessoas operosas, e eu tive a graça, a satisfação de ter essa indicação do líder comunitário mor, que é José Carlos, homem de grande liderança, um homem extremante respeitado dentro das comunidades, e respeitado na administração municipal, e isso fez com que nós apresentássemos um projeto, ele acabou me escolhendo como vereador, eu apresentei o projeto, esse projeto ganhou corpo dentro da Câmara, e depois o prefeito sancionou”, disse, Luiz Henrique Cirilo, vereador, e atual vice-presidente da Câmara Municipal.

Também conversei com José Carlos, 72 anos, Presidente da Federação Comunitária de Campinas e Presidente da Associação do Centro de Integração de Justiça e Cidadania. Foi José Carlos quem indicou o projeto ao vereador Cirilo, e o escolheu para levar a ideia em frente.

Eu fiz a indicação desse projeto, porque no meu modo de entender, presidente de bairro nem sempre é reconhecido, então é um reconhecimento, a gente não pode fazer muita coisa, mas pelo menos é um reconhecimento pelo trabalho que eles fazem, junto à comunidade”.

Esta semana, também entrevistei o “capitão” do PIO XI, maestro Urban, uma pessoa a quem admiro, e que, para mim é exemplo de vida, e pretendo apresentar essa entrevista em minha próxima postagem.

Por ocasião do lançamento do livro, A Harmonia dos Salmos, o jornal da EPTV 2a edição, fez uma reportagem com o maestro, e sobre o evento.

Quem desejar conhecer esse homem tem dedicado sua vida à música, e há 67 anos rege o PIO XI, basta acessar o link abaixo: (Apenas uma correção: No título da reportagem onde se lê: “Walter” Urban, leia-se “Oswaldo” Urban)


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Pegadas na areia na beira do mar da vida

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:58
Sexta-feira, 24 de julho



Sob o quente sol das estradas da vida seguem dois homens, cada qual carrega sua cruz. Um tem fé e outro não. Qual a diferença entre a caminhada dos dois se a cruz é a mesma, e ambas tem o mesmo peso? Para aquele que tem fé, se a cruz pesa setenta quilos, ela lhe parecerá que tem sete. Quanto ao que não tem fé, se a cruz tiver os mesmos setenta quilos, ela lhe parecerá que tem setecentos.

A fé é esse diferencial que provoca mudança na vida das pessoas, e as torna mais fortes e dispostas a superar os problemas, e seguir em frente. No horizonte da vida, a fé nos ajuda a ver a paisagem sob uma nova perspectiva, isso ajuda a diminuir a proporção dos problemas, que nada mais são do apenas uma linha riscada na folha em branco que é a vida. Primeiro a gente risca uma linha sobre o papel, depois risca outras e o desenho vai ganhando forma. Nessa forma, vamos colocando luzes e sombras e, quando percebemos, criamos uma forma descomunal, a qual chamamos de problema. Mas fomos nós que criamos aquela forma. Nessas horas, a borracha da fé é de grande utilidade. Devagar, a colocamos na ponta dos dedos e vamos apagando uma linha, depois a outra, e mais outra, quando vemos o monstro sumiu, ou ficou reduzido a apenas uma linha no papel em branco, e podemos recomeçar um novo desenho, mais bonito, mais harmonioso. O segredo é apagar o desenho do monstro devagar, pois se quisermos apagar tudo de uma vez, podemos manchar a folha, e aí fica mais difícil recomeçar outro desenho.

Há também pessoas que se sentam à beira do caminho e ficam a lamentar. Em seu desespero, elas dizem: “Oh, Deus me abandonou” “Não sou digno de ser amado pelo Altíssimo”. Talvez elas não saibam, mas talvez tenha sido naquele momento de desespero, no qual elas pensaram que estava sozinhas, que Deus as colocou nos braços.

Há um poema, famoso poema, que trata desse tema. Quem já não ouviu falar, ou não leu, ou conhece alguém que tenha lido, Pegadas na Areia. O poema tem inspirado e confortado pessoas em todo o mundo. Podemos encontrá-lo estampado em camisetas, marcadores de livros, cartões com mensagens, quadros, transformado em música e inúmeras outras formas. Há quem diga que é de autor desconhecido, mas isso não é bem verdade. Pegadas na Areia foi escrito por uma mulher, chamada, Margaret Fishback Powers, no ano de 1964.

Desde a adolescência, ela já se envolvia em constantes atividades missionárias na igreja, em Quebec, Canadá.

O poema nasceu no Dia de Ação de Graças de 1964.  O namorado, Paul, havia organizado um retiro para jovens da igreja, e Margaret foi junto para auxiliá-lo. O namoro entre os dois era recente, e eles não tinham muitas perspectivas de futuro, mesmo assim, Paul decidiu pedi-la em casamento. Além disso, Paul já havia atravessado experiências desagradáveis com drogas e violência, e ela sempre estivera bem distante desse terrível e sombrio universo.

Os dois resolveram passear pela beira da praia e apreciar a beleza e a  tranquilidade do lugar. Caminharam um pouco e voltaram pelo mesmo lugar por onde tinham ido. Na volta, perceberam que as ondas do mar tinha apagado algumas pegadas, deixando apenas uma delas visível.

Pessimista, Margaret pensou que talvez aquilo fosse um prenúncio de que os sonhos que os dois estavam sonhando juntos seriam levados pelas águas do mar da vida. Paul lhe disse que não. Que aquilo era um sinal de que, mesmo enfrentando turbulências, eles seriam como uma só pessoa a caminhar. E que Deus os tomaria nos braços se tivessem fé e acreditassem nele.

Naquela noite, Margaret, demorou a dormir. Aquelas pegadas na areia, e as palavras de Paul, provocaram nela uma intensa reflexão. Ela então orou. Dessa oração, nasceu o poema, ao qual, primeiramente, ela intitulou, Eu tive um sonho.

Paul achou o poema fenomenal, e resolveu lê-lo para toda a turma de jovens ao final do retiro.

O tempo passou e, à revelia e desconhecimento da própria autora, o poema foi se espalhando, mas sempre era publicado como autor desconhecido. Essa situação perdurou por vinte anos. Em 1983, a autora andava pelas ruas e, para grande surpresa sua, viu o poema que havia escrito em um retiro de jovens, em 1964, estampando em out-door. Voltou para casa que não cabia em si de tanto contentamento.

A partir daí passou a empreender uma luta que durou seis anos, para provar que tinha sido ela quem escrevera aquele poema. A seu favor, havia o testemunho dos jovens que haviam participado do retiro, e que haviam recebido uma cópia. Havia também o registro dele escrito na primeira página de seu álbum de casamento com Paul, no ano de 1965.

E assim, esse mágico poema tem sido fonte de fé e inspiração para milhões de pessoas em todo o mundo. Espero que ele sirva também para você não desanimar em momentos difíceis, quando, na estrada da vida, olhar para trás e perceber que há apenas um par de pegadas na areia: as suas. Não se assuste, nem fique a lamentar-se, lembre-se que é nesse momento de turbulência, que o Supremo Criador, está te carregando nos braços, enxugando tuas lágrimas, e suavizando teu caminhar.

Neste início de dia, ofereço para você, em especial, esse belo poema.

***



Pegadas na areia 

Certa noite eu tive um sonho…

 Sonhei que estava andando na praia com o Senhor, e que, através do céu, passavam cenas de minha vida.

Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia. Um era o meu e o outro era do Senhor.

Quando a última cena de minha vida passou diante de nós, olhei para trás e notei que muitas vezes no caminho da minha vida havia apenas um par de pegadas na areia.
Percebi também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiantes do meu viver.

Isso me aborreceu deveras e, então perguntei ao Senhor:

— Senhor, Tu me disseste que uma vez que eu resolvesse te seguir, tu andarias sempre comigo, por todo o caminho. Mas notei que durante as maiores dificuldades do meu viver havia na areia dos caminhos da vida, apenas um par de pegadas. Não compreendo por que, nas horas que eu mais necessitava de ti, tu me deixastes? Tu me abandonaste?

E o Senhor respondeu-me:

— Minha preciosa filha. Eu te amo e jamais te deixaria nas horas da tua provação e do teu sofrimento. Quando vistes na areia apenas um par de pegadas, foi exatamente nessas horas, que eu te carreguei em meus braços!

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