0

O Raul Seixas: Um mito que vive nas canções que compôs

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:09
Segunda-feira, 29 de junho

Enquanto você
Se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual
Eu do meu lado
Aprendendo a ser louco
Um maluco total
Na loucura real”       
(Maluco Beleza - Raul Seixas , Claudio Roberto)



Se estivesse vivo, o saudoso roqueiro brasileiro, Raul Seixas, teria feito, nesse domingo (28), 70 anos. Raul nasceu em Salvador, no dia 28 de junho de 1945, e morreu em São Paulo, no dia 21 de agosto de 1989. É com saudades que festejamos o dia do nascimento de Raul, que tantas belas canções nos legou.

O texto abaixo é uma singela homenagem a esse rebelde, contestador, maluco beleza, Raul Seixas. Escrevi o texto baseado na obra do artista, especialmente nas músicas, Metamorfose Ambulante, Tente Outra Vez, Ouro de Tolo, Eu nasci há dez mil anos atrás, O trem das sete, e O Conto do sábio chinês, sucessos inesquecíveis do artista.

***



O Raul Seixas: Um mito que vive nas canções que compôs

Ter uma opinião formada sobre tudo não era a marca de Raul Seixas. Ao contrário, ele preferia ser uma metamorfose ambulante e, com essa atitude, mais que atitude, uma filosofia de vida, um jeito de estar no mundo, ele fugia a responsabilidade de ter sempre uma opinião formada sobre tudo, sobre amor, sobre aquilo quem a gente já nem sabe o que é.

Até porque, na verdade, a gente nessa vida, é como a chama ardente de uma vela: ilumina, mas dura pouco. Será que a vela tem consciência de que seu brilho é finito e, por isso, se consome com tanta intensidade? Se um dia a gente é estrela, amanhã... O amanhã a Deus pertence. Não nos esqueçamos de que até as estrelas se apagam. Ao contrário da vela, que se consome com fugacidade e intensidade, os objetivos não: os objetivos devem ser lutados, conquistados, a longo prazo. Quem chega a um objetivo num instante não tem o prazer de saboreá-lo plenamente, não porque não sabe a luta, não sabe a batalha, não sabe o suor que foi derramado. E se Raul tivesse que desdizer tudo aquilo que acabei de escrever ele diria exatamente, que prefere continuar sendo essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião sobre tudo.

Por falar nessa coisa de objetivos e da luta por eles, tem gente que, quando uma coisa não dá certo, já acha que a canção está perdida. Logo perde a fé em Deus, perde a fé na vida... E se esquecem de que é preciso ter fé em Deus, ter na fé na vida. Caiu? Levante. Afinal de contas, você têm dois pés para cruzar a ponte, duas mãos para segurar a espada da vitória. Não! Não! Não! Não entre paranoia, desanimo, ou depressão. Levante essa sua mão sedenta de vida e recomece a andar. Você acha que a cabeça aguenta se você parar? De modo algum! Se sua cabeça parar no tempo, seu corpo desaba na poeira da estrada. Sorria, há uma voz cantando, uma voz girando, uma voz que baila no ar, especialmente para você. Quem diz a batalha da vida está perdida, desconhece que é de batalhas que é formada a vida. Garanto que, se você for sincero consigo mesmo, e com seus sonhos, se você desejar profundo, você será capaz de sacudir o mundo. Por isso, lhe digo: Se um sonho seu se foi como pássaro que voa para longe, não desanime: tente outra vez.

O viver, porque transitório, é tão profundo, porque é passagem, é tão misteriosao, que nem nos damos conta disso. Às vezes acabamos nos enredando na armadilha perigosa do comodismo. Somos um cidadão, ou cidadã responsável, ganhamos tantos reais por mês, e tá tudo bem. O problema é que usamos apenas dez por cento de nossa cabeça animal. Temos tantas coisas boas para conquista e ficamos aí, parados. Bom seria que desembarcasse um ser extraterreno e, saindo de sua bela nave espacial, nos ensinasse uma receita de viver melhor. Será que o homem do disco voador aprovaria nossa sociedade alternativa?

Mas até o disco voador pousar em nossos quintais, tanta coisa já aconteceu em nossa história humana! Houve as bruxas e os bruxos, queimados vivos na fogueira por terem a coragem de ser aquilo que todo homem é: místico. Houve o profeta Jesus, que foi morto por pregar um amor sem limites, e uma sociedade igualitária. Nesse mundo louco, dizem que o conde Drácula já sugou muito sangue novo e se escondeu atrás da capa, que Pedro já negou Cristo por três vezes, isso porque era seguidor dele. Houve também cidades prodígios que hoje não são mais do que lendas, como Babilônia, por exemplo. Assim também como houve Zumbi dos Palmares, que fugiu para o quilombo, a fim de estabelecer uma sociedade livre do açoite do chicote dos feitores das fazendas. Se considerarmos que somos participes dessa fantástica história da humanidade, podemos também dizer que nascemos há dez mil anos atrás, e que não tem nada nesse mundo que a gente não saiba demais.

Assim, a gente vai vivendo, amando, correndo, lutando, até o dia em que o trem das sete, surja de trás das montanhas, trazendo bem lá de longe, as cinzas o velho éon e nos leve para a travessia tão temida pela imensa maioria dos humanos.  E, assim, o trem segue o seu destino, fumegando, apitando e chamando os que sabem do trem.

E quanto o trem partir da estação, quem é que vai chorar? Quem vai sorrir? Quem será que vai ficar ou partir?

Acho que só o sábio chinês que um dia sonhou que era uma borboleta, e ao acordar, viveu o resto da vida uma dúvida de que não sabia se ele era uma borboleta, ou um sábio chinês, é que tenha a reposta para essas questões.

0

Teatro de marionetes

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 18:26
Sábado, 27 de junho

Vai, vai, vai começar a brincadeira
Tem charanga tocando a noite inteira
Vem, vem, vem ver o circo de verdade
Tem, tem, tem picadeiro de qualidade
Corre, corre, minha gente que é preciso ser esperto
(O circo – Sidney Miller) 



Na quinta-feira (18), o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, reuniu-se com líderes religiosos no auditório de seu instituto, o Instituto Lula, em São Paulo. A conversa deu o que falar durante o restante da semana, e deixou confusos os analistas políticos.

Lula sacou sua metralhadora de críticas, e fez vários disparos. O que é de se admirar é que esses disparos não foram contra nenhum grupo de oposição, mas sim contra a presidente Dilma Rousseff.

O ex-presidente comparou a queda de popularidade de Dilma, apontada pelas pesquisas, ao volume morto dos reservatórios de água, nessa crise hídrica. “Dilma está no volume morto, O PT está abaixo do volume morto, e eu estou no volume morto”, disse. Ele afirmou ainda que a presidente deixou o governo mais distantes dos pobres e defendeu que ela deveria percorrer mais o país: “Gilberto sabe do sacrifício que é a gente pedir para a companheira Dilma viajar e falar. Porque na hora que a gente abraça, pega na mão, é outra coisa. Política é isso, o olhar no olho, o passar a mão na cabeça, o beijo”, disse ele.

Lula disse aos religiosos que a última notícia boa que o PT tinha recebido foi a da reeleição de Dilma, no dia 26 de outubro, e  que, de lá para cá, só havia recebido más notícias: “Primeiro: inflação. Segundo: aumento da conta de água, que dobrou. Terceiro: aumento da conta de luz, que para algumas pessoas triplicou. Quarto: aumento da gasolina, do diesel, aumento do dólar, aumento das denúncias de corrupção da Lava-Jato, aquela confusão desgraçada que nós fizemos com o Fies (Financiamento Estudantil), que era uma coisa tranquila e que foram mexer e virou uma desgraceira que não tem precedente. E o anúncio do que ia mexer na pensão, na aposentadoria dos trabalhadores”.

Nesse momento, o ex-presidente afinou o seu discurso, com o discurso da oposição, relembrando as promessas de campanha feitas por Dilma, e que não foram cumpridas: “Eu não mexo no direito dos trabalhadores nem que a vaca tussa”. E mexeu. Tem outra frase, Gilberto, que é marcante, que é a frase que diz o seguinte: “Eu não vou fazer ajuste, ajuste é coisa de tucano”. E fez. E os tucanos sabiamente colocaram Dilma falando isso (no programa de TV do partido) e dizendo que ela mente. Era uma coisa muito forte. E fiquei muito preocupado”.

Ainda durante o encontro com os religiosos, Lula afirmou não acreditar que tenha havido mensalão, coisa já fartamente comprovada através de fatos e documentos: “Não acredito que tenha havido mensalão. Não acredito. Pode ter havido qualquer outra coisa, mas eu duvido que tenha havido compra de voto”.

Exceto as críticas de Lula à presidente, nada parece de fato ter mudado no partido, nem no próprio Lula, a julgar a frase na qual ele diz não acreditar que tenha havido mensalão. Além disso, os petistas continuam se envolvendo em escândalos de corrupção, tesoureiros do partido continuam comandando operações fraudulentas. No passado foi Delúbio Soares, no momento presente, João Vaccari Neto, ou seja, mudam-se as peças no tabuleiro, mas não as práticas viciosas.

Obvio as críticas de Lula, ecoaram no Palácio do Planalto, incomodaram Dilma Rousseff, e causaram mal-estar no governo.

Aécio Neves, candidato derrotado por Dilma Rousseff nas eleições de 2014, também se pronunciou sobre o caso: “Acho que o presidente Lula, mais do que ataques à atual presidente, sua criatura, tem que reassumir sua parcela de responsabilidade pelo que vem acontecendo no Brasil. E não há como descolar uma coisa da outra: o governo é o PT, o governo é Dilma, o governo é Lula. Foi assim nos momentos positivos e será assim nesse momento de grandes dificuldades. Lamentavelmente, essa obra é uma obra conjunta do ex-presidente Lula, da presidente Dilma, e, obviamente, do PT — disse Aécio, derrotado por Dilma na eleição presidencial de 2014”.

O fato é que há rumores de que Lula possa voltar a disputar as eleições presidenciais em 2018. Sendo assim, não seriam todas essas críticas à Dilma, apenas teatro de marionetes?

Essa semana, em uma conversa sobre política, ouvi uma senhora dizer: “Se Lula se lançar como candidato, voto nele novamente, pois o PSDB é partido de elite”. Justificou ela, dizendo que quando o PSDB esteve à frente da Prefeitura Municipal de Campinas, deixou abandonada as áreas mais pobres da cidade, e deu ênfase ao trabalho em áreas mais nobres. Nacionalmente, o PSDB também tem essa fama de ser elitista. Então se o partido de oposição quer alguma fatia desse bolo vai ter que desconstruir essa imagem de que governa para os ricos.

Enquanto isso, o PT navega num mar de lama, vê despencar o nível de credibilidade da legenda... E o país atravessa uma grave crise econômica.

Abaixo, compartilho texto escrito por Juan Arias, e publicado no site do jornal El PaísBrasil, na seção, Opinião.

***



O plano oculto de Lula para voltar ao poder

Nas últimas manifestações populares brasileiras, um humorista desenhou Lula escondido no meio do povo, gritando “Fora Lula!”. Uma charge simbólica e emblemática do que Lula está vivendo desde suas críticas inesperadas a Dilma e ao seu partido, o PT, que ele fustigou tão enfaticamente quanto poderiam fazê-lo os indignados da sociedade.

Por essa razão, é grande a curiosidade em saber se Lula prepara alguma nova estratégia, já que, como diz no jornal O Globo o catedrático Eugenio Giglio, especialista em marketing político, “ninguém pode acusá-lo de ingenuidade”.

Os meios de comunicação estão convidando analistas políticos a tentar desvendar um possível plano oculto de Lula, o político com a maior capacidade de se metamorfosear e tirar proveito dos tropeços e triunfos alheios, além de seus próprios.

Para entender a possível estratégia secreta de Lula é preciso destacar que, como chamou à atenção o senador Cristovam Buarque, suas duras críticas ao Governo e ao PT não encerraram um mea culpa dele. A culpa seria de quem traiu suas ideias e não seguiu seus conselhos.

Quando lhe foi útil, Lula soube “engolir” a oposição, que ficou muda e paralisada enquanto ele governou como rei seguro de sua força popular

Quando lhe foi útil, Lula soube engolir a oposição, que ficou muda e paralisada enquanto ele governou como rei seguro de sua força popular e seu prestígio internacional.
Hoje, porém, está nascendo uma oposição nova que não é a oposição institucional dos partidos, mas a da sociedade e das ruas. É uma oposição que, desta vez, ameaça a força política de Lula e do PT e que pode criar problemas para os sonhos de Lula de voltar ao poder em 2018.

O que fazer? Há quem assegure que a manobra mais astuta de Lula em toda sua trajetória política pode ser a de voltar à oposição e até de colocar-se à frente desse novo protesto social para metabolizá-lo, apresentando-se como seu líder. Com isso ele voltaria às suas origens de opositor implacável, papel que exerceu durante a maior parte de sua vida.
Lula possui um faro especial para detectar os humores da rua. Ele sabe que está desgastado mas não morto; continua a acreditar que essa nova oposição, que deseja e reivindica um país menos corrupto e corroído pela crise econômica, ainda não tem um líder indiscutível com força suficiente para hastear uma nova bandeira que desaloje a sua.

Que solução melhor que apresentar-se como o novo Moisés, disposto a arrancar seu povo das garras da crise para conduzi-lo a um novo período de bonança? Com suas críticas a Dilma e ao Governo dela e as flechas lançadas contra seu próprio partido, desse modo Lula se uniria à nova oposição que critica os políticos tradicionais e corruptos.

Desta vez Lula não precisaria combater a oposição, já que teria decidido metamorfosear-se em opositor. Assim, é possível pensar que em 2018 os brasileiros insatisfeitos, aqueles que participaram das manifestações contra Dilma e o PT, dificilmente encontrarão outro líder melhor que esse que começou a gritar como eles: “Fora Dilma!” e “Fora PT!”.
Lula continua a acreditar que essa nova oposição, que deseja e reivindica um país menos corrupto e corroído pela crise econômica, ainda não tem um líder indiscutível.

Tudo isso é o que se comenta neste momento entre os profetas que tentam interpretar o novo Lula insatisfeito e irritado com os seus e que adverte que está começando a perder sua força original, como o Sansão da Bíblia. Claro que ninguém sabe ainda o que a opinião pública contestatária, que já convocou uma nova manifestação nacional de protesto para o dia 16 de agosto, poderá pensar dessa possível estratégia maquiavélica de Lula.

Sem contar com a caixinha de surpresas do enigmático e severo juiz Moro, em cujas teias Lula já deixou entrever que pode acabar enredado.

Em meio à glória que o rodeava, um dia Lula chegou a comparar-se a Jesus, defensor dos pobres. Mas há nos Evangelhos uma cena significativa que tem relação com isso. Vendo que alguns começavam a abandoná-lo, Jesus perguntou aos apóstolos, que eram seu proletariado ambulante, em sua maioria analfabetos: “Quereis vós também retirar-vos?”. O fogoso Pedro se adiantou e respondeu por todos: “Não, a quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna”. (João, 6, 67).

Entretanto, na hora em que o Mestre foi condenado à cruz, quando mais precisava de seu apoio, os apóstolos fugiram, mortos de medo. Pedro chegou a dizer: “Eu nem conheço tal homem”. (Mateus 26,72).


A história, até a religiosa e literária, pode às vezes ser mestra e profeta.

0

Cristiano Araújo: Um astro cujo brilho se apagou quando principiava a brilhar intensamente

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:09
Sexta-feira, 26 de julho
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz
(Tocando em frente – Almir Sater, Renato Teixeira)


Lindoia, 08 de junho de 2015
Prezado Cristiano Araújo,
Eu sou uma pessoa humilde que vem trazer uma mensagem espiritual, sou muito religioso, e venho tentando ajudar pessoas em todas as partes do mundo. Espero que não tenha medo e siga as minhas orientações. No justo momento em que: a ansiedade da velocidade lhe atropele o carro da vida; o apoio habitual lhe falte a existência; a ventania da advertência lhe assole o Espírito; a aflição se lhe intrometa nos passos; a alegria lhe faça os horizontes; a solidão lhe venha fazer companhia; no momento justo, enfim, em que a crise ou a angústia, a sombra ou a tribulação se lhe façam mais difíceis de suportar, não chore e nem esmoreça. A água pura a fim de manter-se pura é servida em taça vazia. A treva da meia-noite é a ocasião em que o tempo dá sinal de partida para a nova alvorada. Por maior a dificuldade, jamais desanime. O seu pior momento na vida é sempre o instante melhor. Entretanto, Cristiano Araújo, às vezes, a força e vontade voar nos faz, trazer porblemas, e você está correndo um risco de vida em um acidente na BR-153, Morrinhos, próximo trevo de Portaina, em Góias, na madrugada de 24 de junho de 2015 – podendo levar a vida também de sua namorada Alana Coelho Pinto de Moraes. Esse show será em Itumbiara- Goias, na volta será o maior perigo para você portanto, não queira voltar rápido, a velocidade poderá levar sua vida e a de sua namorada, também.
Espero estar errado, mas foi o que eu pude ver em meus sonhos,
Atenciosamente,
Professor Juscelino Nobrega da Luz

Esta foi a carta que o vidente, Juscelino Nóbrega da Luz, da cidade de Lindoia, estado de São Paulo, diz ter enviado a Cristiano Araújo, quinze dias antes da morte do jovem astro da música sertaneja. O vidente é conhecido por revelar seus sonhos premonitórios, enviando-os as pessoas envolvidas nele, tendo, porém, o cuidado de registrar os sonhos em cartório e enviá-los pelo correio. Juscelino diz ainda que, por não obter resposta da carta, enviou um e-mail para o cantor, e também não obteve resposta.
A morte do cantor sertanejo, Cristiano Araújo, de 29 anos, e de sua namorada, Allana Coelho Pinto de Moraes, de 19 anos, em trágico acidente automobilístico, emocionou o Brasil. O acidente aconteceu na madrugada de quarta-feira (24), no estado de Goiás, e recebeu ampla cobertura da mídia.
O astro rodava o país em turnês, por ocasião das festas juninas. Ele havia feito um show na cidade de Salvador, Bahia, na segunda-feira (22). Antes de sair da Bahia, publicou nas redes sociais, uma foto junto com a namorada, com os seguintes dizeres: "Encerrando os trabalhos aqui em Salvador com minha flor... Agora simbora pro Goiás que amanhã a festa será em Itumbiara-GO."
Da Bahia, pegou um voo para Goiás, onde se apresentou no 11o Arraiá de Itumbiara. Tanto o show na Bahia, quanto em Itumbiara, foi um sucesso. Cristiano estava muito feliz, afinal começava a despontar no cenário da música sertaneja brasileira. O público desse segmento estava gostando de suas músicas, comprando seus CDs, DVDs e participando de seus shows. Também começava a conquistar seu espaço na mídia. Havia conquistado o amor de uma linda moça. Enfim, Cristiano Araújo havia construídos castelos de areia e agora colocava alicerces sobre eles. O jovem vivia um momento mágico.
Naquela madrugada fatal, cerca de 200 km separavam Cristiano do aconchego de seu lar, e do amor dos filhos, em Goiânia. Ele era pai de João Gabriel, de seis anos, e Bernardo, de dois. Os filhos eram a grande paixão da vida do cantor. Mesmo cansado, resolveu voltar para casa. Havia um acordo entre o músico e a equipe de que, quando a distância entre o local do show e a cidade em que viviam não ultrapasse 200 km, eles voltariam para casa. Não dormiriam na cidade na qual haviam se apresentado. Foi o que fizeram. Pegaram a estrada, em plena madrugada.

Quatro pessoas seguiram no veículo, uma Range Rover. No banco da frente viajavam um dos empresários do cantor, Vitor Leonardo, e o motorista, Ronaldo Miranda. No banco de trás, estavam Cristiano e Allana. Por volta das 3h30 da madrugada, o motorista perdeu o controle de direção, o carro saiu da pista e capotou várias vezes.
Gustavo e Allana foram arremessados para fora do carro. Ela morreu na hora. O local em que ocorreu o acidente ficava próximo a uma base da Polícia Rodoviária Federal, possibilitando um socorro imediato. Além disso, uma unidade de resgate de uma cidade vizinha passava pelo local no momento da tragédia. Um enfermeiro dessa unidade desceu do veículo e prestou os primeiros socorros. Minutos depois, chegaram os bombeiros, levando Allana para o necrotério, e os demais feridos para o hospital.
Enquanto recebia os primeiros socorros, o cantor ainda estava consciente. Deitado no chão, sentia fortes dores, mas mesmo assim, queria levantar-se, porém, a equipe de socorro não permitiu.
Ronaldo Lima, o motorista do carro, foi submetido, ainda no local, ao teste do bafômetro. O teste comprovou que ele não havia ingerido bebida alcoólica. O cantor ainda chegou a ser levado para o Hospital Municipal de Morrinhos, depois foi transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), porém, no caminho, teve uma parada cardíaca, e não mais voltou.
O maior impacto foi na parte da frente do carro, onde estavam o motorista e o empresário, os dois sofreram ferimentos leves, apesar do violentíssimo impacto. Cristiano e Allana não tiveram a mesma sorte no banco de trás: os dois foram arremessados para fora do carro.
Ainda não se sabe as reais causas do acidente, uma vez que o motorista, apesar de estar bem, permanece no hospital, em observação.
A polícia suspeita de que a alta velocidade tenha sido a causa do acidente. Há suspeitas ainda, de que Cristiano e a namorada não usavam o cinto de segurança e, por esse motivo tenha sido arremessados para fora do carro. Talvez, se estivessem protegidos pelo acessório de segurança, também estivessem vivos, quem o sabe?
Ao ver as entrevistas dos amigos famosos e dos não famosos sobre o rapaz, notei que todos foram unânimes em afirmar que o artista era humilde, que não havia deixado o sucesso lhe subir a cabeça. Diziam que ele conserva a mesma atitude amiga e acolhedora de quando ainda não era famoso. O músico trazia, como diz o ditado popular, “sangue na veia”. Há quatro gerações sua família respira música. Seus bisavós, avós, pai, tios, primos são ligados à música. Entretanto, nenhum deles alcançou fama e sucesso. Apenas Cristiano estava tendo esse privilégio.
Nascido no meio da música, não era de estranhar que o menino se tornasse um artista precoce. Aos seis anos de idade, ganhou seu primeiro violão e aprendeu os primeiros acordes. Aos nove já se apresentava em público. Aos dez anos começou a fazer as primeiras composições e, aos treze, lançou o primeiro disco, com apenas cinco músicas. Ao 17 anos, entrou para valer na vida artística e, por seis anos, apresentou-se em dupla com outros parceiros.
Em 2010, resolveu seguir carreira solo... E conquistou o Brasil. Nesse ano, gravou CD e DVD com a participação de vários artistas da nova música sertaneja. Em 2011, a música, Efeitos, o lançou, definitivamente para o sucesso.. Um sucesso pelo qual tanto batalhara, desde a infância, e do qual ele começava a colher os primeiros frutos.
Por volta do meio dia desta quinta-feira (25), o corpo do jovem astro da música sertaneja, misturava-se à mãe terra, no cemitério Jardim das Palmeiras, em Goiânia, mesmo cemitério onde mais cedo, havia sido sepultada sua namorada, Allana Moraes.  O cortejo havia seguido um percurso de quinze quilômetros e, em cada esquina, em cada viaduto, centenas de pessoas acenavam um último adeus.
Os dois namorados foram velados no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia. Segundo a polícia militar, cerca de 50 mil pessoas estiveram no velório aberto ao público. Uma grande quantidade de coroas de flores foi trazida para o local por familiares e amigos... Enquanto um mar de lágrimas inundava a cidade.
O acidente que vitimou Cristiano e Allana, ocorreu no BR-153, no km 614, entre Morrinhos e o trevo de Pontalina, em Goiás, provavelmente, devido a alta velocidade. No local exato, e nas mesmas circunstancias da carta escrita pelo vidente, quinze dias antes.

Uma frase da carta do vidente me chamou a atenção, de modo especial. E é com ela que deixo minha mensagem de consolo a todos os fãs de Cristiano, diz a frase: “A treva da meia-noite é a ocasião em que o tempo dá sinal de partida para a nova alvorada”. Para os vivos, fica a dor da saudade, para quem parte, quem sabe, as trevas da noite, não sejam o início de uma nova e esplendida alvorada nos céus da eternidade?

0

O poder do machado que transforma pedras em flor

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:26
Quarta-feira, 24 de junho

Ai, Xangô, Xangô menino
Da fogueira de São João
Quero ser sempre o menino, Xangô
Da fogueira de São João
Céu de estrela sem destino
De beleza sem razão
Tome conta do destino, Xangô
Da beleza e da razão
Viva São João / Viva o milho verde
Viva São João / Viva o brilho verde
Viva São João / Das matas de Oxossi
Viva São João”
(São João, Xangô Menino – Caetano Veloso)


Hoje, 24 de junho, é dia São João Batista. Acho que, dentre todos os dias do ano, hoje é o dia em que mais sinto saudades de meu querido nordeste. Para os nordestinos, especialmente, hoje é dia festa e alegria. Mesmo distante, sinto o calor das fogueiras, o som de um animado forró — ritmo característico da região nordeste. Dia de São João também me lembra de partilha, amor, fraternidade e união.

Quando criança e adolescente, nesse dia, passava em varias casas de familiares e amigos e, em cada uma delas, provava umas das deliciosas comidas típicas: pamonha, canjica, milho verde cozido ou assado, bolo de milho, arroz doce, e tantas outras delícias. Também, especialmente, nesse dia, me vem forte a lembrança de minha mãe, à beira do fogão de lenha, preparando as tão aguardadas guloseimas.

Ao povo nordestino, meu carinho especial, e meu abraço.

No misticismo afro-brasileiro, São João Batista é sincretizado com Xangô menino.

Inspirado na forte espiritualidade que emana das religiões afro-brasileiras, escrevi o texto abaixo. Se pudesse defini-lo em duas palavras chaves, eu usaria PAZ e JUSTIÇA, sentimentos tão ausentes e tão necessários aos homens de qualquer tempo, especialmente aos homens de mulheres de nosso tempo.

Apenas o texto em parágrafo recuado, e em itálico, não é de minha autoria. Encontrei-o, bastante reproduzido, e de autor desconhecido, na Internet.

Mais uma vez, meu grande e carinhoso abraço ao povo nordestino.

Salve São Batista! Saravá Xangô menino!

***



O poder do machado que transforma pedras em flor

Um deslumbrante sol de raios multicoloridos passeava em sua carruagem de fogo pelos céus de Aruanda, cidade de luz, ao norte da Ionosfera da terra. Plano espiritual de transição, em Aruanda residem muitos espíritos de luz que se dividem entre a ajuda aos irmãos que ainda se encontra em desenvolvimento nessa dolorosa via de expiação que é a Terra, e outros que preparam os irmãos que já desencarnaram para seguir seu caminho espiritual e eterno, se já se encontram com suas auras limpas. Caso contrário, se ainda estão sob o peso do ódio, da vingança, do egoísmo e da maldade, são levados a casas de recuperação, onde seus sofridos espíritos passam por um processo de desobsessão.

Nesse elevado plano incorpóreo, habitam seres empenhados em praticar o bem e a caridade. Na terra, eles se manifestam na roupagem fluídica de caboclos, preto-velhos e crianças. Na morada celeste, entretanto, podem assumir a verdadeira essência luminosa de seus espíritos. Em resumo, podem ser eles mesmos, sem disfarces. No comando dessa grandiosa colônia espiritual estão os Orixás, palavra que significa “a luz que se revela”. Essas forças invisíveis, indivisíveis, e transcendentes estão em atividade constante, influenciando e ajudando a todos no plano material e imaterial. Os orixás são espíritos elevados que estão muito além da compreensão humana, e talvez, por isso mesmo, tão incompreendidos.

Cada um desses seres divinos representa uma das forças da natureza. Não é de admirar que em Aruanda, tudo funcione com perfeição de fazer inveja ao mais ardoroso ambientalista da Terra.  O desencarnado que pisa pela primeira vez na cidade de luz, surpreende-se com a incomensurável beleza do lugar. A cidade — localizada em um profundo vale cercado de montanhas, ao longo das quais se encontram florestas vicejantes de um verde extraordinário — é repleta de flores perfumadas em seus canteiros e praças. Com os sentidos ainda mais desenvolvidos do que quando habitavam a antiga via de expiação, são claramente perceptíveis novos perfumes e novas cores, que antes passavam ignorados. O perfume exalado pelas rosas é tão forte e tão especial que se espalha por toda a cidade. Em Aruanda pode-se abrir o peito e respirar o perfume trazido pelas rosas, lírios, cravos, tulipas, alfazema, e uma grande variedade de outras espécies. Das matas vem o cheiro agradável e forte dos eucaliptos tornando o ambiente ainda mas cheio de magia.

Um permanente arco-íris de intensas sete cores adorna o céu, repleto de nuvens de um branco sem igual correspondência na terra. As construções são de material semelhante ao cristal, e quem anda por aquelas paragens sentem grande energia e vibração, que caem na alma como bálsamo. Um passeio pelas arborizadas e floridas praças de Aruanda revela cenas impensadas para quem passou antes pela vida terrena. Nelas é possível ver crianças brincando com dóceis leões, da mesma forma com que brincariam com gatinhos.

Em Aruanda, se pode passear a qualquer hora que se queira, sem ter que se preocupar com assaltos e todo tipo de violência. Estando naquelas terras de paz é que se percebe com clareza que, violência, guerras, e intolerância são coisas de espíritos que ainda se encontram na infância do desenvolvimento espiritual, por mais cheios de medalhas, honras e glórias que tenham no mundo visível.

Na cidade de luz também há um grande mar azul, do qual partem todos os dias, barcos repletos de bálsamos, banhos e incensos levados por espíritos, cuja missão é levar consolo, esperança e alento aos que ainda se encontram em meio às provações da vida terrena. Durante todo o trajeto em direção à crosta terrestre são entoados belos cânticos que ajudam a energizar o ambiente. O branco luminoso das vestes se mescla ao azul do mar, dando um ar surreal à belíssima cena.


Na geografia da cidade da colônia espiritual também se pode observar uma extensa cordilheira — grande sistema de montanhas reunidas. As cordilheiras de Aruanda estão sempre em constante roupagem diversa. Uma hora, estão cobertas de neve e refletem o brilho dos cristais. Outra hora, estão chuvosas e os pingos da chuva lembram o brilhos dos diamantes. Outra hora, sobre elas incide sol intenso que as deixa com o brilho dourado do ouro. Em todas essas situações há um tipo de energia que é muito bem aproveitada por Xangô, orixá de justiça, e dono das cordilheiras.

É do alto de uma de suas pedreiras que está o Rei da justiça, sentado no alto de uma pedreira rodeada de perfumados lírios. Ele traz na cabeça uma brilhante coroa, nas mãos um machado de lâmina dupla. Deitado aos seus pés, um atento leão o serve de guarda. De lá, ele observa a humanidade inteira. Para quem já atravessou tantas eras, os homens na terra são como crianças em um jardim de infância. As coisas são tão fáceis de resolver, e eles complicam tanto. Ah, quanto trabalho os homens dão para os seres das altas esferas dos planos espirituais... Mas é para isso que existem as forças espirituais, para ajudá-los a atravessar, com segurança as intempéries da vida. Os orixás ensinam o caminho, mostram sinais, mas a dureza do coração humano não compreende as lições, nem muito menos percebe os sinais, e os homens acabam caindo no vale da perdição, no qual se enredam em suas próprias inconsequências, tornando-se presas fáceis de espíritos malignos.

Ainda assim é possível recuperar suas almas aflitas. Para isso é realizado um trabalho bastante intenso e cansativo até que as auras desses frágeis seres estejam limpas. E quando isso acontece quão música suave soa pelos céus da iluminada cidade...

Dentre as cenas que se passam no planeta Terra, uma delas chama a atenção de Xangô. É um diálogo entre um pai zeloso e seu filho, Zeca: Um menino de oito anos, que volta da escola, irritado. Acompanhemos a cena.

O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.
Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:
- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito àquilo comigo. Desejo tudo de ruim para ele.
Seu pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escuta, calmamente, o filho que continua a reclamar:
- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou, calado. Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:
- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca, e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão que há neste saco naquela camisa, até o último pedaço e para cada pedaço de carvão grite com muita força. Depois eu volto para ver como ficou.
O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo.
Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai, que espiava tudo de longe, se aproxima do menino e lhe pergunta:
- Filho, como está se sentindo agora?
- Estou cansado e com dor de garganta, mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.
O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhosamente lhe fala:
- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa. O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Só se conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos, de tão sujo que estava de carvão. O pai, então, lhe diz ternamente:
- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você. O mau que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, os resíduos e a fuligem ficam sempre em nós mesmos.
Pobre menino, sábio pai, correspondentes, respectivamente, a humanos e orixás. O menino com o coração cheio de ódio contra o amigo, por motivo banal, — aliás, o ódio não se justifica, nem é saudável, mesmo em grandes questões — não percebia que estava enchendo a si mesmo de veneno mortal. O sábio pai, atento a tudo, corrige o filho, usando ensinamento simples, porém eficiente. Ora, não é esse mesmo o papel dos orixás, corrigindo? Para haver uma defesa não é preciso que haja um ataque? Se quem ataca está emitindo energias negativas, quem se defende também o faz do mesmo modo. Conclui-se deste raciocínio que ambos os lados envolvidos em uma demanda saem prejudicados. O bom mesmo seria que não fosse preciso enfrentar demandas, mas é preciso que elas existam, para que o homem treine sua vontade, sua capacidade de enfrentar situações difíceis e superá-las, sem que para isso tenha que sujar aquilo que ele tem de mais precioso: sua alma eterna.


Vejam o machado de Xangô, por exemplo, ele tem um apenas um cabo, mas este cabo segura duas laminas, significando que ação e reação partem sempre da mesma pessoa. Para cada ação, há sempre uma reação, que provocará consequências agradáveis ou desagradáveis, conforme for a natureza da ação. Essa é chamada lei da ação e reação.

Portanto, não se preocupe com os pensamentos que os outros estão emitindo em sua direção. Ao contrário, preocupe-se com os pensamentos que você está emitindo na direção das outras pessoas. É isso que você receberá de volta. Se emitir pensamentos benéficos de paz, amor e perdão é isso que receberá de volta, e sua aura ficara iluminada. Se alguém emite, em sua direção, pensamentos raivosos, ignore-os, e eles voltarão ao seu agressor, em dobro, sem sequer lhe provocar um arranhão.

A justiça de Xangô, e fundamentada na lei da ação e reação, e por isso mesmo, eficiente. É uma pena que muitos homens queiram fazer justiça com as próprias mãos. Agindo assim, eles interferem de modo negativo na eficiente e infalível, e ainda se enredam em suas próprias armadilhas, tornando-se, na maioria das vezes, tão ou mais impuros que seus próprios opressores. A verdadeira justiça está além das mãos humanas, e só o plano divino pode executá-la com eficiência e sabedoria.

Percebam o detalhe na cena que Xangô acaba de ver se desenrolar, no plano terreno, entre pai e filho. Quando o menino joga os pedaços de carvão, nem todos acertam a camisa que estava no varal, aliás, muito poucos acertaram o alvo. Aí é que está a armadilha: Nem todos os pedaços acertam o alvo, mas todos passam pelas mãos do menino, deixando em sua pele grossa fuligem.

Procure não causar a si mesmo desequilíbrios energéticos, pois quando faz isso, quem se enfraquece é você mesmo. Seja forte! Seja firme! Cuide para que pensamentos e ações vindos de outra pessoa, não lhe cause desequilíbrio. Por outro lado, cuide de sua mente para que não envie pensamentos negativos a outros, pois o pão que você oferece é o mesmo que lhe será destinado como alimento. E a estrada para quem age assim será sempre de frustrações e fracassos.

Pedras, no vosso caminho, eu sei que há muitas, alias, a vida de modo geral pode ser comparada a uma grande pedreira e, por ela, caminhamos descalços. Para os fracos, as pedras na sola dos pés são um empecilho na caminhada, um atraso. Para os fortes, elas representam sinais de crescimento e oportunidades de vitória, pois, ao caminharmos, nossos pés doem no início, mas depois vão se acostumando. As dificuldades tornam-se mais fortes e, por consequência, vamos sendo capazes de enfrentar maiores desafios, sem prejuízo de sujarmos de fuligem nosso campo energético. Nesse sentido, toda pedra no caminho pode se tornar uma flor. Se acreditares nesses preceitos, toda pedra que atirarem no teu caminho, Xangô, as transformará em lírios. É como diz um ponto, um hino, muito cantado nos terreiros de umbanda:

Estava olhando a pedreira, uma pedra rolou,
Ela veio rolando, bateu em meus pés e se fez uma flor.
Quem foi que disse que eu não sou filho de Xangô,
Ele mostra a verdade, se atira uma pedra ela vira uma flor.
Ai quantos lírios já plantei no meu jardim,
Cada pedra atirada é um lírio pra mim.

Desse modo, firmes na fé de Oxalá, chefe de Aruanda, sereis vencedor em um mundo de duras batalhas. Assim, junto com os santos, anjos e orixás, e todas as falanges do bem, podereis gozar das maravilhas do mundo invisível quando atravessares a fronteira da vida e mergulhares no mares da eternidade. Vigia a ti mesmo, vigia a tuas ações e pensamentos para que teu viver terreno seja abençoado e tranquilo, apesar das batalhas que enfrentares, e tua pós-vida, será brilhante e multicolorida como os céus eternos. Esse é o segredo dos corações pacíficos. Transformai cada pedra jogada em tua direção, em perfumado lírio, e ao final, tereis o mais belo jardim de inebriante perfume, que alguém jamais cultivou... E será grande a tua alegria.

0

Um grito de justiça contra a intolerância racial e religiosa nas ruas da Moóca

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 23:32
Segunda-feira, 22 de junho
Tenho imagens lá em casa e não cometo idolatria
Eu vejo a luz
Uma coisa é uma imagem
E outra coisa é a pessoa de Maria
Ou de Jesus.
Imagem são sinais a me lembrar
Aonde Deus agiu
Imagem são sinais a me apontar
Por onde alguém seguiu
Imagem são apenas o que são:
Sinais sinais
(Imagens - Pe. Zezinho)

Na semana passada, mais precisamente na quinta-feira (18), um caso de intolerância racial chocou o mundo. Um desequilibrado mental invadiu a Emanuel African Methodist Episcopal Church, uma das igrejas evangélicas mais tradicionais da comunidade negra. O fato aconteceu em Charleston, no Estado norte-americano da Carolina do Sul. O jovem de mente doentia matou 9 pessoas, dentre elas, o pastor da igreja. E por que essas pessoas inocentem foram friamente executadas? Simplesmente por que eram negras.
Ainda no início da mesma semana, mais precisamente no domingo (14), um caso de intolerância religiosa chocou o Brasil. Uma menina de 11 anos foi apedrejada quando saía de um culto de candomblé, junto com amigos e familiares, na Vila da Penha, Subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. Todos trajavam as características roupas brancas usadas pelos adpetos das religiões afros em momento de culto religioso. No trajeto para casa, foram abordados por dois homens, que, de Bíblia Sagrada em punho, loucamente, gritavam que o grupo era o diabo, que iam para o inferno, e que Jesus estava voltando. Não bastasse as agressões verbais, um deles apanhou uma pedra e atirou contra o grupo. A pedra, primeiramente, atingiu um poste de iluminação pública, depois rebateu e atingiu a menina na cabeça, provocando ferimentos físicos e traumas psicológicos.


É inadmissível que em plena era dos avanços midiáticoscientíficos e tecnológicos, aconteçam essas coisas. Algo está errado. Muito errado. Como dira Caetano Veloso, na letra da canção Fora de Ordem: “Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial”. Algumas pessoas estão voltando ao medievalismo em pleno século XXI, e isso é preocupante.
No domingo (21) um ato ecumênico, com a participação de centenas de pessoas de várias religiões, foi realizado no Rio, em solidariedade a Kailane Campos, a menina apedrejada. 
Saindo das tragédias e da bestialidade humana, vou para a festa e para a celebração, sem sair dos temas inicialmente tratados.
 Neste domingo, aconteceu a Virada Cultural em São Paulo. Foram mais de 1500 atrações espalhadas por vários locais da cidade, com a participação de mais de um milhão e meio de pessoas. Haja fôlego para acompanhar tantas atrações. Neste evento houve coisas boas e coisas ruins. Coisas boas: a festa, a harmonia, a integração, os shows, a comida, vendida pelos ambulantes, as atrações culturais, a alegria. Coisas ruins: a degradação humana; havia, na madrugada, pessoas vendendo e pessoas consumindo drogas, em locais públicos, sem a menor cerimônia. Apesar disso tudo, nenhum crime violento foi registrado.
Eu também estive na cidade de São Paulo neste dia de domingo (21). Não participando da Virada Cultura, embora o evento do qual participei pudesse estar inserido nela.

Fui ao bairro da Moóca, na capital paulista, participar da 11a Procissão em homenagem e louvação ao orixá, Xangô. Nos cultos afro-brasileiros, Xangô é o rei da justiça. A entrada para o evento era feita mediante um quilo de alimento não perecível, para posterior doação à instituições de caridade.
Mais de duas mil pessoas, todas vestindo roupas brancas, lotaram o Ginásio do Clube Escola Moóca para participar de em evento que foi um misto de evento cultural com cerimônia religiosa. Na quadra do ginásio, o que se viu e ouviu foi muita música, percussão, hinos em louvação à Xangô, apresentação teatral e de dança. Fiquei particularmente, emocionado quando um grupo, com a participação de várias crianças, reviveu, no centro da quadra, os horrores e sofrimentos da escravidão. Também notei, nas paredes do ginásio cartazes contra o preconceito racial.
Na verdade, o evento em si era um grande grito por justiça, pelo respeito à diversidade religiosa e contra intolerância racial e religiosa. Os líderes umbandistas lembraram o fato do apedrejamento da menina carioca, e também relataram outros fatos de violência praticada contra os adeptos das religiões afro-brasileiras. Confesso que não sabia que os seguidores das religiões afros sofriam tanta violência física por parte de grupos radicais. Sabia que sofriam discriminação, que também é outra vertente da violência, por se tratar de uma violência psicológica.
A palavra de ordem dada pelos líderes era a de não revidar. “Eles (os agressores) são pessoas que não tem nada a perder. Nós (os da umbanda e do candomblé) temos. Então não se igualem ao nível dos nossos agressores. Denunciem aos órgãos competentes para que eles tomem as medidas cabíveis”, diziam eles. “Não são todos os evangélicos que agem dessa forma, apenas uma pequena minoria. Há evangélicos abertos ao dialogo”, acrescentavam. Isso me fez lembrar o ditado popular que diz: “Uma laranja podre estraga todo o cesto”. Isso vale para qualquer religião, como temos visto em relação às barbaridades criadas pelos radicais islâmicos.
Outro momento de grande emoção foi quando um grupo de dança fez a apresentação do orixá Xangô, em preparação ao ápice da festa: a procissão em homenagem a Xangô. O toque da curimba (atabaque), ecoando solene e forte, invadia o ginásio e tocava diretamente o coração do público presente. Enquanto o grupo de dança desenvolvia, em harmonia com o toque dos atabaques, passos coreográficos. Tudo de grande beleza.

Em seguida, os féis saíram pelas ruas do Clube Escola Moóca, seguindo o andor, no qual estava colocada, entre flores vicejantes, a imagem de Xangô. Todos, contritos, entoavam cânticos em louvação e homenagem ao orixá. A presença de muitas crianças dava um ar perenal à cena. Após um longo percurso, a procissão retornou ao ginásio para o encerramento final.
O evento foi criado, e é organizado, anualmente, pela Escola de Curimba e Arte Aldeia de Caboclos, cujo presidente é o Pai Engels de Xangô. Após o final do evento, Pai Engels, corria de um lado para outro orientando a equipe de organização, dando atenção às autoridades, convidados e fiéis da umbanda e do candomblé. Enquanto ele estava aqui e acolá, eu fazia marcação cerrada em cima dele. Se ele corria para a direita, eu lá estava. Se ia para a esquerda, eu o seguia. Se ela ia ao centro da quadra, eu o acompanhava. Tudo isso a fim de conseguir um breve depoimento, uma vez que entrevistá-lo como gostaria, era, naquele momento, quase impraticável.
Pai Engels de Xangô
Enfim, após algum tempo, e de muita boa vontade por parte do organizador, que, entre toda aquela correria, aceitou conversar comigo. Pedi-lhe então que, tendo em vista todos esses casos de violência e intolerância contra o povo da umbanda e do candomblé, deixasse uma mensagem ao blog Cottidianos. Diante de uma multidão que deixava o ginásio satisfeita com a homenagem a Xangô, rei da justiça, Pai Engels de Xangô, deixou a seguinte mensagem:
Minha mensagem é a seguinte: No início da procissão, eu relato que a maior parcela está no umbandista. Tudo bem que estão sendo radicias, estão sendo intolerantes, estão cometendo os maiores absurdos, com atos de violência física, inclusive, até o ponto que chegou de depredações, textos maldosos, vídeos e apologia, até em ginásios fechados, isso já existia. Mas a nossa parte é não negar a nossa religião, quando alguém perguntar quando os perguntarem, as pessoas assumirem: Eu sou umbandista, eu sou candomblecista, eu sou do culto aos orixás. Não negar sua religião. A gente não pode sair gritando para o mundo, mas também não pode negar a nossa religião, e muitos não a assumem.
A outra parcela, a segunda parte, eu digo que é fazer atos positivos. Convidar as pessoas para conhecer as confraternizações, os eventos, os encontros, os festivais, as procissões, para ver o quanto é bela a nossa religião. Fazer ações sociais, campanhas sociais para fazer as pessoas participarem e ver o quanto é belo, o quanto é positivo. E outro é que se acontecer um ato de intolerância, denunciar. Ir na polícia, fazer um boletim de ocorrência, notificar as demais instituições ligadas a religião de que isto está acontecendo, para que todo mundo fique atento e faça protestos contra a intolerância. Isso é o que a gente precisa fazer. A grande parcela está em nós. Não está só neles.
Inspirado nesse evento, e em todos esses acontecimentos de intolerância racial e religiosa que temos visto, escrevi um texto especial, porém, apresento-o na próxima postagem.

Boa semana a todos!

Copyright © 2009 Cottidianos All rights reserved. Theme by Laptop Geek. | Bloggerized by FalconHive. Distribuído por Templates