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Gisele Bündchen: Uma estrela de primeira grandeza nos céus da moda

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:56
Quinta-feira, 23 de abril


Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela.

Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões.

Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade.

Era rica e formosa.

Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante.

Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da Corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu fulgor?

Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos, com avidez, informações acerca da grande novidade do dia”.



O trecho acima se refere aos parágrafos iniciais de Senhora, clássico romance da literatura brasileira, da autoria de José de Alencar, publicado pela primeira vez no ano de 1875. A personagem principal do romance é Aurélia Camargo: uma moça pobre que se torna muito rica, após receber a herança de um tio. A história se passa durante a segunda metade do século XIX, em uma sociedade que vivia de aparências e contradições.
Peço licença a José de Alencar, e aos caros leitores, para reescrever este parágrafo, trazendo-o para os dias atuais:

Há anos uma bela e fulgurante estrela riscou os céus do Brasil.

Ascendeu aos céus tão rápido quanto os meteoros que, vindos de galáxias distantes, riscam a orbita da terra; posto cetro e coroa em sua cabeça, o mundo da moda conheceu uma rainha de beleza singular.

Tornou-se a musa das passarelas, a inspiração das mulheres que buscam, incessantemente, tornarem-se cada vez mais belas, e era presença constante nos sonhos dos homens que a queriam em seus braços.

Era bela e formosa, como as rainhas que habitam o mundo dos contos de fada.

As flores invejavam o seu perfume, e os diamantes, seu brilho.
Quem não conhece Gisele Bündchen, a estrela de brilho intenso que ultrapassou os limites espaciais dos céus brasileiros reluziu com intensidade nos céus de muitos outros países?


Tinha ela quatorze anos quando pisou pela primeira vez em uma passarela. Naquela época, não passava de uma desconhecida, mais uma candidata ao glamour do mundo da moda. Mas Gisele mostrou que tinha brilho próprio. E logo todos correram em busca de informações sobre aquela desconhecida, que trazia consigo a marca das vencedoras.
Flashes. Flashes. E mais flashes. Desfiles. Desfiles. E mais desfiles. Assim é o mundo da moda. Um mundo de fantasias e ilusões. E como toda ilusão, é passageira, por motivos óbvios. Pensando na efemeridade dessa profissão, podemos afirmar que a carreira de modelo é igual a carreira de jogador de futebol. Um dia acaba o glamour. Acabam os aplausos. Apagam-se os flashes. Resta apenas a dura e fria realidade do anonimato.
Levando essa aparente vida de princesa, as meninas-moças correm o risco de se acostumarem com a fantasia... E muitas delas realmente se acostumam. Acostumando-se a fantasia, é difícil para a maioria delas, botar, novamente, os pés na realidade. É, justamente, nesse ponto de transição, nessa volta a terra, que muitas delas se perdem, e em se perdendo, veem naufragar seus sonhos.
O grande Chico Buarque ilustra bem essa situação, em uma de suas obras-primas: a canção Quem te viu, quem te vê. Diz Chico, em um dos versos da belíssima canção:

Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia.


Gisele, não. A top model não se acostumou com a fantasia. Admiro-a também por isso. Outro dia fiquei pensando em uma coisa que Gisele falou em uma das muitas entrevistas que deu, por ocasião de sua despedida das passarelas, na São Paulo Fashion Week, este mês, em São Paulo. Dizia ela ao repórter: “Eu chego no estúdio, eu dou o melhor de mim e, quando eu vou embora, eu posso voltar a ser eu. Então, isso foi uma coisa que eu sempre mantive muito separada. Isso me ajudou muito a manter a cabeça no lugar, a manter as minhas prioridades, a manter a minha autenticidade, a minha essência intacta”. Uma atitude simples, mas que parece coisa tão difícil no mundo dos famosos.
A vida é realmente um grande mistério. Vejam só. Em uma noite estrelada, uma menina-moça olha o rico tapete de estrelas que adorna o céu de sua terra natal. Ela nasceu e mora em uma pequena cidade que nem aparecia no mapa. Olhando o brilho das constelações se perde em sonhos e seu coração viaja para mundos distantes. Em seguida, a menina-moça desce, novamente, os olhos a terra e olha para a humilde habitação, na qual mora com os pais e as cinco irmãs. Ela quer tocar o céu, mas jamais renegar suas origens e o carinho de seus pais e de suas irmãs. Ali, ela aprende uma coisa tão escassa nos tempos modernos: valores, como, união, solidariedade, fraternidade e simplicidade.
Em seus sonhos mais intensos, aquela menina-moça jamais imaginaria que seria ela a estrela, e que sua casinha simples e humilde se transformaria numa luxuosa mansão.
Gisele Caroline Bündchen, veio ao mundo, no dia 20 de julho de 1980, em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul, chamada, Horizontina. Seus pais, os descendentes de alemães, Valdir Bündchen e Vânia Nonnenmacher, não dispunham de muitos recursos financeiros, mas procuravam dar as seis filhas que tiveram; Raquel, Gabriela, Graziela, Rafaela, e as gêmeas, Gisele e Patrícia, o melhor que tinham em seus corações: educação e bons princípios.
Adolescente, Gisele sonhava em ser jogadora de vôlei. Pensou muitas vezes em entrar para a Sociedade de Ginástica de Porto Alegre. Mas seu destino não estava nas quadras de vôlei, e a vida se encarregaria de conduzi-la ao seu devido lugar.
Quis os ventos do destino que Gisele fosse apresentada ao mundo do glamour por um conterrâneo dela, o também horizontinense, Dilson Stein.
Corria o ano de 1994. Dílson morava em São Paulo na época, e trabalhava no mundo da moda. Havia voltado à sua cidade natal para ministrar um workshop para modelos. Gisele, às vésperas de completar quatorze anos, era bem alta para uma adolescente da idade dela. A tia de Gisele resolveu inscrevê-la nesse workshop para que a sobrinha melhorasse um pouco a postura. Na verdade, a tia achava a sobrinha um pouco desajeitada, digamos assim.
Um bom olheiro tem que ter olhos de lince... E Dilson Stein tinha. No primeiro dia que viu Gisele, ficou impressionado com a adolescente. Sabia que ela tinha algo que a diferenciava das outras. Na primeira vez em que a viu, Dilson vislumbrou o que o mundo somente iria ver em alguns anos. E não escondeu isso. Disse então a tia de Gisele, já naquele primeiro encontro, que a jovem seria uma das melhores modelos do mundo. Obviamente, não foi levado a sério. Nem por Gisele, nem pela tia dela. Era mesmo difícil que elas compartilhassem da mesma opinião do caçador de modelos, olhando para a realidade e para a simplicidade na qual viviam em Horizontina.
Passou-se um mês e Dilson resolveu levar algumas moças para São Paulo, a fim de apresentá-las à agências de modelo. Dentre as moças que levou à capital paulista, estava Gisele Bundchen. A mãe de Gisele foi totalmente a favor da escolha de Gisele pelo mundo das passarelas. O pai viu a ideia com reservas. Em São Paulo, Dilson apresentou Gisele a Zeca de Abreu, que na época era diretor da agência Elite. Gisele parecia ter mesmo uma luz especial, pois, assim que Zeca a viu, imediatamente a convidou a fazer parte do quadro de modelos da agência Elite.
A Elite foi apenas um trampolim na carreira da jovem modelo. A partir dali ela iria conquistar os céus da moda, com a mesma rapidez com que via os meteoros cruzarem os céus do Rio Grande, nas noites tranquilas de Horizontina. Dentro de apenas cinco anos, o mundo conheceria uma supermodelo.
Dois anos após, Gisele viajou aos Estados Unidos, para um desfile na cidade de Nova York. O desfile foi um sucesso. Começava ali, a carreira internacional da menina-moça, oriunda de uma pequena cidade do Rio Grande do Sul. As coisas não se deram com tanta facilidade como se imagina. Em Nova York, Gisele era princesa durante o dia, enquanto corria atrás de ensaios fotográficos e novas oportunidades de trabalho, e de noite virava gata borralheira, quando limpava o pequeno apartamento no qual morava, e no qual tirava um tempinho, á noite, para deixar a casa em ordem.
Com o esforço, a dedicação e o talento de Gisele, vieram os louros da vitória.
Em 2000 foi considerada pela Rolling Stones, a modelo mais bonita do mundo. Em 2007, foi incluída no Guiness Book, como a modelo mais rica do mundo.  O site models.com a apontou como a modelo-ícone mais sexy do mundo. A Forbes a elegeu, em 2013, uma das 100 mulheres mais poderosas do mundo. Também em 2013, a brasileira Época, apontou-a como uma das 100 personalidades mais influentes do Brasil. De acordo com a Forbes, há oito anos, Gisele ostenta o título de modelo mais bem paga do mundo. Ufa! Isso é apenas um pouco do currículo de Gisele. Acho melhor parar por aqui, senão a postagem vai ficar muito longa.
Gisele teve em sua companhia alguns dos homens pelos quais suspiram o coração da maioria das mulheres como, Rodrigo Santoro, Leonardo de Caprio e o jogador de futebol americano, Tom Brady, com quem veio a se casar em fevereiro de 2009, tendo com ele dois filhos.
No bastasse tudo isso, Gisele é ativista, participando intensamente de causas sociais. Como por exemplo, na  campanha I am African, ocasião em que pintou o rosto em protesto contra a falta de assistência às vítimas do HIV, especialmente na África. Também está envolvida em projetos de preservação da Floresta Amazônica. Também se uniu a Al Gore, ex-vice presidente americano, em apoio a campanha, Energia Sustentável para Todos. Isso também é apenas um pouco do ativismo social praticado por Gisele.
Enfim, após brilhar intensamente nas constelações do mundo da moda, tendo sua imagem estampada em mais de mil capas de revista, Gisele resolveu encerrar sua carreira nas passarelas, onde reinou por 20 anos. Escolheu para esse momento especial escolheu o Brasil, na 39a edição da São Paulo Fashion Week. O desfile de adeus às passarelas aconteceu na noite da quarta-feira, 15 de abril último. No desfile, ela era como sempre foi, rainha. Rodeada de grandes modelos e grandes amigas conquistadas ao longo da carreira, Gisele se despediu de forma triunfal.

Na primeira fila estava toda a família de Gisele: o marido Tom Brady, os pais, e as cinco irmãs.
Por ocasião do evento, o marido e fã, publicou a seguinte declaração apaixonada à supermodelo: "Parabéns amor da minha vida. Você me inspira todo o dia para ser uma pessoa melhor. Estou tão orgulhoso de você e de tudo que você tem feito na passarela. Eu nunca conheci alguém com tanta vontade de vencer e determinação para superar qualquer obstáculo no caminho. Você nunca deixa de me surpreender. Ninguém ama a vida mais do que você e sua beleza é muito mais profunda do que o que os olhos podem ver. Eu não posso esperar para ver o que vem a seguir. Eu amo você."
Dilson Stein, o homem que apresentou Gisele ao mundo disse: “Gisele representa para o mundo da moda o que o Pelé representa para o futebol. Outras grandes modelos vão surgir, mas nunca haverá outra Gisele”.
Gisele não disse adeus de todo, ao mundo da moda. Ela destinará seu tempo a projetos especiais nessa área e, especialmente, ao marido e aos filhos.
É isso, uma estrela brilhante não se apaga jamais.

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