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Rede Globo e Roberto Marinho: Duas faces de um mesmo império — Parte I

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:33
Quinta-feira, 30 de abril



Neste domingo, 26 de abril de 2015, a TV Globo, uma das maiores redes de TV do mundo, completou 50 anos. Esse império chamado Rede Globo de Televisão, não nasceu pelas mãos de nenhum jovem — pelo menos não no vigor que ostentam os corpos juvenis — mas nasceu da vitalidade, da coragem e da ousadia, de um senhor já na terceira idade: o Dr. Roberto Marinho. O conceito de terceira idade naquela época é diferente do que vivemos hoje. Na atualidade, uma pessoa de 60 anos, tem a disposição vários recursos que lhe permitem levar uma vida ativa, mesmo estando na terceira idade. Enquanto muitos de sua idade pensavam em aposentadoria, em uma vida calma, pescarias e coisas desse tipo, o velho jovem Roberto Marinho, estava se permitindo sonhar, saltar de asa delta dos penhascos da vida. Ouso

Criada apenas para ser uma rede de TV local, esse império de comunicações chega ao seu cinquentenário como a segunda maior rede de televisão comercial do mundo. A primeira é a rede norte-americana American Broadcasting Company (ABC). Milhões de pessoas no Brasil assistem a programação da emissora, seja no Brasil, ou no exterior, através da Globo Internacional. Junto com outras empresas midiáticas, a TV Globo, forma o Grupo Globo de comunicação — um dos grupos de comunicação mais poderosos do planeta. Porém, até atingir o topo foi preciso muito trabalho, suor e coragem.

O sonho de iniciar um canal de televisão havia se iniciado ainda em 1951. No dia 05 de janeiro, a Rádio Globo entrou com um pedido de concessão de um canal de televisão, endereçada ao presidente, Eurico Gaspar Dutra. No dia 31 de janeiro daquele mesmo mês, o presidente deixava o governo do país.

Com a saída de Eurico Gaspar Dutra, Getúlio Vargas voltava para seu segundo mandato à frente dos destinos da nação. Já no governo de Getúlio, no dia 13 de março, dois meses após o pedido de concessão para o canal de TV apresentado pela Rádio Globo, o pedido foi analisado pela Comissão Técnica de Rádio, tendo sido aprovado por aquela comissão. Porém, dois anos depois, Getúlio revogou a concessão, contrariando o parecer da Comissão Técnica de Rádio, emitido em 1951. Não tendo mais o que fazer, restou ao jornalista e empresário aguardar com paciência um novo momento de colocar em cena o sonho de um canal de inaugurar um canal de televisão.

Roberto Pisani Marinho, fundador de um dos mais poderosos grupos de comunicação do mundo, o Grupo Globo, nasceu no dia 03 de dezembro de 1904, no tradicional Bairro do Estácio, Zona Norte do Rio de Janeiro. Era um dos cinco filhos de Francisca Pizani Barros, a Dona Chica, e do jornalista Irineu Marinho Coelho de Barros.

Em 1911, Irineu Marinho fundou o jornal, A Noite. O jovem Roberto tinha 20 anos quando viajou para Europa, juntamente, com a mãe e os irmãos, para acompanhar o pai, Irineu Marinho, que estava doente e foi tratar-se do problema de saúde, na Europa. Irineu era um bom jornalista, mas não era um bom homem de negócios. Tinha o talento do primeiro, mas faltava-lhe a astúcia do segundo. Antes de viajar, ele vendeu suas ações no jornal. Acertou com o sócio que, na volta, recompraria as ações. O problema é que o jornalista não assinou nenhum contrato de recompra das ações. Tudo se deu apenas pela palavra.

Nove meses depois, Irineu voltou ao Brasil, recuperado do problema de saúde. O jornal que havia fundado fazia ainda mais sucesso que antes de sua partida. Foi procurar o sócio a fim de efetuar a recompra de suas ações no jornal. O sócio não cumpriu o prometido, e ele perdeu o controle acionário do jornal.

Esse golpe sofrido pelo pai marcou a vida de Roberto Marinho. Ele aprendeu que, no mundo dos negócios, era preciso ser muito esperto, atento a todos os detalhes.

Apesar de bastante chateado com tudo o que acontecera, e tendo que enfrentar momentos de grandes adversidades, Irineu não cruzou os braços, ao contrário, partiu para um novo recomeço, fundando um novo jornal: o jornal O Globo. No dia 29 de julho de 1925, com poucos recursos financeiros e sendo rodado em maquinário de segunda mão, o Globo começa a circular pelas ruas do rio, tendo como principais pilares, a experiência de Irineu Marinho e de alguns poucos companheiros que haviam trabalhado com ele no jornal, A Noite. As instalações do novo veículo de comunicação fundado por Irineu eram muito modestas. Funcionava em um antigo prédio, no Largo da Carioca. As salas eram emprestadas pelo Liceu de Artes e Ofícios.

Apesar do difícil recomeço tudo parecia caminhar bem. Porém, o destino reservaria desagradáveis surpresas àquela família que já atravessava um mar de adversidades.  Apenas três semanas depois de ter fundado o novo jornal, Irineu Marinho morre, vitimado por um infarto, nas primeiras horas do dia 21 de agosto de 1925, dentro do banheiro da própria casa.

Roberto Marinho tinha 21 anos quando o pai morreu, mas já era um jovem maduro e com ideias muito firmes. Poderia ter assumido a direção do jornal O Globo, naquela época, mas em conversa com a mãe, os dois chegaram à conclusão de que a melhor pessoa a assumir a direção do jornal, seria Euclydes de Matos. Roberto Marinho assumiu o cargo de secretário do jornal, mas procurava aprender como funcionava cada setor do jornal. Além de secretário, procurou também aprender as funções de repórter, redator-chefe e copidesque. Era como se estivesse absorvendo grandes goles de um fazer jornalístico, do qual iria precisar muito, em um futuro bem próximo.

Em 05 de maio de 1931, morre Euclydes de Matos, que havia assumido o comando do jornal, por ocasião da morte de Irineu Marinho. Não tendo outra saída, aos 26 anos de idade, Roberto Marinho, assume a direção do jornal. Aos poucos, O Globo foi ganhando a simpatia dos leitores cariocas, ao apresentá-los inovações gráficas e editoriais. Porém, apenas em 1954, o jornal passaria a ter sede própria.

Roberto Marinho já mostrava, desde que assumiu a direção de O Globo, um estilo empresarial arrojado e dinâmico, aliado a uma excelente visão de jornalismo e de publico, características que o ajudaram a erguer um império chamado, Grupo Globo.

No fim da década de 40, O Globo já era um jornal vespertino que já havia conquistado a credibilidade do público carioca. Sempre com uma visão à frente de seu tempo, Roberto percebeu que o advento da televisão traria mudanças no modo como as pessoas se informavam. Nesse novo cenário, os vespertinos perderiam a razão de existir, pensava ele. Decidiu então ir antecipando o fechamento do jornal para cada vez mais cedo. Em 1972, O Globo, que havia nascido um jornal vespertino, passou a ser, definitivamente, um jornal matutino. No ano anterior, o jornal já havia passado por uma completa reformulação, em sua redação, em suas editorias e no quadro de pessoal. Foi criada a edição de domingo e mudanças nas cores do jornal.

Um homem tão dinâmico e ousado não poderia ficar apenas no comando de um jornal. Assim são as mentes inquietas: querem voos sempre mais altos. Em 1944, Roberto Marinho, compra a Rádio Transmissora da RCA Victor e a transforma na Rádio Globo do Rio de Janeiro. O Globo ganhava voz e passou a lutar contra a ditadura de Getúlio Vargas, e Roberto Marinho enfrenta seu primeiro adversário político. Roberto já era então um experiente empresário de comunicação, mas ainda não conhecia o potencial de mobilização política e social do rádio. Getúlio renunciou em 1945 e, aos seus amigos e subordinados, Roberto Marinho, sempre pensando um passo à frente, recomendava cautela no trato com ele. Dizia a eles que deveriam estar precavidos para a volta de Getúlio ao cenário político brasileiro, como se vislumbrasse, na década segunite, a volta de Getúlio ao poder.

Roberto trabalhava duro na redação do jornal e na rádio. A vida não era fácil, e nem era só praia. Mas quando saia pela noite do Rio dava muito trabalho para as mulheres cariocas. Ele era hábil nos negócios, no jornalismo... E também com as mulheres. Namorou muitas delas. A Urca, com seus cassinos, shows e belas garotas, eram um cenário perfeito para essas aventuras. Também era um esportista e se dedicava a essas práticas com afinco. Gostava especialmente do hipismo e conquistou prêmios nesse esporte. Em tudo que fizesse, procurava dar o melhor de si. Somente veio a casar-se aos 43 anos, com Stella Goulart Marinho, após aproveitar muito bem a vida de solteiro. Desse casamento, nasceram os filhos: Paulo Roberto Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho. Em 1970, morre Paulo Roberto, em um acidente automobilístico. Nesse mesmo ano, ele também se separa de Stella.

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Nepal: Vidas em situação extrema

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:28
Terça-feira, 28 de abril



Os apresentadores do programa, Planeta Extremo, Carol Barcellos e Clayton Conservani, juntamente com a equipe do programa, exibido pela Rede Globo, estavam no Nepal para a gravação de mais um programa, quando ocorreu o fatal terremoto que devastou o país, ceifando mais de 4.000 pessoas. Os apresentadores passaram então ao papel de repórteres. São eles que estão fazendo a cobertura da tragédia e nos trazendo as terríveis imagens de um país devastado.


E eles, como todos na região afetada, estão sob o efeito da tragédia, assustados, e demonstram isso nas reportagens que fazem. No domingo, se não me falha a memória, Carol Barcellos estava no meio de uma entrevista, quando aconteceu um forte tremor secundário, balançando tudo ao redor. A repórter ficou muito assustada e, foi preciso que alguém a segurasse pelo braço, dizendo que estava tudo bem. Nas reportagens feitas pelo Cleiyton, é visível que ele está tomado pela emoção. Sentimos isso através de sua voz embargada. Nessas horas há o profissionalismo. Evidentemente, os dois são excelentes jornalistas, mas são acima de tudo, humanos, e como tais, sujeitos ao medo, a angústia e a dor, como todos os que estão no cenário daquela terrível tragédia.

Ontem (27), eles conversavam com William Bonner e Renata Vasconcellos, ao vivo, no Jornal Nacional e davam as últimas informações sobre Katmandu. Aqui no Brasil passava das oito e meia da noite, e lá no Nepal, estava quase amanhecendo.  Diziam eles que as ruas ainda tremem, e as pessoas tem medo de voltar para suas casas, ou pelo menos para o que restou delas, porque ainda não sabem o que pode acontecer. Diziam eles, que, por volta das nove da noite, houve um novo tremor de terra. A equipe estava no hotel, na noite de sábado, dormiram no chão da recepção, mas como a situação estava um pouco mais tranquila, o pessoal do hotel permitiu que eles fossem para os quartos para um breve descanso. Cleyton dizia que foi dar um cochilo em um quarto, no primeiro andar do hotel, mal fechou os olhos e já acordou com a cama tremendo. Ele então saiu correndo, desceu as escadas e encontrou a equipe do Planeta Extremo, em lugar seguro e se juntou a eles, em momento de grande tensão.

Os repórteres também falaram da dificuldade de conseguir alimento e, principalmente, o racionamento de água. Destacaram a alegria das pessoas quando recebiam água dos caminhões pipas. Cleiyton dizia ainda que achava interessante a atitude do povo nepalês, que, diante da tragédia, não se lamentavam, simplesmente, aceitam os fatos, o sofrimento, de cabeça erguida, e tentam seguir em frente.

Carol Barcellos e Cleyton Conservani


Durante a conversa, Renata perguntou:

Renata Vasconcellos — Como é que vocês estão lidando com o medo de novos tremores. A gente sabe que existe essa possibilidade até duas semanas depois do tremor principal, mesmo com vocês acostumados com situações limites, por causa do programa Planeta Extremo.

Carol Barcellos — A gente está em estado de alerta, aqui no Nepal. A gente realmente está preparado para situações extremas, mas normalmente, o que você treina pra isso é a sua cabeça e o seu corpo, e aqui, eu confesso que o gente precisa ter muito forte é o coração, por tudo o que a gente está vendo nas ruas e nos hospitais, eu acho que o coração de ninguém está preparado pro que tá acontecendo aqui. É muito triste a situação do povo no Nepal.

Cleyton Conservani — A equipe do planeta extremo está acostumada a ir para lugares que, dificilmente, as pessoas passariam as férias com a família. Então nós já vimos avalanches, já vi pessoas sendo resgatadas, já passei por situações de risco, de ter que tomar decisões sob pressão, mas acho que nenhum ser humano está preparado para ver tanto sofrimento, tanta dor, tanta tristeza que está acontecendo aqui no Nepal...

Na semana passada, o Jornal Nacional apresentou uma série especial sobre os 50 anos de jornalismo da Globo. Num desses programas, o experiente repórter Pedro Bial, dizia, justamente, que já havia feito cobertura dos mais diferentes fatos, mas o que mais o entristeceu, o emocionou foi a cobertura de terremotos. Esse fato foi lembrado por William Bonner. E foi com essa lembrança que ele confortou a equipe do Planeta Extremo. Disse Bonner: “... que sirva de consolo, Pedro Bial, com toda a experiência que tem, mencionou naquele programa, que é absolutamente impossível esquecer a experiência que vocês estão tendo agora, de terremoto, foi sempre, de tudo o que ele viu, a experiência mais marcante de todas, ele disse isso no programa, então a gente sabe o que vocês estão passando, até pelos relatos de um colega experiente como ele”.

Abaixo, compartilho texto publicado no site EscolaPsicologia, com algumas dicas para superar adversidades. O segredo é sempre ter controle emocional sobre as próprias emoções, mesmo em situações extremas.

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5 DICAS 5 DICAS PARA SUPERAR AS DVERSIDADES DA VIDA!

Quer queiramos ou não, a adversidade faz parte da vida. Superar as adversidades é um dos maiores obstáculos que enfrentamos. Os problemas, sejam grandes ou pequenos, apresentam-se a nós durante toda a nossa existência. Independentemente de quão animado, inteligente, ou contente estejamos no momento, independentemente de a vida nos correr às mil maravilhas, inesperadamente todos nós algumas vezes somos confrontados com problemas, lutas, desafios, dificuldades. É como se fossemos postos à prova, para vermos de que fibra somos feitos, como é que conseguimos enfrentar algumas situações catastróficas e angustiantes. Não pretendo passar a mensagem que quanto mais adversidade melhor, nem sou apologista de que o sofrimento é algo de bom. Não, o sofrimento incapacitante não é benéfico. Ainda assim, não invalida que pensamos nele como uma realidade que acontece na vida de cada um de nós, certamente em número e intensidade diferentes de pessoa para pessoa. Quando acontece, aceitá-lo é uma parte da estratégia para nos livrarmos de mais sofrimento. Aceitá-lo pode constituir uma forma de nos reestruturarmos e seguirmos em frente.

Conforme Havelock Ellis escreveu: “A dor e a morte são parte da vida. Rejeitá-las é rejeitar a própria vida.”

Na verdade, graças a Deus pela adversidade! Aprender a lidar e superar as adversidades é o que nos faz ser quem somos. Cada desafio, a cada dificuldade que enfrentamos com êxito na vida serve para fortalecer a nossa força de vontade, confiança e capacidade de vencer os obstáculos futuros.

Heródoto, filósofo grego, disse: “A adversidade tem o efeito de atrair a força e as qualidades de um homem que as teria adormecido na sua ausência.”

Quando você responder de forma positiva e construtiva aos seus maiores desafios, as qualidades as forças e virtudes como, coragem, caráter, combatividade, esperança e perseverança emergem lá de dentro. É claro que, dado que somos humanos, é muito fácil cairmos na auto-piedade, na injustiça da vida, ou na armadilha do “porquê eu?”. Quando fazemos isso, deixamos de reconhecer as oportunidades de sabedoria e de crescimento que acompanham a adversidade. No entanto, assim que conseguimos ou nos permitimos pensar mais claramente, que somos capazes de deixar a vitimização auto-destrutiva e pensamentos improdutivos, também ficamos mais capacitados  para lidar com o que está diante de nós.

DICAS PARA SUPERAR A ADVERSIDADE

1. Esteja atento, e aceite que a adversidade é inevitável na vida. Como já foi referido, a adversidade faz parte da vida. Uma vez que nos aconteça algum infortúnio, não o aceitar ou resistir-lhe só vai fazer com que persista. Não quero dizer com isto, que sejamos passivos ou complacentes com a adversidade e que ao aceitá-la nada façamos para minimizar ou recuperar dela. Não é nada disso, o que quero dizer é que aceitar é um caminho para se desprender e reestruturar-se. É uma forma viável de procurar caminhos alternativos e seguir em frente.  Onde quer que possamos ir existe certamente alguma forma de adversidade, mesmo que não seja a nossa. Há inundações, tsunamis, guerras e calamidades de todos os tipos. Mesmo dentro do seu próprio círculo de familiares e amigos há perda, morte e tragédia. Embora a dor seja inevitável, o sofrimento exacerbado é opcional. Tal, como por contraste a felicidade é possível mas é opcional.  Então o que podemos fazer?

2. Construa os seus recursos internos. Antes que a adversidade o atinja, deve propor-se a trabalhar no seu equilíbrio emocional, deve fortalecer a sua musculatura emocional, coragem e disciplina. Quando você se torna consciente de que algumas dificuldades são inevitáveis, você pode preparar-se mentalmente para enfrentar as adversidades de cabeça erguida. Não será muito diferente do sentimento de um soldado que vai para a guerra. Ele (ou ela) prepara-se física e mentalmente para qualquer possibilidade. O militar sabe que pode ser desastroso, assustador, e esgotante, mas ele sente-se preparado e equipado com um conjunto de estratégias que lhe permitem enfrentar a situação com coragem. Na maioria das vezes, quando você está preparado para o pior, o pior nunca acontece, ou é muito menos grave do que o previsto.

Atenção, não estou dizendo que nos devemos movimentar na vida sempre em alerta, a ver onde está o perigo ou com o sentimento de que estamos na eminência de nos acontecer algo de ruim. Não, isso não é benéfico, pelo contrário, pode ser contraproducente. Mas tal como um médico, enfermeiro, bombeiro, ou paramédico, ou você mesmo se prepara com um curso de primeiros socorros para agir em consonância quando for necessário salvar uma vida em aflição eminente, assim deveremos fazer nós. A preparação para reagir, para agir e saber como atuar em situações difíceis, é como um Kit de Primeiros Socorros  para quando o “azar” nos bater à porta. Se tivermos e soubermos usar, certamente evitaremos danos maiores.

Outro recurso valioso é a auto-confiança. A confiança de que tudo vai dar certo, a esperança que sempre há uma luz no fim do túnel, e esperança que “este infortúnio também passará.” Tudo na vida tem o seu lugar e propósito, cabe-nos a nós fazer essa gestão.

3. Construa os seus recursos externos. Construa um sistema de apoio baseado na família e nos amigos. Quando as coisas ficam difíceis, todos nós precisamos de encorajamento e apoio. Precisamos de alguém com quem conversar, alguém para ajudar a aliviar o fardo. Você ficaria surpreso ao descobrir quantas vezes um amigo teve uma experiência semelhante e pode ajudar a guiá-lo no momento difícil. O fato de saber que um amigo está lá quando você precisa dele, pode ser muito reconfortante. Se a sua condição perante a adversidade não for ultrapassada e gerar problemas psicológicos como a depressão ou ansiedade, não hesite em procurar ajuda profissional, seja através de uma consulta de psicologia ou de um grupo de suporte específico, como, por exemplo, determinados grupos de ajuda.

4. Aquilo que não mata nem sempre faz você mais forte. Desculpe Nietzsche, mas não posso concordar integralmente na afirmação, “o que não nos mata torna-nos mais fortes“, ela não é completamente realista. Por exemplo, se você não tiver construído e desenvolvido determinados tipo de resistência ou experiência suficientes para lidar com a dificuldade, a adversidade pode esmagá-lo. Por outro lado, se você tem resistência suficiente, se desenvolveu e trabalhou determinadas forças, então na verdade isso vai fazer você ficar mais forte. Como assim, você pergunta? A Resiliência como qualquer músculo no nosso corpo é construída gradualmente e exponencialmente com a exposição repetida aos obstáculos e às forças externas. Não necessariamente, se você não tem prática no enfrentamento dos obstáculos (como quando você escolhe evitá-los), se você decidir ainda assim propor-se ao desafio de tentar, a coisa certamente correrá mal, um evento traumático pode derrubá-lo. Como tudo na vida, a preparação é amiga da eficácia e do sucesso. Sem preparação o fracasso é uma possibilidade muito forte.

Para sublinhar este ponto, as pesquisas de desenvolvimento tem mostrado que crianças traumatizadas são mais, e não menos, prováveis de virem a sofrer novamente de algum tipo de trauma ou consequência negativa. Da mesma forma, aqueles que crescem em bairros difíceis têm uma propensão para o desequilíbrio emocional,  tornam mais susceptíveis perante a adversidade, não se tornam mais resilientes, e são mais propensos a debater-se na vida.

5. Inspire-se e aprenda com os outros que têm que lidar com o sucesso e com a adversidade. Há muitas histórias inspiradoras de pessoas que superaram obstáculos aparentemente intransponíveis. Eles triunfaram sobre as suas adversidades para viver uma vida produtiva e bem-sucedida, em vez de se renderem a elas. Para aprofundar este tema, leia: Porque razão desistimos dos nossos objetivos.

Não quero com isto dizer que ao ver, ler ou assistir aos feitos dos outros os seus problemas ficam resolvidos, ou que isso diminuirá a dor ou o sentimento que tem. Provavelmente não, e essa não é a minha intenção. No entanto, ao tomar consciência das estratégias e formas que essas pessoas accionaram e/ou utilizaram para fazer face aos seus problemas ou para ir ao encontro dos seus sonhos e objetivos, pode promover e estimular em si uma mudança de perspetiva face à sua situação. Este mudança de perspetiva pode ser promotora para descobrir novos caminhos para a resolução da situação difícil em que se encontra.

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19 brasileiros ainda estão desaparecidos no Nepal

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:56
Segunda-feira, 27 de abril

A todos os que sofrem com a tragédia provocada pelo terremoto que ceifou milhares de vida no Nepal, além dos prejuízos à economia do país, e à destruição de seu rico patrimônio histórico, a minha solidariedade. A ajuda internacional já começa a chegar por lá, e isso ameniza o sofrimento daquele povo. Há brasileiros no Nepal, alguns morando por lá, a maioria em viagem de turismo. Dos 79 que eram procurados, 60 já foram localizados com vida. Outros 19 ainda não foram encontrados. Imagina-se a aflição dos familiares desses brasileiros aqui no Brasil, vendo de longe a tragédia, sem terem notícias dos seus, rezando, e muito, para que sejam localizados com vida.  Para estas pessoas minhas orações de conforto e fortaleza.

Abaixo, compartilho matéria publicada no site do jornal, El País Brasil, falando a respeito dessa questão dos brasileiros que estão no Nepal.

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Dos 79 brasileiros procurados no Nepal, 19 ainda não foram localizados

RODOLFO BORGES, São Paulo 26 ABR 2015

Não foram identificados, até a tarde deste domingo, brasileiros entre os mais de 2.000 mortos pelo terremoto que abalou o Nepal no sábado, segundo o Itamaraty. O Ministério das Relações Exteriores registrou, contudo, a busca de 79 famílias por informações sobre parentes que estavam no país asiático no momento da tragédia. Dessas, 60 informaram às autoridades brasileiras que conseguiram contato com os familiares — ainda há, portanto 19 brasileiros sem o paradeiro conhecido após o tremor de 7,8 graus na escala Richter registrado 150 quilômetros a oeste de Katmandu.

Segundo a assessoria de imprensa do Itamaraty, as dificuldades de comunicação no Nepal limitam a busca por informações e boa parte do trabalho de contatar brasileiros na região do terremoto tem sido feito pelas famílias dos possíveis atingidos pela tragédia. De acordo com as informações coletadas até agora, todos os 60 brasileiros que já deram sinais de vida aos parentes estão bem.

Neste domingo foram registrados novos tremores e um deles chegou a provocar avalanches no Monte Everest. As autoridades locais seguem na tentativa de resgatar vítimas do terremoto e pedem auxílio internacional, já que instalações hospitalares públicas e privadas foram destruídas pelos abalos. Enquanto isso, milhares de pessoas enfrentam temperaturas abaixo de zero com medo de voltar a suas casas, por terem sido destruídas ou pelo risco de que novos tremores as derrubem.

A ajuda estrangeira começou a chegar horas depois de o mundo tomar conhecimento da dimensão da tragédia. A Índia enviou suprimentos médicos e equipes de salvamento por meio de 285 membros de sua Força de Resposta a Desastres, enquanto os chineses mandaram uma equipe de emergência de 60 pessoas. Organizações internacionais reúnem voluntários para ajudar o Nepal e países como Estados Unidos, Reino Unido e Paquistão também ofereceram ajuda.

A presidenta Dilma Rousseff lamentou em nota a situação do Nepal e ressaltou que "a Embaixada do Brasil em Katmandu está tomando todas as providências em apoio aos cidadãos brasileiros que estão no Nepal". Na mensagem, Dilma expressou "grande pesar pelo terremoto que atingiu o Nepal, Índia e China na manhã deste sábado e que provocou a perda de tantas vidas"e disse declarar "solidariedade aos povos desses países e, em especial, aos brasileiros que estão na região e aos seus familiares".



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Música alta demais: Um perigo para os seus ouvidos

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:26
Domingo, 26 de abril




A música é um presente de Deus para os homens . Em seus vários estilos ela sublima nossos sentimentos, acalma nossa alma, nos faz viajar pelo mundo das emoções e sensações. Nessas horas, ela age sobre nós com efeito calmante. Outras vezes, ela nos estimula, acelera o sangue que corre em nossas veias, nessas situações seu efeito sobre nosso corpo é provocante. A tecnologia com seu mundo de dispositivos portáteis e celulares de última geração nos trouxe um mundo de sons e possibilidade de passar horas e horas ouvindo boa música. Isso é fantástico. Podemos viajar nas asas da emoção enquanto ouvimos as melodias que embalam os agradáveis momentos de nosso viver. As canções formam a trilha sonora do filme de nossas vidas.

Porém, é preciso ter muito cuidado com os excessos. Assim como doces em excesso pode causar diabetes, exercícios em demasia pode prejudicar o coração, ao invés de ajudá-lo, também o prazer de ouvir um som de qualidade pode danificar a sua audição.

Tudo depende da frequência com que você ouve e, principalmente de quão alto é o nível de som que está programado em seu dispositivo portátil. Se você ouve música em som alto demais, certamente, está usando a tecnologia contra você mesmo, e não a seu favor. Basta que ouça apenas uma hora por dia um som acima dos níveis indicados pelos especialistas da área, e esse ato, repetido por anos a fio, pode acabar danificando seu aparelho auditivo de forma irreversível.

Ao andar pela rua, no ônibus, ou metrô, basta uma olhada para o lado, e não será difícil ver alguém com fones de ouvido. Esteja você em qualquer lugar do mundo, seja em grandes ou pequenas cidades, ninguém hoje está imune as estes dispositivos portáteis.

Li um artigo, publicado essa semana no site do VOA News, que falou primeiramente a mim mesmo. Andar com um dispositivo de som portátil, é para mim, um hábito constante. Quando acontece de algum fone de ouvido falhar, eu, imediatamente, saio a procura de outro para comprar. Quando estou andando pelas ruas, sozinho, certamente estou com meu dispositivo de som e, evidentemente, meus fones de ouvido. Obviamente, procuro me policiar em relação ao nível de som. Procuro não deixá-lo muito alto. Porém, confesso que, às vezes, ao passar por um lugar mais barulhento, aumento o som. Eu não percebo, mas minhas células sensoriais, com certeza, sentem o efeito desse deslize.

Portanto, se ouve música em som alto em demasia, ou conhece alguém que ouve, não custa nada ficar de olho na saúde de seu aparelho auditivo, ou alertar a outros do perigo que correm ouvindo música alta demais.

A materia, One Billion Young People Risk HearingLoss From Loud Music ( Um bilhão de jovens correm o risco de perda de audição por ouvir música alta), publicada no dia 26 de abril, aborda essa questão.

Abaixo compartilho com vocês, a tradução livre que fiz dessa matéria.

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Um bilhão de jovens correm o risco de perda de audição por ouvir música alta

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, um bilhão de adolescentes e adultos ao redor do mundo, correm o risco de perder a audição por ouvir música alta. A agência das Nações Unidas está pedindo aos jovens para baixar o volume a fim de prevenir danos irreversíveis aos seus ouvidos.

Poucas coisas fazem o sangue pulsar, como uma boa música. Muitas pessoas acreditam que quanto mais alto melhor, se você está ouvindo rock and roll.

Mas ouvir música, mesmo sendo boa música, pode ter sérios efeitos sobre sua audição.

Dra. Shelley Chadha, da Organização Mundial da Saúde, é uma especialista em perigos à audição A Dra. Chadha diz que as células que usamos para ouvir, chamadas células sensoriais, podem ser permanentemente danificadas por sons que se repetem por um longo período de tempo, ou são prolongados e acontecem regularmente, ou são habituais.

“Quando esta exposição é particularmente alta, prolongada ou habitual, as células sensoriais são danificadas causando perdas auditivas irreversíveis”.

Estudos em países de renda média e alta mostram que, aproximadamente, 50% dos adolescentes e jovens adultos com idade entre 12 e 35 anos ouvem perigosos níveis de som. Eles estão ouvindo em seus dispositivos de áudio, bem como em shows, clubes noturnos e outros lugares de entretenimento.

Mas porque o nível de som é perigoso?

A OMS diz que pode haver vários tipos de perigo nos níveis de som. Isto depende de quão alto é o som e de quanto tempo você está exposto a ele. Perigo pode significar níveis de som de 85 decibéis, oito horas por dia ou 100 decibéis por apenas 15 minutos.

Dra. Chadha disse ao VOA que, quando a intensidade do som aumenta apenas três decibéis, o tempo de escuta aceitável, cai pela metade.

“Se a pessoa pega o metrô de um lugar para outro por meia hora de manhã, e meia hora à noite, todos os dias, ela aumenta o volume de seu dispositivo porque há muito barulho no trem e em todos os lugares ao redor, e essa escuta deixa-nos 100 decibéis, por hora, todos os dias, seus ouvidos podem sofrer danos irreversíveis em poucos anos, em alguns anos, com certeza.”

Maneiras simples de prevenir perdas auditivas

Dr. Chadha diz que há maneiras simples das pessoas se protegerem de perigosos níveis sonoros. Ela diz que os jovens que usam tampões de ouvido durante shows podem apreciar a música em 90 decibéis, tanto quanto puderem a 100 decibéis. Mas ela admite que tampões de ouvido podem não parecer muito legais.

“O fato de que os tampões podem parecer desagradáveis pode ser verdade hoje, mas se há uma mudança de comportamento que pode, não necessariamente, ser verdade no futuro, o uso de tampões de ouvido pode, na verdade, ser legal.”

Uma sugestão de bom senso é baixar o volume de seu dispositivo de som.

A OMS aconselha os jovens a usar seus dispositivos menos de uma hora por dia. Ela lembrar as pessoas que usem a tecnologia para ficarem seguras.  Aplicativos de telefones inteligentes podem ajudar a controlar níveis seguros de escuta.

A agência das Nações Unidas estima que 360 milhões de pessoas sofram de perda de audição ligadas a muitas causas, incluindo barulho, condições genéticas, doenças infecciosas e envelhecimento. A agência diz que metade dos casos de perda auditiva são evitáveis.

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Um gigante em fúria

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:21
Sexta-feira, 24 de abril

O Calbuco, um vulcão situado a 1.000 quilômetros ao sul de Santiago do Chile.  Havia 43 anos que o “monstro” estava inativo. Nesta quinta-feira ele despertou com uma fúria nunca antes vista... E assustou, e muito, aos chilenos.  O Calbuco é um dos três vulcões mais perigosos do Chile. Vulcão não é nenhuma novidade para os chilenos. Por lá existem 90 vulcões em atividade. Claro, quem convive com o perigo, se acostuma com ele, ou pelo menos o suporta. Não há outro jeito. Localidades ao redor do vulcão foram inundadas por uma nuvem de poeira que deixou o ar com péssima qualidade. A erupção não deixou mortes, mas deixou imagens impressionantes. Achei-as tão incomuns que resolvi trazê-las para o blog.

Mais de 4.000 pessoas tiveram que abandonar áreas próximas ao vulcão. Voos foram cancelados. A área onde ocorreu a erupção é uma área de turismo ambiental por causa dos belos lagos e abundante vegetação, além da própria região vulcânica. Apesar das imagens impressionantes, os turistas que por lá estava se extasiaram com as cenas... Claro, depois do susto.

Vendo essas imagens, fico a pensar em quanto somos frágeis e pequenos diante da mãe natureza. É bom sempre ficarmos em paz com ela, pois, se ela se enfurecer para valer, acaba em dois segundos com toda a arrogância e imponência humanas.

A julgar pelo pouco caso que a humanidade tem feito em face à questão ambiental, o homem ainda não se deu conta disso...

Enquanto isso, aqui no Brasil, o vulcão que explode, a cada dia com mais surpresas, são os desvios de dinheiro dos cofres da Petrobrás, e suas tenebrosas consequências para as finanças do país. O balanço apresentado pela Petrobrás mostrou que a estatal registrou, no ano passado, um prejuízo de prejuízo de R$ 21,587 bilhões. Desse total, R$ 6,194 bilhão foi a quantia que escapou pelos ralos da corrupção, fatos revelados, graças a Operação Lava Jato. Tudo isso é um desastre muito maior do que o Calbuco...

Lá no Chile, eles estão acostumados aos desastres naturais... E se preparam para isso.

E nós, estamos preparados para lutar contra o “monstro” da corrupção?


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Uma imagem vale por mil palavras




















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Gisele Bündchen: Uma estrela de primeira grandeza nos céus da moda

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:56
Quinta-feira, 23 de abril


Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela.

Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões.

Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade.

Era rica e formosa.

Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante.

Quem não se recorda da Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da Corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira o seu fulgor?

Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos, com avidez, informações acerca da grande novidade do dia”.



O trecho acima se refere aos parágrafos iniciais de Senhora, clássico romance da literatura brasileira, da autoria de José de Alencar, publicado pela primeira vez no ano de 1875. A personagem principal do romance é Aurélia Camargo: uma moça pobre que se torna muito rica, após receber a herança de um tio. A história se passa durante a segunda metade do século XIX, em uma sociedade que vivia de aparências e contradições.
Peço licença a José de Alencar, e aos caros leitores, para reescrever este parágrafo, trazendo-o para os dias atuais:

Há anos uma bela e fulgurante estrela riscou os céus do Brasil.

Ascendeu aos céus tão rápido quanto os meteoros que, vindos de galáxias distantes, riscam a orbita da terra; posto cetro e coroa em sua cabeça, o mundo da moda conheceu uma rainha de beleza singular.

Tornou-se a musa das passarelas, a inspiração das mulheres que buscam, incessantemente, tornarem-se cada vez mais belas, e era presença constante nos sonhos dos homens que a queriam em seus braços.

Era bela e formosa, como as rainhas que habitam o mundo dos contos de fada.

As flores invejavam o seu perfume, e os diamantes, seu brilho.
Quem não conhece Gisele Bündchen, a estrela de brilho intenso que ultrapassou os limites espaciais dos céus brasileiros reluziu com intensidade nos céus de muitos outros países?


Tinha ela quatorze anos quando pisou pela primeira vez em uma passarela. Naquela época, não passava de uma desconhecida, mais uma candidata ao glamour do mundo da moda. Mas Gisele mostrou que tinha brilho próprio. E logo todos correram em busca de informações sobre aquela desconhecida, que trazia consigo a marca das vencedoras.
Flashes. Flashes. E mais flashes. Desfiles. Desfiles. E mais desfiles. Assim é o mundo da moda. Um mundo de fantasias e ilusões. E como toda ilusão, é passageira, por motivos óbvios. Pensando na efemeridade dessa profissão, podemos afirmar que a carreira de modelo é igual a carreira de jogador de futebol. Um dia acaba o glamour. Acabam os aplausos. Apagam-se os flashes. Resta apenas a dura e fria realidade do anonimato.
Levando essa aparente vida de princesa, as meninas-moças correm o risco de se acostumarem com a fantasia... E muitas delas realmente se acostumam. Acostumando-se a fantasia, é difícil para a maioria delas, botar, novamente, os pés na realidade. É, justamente, nesse ponto de transição, nessa volta a terra, que muitas delas se perdem, e em se perdendo, veem naufragar seus sonhos.
O grande Chico Buarque ilustra bem essa situação, em uma de suas obras-primas: a canção Quem te viu, quem te vê. Diz Chico, em um dos versos da belíssima canção:

Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia.


Gisele, não. A top model não se acostumou com a fantasia. Admiro-a também por isso. Outro dia fiquei pensando em uma coisa que Gisele falou em uma das muitas entrevistas que deu, por ocasião de sua despedida das passarelas, na São Paulo Fashion Week, este mês, em São Paulo. Dizia ela ao repórter: “Eu chego no estúdio, eu dou o melhor de mim e, quando eu vou embora, eu posso voltar a ser eu. Então, isso foi uma coisa que eu sempre mantive muito separada. Isso me ajudou muito a manter a cabeça no lugar, a manter as minhas prioridades, a manter a minha autenticidade, a minha essência intacta”. Uma atitude simples, mas que parece coisa tão difícil no mundo dos famosos.
A vida é realmente um grande mistério. Vejam só. Em uma noite estrelada, uma menina-moça olha o rico tapete de estrelas que adorna o céu de sua terra natal. Ela nasceu e mora em uma pequena cidade que nem aparecia no mapa. Olhando o brilho das constelações se perde em sonhos e seu coração viaja para mundos distantes. Em seguida, a menina-moça desce, novamente, os olhos a terra e olha para a humilde habitação, na qual mora com os pais e as cinco irmãs. Ela quer tocar o céu, mas jamais renegar suas origens e o carinho de seus pais e de suas irmãs. Ali, ela aprende uma coisa tão escassa nos tempos modernos: valores, como, união, solidariedade, fraternidade e simplicidade.
Em seus sonhos mais intensos, aquela menina-moça jamais imaginaria que seria ela a estrela, e que sua casinha simples e humilde se transformaria numa luxuosa mansão.
Gisele Caroline Bündchen, veio ao mundo, no dia 20 de julho de 1980, em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul, chamada, Horizontina. Seus pais, os descendentes de alemães, Valdir Bündchen e Vânia Nonnenmacher, não dispunham de muitos recursos financeiros, mas procuravam dar as seis filhas que tiveram; Raquel, Gabriela, Graziela, Rafaela, e as gêmeas, Gisele e Patrícia, o melhor que tinham em seus corações: educação e bons princípios.
Adolescente, Gisele sonhava em ser jogadora de vôlei. Pensou muitas vezes em entrar para a Sociedade de Ginástica de Porto Alegre. Mas seu destino não estava nas quadras de vôlei, e a vida se encarregaria de conduzi-la ao seu devido lugar.
Quis os ventos do destino que Gisele fosse apresentada ao mundo do glamour por um conterrâneo dela, o também horizontinense, Dilson Stein.
Corria o ano de 1994. Dílson morava em São Paulo na época, e trabalhava no mundo da moda. Havia voltado à sua cidade natal para ministrar um workshop para modelos. Gisele, às vésperas de completar quatorze anos, era bem alta para uma adolescente da idade dela. A tia de Gisele resolveu inscrevê-la nesse workshop para que a sobrinha melhorasse um pouco a postura. Na verdade, a tia achava a sobrinha um pouco desajeitada, digamos assim.
Um bom olheiro tem que ter olhos de lince... E Dilson Stein tinha. No primeiro dia que viu Gisele, ficou impressionado com a adolescente. Sabia que ela tinha algo que a diferenciava das outras. Na primeira vez em que a viu, Dilson vislumbrou o que o mundo somente iria ver em alguns anos. E não escondeu isso. Disse então a tia de Gisele, já naquele primeiro encontro, que a jovem seria uma das melhores modelos do mundo. Obviamente, não foi levado a sério. Nem por Gisele, nem pela tia dela. Era mesmo difícil que elas compartilhassem da mesma opinião do caçador de modelos, olhando para a realidade e para a simplicidade na qual viviam em Horizontina.
Passou-se um mês e Dilson resolveu levar algumas moças para São Paulo, a fim de apresentá-las à agências de modelo. Dentre as moças que levou à capital paulista, estava Gisele Bundchen. A mãe de Gisele foi totalmente a favor da escolha de Gisele pelo mundo das passarelas. O pai viu a ideia com reservas. Em São Paulo, Dilson apresentou Gisele a Zeca de Abreu, que na época era diretor da agência Elite. Gisele parecia ter mesmo uma luz especial, pois, assim que Zeca a viu, imediatamente a convidou a fazer parte do quadro de modelos da agência Elite.
A Elite foi apenas um trampolim na carreira da jovem modelo. A partir dali ela iria conquistar os céus da moda, com a mesma rapidez com que via os meteoros cruzarem os céus do Rio Grande, nas noites tranquilas de Horizontina. Dentro de apenas cinco anos, o mundo conheceria uma supermodelo.
Dois anos após, Gisele viajou aos Estados Unidos, para um desfile na cidade de Nova York. O desfile foi um sucesso. Começava ali, a carreira internacional da menina-moça, oriunda de uma pequena cidade do Rio Grande do Sul. As coisas não se deram com tanta facilidade como se imagina. Em Nova York, Gisele era princesa durante o dia, enquanto corria atrás de ensaios fotográficos e novas oportunidades de trabalho, e de noite virava gata borralheira, quando limpava o pequeno apartamento no qual morava, e no qual tirava um tempinho, á noite, para deixar a casa em ordem.
Com o esforço, a dedicação e o talento de Gisele, vieram os louros da vitória.
Em 2000 foi considerada pela Rolling Stones, a modelo mais bonita do mundo. Em 2007, foi incluída no Guiness Book, como a modelo mais rica do mundo.  O site models.com a apontou como a modelo-ícone mais sexy do mundo. A Forbes a elegeu, em 2013, uma das 100 mulheres mais poderosas do mundo. Também em 2013, a brasileira Época, apontou-a como uma das 100 personalidades mais influentes do Brasil. De acordo com a Forbes, há oito anos, Gisele ostenta o título de modelo mais bem paga do mundo. Ufa! Isso é apenas um pouco do currículo de Gisele. Acho melhor parar por aqui, senão a postagem vai ficar muito longa.
Gisele teve em sua companhia alguns dos homens pelos quais suspiram o coração da maioria das mulheres como, Rodrigo Santoro, Leonardo de Caprio e o jogador de futebol americano, Tom Brady, com quem veio a se casar em fevereiro de 2009, tendo com ele dois filhos.
No bastasse tudo isso, Gisele é ativista, participando intensamente de causas sociais. Como por exemplo, na  campanha I am African, ocasião em que pintou o rosto em protesto contra a falta de assistência às vítimas do HIV, especialmente na África. Também está envolvida em projetos de preservação da Floresta Amazônica. Também se uniu a Al Gore, ex-vice presidente americano, em apoio a campanha, Energia Sustentável para Todos. Isso também é apenas um pouco do ativismo social praticado por Gisele.
Enfim, após brilhar intensamente nas constelações do mundo da moda, tendo sua imagem estampada em mais de mil capas de revista, Gisele resolveu encerrar sua carreira nas passarelas, onde reinou por 20 anos. Escolheu para esse momento especial escolheu o Brasil, na 39a edição da São Paulo Fashion Week. O desfile de adeus às passarelas aconteceu na noite da quarta-feira, 15 de abril último. No desfile, ela era como sempre foi, rainha. Rodeada de grandes modelos e grandes amigas conquistadas ao longo da carreira, Gisele se despediu de forma triunfal.

Na primeira fila estava toda a família de Gisele: o marido Tom Brady, os pais, e as cinco irmãs.
Por ocasião do evento, o marido e fã, publicou a seguinte declaração apaixonada à supermodelo: "Parabéns amor da minha vida. Você me inspira todo o dia para ser uma pessoa melhor. Estou tão orgulhoso de você e de tudo que você tem feito na passarela. Eu nunca conheci alguém com tanta vontade de vencer e determinação para superar qualquer obstáculo no caminho. Você nunca deixa de me surpreender. Ninguém ama a vida mais do que você e sua beleza é muito mais profunda do que o que os olhos podem ver. Eu não posso esperar para ver o que vem a seguir. Eu amo você."
Dilson Stein, o homem que apresentou Gisele ao mundo disse: “Gisele representa para o mundo da moda o que o Pelé representa para o futebol. Outras grandes modelos vão surgir, mas nunca haverá outra Gisele”.
Gisele não disse adeus de todo, ao mundo da moda. Ela destinará seu tempo a projetos especiais nessa área e, especialmente, ao marido e aos filhos.
É isso, uma estrela brilhante não se apaga jamais.

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