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Romã: Uma joia à serviço da saúde e do bem estar

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:21
Terça-feira, 31 de março


Flor de romã, tecelã de um novo dia,
Flor de romã, artesã da alegria,
Um cheiro bom que me invade, cheiro de felicidade,
Flor de romã, festejando a manhã,
No canteiro dos meus sonhos fecho os olhos para o ontem,
Só enxergo o amanhã,
Não tenho ouvidos pra qualquer palavra vã,
Abro o peito pro amor, sonho a noite sertã

(Flor De Romã - Rosaura Muniz E Xico Bizerra)


Quando era criança, em meio ao verde das matas e do frescor dos rios, de minha querida Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, e sentia alguma dor na garganta, minha mãe logo preparava um chá com as cascas da romã. Ela usava as cascas da fruta para fazer o chá, enquanto eu me deliciava com as pequeninas sementes, vermelhas tal qual rubis. Não era fácil tirar aquelas sementinhas da romã, mas era compensador. Não demorava muito para que o chá fizesse efeito e o incômodo desaparecesse. Cresci usando esse remédio natural sempre que sentia qualquer pequeno problema na garganta. Também não lembro de que minha mãe usasse romãs para fazer receitas, nem que a usasse para problemas relacionados ao coração.

Mas, para minha surpresa, dias atrás, encontrei um artigo, em um conceituado site, que dizia justamente que a romã era um santo remédio para problemas cardíacos e também para melhorar a pele, para incrementar pratos deliciosos, e no preparo de deliciosas sobremesas.

O artigo intitulado, Pomegranate: Still Healthy at 5,000 Years Old (Romã: Ainda saudável, há 5.000 anos), está na seção Health & Lifestyle (Saúde e Estilo de vida), do site VOA News. Claro, os institutos especializados em saúde dizem que não há evidências de que a romã seja tudo isso que se diz dela. Eu, porém, prefiro acreditar que sim. Porque não acreditar no poder curador de uma fruta milenar? Também não acho que se deva abandonar a medicina tradicional. Mas, se uma complementa a outra, por que não fazer uso das duas? Por que não fazer a experiência, não é mesmo? Você pode encontrar a romã em feiras livres, supermercados, pode também adquirir extratos feitos da fruta em farmácias que vendem produtos fitoterápicos, e pode ser um bem-aventurado e ter uma romãzeira no quintal de casa. 

No Brasil, a romã chegou trazida pelas mãos dos colonizadores portugueses. Ela pode ser encontrada do norte a sul do país, e pode ser plantada em qualquer época do ano.

Abaixo compartilho o texto por mim traduzido.

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Romã: Ainda saudável há 5.000 anos

A romã é uma das frutas mais conhecidas. Romãs são encontradas em escritos e pinturas de muitas culturas e religiões da antiguidade.  Ela também é símbolo de saúde, fertilidade e vida longa.

Especialistas acham que a romã é nativa do nordeste da Índia, Paquistão, Irã e Afeganistão. Hoje, ela também cresce no sudeste asiático, no oeste americano, Armênia, partes da áfrica, dentre outros lugares.

A casca da romã é forte. Ela pode ser vermelha, púrpura ou alaranjada. O interior dela é cheio de belas sementes vermelhas que brilham como rubis. Não é fácil extraí-las. Mas a recompensa é grande.

Benefícios para a saúde

A romã cresce em árvores. Partes da romãzeira e da romã são usadas para fazer remédios.

A romã é usada em diversas situações. Entretanto, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos diz que não evidências científicas suficientes, para considerar as romãs como efetivas para nenhuma destas situações.

Até agora, na medicina tradicional, a romã é usada para problemas do coração e vasos sanguíneos, incluindo pressão arterial e endurecimento das artérias.

As sementes “joias” da romã estão cheias de muitos nutrientes e substâncias químicas antioxidantes. Estes antioxidantes removem venenos do corpo.

Os antioxidantes encontrados na romã podem remover o acúmulo de danos nos vasos sanguíneos. Então ela é uma fruta muito saudável para o coração.

Os antioxidantes podem reduzir a progressão de doenças relacionadas a idade e podem reduzir o crescimento de células cancerosas. Homens que tem câncer de próstata podem se beneficiar disso com uma porção diária de suco de romã.

Romãs são usadas para perda de peso e para tratamento de dores na garganta. Elas também têm alto teor de vitamina K, fósforo, magnésio, cálcio, ferro e zinco.

Digamos que as romãs estão cheias apenas de boas coisas para o interior de seu corpo.

Benefícios para a estética

Mas não nos esqueçamos do lado de fora, também!

Romãs são ótimas para a pele. Elas protegem a pele, incentivando o crescimento de novas células, curando feridas e reparando tecidos. Romãs também protegem a pele contra os danos causados pelo sol. Elas podem ajudar a pele a parecer mais jovem, ao fornecê-la uma mistura de umidade e elasticidade.

Receitas com romãs

Mas, como comer a romã?

As sementes da romã doces e azedas, ou o liquido grosso ou melado da romã, podem ser saboreadas com cordeiro, porco, ou pratos feitos com frango.

As sementes da romã proporcionam um sabor extra em saladas e outros vegetais. As sementes ficam deliciosas com arroz e outros pratos feitos com grãos. E, claro, podemos fazer ótimas sobremesas com elas. Nos Estados Unidos o suco de romã é frequentemente adicionado a vitaminas, bebidas espumantes, e bebidas alcoólicas.


Romãs frescas somente estão disponíveis nos Estados Unidos de setembro a janeiro. Elas podem ser conservadas, ou permanecer comestíveis, no refrigerador por cerca de dois meses, se mantidas em uma embalagem plástica. 

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De volta ao paraíso

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:36
Segunda-feira, 30 de março

Ah! e estas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah! esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
(Aquarela do Brasil – Ary Barroso)


Já falei para vocês uma vez que minha imaginação é um pouco rebelde, e continuo pensando a mesma coisa. Por exemplo, na postagem de ontem, falei que postaria uma dica de saúde e bem estar. Ao sentar-me para escrever o texto — que, na verdade é mais uma tradução de um texto do site VOA News — essa tal de inspiração foi me levando a mares nunca d’antes navegado, a gêneses, a origem de tudo. As palavras foram me navegando... Me navegando... E quando dei por mim estava no paraíso, em meio à gente nua, cujas armas eram o arco, a flecha e o tacape. Não tive como recuar, nem voltar atrás, restando postar este texto apenas como introdução ao assunto o qual havia prometido.

Convido-os a me acompanhar nessa viagem ao passado, em direção a um paraíso ainda não chamado, Brasil...

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De volta ao paraíso

Para os índios que ali estavam, nus na praia, o mundo era um luxo de se viver, tão rico de aves, de peixes, de raízes, de frutos, de flores, de sementes, que podia dar alegria de caçar, de pescar, de plantar e colher a quanta gente aqui viesse ter. Na sua concepção sabia e singela, a vida era dádiva de deuses bons, que lhes doaram esplendidos corpos, bons de andar, de correr, de nadar, de dançar, de lutar. Olhos bons de ver todas as cores, suas luzes e suas sombras. Ouvidos capazes da alegria de ouvir vozes estridentes ou melódicas, cantos graves e agudos e toda a sorte de sons que há. Narizes competentíssimos para cheirar e fungar catingas e odores. Bocas magníficas de degustar comidas doces e amargas, salgadas e azedas, tirando de cada qual o gozo que podia dar. E, sobretudo, sexos opostos e complementares, feitos para as alegrias do amor.
O pequeno trecho que descreve esse imenso paraíso que era o Brasil pré-descoberta, são do mestre Darcy Ribeiro, descritas em sua clássica obra, O Povo Brasileiro.

E assim era. Os índios esbanjavam saúde. Não conheciam doenças. Os poucos males que os acometiam eram curados com as rezas dos pajés e com recursos da colossal farmácia natural que cobria todo o território nacional.

Vieram os europeus, o elemento branco, um dos participes da formação de nossa cultura, com seu séquito de doenças e demais problemas existenciais, e tudo mudou... O paraíso acabou e, junto com ele, seus habitantes primeiros.

Isso decorreu de vários fatores, mas basicamente, do conflito entre sistemas de valores diferentes. No texto, Native American Culture (Cultura Indígena Americana), publicado no livro, Leia e Pense em Inglês, organizado pelos editores da revista Think English!, há uma boa analise desses conflitos. Falando entre os primeiros nativos americanos e os colonizadores europeus, o texto diz:

O sistema de valores era diferente para cada grupo. Os nativos estavam em sintonia com o ritmo e o espírito da natureza. Natureza para os europeus era negócio: uma colônia de castores era um número de peles, uma floresta, madeira para construção. Os europeus esperavam a posse da terra e a reivindicavam. Por outro lado, os  europeus consideravam os índios nômades e sem interesse na posse da terra. Era essa visão materialista dos europeus em relação a terra que os índios achavam repulsiva...”


Tal como nos Estados Unidos, tal como no Brasil, tal como em todo o continente americano. O padrão de colonização era o mesmo, uma vez que a mentalidade dos colonizadores era a mesma. Aliás, penso que os homens de todos os tempos, estejam eles na América, África, Ásia, Europa ou Oceania, tenham vivido eles nos dias atuais, ou em épocas remotas, parecem ter sempre um jeito próprio de agir próprios de sua época, que os universaliza a todos. Jeito próprio de agir hoje intensificado e massificado pela velocidade de informação e pelo desenvolvimento dos meios de comunicação com que foi tomada de assalto a própria sociedade da informação.

Uma vez extinguido o paraíso e sua gente de corpos belos e saudáveis, vieram os hospitais, manicômios, remédios, cirurgias, problemas existenciais...

Voltando os olhos àquele passado distante, vemos que os índios não conheciam farmácia e viviam saudáveis... Não conheciam fast-foods e se alimentavam muitíssimo bem... Não conheciam academias e personal treiners e ostentavam corpos esculturais... Não faziam cirurgias plásticas e envelheciam com beleza e sabedoria... Não usavam roupas e, “nem mesmo Salomão, em toda a sua grandeza, jamais se vestiu como um deles”...

E hoje? Podemos comprar de tudo e nos alimentamos mal... Fazemos cirurgias plásticas e nunca estamos contentes com nossos corpos... Estamos sempre tomando remédios que, por sua vez, nos fazem depender de outros remédios, formando uma verdadeira teia que nos torna dependentes de fármacos...

E ainda quando se fala em curas espirituais, alimentação natural, e remédios naturais, muita gente ainda “torce a cara”, “dá de ombros”... Nem sabem que estão rejeitando as próprias origens.

Será que, em meio a nosso mundo ultramoderno, não encontraríamos, de vez em quando,um tempinho para entrarmos na máquina do tempo, e viajar de volta ao paraíso, para ver se lá aprendemos a ser novamente “natural”?

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O valor da vida

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 11:32
Domingo, 29 de março



Estava fazendo um “surf” rápido pelas ondas da internet e pensei: já que estou por aqui, porque não dá um alô para os leitores, nessa bela manhã de domingo?

Numa semana em que vimos como é importante estar no controle de nossas emoções e sentimentos, deixo a vocês, nesta semana que começa, uma bela mensagem de Augusto Cury, que encontrei no site Mundo das Mensagens. Cury é médico, psiquiatra, psicoterapeuta, doutor em psicanálise, professor e escritor.

Um bom domingo a todos. Até a próxima postagem, na qual darei uma boca dica de saúde de bem estar.


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Valor da Vida


Não duvide do valor da vida, da paz, do amor, do prazer de viver, em fim, de tudo que faz a vida florescer. Mas duvide de tudo que a compromete. Duvide do controle que a miséria, ansiedade, egoísmo, intolerância e irritabilidade exercem sobre você.

Quando somos abandonados pelo mundo, a solidão é superável; quando somos abandonados por nós mesmos, a solidão é quase incurável.

Sábio é o ser humano que tem coragem de ir diante do espelho da sua alma para reconhecer seus erros e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas sementes no terreno de sua inteligência.

Ser livre é não ser escravo das culpas do passado nem das preocupações do amanhã. Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama. É abraçar, se entregar, sonhar, recomeçar tudo de novo. É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção. Mas, acima de tudo, ser livre é ter um caso de amor com a própria existência e desvendar seus mistérios.

Se seus sonhos são pequenos, sua visão será pequena, suas metas serão limitadas, seus alvos serão diminutos, sua estrada será estreita, sua capacidade de suportar as tormentas será frágil. Os sonhos regam a existência com sentido.

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Entrevista de Fernando Henrique Cardoso à Folha de São Paulo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:03
Sábado, 28 de março

Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em verde novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz...”
(Luz do Sol – Caetano Veloso)



Caríssimos, hoje pensei em escrever um texto, no estilo da última postagem, falando sobre aquele moço, que jogou o avião contra as montanhas, de propósito. Refleti melhor e resolvi não fazer isso. Por quê? Quando escrevo é como se mergulhasse naquele universo do qual estou tratando. Deixo as palavras me navegarem... E sigo pelo mar da inspiração. Se as coisas se passaram realmente como dizem, então aquele moço deve estar atravessando uma zona de grande tormento. Tormentos indescritíveis em palavras humanas. Desse mar só iriam sair palavras como: raiva, ódio, culpa, medo, rancor, remorso e outras do gênero. Ou seja, um campo semântico que me jogaria num mar de trevas. Achei que não valia a pena seguir por esse caminho. Prefiro navegar num mar de palavras luminosas.

Resolvi então partir para um assunto mais ameno. Sendo assim, compartilho uma entrevista concedida, esta semana, pelo ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, à Folha de São Paulo.

Na conversa com à repórter Daniela Lima, FHC fala de Dilma Rousseff, do ministro Joaquim Levy, da corrupção na Petrobrás, e do próprio partido, o PSDB. É um texto fluente, esclarecedor. Vale pena ser lido.

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‘Dilma se tornou refém de Joaquim Levy’, diz FHC


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acha que a presidente Dilma Rousseff tornou-se refém de seu ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o economista de perfil conservador que ela recrutou para dar uma guinada em sua política econômica e equilibrar as finanças do governo.

"Ela não pode demitir. É refém dele", disse FHC, em entrevista à Folha. "Poder até pode, mas o que acontece depois? Ela está presa, não tem muito [por] onde escapar."

Para o ex-presidente, Dilma vive numa armadilha, forçada a promover um ajuste duro e sem força para convencer aliados no PT e no PMDB a aprovar medidas propostas por sua equipe econômica.

"O problema é econômico, mas a solução é política", disse o tucano.
"Não estou vendo se formar uma coalizão que sustente a saída." A seguir, os principais trechos da entrevista.

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Folha - Em 1999, o sr. viveu uma crise e o PT pediu seu impeachment. O que diferencia o "Fora FHC"do "Fora Dilma"?

FHC - O "Fora FHC" era partidário, limitado ao PT. Eu nunca perdi o Congresso. Não perdi a credibilidade nem a capacidade de ação política. Não é a mesma situação de hoje. Há um elemento de descrédito.

Folha - Mas qual é o principal vetor da insatisfação popular: a corrupção, o estelionato eleitoral, a economia?

FHC - É a somatória. O que dá sustentação é a economia – que está só começando–, mas é indiscutível que a corrupção pesou. O movimento foi de repulsa. Em 2013 [nas jornadas de junho], os alvos eram dispersos. Agora tudo se concentrou simbolicamente no anti-Dilma. Não quer dizer que efetivamente queiram tirar a Dilma de lá. Até porque, pela corrupção, não é ela a responsável maior.

Folha - Como assim?

FHC - Ela herdou. Todo esse sistema que está aí não foi criado no governo dela. Ela tentou se livrar. Demitiu ministro, mexeu na Petrobras. Agora, o povo não percebeu assim. Simbolicamente centrou na Dilma. Ela está numa armadilha. Não sei se acham que ela é corrupta. As pesquisas dizem que acham que ela sabia e não fez nada. A imagem da Dilma que fez a faxina sumiu.

Folha - Armadilha?

FHC - Ela não tem o que fazer. O que tinha, já fez: nomeou o Levy. E isso só aumentou a armadilha, porque agora ela não pode demitir. É refém dele. Poder até pode, mas o que acontece depois? Então, ela está presa, não tem muito por onde escapar.

Folha - PMDB propôs corte de ministérios e tem criticado o ajuste. Ele roubou a agenda da oposição?

FHC - Se estiver fazendo isso, ele está mudando de lado. Se for isso, não acho mal não [risos].

Folha - O sr. definiu Joaquim Levy como 'tecnocrata'. Ele não terá força para bancar o ajuste?

Ele não tem experiência política. Quando fiz o Plano Real, o que eu fazia? Eu falava. Minha função era política. Não era técnico, não sou economista sequer. Alguém tem que fazer isso. No caso, era eu, não o presidente, mas alguém tem que fazer.

Folha - Então falta condução política?

FHC - Os economistas, quanto mais tecnocratas, mais querem que a racionalidade impere. Não pode. A racionalidade econômica pura esmaga tudo. O problema é econômico, a solução é política. E não vejo uma coalizão.

Folha - O sr. esteve com Temer e há um alinhamento entre PMDB e PSDB na CPI da Petrobras...

FHC - Com o Temer, tenho uma relação. Ele deu uma declaração interessante: a Câmara tem um momento em que ela engravida e dá a luz. Ela engravidou da reforma política. E aí eu acho que tem que conversar PMDB, PSDB, PT... Para evitar o naufrágio do sistema e da classe política toda. Agora, não é isso que a rua está pedindo.

Folha - A reforma não é a resposta?

FHC - A rua está pedindo para passar a limpo. Não adianta responder como a Dilma tentou, dizendo que 'nunca ninguém combateu tanto a corrupção como o nosso governo' – e ainda botou o 'nosso', coitada. Ninguém acredita.

Folha - O sr. disse 'coitada'. É pena?

FHC - Pena não é sentimento que se deva ter de políticos. Acho que ela está de mau jeito.

Folha - É solidariedade?

FHC - Solidariedade, não. Estou do outro lado. Acho, como ser humano, que ela deve estar padecendo.

Folha - Setores que defendem o impeachment dizem que o sr. poupa Dilma e reedita o que fez em 2005 por Lula...

FHC - Em 2005, havia possibilidade legal de pedir impeachment. Por que não teve? Porque a rua não estava nessa posição. O impeachment não é um ato simplesmente técnico. Cria um fosso, um mal- estar historicamente ruim. Agora, quem está processando a Dilma por algo que ela fez? Não tem. Quer dizer que não venha a acontecer? Não sei. Estamos numa situação de ponto de interrogação. Dependemos do calor da rua, do avanço do processo judicial e da mídia. Seria irresponsável nessa situação eu sair com uma bandeira fora de hora.

Folha - Mas o sr. acha que hoje um pedido de impeachment de Dilma teria o mesmo problema que viu no de Lula em 2005?

FHC - Não. É diferente e vou dizer uma coisa arriscada: o Lula perde hoje. Hoje [se Dilma cai e são realizadas novas eleições], o Lula perde. Mas eu não penso eleitoralmente. Não vou dizer: 'Então vamos fazer o impeachment porque o Aécio [Neves] ganha, o Geraldo [Alckmin] ganha, ou eu ganho'. Tem que pensar o país. Não estou dizendo que nunca vai se chegar a tal ponto [do impeachment]. Não sei.

Folha - O sr. disse recentemente que é preciso "passar a limpo" a corrupção na Petrobras. Antonio Anastasia (PSDB-MG) está entre os investigados...

FHC - Pegar uma referência vaga sobre alguém e colocar num processo é irresponsabilidade. Mas minha opinião é clara: está lá, que investiguem. Mas, no caso do Anastasia, é uma coisa fragílima.

Folha - Acha que houve influência política na escolha dos nomes?

FHC - Tudo na vida é política. Não creio que o procurador-geral [Rodrigo Janot] faça um acordo, mas obviamente há influências de todos os lados, em todas as esferas. O próprio policial, um procurador que quer uma coisa, o outro que quer outra. Isso não é necessariamente ruim, é normal, desde que o processo continue e se consiga provar algo.

Folha - O sr. disse que não é "crível" que Lula e Dilma não soubessem. A mesma lógica vale para o cartel em São Paulo?

FHC - É muito diferente. Aqui não tem acusação de que dirigente político tivesse recebido dinheiro, de que o PSDB tivesse recebido. O STF arquivou porque não tinha nada. É importante mostrar a natureza do que estamos discutindo hoje. Não é corrupção usual. É uma forma organizada de manutenção do poder utilizando dinheiro público. Aumentaram os preços [das obras] para tirar a diferença e dar para os partidos. É uma coisa muito mais séria.

Folha - Depoimentos apontam que o cartel na Petrobras se organizou no final de sua gestão...

FHC - Não é isso. Eu li. As empresas dizem que se organizaram como associação, mas que só tornaram [o cartel] como prática mais tarde. Pode ter havido corrupção no meu governo? Houve muito homicídio no meu governo, sabia? Marido matou mulher, mulher matou marido. O que eu tenho a ver com isso? Não há nem acusação desse tipo de organização no meu governo.

Folha - Acha possível que a dinâmica da última eleição presidencial tenha influenciado o levante contra Dilma?


FHC - É possível. Houve uma coisa ruim que é a ideia do nós contra eles. Isso foi proposto pelo PT e pelo Lula. Criaram um antagonismo. Agora reclamam que tem ódio nas ruas. Mas eles que soltaram.

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Uma nova chance de viver

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:57
Quinta-feira, 26 de março



Enquanto acompanhava as noticias de mais um acidente aéreo, fiquei pensando: “E depois? Depois da vida? O que há?” O que fica nós sabemos. Muito trabalho para juntar destroços, reconhecer corpos e a dor dos familiares. Escrevi o texto abaixo, inspirado no documentário, Vida depois da Vida, documentário que, por sua vez, é baseado no best-seller, Vida depois da Vida, de autoria de Raymond A. Moody Jr. A obra apresenta depoimentos reais de pessoas que viveram experiência de quase morte. No acidente, ocorrido no sul da França, não houve sobrevivente. Mas a mensagem que quero deixar é de esperança: A de que a vida não acabou ali, para os passageiros que estavam naquele voo. Em algum lugar, ela continuará em plenitude.


Foi pensando em mais essa tragédia, que escrevi o texto abaixo.

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Uma nova chance de viver

A moto corria velozmente pelas ruas da Cidade Maravilhosa, conhecida em todo o mundo pelas suas belezas naturais, como o Corcovado e o Redentor. Foi nas belas praias do Rio que nasceu a Bossa Nova, que não demorou muito para conquistar o coração dos brasileiros e do mundo.

Fazendo roncar o motor de sua Falcon, estava Inácio. Aos vinte e três anos, era um belo rapaz. Sua tez morena visitava constantemente as praias do Leme e do Leblon. Sua preocupação era o corpo. Queira ter, e tinha, um corpo atlético, capaz de despertar o olhar das mulheres, por onde quer que passasse... E a inveja dos homens. Sua segunda fixação era ganhar cada vez mais e mais dinheiro. Tanto quanto pudesse ganhar, para logo em seguida, gastar em noitadas, bordeis, e baladas noturnas. Era do tipo “fazemos qualquer negócio”, desde que desse um bom dinheiro.

Tinha um amigo que vivia alertando-o de um algum dia poderia se pego pela polícia, por causa dos desvios de dinheiro e do superfaturamento das compras na empresa onde trabalhava. “Você já ganha muito bem sem precisar da prática de negócios ilícitos”.  Inácio dava de ombros. Achava o amigo um tolo. Se podia faturar muito dinheiro “por fora” e, com isso, manter os luxos e as mordomias, então porque desperdiçar a oportunidade? André, o amigo tolo e chato, sempre vivia lhe dizendo que ele precisava cuidar também do espírito, que a vida é muito mais do que o cuidado com o físico, e todas essas tolices que as pessoas espiritualizadas dizem. Ele, Inácio, não dava a menor bola para isso. Tinha um belo apartamento de cobertura no Leblon, carro importado na garagem, motos potentes e rápidas para circular com mais facilidade pela noite carioca... E belas e lindas mulheres. Então, do mundo que o rodeava, ele se achava o próprio ser superior.

Nessa madrugada, Inácio vinha de mais uma balada. Havia tomado alguns copos de bebida alcoólica, mas isso não o incomodava, sempre bebera depois de dirigir e nunca lhe havia acontecido nada, nenhum acidente. Portanto, achava essa coisa de “não beba antes de dirigir”, coisa para fracotes, para que não aguenta bebida.

Ia por uma rua transversal. Já havia cruzado vários sinais vermelhos, mas, para ele, também não havia perigo. Havia poucos carros na rua àquela hora. Foi em meio a esses pensamentos que, pela décima vez, cruzou o sinal vermelho. Um automóvel que trafegava pela avenida seguia, corretamente, o seu percurso... Não deu para frear a moto, nem desviá-la. Inácio bateu em cheio no automóvel. A moto foi de encontro ao veículo, enquanto seu corpo voava, indo bater com a cabeça num muro de concreto, há poucos metros de distância dali. De repente, tudo se fez silêncio. Por uns breves instantes ele sentiu uma dor insuportável, depois perdeu completamente a consciência.

As equipes de resgate rasgaram as ruas do Rio, em busca de mais uma vítima, ao que parecia, fatal. Quando Inácio recobrou a consciência, viu que a equipe de socorro colocava para dentro da ambulância, um jovem que acabara de se envolver em um acidente. “Nossa, que acidente horrível”, pensou ele. “O cara tem uma moto igual a minha. A moto dele, porém, ficou muito destruída, só serve agora para levar para o ferro velho”. Aproximou-se de outro jovem que estava entre os curiosos que acompanhavam o resgate, perguntou: “Como foi o acidente? Você viu como tudo aconteceu? Já informaram a família sobre o ocorrido?” Era estranho, o jovem parecia não ouvi-lo, nem vê-lo. Talvez não tenha falado alto o suficiente. Também com o barulho que fazem estas sirenes... Não dá mesmo para ouvir qualquer coisa. Tentou bater no ombro do jovem. Nada aconteceu. Era como se ele nem estivesse ali.

A ambulância recolheu o ferido gravemente, fechou as portas e partiu em direção ao hospital. Mesmo com as portas fechadas Inácio conseguiu entrar nela. Queria acompanhar o caso de perto. Ficou ali, parado, ao lado dos médicos socorristas. Olhou fixamente para o pulso do jovem. Uma pulseira com um nome gravado lhe chamou a atenção. Aproximou mais um pouco para ver qual nome estaria gravado ali. Seu coração agora batia mais acelerado.  O nome gravado na pulseira de prata do jovem era Inácio Silva. Um suor frio lhe percorreu todo o corpo, enquanto seus pensamentos se ordenavam e reordenavam com uma rapidez incrível, mais rápidos que a CPU de um computador de última geração.

Então aquele jovem era ele mesmo? Ele, Inácio, havia sofrido aquele grave acidente? Desesperado sacudia o próprio corpo, numa tentativa de se autorreanimar. Seu corpo, porém, permanecia inerte, e já começava a ficar frio. A ambulância, finalmente, chegou ao hospital. Tinha a sensação de que saíra do próprio corpo e pairava agora acima dele. Da posição em que se encontrava, conseguia ver tudo com absoluta nitidez. Via também o que acontecia em outras alas do hospital. Era como se as paredes tivessem perdido a razão de existir.

“Levem-no para a sala de cirurgia preparada número quatro”. Gritou um enfermeiro. “Já está tudo pronto à espera desse paciente” complementou. Enquanto isso ele parecia flutuar pelo ambiente, vendo tudo de cima. Sentia-se leve e capaz de movimentos que nunca antes realizara. Era uma sensação contraditória: Enquanto via seu corpo inerte, em uma mesa de cirurgia, sabia que seus sentidos estavam mais aguçados que antes. O tempo passava e os médicos faziam o possível para reanimá-lo em uma demorada cirurgia. “Hemorragia cerebral”, dizia um médico. “Só viverá novamente por um milagre”, complementou outro. Manipularam os instrumentos cirúrgicos por mais cerca de meia hora. De repente, as pulsações do monitor foram ficando cada vez mais fracas. “Não o deixem morrer” “Não o deixem morrer”, gritava Inácio. Não era ouvido por nenhum dos médicos e enfermeiros presentes à sala cirúrgica. Passado alguns poucos minutos, o médico que comandava a cirurgia, falou aos demais. “Desliguem os aparelhos. Não há mais nada a fazer”.

“Coloquem o corpo na maca e preparem para levá-lo ao necrotério”, disse um dos enfermeiros. Subitamente, Inácio se sentiu sendo sugado por um túnel em espiral que parecia estar sempre em movimento. O estranho é que ele não tocava nas paredes do túnel. Enquanto descia, ouvia vozes a sussurrar: Chegou mais um suicida. Estão errados, pensou. “Não devem estar falando de mim. Sofri um acidente. Jamais cometeria suicídio”.

Após essa breve passagem pelo túnel escuro. Viu-se diante de uma luz branca de um brilho indescritível, cujos tons e matizes jamais vira. A luz era tão intensa quanto o brilho do sol, mas não queimava. Ao contrário dela emanava paz, harmonia e boas vibrações. Inácio já não sentia mais dor. De sua mente jorravam rios de paz. Aos poucos, ele foi se acostumando com o novo ambiente. Já refeito do susto, sua visão estudou cuidadosamente o ambiente. Estava em um jardim magnífico com uma diversidade de flores, de espécies que ele jamais visto. E o perfume, então... Uma coisa realmente esplendida. Uma música suave e melodiosa invadia o ambiente. As notas eram tão harmoniosas que o faziam transcender qualquer limite de tempo e espaço.

Havia um lago de águas cristalinas no meio do jardim. Ele caminhou até lá. E o que viu lhe causou uma profunda emoção. Era como se o lago fosse o próprio arco-íris, tamanha era a intensidade de cores que se misturavam a água. De repente, as águas do lago se tornaram como que uma tela de cinema e começaram a projetar cenas de sua vida. Mas as projeções se davam em grande profusão e eram exibidas rapidamente, como se alguém estivesse colocando o projetor em sua velocidade máxima. Ainda assim ele via as cenas, ao mesmo tempo, como expectador e como participe. As cenas exibidas começaram com o seu nascimento. Ela via a si mesmo saindo do útero materno, sendo embalado pelas mãos carinhosas da mãe. O pai chegou junto e estava tão alegre e orgulhoso do filho que acabava de gerar, que uma suave luz irradiava de suas faces.

Eram pessoas humildes e a luz que brilhava em suas faces era consequência do grande amor que nutriam um pelo outro, e do coração generoso que carregavam no peito.
Viu-se crescendo e se envolvendo com más companhias. A luz que vira inicialmente já mais brilhava sobre ele. A luz começava a tornar-se opaca e seu brilho se extinguia. Deixara a companhia dos pais por envergonhar-se deles e fora em busca das ilusões da vida. Sua luz se extinguiu por completo. As cenas foram se sucedendo até que chegaram ao momento do acidente.

“Eu morri?”. A boca já não mais se fazia necessária. Falava simplesmente com o pensamento.

Um ser iluminado aproximou-se dele e, numa espécie de telepatia respondeu sua pergunta.

“Como podes ter morrido, se estás em plena posse de teus sentidos, tendo-os agora mais aguçados que antes”?

“Então o que acontece?” indagou.

“Tua vida vai começar de verdade agora. Antes, estavas apenas vivendo uma ilusão”.

Do coração do homem que lhe falava, brotava tão grande paz, que o fazia esquecer por completo de tudo que havia deixado para trás. Acima deles, descortinava-se uma aurora boreal espiritual de tamanho esplendor que o fez ficar admirando aquele espetáculo celeste por alguns minutos, deixando uma lacuna no diálogo com o interlocutor.

“É assim todos os dias por aqui. Há dias que o céu torna-se ainda mais belo”. Um dia você poderá percorrê-lo, como os pés dos peregrinos percorrem com alegria os campos terrestres.

Inácio sentia-se leve. Sabia que podia voar tão alto quanto as águias, e ao mesmo tempo, tendo a suavidade das pombas. Olhou as arvores vicejantes. Nunca antes as vira tão verdes e tão esplendidas.

“Uma coisa me intriga e penso nela até agora”.

“Expresse as suas dúvidas e angustias. Afinal você deve se livrar delas, se quiser ser livre”.

“Enquanto caia pelo túnel, chamaram-me de suicida. Mas eu não sou um suicida. Sofri e acidente... Fui ao hospital... Os médicos me atenderam...”

“Quem te chamou de suicida foram espíritos perturbados. Que ainda não aceitaram sua nova condição. Ainda não assumiram sua nova roupagem. Apesar disso, eles têm razão. Você é um suicida”.

“Mas...”

Pense em como estava enquanto dirigia a moto, na madrugada passada. Estava dirigindo bêbado. Pondo em risco sua vida e a de outras pessoas inocentes. Além disso, lembra-se de quantas noitadas passou bebendo e usando substâncias proibidas. O alimento que colocavas na tua boca também não era boa coisa. No dizer dos terrenos: Só comias porcaria”. E assim, foste te matando aos poucos. Então, és ou não és um suicida?”.
Pela primeira em sua vida, lágrimas amargas desceram-lhe pelos olhos cortando-lhe as faces, e uma grande tristeza invadiu seu peito.

O homem aproximou as mãos de seu peito e o tocou. Das mãos dele emanou uma incandescente luz que, pouco a pouco, foi acalmando sua alma, serenando seus sentimentos.

“Estou aqui para te ajudar. Não para te julgar, nem para te condenar. Meu desejo é que sejas uma pessoa melhor”.

“Sinto-me tão bem aqui. Quero ficar para sempre”. Inácio falava a verdade. Nunca na vida sentira-se tão bem. Estava mais leve. Sentia-se flutuar de tão pleno de paz que se sentia. Uma grande calma o envolvia. Ele só havia experimentado uma sensação de paz, na infância, junto dos pais. Depois achava que tinha paz e tudo o mais que necessitava. Mas, agora via claramente, que só tivera tormentos em sua vida pregressa. Agora, era diferente. Muito diferente.

“Inácio — disse o homem como se tivesse pedido emprestado a suavidade das águas que correm num rio de águas límpidas — Nem tudo na vida é como a gente quer. Nem aqui. Tudo depende da ordem do Supremo Criador. E ele me confidenciou que ainda não é hora de você permanecer aqui”.

“Diga a Ele que não quero voltar. Quero ficar aqui. Sei que aqui tem muito trabalho. Muito que ajudar. Eu também tenho muito que aprender aqui”.

“Sim, mas sua missão na terra ainda não terminou. Você ainda tem muitos irmãos a ajudar na terra. Os males que você causou a muita gente, terá que desfazer. Também terá que agir de forma muito diferente do que vinha agindo. E lembre-se: É o amor que move o mundo, e não o ódio”.

Nesse momento, duas iluminadas e alegres crianças passaram fazendo algazarra pelo jardim.

“Quem é”? Perguntou Inácio, encantado com a luz que envolvia as crianças.

“São seus filhos”, respondeu sorridente o homem.

Nesse momento, Inácio sentiu-se como que empurrado de volta ao corpo terreno.

Em uma sala do hospital, o enfermeiro já se preparava para levar o corpo ao necrotério quando sentiu a mão do paciente fazer uma leve pressão sobre a sua. Uma pressão mínima, mas o suficiente para o enfermeiro saber que ainda havia um sopro de vida naquele corpo. Ele, imediatamente, pediu para a equipe médica voltar, com urgência, à sala de cirurgia.

Os pensamentos de Inácio começavam voltar ao mundo terreno. Uma nova e preciosa chance lhe fora dada. Ele não a desperdiçaria.

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