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Petrobrás sofre mais um duro golpe ao perder grau de investimento

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:17
Quarta-feira, 25 de fevereiro



Se o setor petrolífero brasileiro fosse o palco de algum dos confrontos do UFC, a gigante Petrobrás estaria sendo nocauteada. Esse nocaute não estaria sendo realizado por nenhum gigante rival, mas pelos nanicos, pelos “ratos” que a administraram. Os “ratos” roeram os cofres do capital da companhia, e depois os saquearam, colocando em risco a integridade e o desenvolvimento da empresa.

No dia de ontem, a estatal brasileira sofreu mais um duro golpe ao ver a Moody's — agência de classificação de risco — rebaixar suas notas em dois degraus de investimento ao nível especulativo. Isso significa que investimentos na Petrobrás passam a não são seguras por parte de investidores.

As agências de classificação dividem o mundo em dois grandes grupos:   os de grau de investimento e os de grau especulativo. Ao provarem que são bons pagadores, os países, ou empresas, ganham uma espécie de selo de qualidade perante os mercados, denominado grau de investimento. Esse selo especial indica que o risco de calote ao investir naquele país é muito baixo. Quanto mais o país, ou empresa, honra seus compromissos, mais selos recebe, tornando-se aos olhos dos investidores, verdadeiros portos-seguros para investimentos. No outro grupo as agências colocam os países, ou empresas, que nos quais não é bom confiar muito, pois eles não bons pagadores, e o risco de calote ao se investir neles é grande. Pois é nesse segundo grupo que a Petrobrás foi parar. Isso é mal, muito mal para os negócios da companhia, que enfrenta uma das crises mais graves de sua história, e por tabela, para a economia brasileira que anda “mal das pernas”.

Abaixo, compartilho, texto publicado pelo site do Jornal El País/Brasil, falando a respeito do assunto.

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Lula faz ato pró-Petrobras no dia em que estatal perde grau de investimento

TALITA BEDINELLI / AGENCIAS São Paulo

Não foi uma coincidência feliz. No dia escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para iniciar atos públicos em defesa do Governo petista e do legado do partido na Petrobras, a principal empresa brasileira recebeu mais um golpe relacionado ao esquema de corrupção que desviou bilhões, revelado pela Operação Lava Jato.

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou as notas da estatal em dois degraus, de investimento ao nível especulativo. Ou seja, aplicações na companhia, que vive uma das maiores crises de sua história, não são mais recomendadas como seguras aos investidores. A Moody's citou as dificuldades da Petrobras em divulgar o balanço do terceiro trimestre de 2014, auditado conforme a lei e já com as baixas causadas pelo esquema de desvios contabilizadas, como um dos motivos.

Enquanto o mercado americano reagia à notícia da Moodys, com queda nas ações da Petrobras, no Rio, o ex-presidente Lula lembrava o momento, que parece distante, em que a companhia realizava sem melindres "a maior capitalização da história" para um ambicioso plano de investimentos, agora congelado.

"O objetivo é penalizar a Petrobras e criminalizar a política", disse o petista, criticando a cobertura da imprensa brasileira às investigações da Polícia Federal, que obrigaram o governo Dilma Rousseff a trocar toda a diretoria da empresa no começo deste mês.

O evento foi organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), que lançou um manifesto no ato, do qual participaram artistas, intelectuais e representantes de diversos movimentos sociais. O objetivo declarado era alertar a população sobre a "ofensiva" para desvalorizar a Petrobras por meio de vazamento de informações "direcionadas" contra o PT cuja meta final, pregavam os participantes, é a privatização da estatal.

"Estou percebendo que eles estão fazendo hoje o que fizeram a vida inteira. A ideia básica é criminalizar antes de ser julgado, criminalizar antes pela imprensa. Se eu conto uma inverdade muitas vezes, ela vira verdade no inconsciente de milhares de pessoas", disse Lula, com desenvoltura habitual, na semana em que se espera que o Ministério Público Federal entregue à corte máxima do país os nomes dos políticos envolvidos no escândalo. "Ao invés de ficar reclamando, vamos defender o que é nosso, a Petrobras, que isso é defender a democracia", seguiu.

Em seu discurso, Lula defendeu ainda o ressurgimento da indústria naval brasileira nos governos petistas, alavancada pela Petrobras e pelas políticas industriais do governo. O setor é, no entanto, um dos afetados em cheio pelo escândalo da Lava Jato. Em meio às denúncias, que afetam as principais construtoras do país, a petroleira tem deixado de pagar fornecedores. No último domingo, o Estaleiro Atlântico Sul, das construtoras Camargo Corrêa e Queiroz Galvão, rompeu um contrato de 6 bilhões de dólares para a construção de sondas do pré-sal que era gerenciado pela Sete Brasil. O argumento da empresa é que não recebe pagamentos desde novembro.

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