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Spider is back

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:11
Sábado, 31 de janeiro

Guerreiros são pessoas
São fortes, são frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito
(Guerreiro Menino – Gonzaguinha)



O Spider está de volta!

No final do ano passado, os fãs do UFC e de Anderson Silva, mais conhecido nesse meio como Spider, acompanhavam, estupefatos, o fatal acidente que o fez perder a luta para o norte-americano, Chris Weidman, e entrar em longo processo de recuperação. Muitos disseram naquela ocasião que ele não voltaria a lutar. Eu, particularmente, também achava isso, após ver a horrível imagem da perna de Anderson Silva quebrando-se de maneira grave.

Para alegria e surpresa de todos, o aranha está de volta. A luta será na madrugada deste sábado, 31, para domingo. O palco do combate será, novamente, a fascinante Vegas, Las Vegas, nos Estados Unidos. O adversário será o norte-americano, Nick Diaz. Para voltar a lutar, o brasileiro fez um intenso trabalho de fisioterapia e, com certeza, também um intenso trabalho mental. Quando os homens colocam os sonhos sobre as nuvens e constroem alicerces sobre eles, histórias de superação como essa vivida por Spider, são absolutamente possíveis.

Também, é verdade que os verdadeiros campeões são aqueles que sabem administrar bem, tanto as derrotas, quanto as vitórias. E Anderson Silva mostrou que sabe equacionar essas duas faces da moeda chamada UFC. Em entrevista ao site do UFC, Anderson Silva afirmou: “As derrotas me moldaram como um ser humano melhor. Todas as dificuldades que passei serviram para que me tornasse um ser humano melhor. Você está sempre errando para aprender, evoluir como pessoa, como ser humano. Eu, principalmente como pai, estou sempre errando, evoluindo. Erro com os amigos também, procuro melhorar sempre. Os amigos também erram e procuro entendê-los e me colocar no lugar deles e aprender com eles. Não sou perfeito, nem sou santo”. Nessa entrevista, Anderson ainda ressaltou: “Hoje em dia é diferente, luto mais por amor, porque amo fazer isso. Graças a Deus, tudo o que tenho conquistei com muito trabalho, muita luta. Hoje em dia não tenho mais essa preocupação, mas tenho a responsabilidade de ir lá e fazer bem feito sempre”.

Mesmo não sabendo o resultado da luta desse sábado, o Spider já merece o título de campeão por ter vencido as adversidades que se apresentaram na vida dele no dia 28 de dezembro de 2013. Naquele fim de ano, também aconteceu um terrível acidente em uma estação de esqui, na França, envolvendo o campeão mundial de Fórmula 1, Michael Schumacher.

Abaixo, para relembrar aquele terrível momento, apresento parte do texto que postei naquela ocasião.

***



Um duelo de gigantes no UFC termina de forma inesperada. Um passeio de esqui acaba de forma trágica
...

MGM Grand Graden Arena. Las Vegas. USA

Sábado, 28 de dezembro de 2013.

O imenso tabuleiro de xadrez estava armado no centro do imenso MGM Grand Garden Arena. Os jogadores, há meses, estudavam os movimentos um do outro, cada qual com a convicção de que ganharia a luta. Os movimentos naquele tabuleiro deveriam ser perfeitos. Uma jogada mal feita estragaria o treinamento de meses. O tabuleiro de xadrez, não era, na verdade, um tabuleiro. Era um octógono. Os jogadores, não estavam ali para jogar,  mas para realizar a luta de suas vidas. 

Em volta do octógono, milhares de pessoas ávidas pelo show, haviam esgotados os ingressos desde o início da semana.  Junto com elas, milhões de pessoas mundo afora, estavam parados em frente à televisão para assistir um dos maiores espetáculos da história do UFC (Ultimate Figthing Championship). As semanas que antecederam aquele momento, haviam sido de grande expectativa, debates na imprensa, nas bolsas de apostas foram bastante frequentadas.  Os holofotes, espargindo luzes brancas e coloridas sobre o palco e sobre a multidão, lembravam bem o ambiente dos grandes shows. E aquele era um grande show. Aliás, o UFC é luta, é show e também uma fábrica de dólares. Os ingressos para a luta mais esperada da história do UFC: a revanche entre Anderson Silva e Chris Weidman, esgotaram-se rapidamente. Na primeira luta, a casa recebeu um publico de 12.964 pagantes, que gerou uma renda de US$ 4.826 milhões. Dessa vez,  a bilheteria não confirmou quantos ingressos foram colocados a venda, porém, uma vez que a capacidade máxima do local é de 16.800 pessoas, estima-se que os ingressos, que foram vendidos a preços entre US$ 100 e US$ 1.000, superem os US$ 6.901.655,00 que foram arrecadados no UFC 148, na também revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen, maior desafeto do Spider, no Ultimate. A expectativa dos organizadores é de recorde na arrecadação do em Vegas.

Tensão e expectativa pela chegada dos dois atores principais. A luta se tornava ainda mais especial por ser a revanche da luta entre Chris Weideman e Anderson Silva, ocorrida em 07 de Julho de 2013, no mesmo local onde agora será disputada a revanche. Na ocasião, Weideman venceu a luta por nocaute, devido a uma série de atitudes imprudentes de Silva. Durante cinco meses, a luta e a atitude de Silva, foi alvo de debates e discussões na imprensa e nas academias. A revista americana Forbes chegou a publicar uma matéria em que dizia que a derrota do brasileiro Anderson Silva fora coisa combinada. Especulações á parte, foi que Chris Weideman levou para casa o tão cobiçado cinturão dos pesos médios.

Em um dos lados do octógono, de bermuda azul, está o atual campeão dos pesos médios do UFC, Chris Weideman, Nova Yorkino, nascido em Baldwin, em 17 de junho de 1984. No currículo de lutador de MMA: 10 lutas. Incentivado na carreira esportiva pelo pai, começou a lutar muito cedo. Especializou-se em luta olímpica e destacou-se nesse tipo de luta. Ganhou várias medalhas no colégio e na faculdade. Sua formação acadêmica é um bacharelado de Psicologia pela Universidade de Hofstra. Fez sua estreia no UFC em 3 de março de 2011 e, rapidamente, se destacou. Possui a habilidade de derrotar os adversários com facilidade, levando a luta para o chão, onde consegue melhores resultados. Aos 29 anos, não sabe o que é ser derrotado no octógono. No UFC, foi o único lutador a conseguir vencer Anderson Silva e a nocauteá-lo. Está invicto há dez lutas.

Do outro lado, de bermuda amarela e preta, está o desafiante, Anderson Silva, conhecido no meio esportivo como Spider. Nasceu na cidade de São Paulo, mas foi criado em Curitiba. Um lutador de estilo provocador, rápido, completo. Igual a seu adversário, começou a praticar esportes muito cedo, aos 5 anos de idade. Praticou, inicialmente, o Taekwondo, indo depois para o Muay Thai, Jiu-jistsu e boxe. Sua especialidade, porém, é o Muay Thai. Tendo passado por tantos tipos de luta, é considerado um lutador completo. Estreou no UFC em 2006 e sua ascensão foi meteórica. É considerado o melhor lutador de MMA de todos os tempos. Desde sua estreia, já contabiliza 17 vitórias, 10 defesas de títulos, 15 nocautes. É o lutador com maior  sequencia de vitórias e títulos da história do UFC. Não conhecia derrotas até que o nova yorkino cruzou seu caminho, em julho de 2013. Agora, tudo o que ele mais quer é recuperar o cinturão.

Enfim, chega o momento tão esperado: o portão do octógono fecha. O arbitro da luta olha para o Anderson Silva e para Chris Weidman e autoriza o início da batalha.

Os dois lutadores começam a luta, no centro do octógono, com a postura de boxeadores. Analisam-se um ao outro, como fariam dois praticantes do xadrez. Chris Weidman tenta o primeiro o chute. Anderson se esquiva. A plateia se agita. Todos estão tensos. Muito tensos. Chris tenta levar a luta para o seu campo de especialidade: o chão. Agarra Anderson pelas pernas e consegue o seu objetivo. O Spider passa alguns segundos no chão e consegue se levantar. A plateia continua agitada. É como se ela pudesse lutar junto, como se, naquele momento, estivesse, também ela, defendendo um título. Anderson dá uma joelhada, tenta equilibrar a luta, sua concentração é total. Weidman novamente derruba Anderson e desfere uma seqüência de socos violentos. Anderson Silva está no chão e Chris Weidman o atinge com socos violentos, bate forte, muito forte. Anderson esboça alguma reação com alguns socos tímidos e, com as pernas, tenta se livrar da pressão de Weidman. Anderson Silva passa alguns minutos, no chão, em situação desesperadora. Será que aquele seria o fim da luta para o Spider? Aquela situação, porém, não era novidade. Ele já havia passado por situação semelhante, quando lutara com Chael Sonnen, no dia 07 de agosto de 2010, no UFC 117. Na ocasião, Anderson caiu após ser atingido por um golpe de esquerda de Sonnen, que partiu para cima do adversário, golpeando-o violentamente. Anderson conseguiu aplicar um triangulo de pernas em Sonnen, obrigando-o a pedir arrego, aos três minutos do quinto round.

Para alívio de todos e, principalmente de Anderson Silva, soa o toque anunciando o fim do primeiro round. Os lutadores vão, cada um, para o seu ponto de apoio no ring, receber os cuidados necessários e orientação dos técnicos.

O arbitro anuncia o inicio do segundo round que começa com um Weidman, confiante, buscando a luta. Anderson tenta um chute baixo. Passa no vazio uma tentativa de um soco direto de Anderson Silva. A postura de Weideman é de quem quer levar a luta, novamente, para o chão, como no primeiro round. Tentando evitar que isso aconteça, Anderson procura manter certa distância. Weiderma lança golpes na tentativa de que o desafiante parta para o ataque e, dessa forma, ele possa derrubá-lo. Anderson tenta um lance comum, um chute para cima de Crhis Weidman. Chris, que já havia estudado os movimentos de Anderson, e sabe que aquele é um de seus movimentos características, se defende levantando um pouco a perna, apenas um pouco, de forma que o seu joelho forme um ângulo de 90 graus. O chute de Anderson vem com uma forte potencia e sua canela choca-se fortemente contra o joelho do americano. As câmeras de TV mostram o movimento em câmara lenta. A impressão que dá é a de que a canela do brasileiro havia se tornado de borracha. Uma imagem estarrecedora. O brasileiro desaba no chão gritando de dor. O público presente silencia. Ninguém queria ou esperava aquele desfecho. Os diversos telões espalhados pelo MGM mostravam o replay do lance. As pessoas colocavam as mãos no rosto evitando ver novamente a imagem. Os locutores esportivos que narravam à luta soltam um grito de espanto: “Meus, Deus! O que foi isso”? Chris Weidman sai alegremente comemorando, quando percebe a gravidade da situação, sua comemoração tornou-se bastante discreta. A equipe médica presta os primeiros socorros, ali mesmo, no ring. Colocam talas em sua perna e o retiram da Arena MGM, direto para a ambulância que o levaria ao hospital, enquanto o Spider  grita e se contorce com imensas dores. Quem assiste o embate pela TV também vê, com incredulidade, tudo aquilo. “Uma fatalidade”! “Que pena”! “Triste desfecho”, diziam os narradores televisivos da luta.

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