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Ouro, incenso, mirra... E música!

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 13:37
Terça-feira, 06 de janeiro



Hoje a comunidade católica de todo o mundo celebra o dia de Reis, sendo decretado feriado em algumas partes do mundo. Segundo a tradição cristã, a festa celebra a visita dos três reis magos, Gaspar, Baltazar e Belchior, ao menino Jesus, que acabara de nascer. Os reis ofereceram ao rei menino, ouro, incenso e mirra. Os presentes representavam, respectivamente, nobreza, divindade e profecia.

Dia 06 de janeiro também é uma data especial para o Coral Pio XI, de Campinas. É o dia de aniversário do Coral. Em um dia como hoje, acontecia a primeira reunião, a semente que deu origem a um dos corais de mais antiga existência e ainda em atividade. Diz Santo Agostinho que “quem canta reza duas vezes”, sendo assim, o coral tem feitos inúmeras preces, cantando as Glórias do Senhor, que é justamente, o lema que adotou desde a sua formação inicial. 

Não dá para falar do Pio XI, sem falar também de um seus pilares: o maestro Urban, que, em outubro passado, completou 96 anos. Urban, nascido na cidade de Leme, estado de São Paulo, é um desses homens fortes que não se entrega as limitações impostas pela idade. Rege, compõe, conta piadas e nos proporciona belos espetáculos com sua regência afiada. Guerreiro, exigente e idealista: é assim que defino o maestro Urban.

Abaixo, compartilho matéria publicada em 23 de janeiro de 2011, por um dos jornais da cidade, chamado Correio Popular. A matéria foi escrita pelo jornalista Rogério Verzignasse. De lá para cá muita coisa mudou. O coral completa 67 anos de atividades ininterruptas, o maestro fez 96 anos. Em outubro de 2013, Urban entrou para o RankBrasil, como o maestro brasileiro regendo o mesmo coral há mais tempo. O que não mudou mesmo foram as emoções que o coral consegue despertar por onde passa.


Ao ouro, incenso e mirra oferecidos pelos reis magos, ao menino Jesus, o Coral Pio XI acresce como oferenda, o sublime dom da música.



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Foto: Waldemar Zaratin


Vozes que encantam há seis décadas.

Coral Pio XI faz apresentações gratuitas desde os anos 50

Já se passaram seis décadas. Exatos 62 anos. Universitários católicos e congregados marianos se encontram pela primeira vez na casa do comerciante Mario Cândido Pedroso, na esquina das ruas Conceição e Coronel Quirino. Fundaram o Coral Pio XI, batizado em homenagem ao papa que reintroduziu o canto gregoriano nos cerimoniais da Igreja. Eram regras claras: vozes masculinas, músicas sacras apresentadas em latim. A história que começou naquele ensaio arrancou aplausos em teatros do Brasil inteiro. Ao longo do tempo, mais de 500 cantores integraram o grupo.  Os artistas nunca cobram nada para subir ao palco. O maestro Oswaldo Antonio Urban, de 91 anos, ainda é o regente. E ele nem pensa em aposentadoria. Muito pelo contrário. Mostra com entusiasmo diplomas, troféus, fotografias, condecorações. Conquistas que envaidecem e motivam os 25 cantores atuais.  

Urban, lemense, era um menino de 14 anos quando se mudou para Campinas. Ele se matriculou no Seminário Diocesano com o propósito de se tornar padre. Depois morou em São Paulo. Fez filosofia e teologia, mas nunca foi ordenado. Abandonou a carreira para se dedicar a vocação verdadeira, o canto orfeônico, uma herança genética. Seu pai, o alfaiate Humberto Urban, já tinha sido mestre de coro e despertou nos filhos o amor pela arte. Os irmãos mais velhos foram os primeiros professores de canto. E Urban se aprimorou em Campinas nas aulas do professor Salvador Bove.

Quando Urban foi apresentado ao Coral PIO XI, dois meses depois da fundação da grupo, ele regeu em substituição ao maestro Antonio Pimentel Tavares que estava doente. O regente original nunca mais retornou ao posto, se mudou de Campinas e Urban foi efetivado. Ainda hoje ele relaciona cantores da formação original: José Miguel Fucatti, Jerônimo Feltre, Durval Negri, Osvaldo Cadamoni, Mário Cândido Pedroso, Ricardo Coppo, Francisco Libardi, Amauri Bacaglini, Ângelo Zampaulo.

Ele também cita um cantor dos primeiros tempos, Bruno Benetti, taquigrafo da Assembleia Legislativa que conseguiu de deputados campineiros (Rui de Almeida Barbosa e Eduardo Barnabé) patrocínio para as primeiras apresentações. Depois, nunca houve ajuda pública ou privada. Os cantores atuais dividem as despesas: combustível, contas de água e luz da sede, confecção de uniformes. O dinheiro extra vem de contribuições feitas por empresários ou governantes que contratam as apresentações. “Paga quem quer e quanto quer, não cobramos”, afirma. Os rapazes eram elogiados por fieis da Matriz do Carmo. Uma fotografia mostra os cantores do lado do Cônego Lázaro Musthele, no começo da década de 50. O grupo cantou em igrejas protestantes, fábricas, clubes. Teve como cantores, operários, evangélicos, empresários, artistas. O PIO XI virou patrimônio da cidade, com gente de todas as classes sociais e crenças. Nos anos 60, durante apresentação no Teatro Municipal do Rio, Urban repetiu a regência na escadaria externa para quem não tinha conseguido poltrona.

O repertório, com o tempo, foi reforçado com a música popular e as marchas folclóricas, em diversas línguas. Hoje, a média da faixa etária é de 60 anos, mas já há entre os tenores, barítonos e baixos com 30 anos.

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