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O que fazer se a água acabar em São Paulo?

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 19:36
Quarta-feira, 28 de janeiro



No último dia 25 de janeiro, uma das maiores cidades brasileiras, completou 461 anos de existência. Os paulistanos aproveitaram para comemorar a data em clima de muita festa e alegria. Acima dos fogos multicores que explodiram e enfeitaram os céus da cidade pairava uma nota de preocupação: a falta d’água. Em toda a sua história, o estado de São Paulo, e não apenas a cidade de São Paulo, enfrentou uma crise hídrica tão grave.

Pensemos em uma teia de aranha. As aranhas, essas engenheiras do mundo animal, constroem suas teias com a finalidade de servir como armadilha para pequenos insetos. Essa obra de arquitetura aracnídea é formada por uma teia circular, em formato de espiral vertical e raios interligados. Interligados, essa é a palavra para acharmos um paralelo entre a sociedade e a teia de aranha. Em uma sociedade todas as atividades estão interligadas, uma coisa sempre depende de outra para que possa existir, funcionar e, dependentes de água para nossa sobrevivência, nos tornamos mais interligados ainda. Sem a abundância da água seremos afetados em todas as áreas da vida social, seja ela educacional, cultural ou econômica.

Muitos hotéis e pousadas que localizavam-se às margens dos rios e represas, em pontos turísticos do estado já fecharam suas portas devido a falta da atração principal: a água. Se o quadro continuar se agravando, escolas e empresas terão que reduzir seus turnos de funcionamento, e a população em geral, terá de fazer um grande esforço para economizar água.

A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), anunciou esta semana, que pode ser adotado, na cidade de São Paulo e nas grandes cidades no entorno, um rodízio drástico para economizar água. Segundo a Sabesp, se a crise hídrica continuar a se agravar pode ser adotado uma interrupção no abastecimento por cinco dias da semana, ou seja, haveria água disponível para os paulistanos, apenas dois dias por semana.

Se não chover e a água dos mananciais continuar evaporando é bem possível que sejam adotadas medidas drásticas como esta, afinal não dá para se fabricar água artificial, ela tem que ser realmente um presente da natureza.

Abaixo, compartilho matéria publicada no site do Msn, da autoria da jornalista, Mariana Desidério, abordando a questão.


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© Foto: Nacho Doce/Reuters Cenários traçados englobam redução do horário de funcionamento de alguns estabelecimentos, instituição de férias coletivas e economia de alimentos.


O que vai acontecer se São Paulo ficar realmente sem água?

Mariana Desidério

São Paulo – A crise da água em São Paulo está se agravando e o cenário não deve melhorar nos próximos meses. Especialistas consultados por EXAME.com afirmam que as soluções de curto prazo existentes já foram tomadas e o que nos resta agora é o rodízio de abastecimento. A Sabesp já cogita um revezamento severo, de cinco dias sem água por semana. Com isso, a pergunta que todo paulistano se faz é: o que vai acontecer se ficarmos realmente sem água?

Os cenários traçados vão desde o esgotamento dos nossos lençóis freáticos, devido à perfuração excessiva de poços, até a redução do horário de funcionamento de alguns estabelecimentos e a instituição de férias coletivas em decorrência da falta de água. Dentro de casa, estocagem de água e economia de alimentos.

O fato é que a atual crise veio para ficar, e será preciso mudar nossos hábitos radicalmente, alerta Gabriela Yamaguchi gerente de campanhas do Instituto Akatu, instituição que atua na promoção do consumo consciente. “Esse cenário não vai ficar só em 2015. Devemos permanecer pelo menos dois anos com pouca chuva. Portanto, a situação dos reservatórios não vai melhorar no curto prazo”, afirma.

O engenheiro especialista na área hídrica Julio Cerqueira Cesar Neto, reforça esse diagnóstico: “Quando acabar o volume morto do Cantareira nós deixaremos de ter 33 m³/s. Esse é o tamanho do problema. E não tem de onde tirar esse volume de água num curto prazo”, afirma.

Caso esse cenário se concretize, Gabriela afirma que a prioridade será dada para serviços essenciais, como hospitais, polícia, bombeiros e escolas. “Em outros locais, como shoppings, é possível que haja uma redução do horário de funcionamento. Também já ouvimos entidades empresariais falarem em férias coletivas para os funcionários, devido à falta d’água”, afirma.

No entanto, a representante do Akatu argumenta que esse tipo de situação ainda pode ser evitado. A receita estaria na articulação dos diversos atores sociais para garantir a economia de água.

“Para que não se chegue a isso, é preciso ter mais coordenação no diálogo. Não é possível esperar que só uma campanha de diminuição de consumo da população resolva o problema. Precisamos da participação do setor industrial e do agronegócio”, defende.

Poços

Enquanto essa coordenação não se concretiza, muitos estabelecimentos já estão recorrendo à perfuração de poços e, em casos extremos, à contratação de caminhões-pipa.
Porém, os especialistas explicam que a perfuração não pode ser levada ao extremo. “Se perfurar um poço muito próximo de outro, acabam os dois ficando sem água”, alerta o engenheiro Cesar Neto.

Outro problema é a possibilidade de que, com muitos poços, a cidade esgote outra fonte de recursos hídricos: os lençóis freáticos. “Com a perfuração de poços, o que estamos fazendo é apenas substituir uma fonte de água por outra. O raciocínio precisa ser diferente. Precisamos mudar nossos hábitos em relação ao consumo”, diz Gabriela, do Instituo Akatu.

Um dos caminhos para um uso mais consciente da água, segundo Gabriela, é o reuso. A água usada no enxague da máquina de lavar, por exemplo, pode ser reutilizada na descarga. Outra atitude necessária é o aproveitamento da água da chuva, inclusive com a construção de cisternas.

Outro ponto fundamental é observar nosso consumo de produtos que utilizam muita água em sua cadeia produtiva. “O exemplo clássico é o desperdício de alimentos. O maior consumidor de água do mundo é o agronegócio. E o maior desperdício que há no planeta é o de alimentos. Isso precisa diminuir”, argumenta.

De acordo com a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o prazo dado pela Sabesp para iniciar um rodízio drástico no abastecimento é de menos de dois meses. Sendo assim, devemos correr para aprender a economizar água e a trabalhar em conjunto pela preservação de nossos recursos hídricos.

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