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O último combate antes da eleições presidenciais

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:04
Quinta-feira, 23 de outubro



O octógono que servirá de palco para a luta entre os dois adversários já está sendo montado. Os lutadores também já estão se preparando. Treinando duro para o grande embate. O público, milhões de pessoas, não pagarão ingressos para assistir a luta. Uns poucos privilegiados a assistirão bem de perto. O esperado embate será dividido em quatro rounds.

Antes que o leitor pense, que vou prosseguir falando de algum dos grandes eventos do UFC, esclareço que falo do debate dos presidenciáveis, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), nesta sexta-feira (24), pela Rede Globo. Com horário previsto para exibição, após a novela Império, o debate será o último enfrentamento dos dois candidatos antes das eleições, no próximo domingo (26). Dilma e Aécio já se enfrentaram neste segundo turno nas seguintes emissoras: Band, SBT e Record.

Desta vez, estarão presentes na plateia, alguns eleitores indecisos que farão perguntas aos candidatos. Costumamos dizer que são os eleitores que estão “em cima do muro”. O IBOPE fará a seleção destes representantes do eleitorado em todos os estados do país. As perguntas, previamente elaboradas, conterão temas de caráter de interesse nacional. As oito melhores perguntas formuladas pelos indecisos serão escolhidas pela produção do programa para serem respondidas pelos candidatos.

No primeiro bloco do programa os candidatos farão perguntas entre si. O tema será livre. No segundo bloco, entram as participações dos eleitores indecisos. O terceiro bloco volta com os candidatos fazendo, novamente, perguntas entre si e, no quarto bloco, voltam as questões dos indecisos. O último bloco será para as considerações finais dos candidatos.
Quando me referi ao debate como sendo uma luta do UFC, não foi à toa. O fato é que esta corrida presidencial, desde o primeiro turno, tem sido marcada muito mais pelos ataques pessoais, do que pela apresentação de propostas. Foram justamente esses ataques pessoais que fizeram com que Marina Silva fosse a nocaute.

Eliminada a candidata do PSB, restou os candidatos do PT e PSBD. O tempo mais longo na propaganda eleitoral serviu apenas para prolongar as baixarias, os ataques pessoais. Foram ataques recíprocos, sendo que a intensidade dos ataques vieram do PT, direcionados ao PSDB.

Numa campanha cheia de altos e baixos, tragédias e fatos imprevisíveis, o cenário muda a cada rodada, a cada nova pesquisa. No primeiro turno, Dilma e Aécio, estavam à frente nas pesquisas. Com a morte de Eduardo Campos, em acidente aéreo, Marina Silva assumiu o segundo lugar nas pesquisas, desbancando Aécio Neves. A partir daí, a candidata do PT e o candidato do PSDB partiram para os ataques pessoais contra Marina. Desintegraram a candidatura de Marina, como os ETs desintegrariam um terráqueo. Aécio voltou à pista de corridas, com Dilma sempre em primeiro lugar. As eleições do primeiro turno, dia 05 deste mês, confirmaram essa tendência.

Veio o segundo turno e Aécio saiu na frente nas pesquisas. A equipe de marketing de Dilma não perdeu tempo. Repetiu a mesma estratégia que já havia dado certo contra Marina Silva. Já no primeiro dia de campanha, no segundo turno, Dilma Rousseff mirou o candidato tucano e desferiu chumbo pesado em direção a ele. Fez criticas em relação à política econômica durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Vieram também mais ataques pessoais.

Apesar disso, dos dois candidatos seguiam em posições bem próximas nas pesquisas eleitorais. Veio o primeiro debate na TV Band e a candidata a reeleição, Dilma Rousseff saiu-se melhor e iniciou uma recuperação. Hoje, estão tecnicamente empatados, porém, Dilma está à frente de Aécio.

O debate da Band foi recheado por acusações por parte dos dois candidatos. Aécio referiu-se ao governo atual como “um mar de lama”, em clara referência as denuncias ao escândalo causado pelo pagamento de propinas em obras realizadas pela Petrobras. Por sua vez, Dilma acusou Aécio pela prática de nepotismo ao nomear parentes para cargos públicos. Essa troca de acusações serviu para mostrar que aquele que criticava Dilma de forma incisiva também tinha telhado de vidro.

Ainda nesse debate, Aécio Neves, chamou Dilma de leviana, coisa que deve ter revoltado parte do eleitorado feminino. Foi quando Dilma fez uma pergunta a respeito da construção de um aeroporto, quando ele era governador de Minas.

Como o senhor explica ter construído um aeroporto que na época custava R$ 13,9 milhões e agora custa R$ 18 milhões. E foi construído em terreno de sua família, no terreno de seu tio e chave fica em poder dele? Eu não acho isso nada moral e nem ético.
Ao que Aécio, irritado, respondeu:

Eu quero responder à candidata Dilma olhando nos seus olhos. A senhora está sendo leviana. O Ministério Público Federal atestou a regularidade dessa obra. Fiz milhares de obras no meu governo. Todas elas atestadas como obras corretas. A obra de Cláudio, que a senhora insiste em repetir e também de forma leviana no seu horário eleitoral, tanto que o TSE retirou do ar, foi uma obra feita em área desapropriada em desfavor de um tio avô meu para beneficiar uma região próspera, onde estão mais de 150 indústrias. O Ministério Público Federal disse que o obra é correta.

Nos debates realizados em outras emissoras o clima não foi diferente. Propostas mesmo, que era o que nós eleitores queríamos ouvir, foram apresentadas muito poucas.

Os eleitores indecisos no debate da Globo não estão lá por acaso, afinal eles podem decidir a eleição. O próprio debate, que será assistido por milhões de pessoas, também ele, poderá ser um divisor de águas. Lembremo-nos de que o último debate realizado também na Globo, no primeiro turno, foi de fundamental importância para que Aécio conquistasse a vaga para o segundo turno.

Agora é tudo ou nada. Sinceramente, nesta sexta-feira (24), gostaria de me sentar no sofá de casa e ver um debate marcado por propostas e ideias e não para ver dois candidatos se atacando como se estivessem num octógono, até porque, os lutadores do UFC promovem espetáculo e não, baixarias.


Espero que os candidatos lembrem-se das palavras do mestre Jesus, quando ele diz: “Daí a César o que é de César...” 

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