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Celebrando Francisco de Assis em meio à bela natureza de Souzas

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:29
 Terça-feira, 07 de outubro

“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão
Onde houver discórdia, que eu leve a união
Onde houver dúvida, que eu leve a fé
Onde houver erro, que eu leve a verdade
Onde houver desespero, que eu leve a esperança
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria
Onde houver trevas, que eu leve a luz.”

(Oração de São Francisco)



Participo de dois corais: O Coral PIO XI, formado por vozes masculinas, e do Coral do Clube Campineiro de Regatas e Natação, formado por vozes mistas.  Não digo a vocês que sou um exímio cantor, mas como o que importa em um coral é o conjunto, compareço aos ensaios e apresentações. Com minha humilde contribuição, procuro, pelo menos, não desafinar durante a execução das peças que apresentamos.  

Estava em uma dessas apresentações no Distrito de Souzas, com o Coral do Regatas. Era dia 29 de setembro, à noite, e havíamos sido convidados para cantar numa exposição coletiva, cujo título era Anjos, no Ateliê Lisa França. Cheguei um pouco antes do grupo e fui percorrendo o ambiente. Um lugar simples, mas de muito bom gosto, localizado no centro do distrito. Já havia várias pessoas quando da minha chegada. Era servido um coquetel com vinho, champagne e alguns petiscos.

Fui percorrendo os olhos pelos quadros, esculturas retratando esses seres encantadores que, acredito, estão o tempo perto de nós, nos protegendo, nos guiando e nos iluminando. Acho que quando a gente acredita na sua existência, facilitamos o trabalho deles.

Desci uma escada que dava para outro ambiente do Ateliê. Lá me deparei com mais imagens e pinturas de anjos. Uma delas, em especial, me chamou à atenção. Ao pé da cama, estava uma criança de mãos postas em atitude de oração e, ao lado dela, com atitude também piedosa e orante, estava o seu cãozinho de estimação. O quadro era de uma artista chamada Jane, que também canta comigo no Coral. Achei aquele quadro de uma sensibilidade tão grande... Fiquei a contemplá-lo por algum tempo e depois segui minha exploração do ambiente. Tal qual uma casa acolhedora, havia uma cobertura de telhas e um pequeno quintal, no qual havia alguns pés de fruta e outras plantas que não deu para saber ao certo quais eram, pois algumas estavam na penumbra. Após a cerca, podia-se ver, também na penumbra, o Rio Atibaia.

Passando entre os pilares de sustentação da cobertura do telhado, um cartaz me chamou a atenção. Nele estava escrito: “XXVII DOMENICA DEL TEMPO ORDINARIO SAN FRANCESCO d’ASSISI, patrono d’Itália – Messa pregata e cantata in Italiano”. Ilustrando o cartaz havia a figura de um cara que eu admiro muito, chamado, Francisco de Assis. A missa seria no domingo, dia 05 de outubro, mesmo dia das eleições, às 9h30 da manhã. “Eis uma bela maneira de iniciar um domingo no qual seriam eleitos os representantes do país. Quem sabe, Francisco, em sua sabedoria, não desse iluminação na hora de fazer as escolhas”, pensei comigo mesmo. Lembrando que estávamos na segunda, 29 de setembro e, na sexta-feira, 04 de outubro, seria o dia dedicado a Francisco na Igreja do mundo inteiro.

Penso que Francisco de Assis, há muito, deixou de ser apenas uma figura chave da Igreja Católica, pois seus ideais de amor a Deus, humildade, simplicidade, amor à natureza, são comuns a várias denominações religiosas como o Espiritismo, a Umbanda, o Catolicismo, o Protestantismo e quem mais deseje um mundo melhor e mais humano.

Fizemos a nossa apresentação no Ateliê Lisa França. Pela reação do público, tive a impressão de que conseguimos nos integrar aquele ambiente, no qual a arte era o prato principal. Saí de lá satisfeito com o resultado da cantoria. Na saída, pensei ter visto um dos anjos na pintura exposta na parede, dar um sorriso de aprovação... Ou terá sido imaginação minha?

Continuei minhas atividades durante a semana, sempre pensando em ir á Souzas no domingo de manhã. No sábado fez um dia bastante frio em Campinas... E à noite também. Iria mesmo ao distrito de Souzas? Devido a sua localização geográfica, lá faz bem mais frio que em Campinas...

Felizmente, ao acordar no domingo pela manhã, o frio tinha ido embora e deixado apenas resquícios de sua passagem. Resquícios esses que começavam a se desvanecer com o alegre sol que já brilhava sobre o domingo esperançoso. Após um gostoso café da manhã fui esperar o ônibus que me levaria até o distrito. No ponto de ônibus, encontrei um conhecido que ia trabalhar em Joaquim Egídio — distrito de Campina que faz divisa com Souzas. Ficamos conversando sobre política, afinal, aquele era o assunto dominante do dia. Não demorou muito e o ônibus chegou. Enquanto a confortável condução deslizava pela rodovia, aqui e acolá, parando para pegar outros passageiros, ia ouvindo a rádio CBN. Queira fazer minhas orações, mas também queria me manter informado e antenado com que o estava acontecendo ao redor do país.

Após cerca de vinte minutos, chegava ao distrito mais antigo da cidade de Campinas. Era como se o tempo tivesse uma porta na qual eu tivesse atravessado. Saí da agitação da cidade, das ruas abarrotadas de carros e de uma infinidade de altos edifícios e, após alguns minutos, mergulhei na tranquilidade e no charme de uma cidadezinha do interior.

Elevado a categoria de distrito em 1911, ainda preserva as características de uma cidade interiorana. Seus cerca de 20.000 habitantes ainda conseguem sentar nos bancos da praça e prosear um pouco, ou sentar-se à mesa de um boteco de esquina e tomar uma bebida quente... Ou gelada. Depende do gosto. Os paralelepípedos que recobrem as ruas estreitas são como que um mosaico ligando passado e futuro. Os pés que percorrem aquelas ruas de pedra, sem o saberem, percorrem anos e anos de uma história envolta pelo verde da natureza e o azul do céu. No início do povoamento, acorreram para as fazendas da região, muitas famílias estrangeiras, inclusive famílias que vinha da Itália.

Desci do ônibus no ponto que fica ao lado da praça principal. Ali estava havendo uma feira de artesanato e muitas pessoas já estavam por lá. Algumas sentadas no banco da praça, outras olhando as peças. As estreitas ruas já começavam a encher-se de gente, de carros e de bicicletas.

Com prédios históricos que datam do ano de 1911, o local é um centro de gastronomia — possui excelentes restaurantes e boa comida —, ecologia e lazer. Suas belas trilhas para passeios a pé ou de bicicleta, fazem da região, um dos lugares preferidos dos ciclistas, que aproveitam os fins de semana para mergulhar na natureza. Calcula-se que cerca de quinze mil pessoas passe pelos distritos de Souzas e Joaquim Egídio aos fins de semana.



Atravessei a praça, andei alguns metros e já estava na Igreja de Santana, local onde seria celebrada a missa. O pequeno templo religioso fica localizado em frente a uma pequena praça, deixando-o ainda mais com jeito de igreja de povoado.

Em clima de paz, harmonia, e integração à natureza, entrei no templo. Peguei um folheto que continha as leituras que seriam lidas durante o ato religioso e fui sentar-me em um dos bancos que ainda tinha lugar vazio. Após fazer minhas orações, fiquei observando as pessoas ao redor. Havia algumas com animais ao colo. Outras seguravam bebes nos braços. Tudo condizia com o espírito do santo que estava sendo homenageado. Francisco é considerado, em todo o mundo, o santo protetor dos animais e seu espírito amoroso e puro, o aproxima das crianças.




A missa — toda rezada e cantada em italiano, língua pátria de Francisco — estava sendo celebrada pelo padre Rafael Capelato. As canções estavam sendo lindamente entoadas pelo coral Tutti Cantanti, regido pelo maestro, Clayton Dias. Após a missa, o padre celebrante, convidou aos que haviam trazido seus animais a irem até a calçada da Igreja, onde ele faria a benção dos animais — alguns dono de animais haviam preferido aguardar em frente à praça, uma vez que seus cachorrinhos de estimação, eram de porte maior. Havia também coelhos, papagaios e gatos. Foi bonito de ver todos ali em frente à pequena igreja; padre, fieis e animais, todos, em harmonia, recebendo as bênçãos que vem do alto. Quisera Deus que fosse sempre assim.

Ao percorrer as ruas da cidade, de volta ao ponto de ônibus que me levaria novamente ao centro de Campinas, observei os ciclistas em suas bicicletas, saudavelmente ,exercitando seus corpos. Fiquei com vontade de estar ali com a minha — Afinal, Souzas e Joaquim, também são meus lugares preferidos para andar de bike. É uma verdadeira delícia percorrer aquelas verdes trilhas. Conformei-me, entretanto, pois havia resolvido dedicar aquele domingo a celebrar um amigo que viveu na Itália, há muito tempo atrás, e também, a exercer meu direito cidadão de escolher os representantes políticos de meu país, coisa que fiz na parte da tarde.

Enquanto o ônibus rodava em direção a Campinas, acompanhava pelo rádio, a discussão sobre a criação dos dois novos distritos: Campo Grande e Ouro Verde, que estariam em votação, em plebiscito que seria realizado junto com as eleições gerais, em Campinas. “Os distritos não tem autonomia política, não tem autonomia administrativa, com relação, por exemplo, com a questão da segurança, como já foi falado aí na rádio, com relação a questão da saúde, etc. Mas a gente acredita que isso são aperfeiçoamentos que podem passar a existir no futuro, com a união das pessoas em torno do distrito. Elas podem começar a exigir mais atuação do poder público no distrito”, dizia João Verde, urbanista da Puc-Campinas, em entrevista a rádio CBN.

No domingo à noite, após a abertura das urnas, ficamos sabendo que a população de Campinas havia sido favorável á criação dos dois novos distritos. Com isso, as regiões de Ouro Verde e Campo Grande, passaram da condição de bairro para a de distrito. 54,15% dos eleitores foram favoráveis à criação do distrito do Ouro Verde, e 53,84% ao do Campo Grande. Com essa aprovação através de plebiscito, Campinas passa a ter seis distritos: Barão Geraldo, Joaquim Egídio, Sousas, Nova Aparecida, além do Campo Grande e Ouro Verde.

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