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Uma pitada de autoridade

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:00
Quinta-feira, 07 de agosto


Era sábado 02 de julho. À noite estava bastante fria. Eu voltava de ônibus para casa. À certa altura do percurso percorrido pelo veículo, notei que um garoto usando um gorro cinza e preto, aparentando uns 10 anos, subiu no encosto da cadeira, botou a cabeça pela janela e começou a “tirar sarro”, fazer graça, com quem passava pela rua. Tive vontade de falar algo para ele, mas fiquei quieto, observando a atitude do garoto. Não me incomodava o fato de ele importunar os transeuntes, mas o fato de que ele pudesse, a qualquer momento, sofrer uma queda, dentro do próprio ônibus, uma vez que ele não estava sentado de forma adequada.

Todos os outros passageiros do ônibus estavam quietos, inclusive eu. Pareciam não se incomodar muito com algazarra do garoto que estava acompanhado de alguns amigos, todos na faixa dos treze, quatorze anos. Passados uns dois ou três minutos, um rapaz, moreno, alto, usando uma jaqueta marrom, que estava sentado imediatamente atrás de mim, rompeu o silêncio que reinava no veículo e cortou a algazarra do menino.

— Garoto, você está perturbando quem está fora do ônibus e quem está dentro do ônibus também. Seus pais não te deram educação, não?

Disse ele sério, quase gritando.

— Por acaso, estou incomodando você, parceiro?

Falou o menino, virando-se na direção do rapaz.

— Está sim.

— Quantos anos, você tem?

— 14.

— E você apronta desse jeito, mesmo tendo quatorze anos, imagina quando você tiver maior, imaginem o trabalho que vai dar. Se seus pais não te deram educação, eles devem ser piores que você.

— E quem é você para se preocupar com minha vida?

— Não importa quem eu sou para se preocupar com sua vida. Quero apenas que você se comporte direito. E tem mais, desse jeito, você vai morrer, antes de crescer.

O interessante é que mesmo argumentando contra o menino foi encolhendo no encosto do banco, encolhendo, e quando vi, ele já estava sentado normalmente.

De onde estava, ouvi-o cochichar para o amigo que estava ao seu lado:

— Olha só as ideias desse idiota. Ele disse que vou morrer antes de crescer.

O rapaz continuou falando mais um pouco, enquanto o menino sussurrava alguma coisa ao amigo. Porém, o que achei mais interessante disso tudo é que o menino ficou quieto. Um pouco constrangido, talvez.

Antes de descer do ônibus, o rapaz ainda falou bravo para o garoto:

— Agora pode continuar gritando pela janela.

O rapaz desceu e o menino continuou quieto o restante da viagem.

Ao descer do ônibus, fiquei pensando naquela pequena discussão que havia presenciado e fiquei refletindo algumas questões. Será que não está faltando um pouco de autoridade dos mais velhos para com os mais jovens. Será que não está faltando alguém que diga de forma séria, aos jovens. Isso está certo, ou, isso não está certo?

Será que toda essa violência que envolve os jovens não seria falta de autoridade dos pais para com os filhos? É muito comum hoje em dia, os pais deixarem os filhos fazerem o que quiser, simplesmente, porque acham tudo aquilo muito engraçadinho e se esquecem de que é desde criança que se aprende a respeitar os limites. Não apenas os pais, mas será que também nós adultos não devemos orientar melhor os mais jovens?

Pode ter sido, exatamente, autoridade paterna que faltou no caso do menino que teve o braço arrancado por um tigre, em um zoológico no Paraná.

O menino, que escapou por pouco da morte, após o ataque de um tigre, recebeu alta, nesta quarta (06), por volta das 18h. Ele encontrava-se internado na ala pediátrica do Hospital Universitário Oeste do Paraná. Durante o período em que ficou sob observação médica, o garoto recebeu apoio de uma equipe composta por cinco especialistas, dentre eles, um ortopedista, um pediatra e um psicólogo. Monica Carvalho, mãe do menino, disse que nesta quinta-feira (07), ele voltará para São Paulo, onde mora a família.

O caso foi o seguinte. O menino de onze anos estava passando as férias com o pai na cidade de Cascavel, no Paraná. Era tarde de quarta-feira, 30 de Julho, e o pai, Marcos Antônio Rocha, 43 anos, resolveu levar ele e o irmão de 3 anos ao zoológico.

O menino invadiu uma área proibida, bem próxima às grades da jaula do tigre, um animal com três anos de idade e 230 quilos,  e ficou correndo de um lado para outro, provocando o animal. O garoto tirou um osso que tinha no bolso da bermuda e colocou o braço para dentro da jaula, na tentativa de acaricia-lo e alimentá-lo. Antes disso, já tinha repetido o mesmo comportamento em frente à jaula do leão. O menino escalou a tela da jaula e ficou batendo os pés nela.  O animal, cada vez mais irritado, tentou morder os pés da “caça”. Os outros visitantes do zoológico avisavam de que ele não fizesse aquilo, que aquela era uma “brincadeira” perigosa. Enquanto isso o pai silenciava, por certo achava bonita a atitude do filho.

A certa altura, depois de já ter irritado bastante o felino, o menino subiu na grade e pulou dentro da jaula. Ficou correndo na frente do animal, de um lado para outro. O tigre avançou sobre o braço do menino e o decepou com apenas uma mordida.

Após o acidente o garoto foi atendido por uma equipe de socorristas e levado para o hospital, onde teve o braço amputado. Os médicos disseram que se o tigre tivesse decepado o braço do garoto um pouco mais para cima, ele não teria sobrevivido ao ataque.


O pai disse que não viu o filho subir na grade do leão, por estar cuidando do outro filho. Mas era impossível que ele não tivesse visto o menino fazer todo aquele circo em frente á jaula. Com certeza, nesse caso, faltou autoridade paterna. Uma falha enorme que poderia ter custado a vida do garoto. 

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