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Alemanha x Argentina: O duelo final

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 23:47
Sábado, 12 de julho



Grandes batalhas sempre foram precedidas de grandes expectativas e inúmeros preparativos. Em sua grande maioria, elas foram vencidas antes que se entrasse no campo de batalha. É a questão da estratégia. Vence que se preparou melhor. Quem foi mais constante. Quem estudou e observou os adversários sob todos os ângulos. Para derrotar o adversário, horas e horas de treinamento e paciência, foram necessárias. Fizesse chuva ou faça sol, o valente guerreiro sabia que ainda não é hora de fazer festa. Ele sabe que haverá um tempo certo para isso. Dentro do campo de batalha há que se ter muita astúcia para surpreender o oponente. Em uma guerra, não se pode, sob hipótese alguma, ser previsível. Astúcia... Agilidade... Inteligência... Força física e mental...  Uma grande resistência no corpo e leveza na alma, são ingredientes que podem muito bem, definir um campeão.

Amanha haverá uma dessas grandes e imperdíveis batalhas. Ela acontecerá em um templo sagrado do futebol, na América do Sul, chamado, Maracanã. Templo esse que deve ser respeitado pelos habitantes desse mágico planeta chamado futebol, pois já foi palco de batalhas importantes, inesquecíveis. Aquele verde gramado, aos pés do Cristo Redentor, com toda sua tradição e majestade, já viu muito bravo guerreiro exultar de alegria ou chorar de tristeza.

De um lado, um legítimo representante do Continente Americano, terra da cordialidade, da alegria. De outro, um autentico representante do Continente Europeu, terra da disciplina e da organização. Dois exércitos valorosos vindos de terras onde se joga um futebol campeão. Dois adversários que tinham que vencer seis outras batalhas se quisessem chegar ao palco onde se travaria a batalha final... E, com muito mérito, com muita honra, venceram quem tinham que vencer... E chegaram aonde deveriam chegar.

Apesar da grandiosidade e da expectativa do momento, o fato de participarem dessa grande batalha que é a Copa do Mundo, não é novidade para nenhum dos dois lados.

Os guerreiros sul-americanos já estiveram nela por 15 vezes, sendo que, em duas delas, nos anos de 1978 e 1986, conseguiu chegar à última etapa e erguer o tão cobiçado troféu de campeão.

Os guerreiros europeus já participaram por 18 vezes dessa mesma batalha. Já levantaram por três vezes a taça de campeão, nos anos; 1954, 1974 e 1990.

De um lado, teremos as estrelas de Leonel Messi, Sérgio Agüero, Ángel di Maria... Sob o comando de Alejandro Sabella. Do outro lado, Miroslav Klose, Lukas Podolski, Phillip Lahm... Comandados por Joachim Löw.

Não se iludam, porém. Esse bravos guerreiros não entrarão em campo sozinhos. Na retaguarda estarão outros milhões de guerreiros, de ambos os lados, torcendo, enviando forças, mesmo que à distância, para que suas equipes sagrem-se campeãs. A expectativa de todos é a de que suas nações saiam consagradas da batalha, com o título de melhores do mundo.

Neste histórico dia 13 de julho de 2014, os olhos do mundo estarão voltados para o Brasil. O espetáculo está pronto. O cenário está armado. Em vez do tradicional: LUZ, CÂMERA, AÇÃO, espera-se apenas o apito do juiz, dando início, definitivamente, à batalha, para que cenas memoráveis sejam gravadas em nossos corações.

Serão mais de 2000 jornalistas credenciados, dentro do estádio levando as imagens, em tempo real para todos os cantos do planeta. Outros milhares deles estarão espalhados pelos quatro cantos da cidade auxiliando na difusão da notícia.

Serão milhões de telespectadores de todos os países à espera do vencedor. Nesse grande espetáculo, do qual o Brasil é país sede, todos querem ver um show de eficiência e competência.

Quiséramos nós, que todas as batalhas do mundo, fossem travadas dentro das fronteiras saudáveis do esporte. Com certeza, o mundo seria bem mais belo e um lugar mais bonito para se viver. O melhor dessa batalha de amanha, no Maracanã, é que não vai haver sangue, pois as armas para vencê-la serão os gols... E o prêmio não serão as cabeças dos inimigos, mas uma bela e valiosa taça.

Que o Cristo Redentor, abrindo seus braços sobre a baia de Guanabara, abençoe, não apenas Rio de Janeiro, mas o mundo todo. Que o sol que brilha forte nas areias de Copacabana, ilumine, não apenas os banhistas, mas os corações de todos nós.

Que venha o duelo final! Que vença o melhor!

E os donos da casa... Por onde andam?

Bem... Os donos da casa, que eram esperados na batalha final, não apareceram. Após lutarem sem organização e estratégia, e serem bravamente derrotados pelos alemães, tiveram que destinar-se a outro local de batalha, longe das luzes e do brilho do palco da batalha principal, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Lá disputaram o terceiro lugar com os valentes holandeses, que, ressalte-se, jogaram durante todo esse torneio como gente grande, honrando a camisa laranja que vestem.

Mais uma vez, os holandeses, que chegavam a essa partida sofrendo o desgaste de duas prorrogações e do sofrimento dos pênaltis, foram superiores em campo e conquistaram o terceiro lugar, saindo invictos do Mundial. Venceram a seleção brasileira por 3 x 0. Saíram de campo aplaudidos, de pé, pela torcida brasileira, enquanto a seleção canarinho, da qual tanto se esperou, saiu de campo vaiada pelos torcedores. Certamente, não por ter perdido a partida, mas por não ter mostrado brio e raça, além de se mostrar, mais uma vez, sem norte e sem rumo dentro de campo.

A Seleção Brasileira que por vintes vezes já esteve em edições de Copa do Mundo, sagrando-se campeã nos anos de; 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002, terminou o torneio que organizou, jogando em casa, de forma triste e melancólica.

Morre um pouco o futebol campeão, acostumado a tantas glórias. Acende-se uma luz vermelha na terra que, durante muito tempo, foi celeiro de craques.

O que aconteceu com a seleção mais vitoriosa da história das copas? Os jogadores são bons, atuam em grandes equipes, disputam torneios de grande importância. Terá sido ela mal dirigida? Qual o motivo da grande desorganização que demonstrou dentro de campo? Porque não teve o desempenho que se esperava, multiplicando por sete a derrota de 50? São respostas que devem ser buscadas com a máxima urgência.

Para o técnico Luiz Felipe Scolari, outro que se inspirou em Alice no País das Maravilhas, o Brasil jogou bem, não cometeu erros táticos e nem técnicos. Enfim, para ele tudo foi perfeito, apenas não tivemos sorte.  Isso é outro fato preocupante, pois em toda mudança, há o fato de se admitir que se errou. Que erros foram cometidos e precisam ser revistos. Quando erramos e não admitimos o erro, como podemos melhorar se, mesmo com o barco afundando, ainda achamos que estamos no rumo certo?

Digo mais, se a CBF não aprender com esse erro e com esse grande vexame pelo qual passamos, se não se empenhar em reformular nosso futebol, em fazê-lo reviver, corremos o risco de, nem ao menos, estar na próxima batalha, na Rússia, daqui há quatro anos.

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