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Que sufoco, Brasil!!!

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 23:28
Sábado, 28 de agosto




Acordei hoje por volta das nove horas. Um pouco mais tarde do que, geralmente, costumo sair da cama aos sábados. Liguei a TV e, enquanto preparava o café, ouvia o noticiário que, desde às 8h da manhã, exibia uma programação voltada para o futebol e, especialmente, para a partida entre Brasil e Chile. Queria ouvir falar de outras coisas, desliguei a TV e liguei o rádio. A mesma coisa: também o rádio falava de futebol. Sem maiores opções, deixei o aparelho de som sintonizado na estação de rádio e segui fazendo os meus afazeres matinais.

Após terminar minha primeira refeição e as primeiras tarefas do dia, desci o elevador e sai para a rua. Como o jogo era à 1h da tarde, as lojas, evidentemente, fechariam às 11h. Enquanto caminhava pelas ruas movimentadas, via a esperança brilhar no coração das pessoas com quem cruzava... Sentia também certa ansiedade misturada a essa esperança. A maior parte das pessoas que passeavam pela cidade, ou faziam compras e outras coisas mais, vestia-se de verde e amarelo, cores de nossa seleção, ou tinham algum adereço que os mantivesse conectados a esse momento. Bandeiras tremulavam solitárias no alto dos prédios, mas a solidão daquelas bandeiras que se agitavam acima da minha cabeça era apenas aparente: centenas de outras da mesma espécie agitam-se e desfilavam pelas ruas, seja pendurada nos automóveis, nas mãos dos transeuntes, ou estampada em camisetas.

Entrei em algumas lojas onde os chineses vendem suas bugigangas. As lojas estavam repletas de adereços em verde e amarelo dos mais variados gostos e estilos. Tinha de tudo: de perucas a camisetas. Os compradores procuravam ávidos por uma dessas bugigangas. Todos queriam estar vestidos ou adornados a caráter para assistir o jogo de logo mais. Pensei que talvez no Chile estivesse acontecendo a mesma coisa... E talvez que eles estivessem bem mais apreensivos que nós brasileiros. Afinal de contas e apesar de todos os problemas, ainda somos o país do futebol e estamos jogando em casa. Enfim, não acabei comprando nada para mim, entretanto, comprei um adereço para colocar na bike. Ela também precisava entrar no clima de festa. Era um pompom, em verde e amarelo, ao estilo desses que se usam nos jogos para incentivar os times. Foi uma boa adaptação. Gostei do resultado.

Havia assistido aos jogos anteriores da seleção, em casa, por escolha própria. Quis ficar mais sossegado vendo os lances, ouvindo os comentários dos narradores. E hoje, que é que eu faço? Fico em casa ou vou assistir em casa de amigos? Quando pensei na cidade em festa que havia visto lá embaixo, e na importância daquela partida, resolvi que não dava para assistir sozinho. Seria sofrimento demais.

Tomei um banho, botei uma bermuda verde e branco e uma camisa amarela. Botei a bicicleta na rua e rumei para a casa do amigo, Gentil. Sempre costumo ir lá, mas dessa vez, evitei subir a Avenida Francisco Glicério, motivo? Ela estava abarrotada de carros. Segui então por uma rua mais tranquila e, só peguei, a Francisco Glicério novamente, quase ao final dela. No trajeto, vi muitas pessoas apressadas, querendo chegar logo em casa. Ninguém queria perder o grande jogo. Após cerca de vinte minutos, cheguei à casa do amigo Gentil. O relógio em pulso marcava meio-dia e meia.  

Faltava meia hora para o início do jogo. Desci da bike e toquei o interfone. Nada. Ninguém atendeu. Sempre quando chega lá, do portão ouço a conversa dos amigos reunidos e a música. Aliás, na casa do Gentil e da Toninha, esposa dele, sempre há música de boa qualidade. O simples fato de estar com eles e com os demais amigos que lá se reúnem, já é uma festa. Dessa vez, porém, procurava ouvir algum barulho que viesse do interior da residência e não ouvia nenhum.

Peguei o celular e liguei para ele:

_ Gentil, onde você vai assistir ao jogo?

_ Aqui em casa, em Gramado.

O casal tem outra casa em outro bairro, distante de onde estava. E agora? Indaguei a mim mesmo.

_ Vem assistir aqui com a gente. Só estamos eu e a Toninha em casa.

_ Não dá, estou aqui, em frente a tua casa, no Jardim Leonor. Até eu chegar aí, já vai ter terminado o primeiro tempo do jogo.

_ Por que você não vai assistir na casa do Pagano? Perguntou ele.

Pagano é um dos nossos amigos e mora ao final da quadra da rua em que eu estava. Minha ansiedade era tanta que nem lembrei disso.

- Boa ideia, disse eu desligando o celular e correndo para a casa do Pagano e de sua esposa, Maristela. Chegando lá toquei o interfone. Nada, ninguém atendeu. Também não ouvi nem um barulho dentro da casa. Já estava pensando em voltar para casa, quando a porta da casa vizinha se abriu: era o Pagano que estava assistindo o jogo na casa da filha dele Estelamaris. Ele veio abrir o portão e entrei, indo reunir-me a eles. Na casa do Maurício e Estelamaris, além de Pagano e Maristela, estavam reunidos as crianças: Felipe, Pedro e Leonardo, Miguel, Rafaela e outro Felipe, que é da Bahia e está passando uns dias por aqui. — este último, faz aniversário no dia hoje — e mais alguns amigos. Era um ambiente festivo. Fui juntar-me a eles perto da churrasqueira de onde vinha um delicioso cheiro de carne assada na brasa.




Ficamos ali conversando um pouco enquanto começava o jogo. Os jogadores de Brasil e Chile entraram em campo. Perfilaram-se e começaram a cantar o Hino Nacional. Esse tem sido sempre um emocionante espetáculo que precede as partidas propriamente ditas. Quando eles começaram a cantar o Hino no estádio, nós, do lado de cá da telinha, nos unimos aquele coro de milhares de vozes e também cantamos o Hino Brasileiro. Quem não fica emocionado com um espetáculo daqueles? Os chilenos também cantaram o seu Hino. O juiz apitou sinalizando o início da partida.

A partir daí foi um teste para cárdicos. A seleção brasileira não jogou nada bem. O Chile dominava o jogo e o Brasil ficava sem ter como sair para o ataque. A seleção brasileira, em vez de jogar aquele futebol, bonito que a que estamos acostumados, começou a chutar a bola de forma desordenada, sem objetivo, para longe, como se em nossa seleção não existisse meio de campo. A marcação cerrada em cima de Neymar contribuiu para que a estrela do craque ficasse meio apagada nessa partida. Enquanto isso, todos estávamos apreensivos. Para nosso grande alívio, David Luiz, em cobrança de escanteio mandou a bola para o fundo das redes do gol chileno. O gol fez a gente se levantar das cadeiras e vibrar como se estivéssemos no estádio. Nossa alegria, porém, durou pouco.


Da esquerda para a direita: Pedro, Felipe e Miguel

Enquanto o jogo se desenrolava em campo, entre nós surgiam conversas paralelas. Numa dessas conversas, Pagano, que entende bastante de futebol dizia: “Assim não dá. Aonde esses jogadores vão com esses chutões na bola. Porque não rolam a bola para o meio de campo, em vez de ficarem chutando de qualquer jeito”? Não deu outra: Uma bobeira da zaga do Brasil e o chileno Vargas roubou a bola e deu de presente para Sanchez marcar o gol de empate. Estávamos comendo carne, mas era como se uma espinha estivesse atravessada em nossa garganta. Mesmo empatando o time continuava sem empolgar e sem criar jogadas que levassem a uma vitória. Nos últimos minutos do tempo regulamentar, o Chile fez um ataque perigoso, a bola bateu na trave e quase entrou, foi por pouco. Prendemos a respiração e logo soltamos, aliviados.

Veio a prorrogação e nada de gols. Era a hora do calvário dos pênaltis. Era a hora de aparecer o nome mais importante do jogo... E ele apareceu na pessoa do goleiro Júlio César. Júlio fez duas defesas e ainda teve a sorte de ver a bola de um jogadores chilenos bater na trave e não entrar no gol. Os jogadores explodiram de alegria. Havíamos passado mais uma fase nesse game emocionante que é uma partida de futebol de Copa do Mundo.

Espero que o susto tenha acordado os jogadores da seleção brasileira e que, na próxima partida, eles estejam mais atentos e com melhor rendimento em campo. Afinal, agora não dá mais para brincar em campo. Quem perder a partida despede-se da competição e só restará chorar e esperar a próxima Copa, daqui há quatro anos.

Após esse susto, fomos finalmente cantar parabéns para o Leonardo. Que hoje fez 14 anos. Os parabéns ao garoto iam ser cantados do qualquer modo, mas com vitória do Brasil, o bolo ficou bem mais gostoso.

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