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Emoção e confrontos na festa de abertura da Copa do Mundo de 2014

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:39
Sexta-feira, 13 de junho

12 de junho de 2014, certamente, não foi, para os brasileiros, um dia como outro qualquer. Foi um dia especial. Um dia para ficar na história. Afinal, após 64 anos — e, como diziam meus queridos pais adotivos, Francisco Henrique e Maria Julieta: 64 anos não são 64 dias — o país sedia sua segunda Copa do Mundo.


Ontem foi um dia tão diferente, que até as árvores se vestiram de verde e amarelo. Deem uma olhada nessa árvore que encontrei enquanto pedalava, ontem, na Avenida Norte Sul. 




Se, em todas as Copas do Mundo, o Brasil, literalmente, se aquieta para ver sua seleção e seus jogadores, imaginem então quando a festa é em nossa própria casa? Aí o país para totalmente. A maioria das instituições bancárias, judiciárias e escolas, fecharam suas portas ao meio dia. Os estabelecimentos comerciais fecharam às 3h da tarde. Todos queriam estar em suas casas, ou nos bares, ou casa de amigos, enfim, em qualquer lugar que tivesse uma TV ligada na transmissão do jogo. A empolgação era geral. A ansiedade pelo início da partida era geral. Logo pela manhã começaram a se fazer ouvir o som das buzinas, das cornetas, dos apitos, enfim, todos queriam era fazer muito barulho. Bandeiras brasileiras agitavam-se nos altos dos prédios e não estavam sozinhas: lá embaixo, nas ruas de toda a cidade e por todo o país, outras bandeiras, igualmente brasileiras, também se agitavam em frenética alegria. Não apenas as árvores se vestiram de verde e amarelo, mas também as crianças, os jovens, adultos e velhos. Essa agradável confusão durou até às cinco da tarde. Após esse horário e até as quinze para as sete da noite, toda a cidade enfeitada, silenciou. Parece que havia se transformado em uma cidade fantasma. Naquela hora, entrava em campo a nossa seleção: a seleção brasileira, para o seu primeiro duelo, contra a Croácia. O silêncio absoluto só era quebrado quando o Brasil marcava um gol.

Antes disso, às três e quinze da tarde, o mundo assistiu a belíssima festa de abertura do Mundial, no estádio Arena Corinthians — popularmente conhecido como Itaquerão. Naquela meia hora em que durou o espetáculo vi a origem do Brasil desfilando no maravilhoso e colorido tapete, montado em cima da grama do estádio.  Me emocionei com a representação de nossa cultura, de nossa dança, de nossa música e, de nosso futebol. Dançarinos, capoeiristas, ginastas e 600 bailarinos deram brilho e colorido à festa comandada pelo italiano Franco Dragone e pela belga Daphné Cornez, diretores artísticos do show. Daphiné está no Brasil, desde outubro do ano passado, e está encantada com o povo brasileiro. Durante todo esse tempo em que aqui está, a artista percorreu todos os estados brasileiros, pesquisou nossa cultura e até aprendeu a falar português. Pensei em como seria ver o Brasil pelo olhar dos estrangeiros, e fiquei contente com o resultado: o olhar da belga sobre o nosso país foi brilhante.



O espetáculo foi dividido em três partes. Cada uma delas encenadas com personagens e adereços muito bem montados. No centro do gramado havia uma “bola viva” com lâmpadas de led que ia dando forma e cor ao espetáculo. O compositor brasileiro, Otávio de Morais compôs a trilha sonora que embalou todo o espetáculo.

Na primeira parte, a homenagem foi para a natureza destacando as maravilhas naturais e vegetais. Bailarinos, usando fantasias e adereços, representaram plantas típicas das cinco regiões do Brasil. Pelo gramado, desfilaram samambaias, vitórias-régias, brincos-de-princesa, araucárias, dentre outras. Bailarinas, vestidas de azul avam fantasias que representavam pingos d’água que  se abrindo até formarem um rio. Dois índios, nativos de tribos de áreas de proteção ambiental, da bela região de Parelheiros, em São Paulo, navegando em barcas, representavam as nossas origens primeiras. Essa primeira parte pode ser. Essa primeira parte pode ser entendida como um retorno às nossas origens, quando o Brasil era apenas e tão somente natureza, em seu estado mais puro.

A segunda parte do espetáculo representava as pessoas do Brasil, sua alegria de viver, sua paixão pela música e pela dança. Nessa parte tivemos a apresentação das baianas, da roda de samba, da capoeira, e também de danças típicas do nordeste e do sul do país.

Na terceira parte, a artista belga trouxe a nossa paixão pelo futebol.



Na última parte do espetáculo, a “bola viva” no centro do gramado se abriu em forma de pétalas de uma flor, e o centro dessa flor, transformou-se em palco de onde surgiu, primeiramente, a diva baiana, Claudia Leite, cantando, belamente, a música Aquarela Brasileira, acompanhada pelo som vibrante dos tambores do Olodum. Em seguida surgiram no palco, a bela Jennifer Lopez e o rapper Pitbull, respectivamente, juntando-se a Claudia Leite para cantar “We Are One” música oficial da Copa.  

Ainda durante a festa de abertura, a ciência marcar um belo e importante gol que entrará para a história. Utilizando um mesoesqueleto, equipamento desenvolvido pela equipe do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, um paraplégico deu um chute simbólico em uma bola de futebol. O voluntário escolhido para esta experiência foi o jovem Juliano Pinto, de 29 anos. Juliano tem paraplegia completa do tronco e membros inferiores. O nome do projeto é “Andar de Novo” e envolve 156 cientistas de vários países, juntamente com o brasileiro Miguel Nicolelis. Segundo o site do portal Globo.com, “No caso do exoesqueleto do projeto "Andar de novo", uma touca especial vai captar as atividades elétricas do cérebro por eletroencefalografia. Quando o voluntário se imaginar caminhando por conta própria, os sinais produzidos por seu cérebro serão coletados pela touca e enviados a um computador que fica nas costas da veste robótica. O computador decodifica essa mensagem e envia a ordem aos membros artificiais, que passarão a executar os movimentos imaginados pelo paraplégico. Ao mesmo tempo, sensores dispostos nos pés do voluntário enviam sinais para a roupa especial. A pessoa, então, sente uma vibração nos braços toda vez que o robô tocar o chão. É como se o tato dos pés fosse transferido para os braços, naquilo que Nicolelis chama de "pele artificial". Depois que havia terminado a demonstração, o cientista brasileiro postou em sua conta no Twitter a seguinte frase: "We did it!!!!” que pode ser traduzida como “Nós fizemos isso”, ou numa tradução mais livre “Nós conseguimos”. Certamente, mesmo antes de terminar a Copa do Mundo, a ciência já pode levantar a taça. Quem sabe não seja o começo de um grande avanço e transformação na vida de milhões de pessoas? Vamos torcer para que sim.

Imagem: http://placar.abril.com.br/galeria/2014-06-12-brasil-x-croacia-jogo-de-abertura-da-copa-do-mundo-2014

Às cinco horas as seleções do Brasil e da Croácia entraram em campo para o tão esperado confronto. E o jogo foi dramático. A pressão de vencer uma partida da Copa do Mundo em casa é uma realidade. Afinal de contas, os números são grandiosos. Segundo estimativas da FIFA, cerca de 700 milhões de pessoas em todo o mundo assistirão aos jogos do Mundial. Até o final do torneio terão sido realizados 64 jogos. São 32 paíse na disputa pela título de Campeão Mundial. Ao todo são 736 atletas correndo atrás da Brazuca — nome da bola oficial da Copa de 2014. Presentes ao estádio estavam pouco mais de 60 mil pessoas, em sua grande maioria, vestidas com camisetas verde e amarela.

Quem pensou que ia ser jogo fácil se enganou completamente. A Croácia chegou com vontade de vencer a partida. A seleção brasileira, por sua vez, abriu espaços e, em vez de pressionar, foi pressionado. Aos dez minutos do primeiro tempo, um grande susto: o atacante croata Ivica Olić fez um cruzamento de bola pela esquerda e a bola atravessou toda a área. Quando retornava para fazer a cobertura, Marcelo esbarrou na bola e ela foi direto para o fundo do gol. Foi o primeiro gol contra da seleção brasileira em todas as Copas.

Após o susto, o Brasil passou a jogar o que sabe. Jogadas criativas, entusiasmo no jogo. Aos 21 minutos Neymar empatou o jogo para alívio da torcida brasileira. Aos vinte e quatro minutos do segundo tempo, Neymar faz novo gol, deixando a torcida e os companheiros de time ainda mais aliviados. Para deixar tudo à vontade e garantir a vitória, no finalzinho, Oscar fez mais um gol.

Imagem: http://fotos.estadao.com.br/protestos-marcam-abertura-da-copa-do-mundo-no-brasil,galeria,9622,238851,,,0.htm?startSlide=0&f=4

Essa foi a festa bonita na grande maioria das cidades brasileiras, porque em algumas cidades sedes do Mundial, as coisas não foram tão tranquilas. Em São Paulo, logo pela manhã, a polícia entrou em confronto com manifestantes. Barbara Arvanitidis e Shasta Darlington, jornalistas da rede americana CNN foram atingidas por estilhaços de bombas atiradas pela polícia militar contra os manifestantes. As duas jornalistas foram encaminhadas para atendimento médico e passam bem. Em Belo Horizonte, Sérgio Moraes, fotografo da agência Reuters, foi atingido por uma pedrada na cabeça e levado às pressas para o hospital. Em Natal, o início da Copa foi de transtorno para os natalenses, os motoristas de lá entraram hoje em greve por tempo indeterminado. A greve dos motoristas natalenses prejudica cerca de 530 mil usuários do transporte coletivo. Das 12 cidades que sediam jogos, 7 delas foram palcos de confrontos violentos entre manifestantes e a polícia, sendo que os confrontos mais graves se deram nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. O motivo dos protestos foi o dinheiro público usado para custear gastos com o Mundial.


Hoje (13), pelo grupo A, jogarão México x Camarões, às 13 horas, na Arena das Dunas, em Natal. E às 16 horas, pelo grupo B, no estádio Fonte Nova, em Salvador, Espanha x Holanda se enfrentarão em uma reedição da final da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Ás 19 horas, também pelo grupo B, jogarão Chile x Austrália, no Arena Pantanal, em Cuiabá.  

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