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Deixa brilhar a tua luz

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:17
Segunda-feira, 02 de junho


Publiquei o texto abaixo em novembro do ano passado, por ocasião dos 50 anos da morte de John Kennedy. Relendo-o recentemente, vi que ele podia ficar melhor. Resolvi então reescrevê-lo. Feito isso, apresento-o novamente a vocês.


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Deixa brilhar a tua luz


Dedico o texto abaixo a John Kennedy e a todos os pacifistas que, com sua coragem e com a força de suas ideias, foram luzes no caminho de muita gente, e, apesar de todas as adversidades, ajudaram a construir um mundo novo.


Não importa em quão distantes épocas duas pessoas vivam ou tenham vivido. Sonhem ou tenham sonhado. Nem em que condições de vida experimentem ou tenham experimentado ser diferente num mundo de iguais, nem sob qual sistema de governo se façam ou se fizeram cidadãos. Se as suas ideias e pensamentos estão em harmonia com os princípios universais do amor, fraternidade, justiça e paz, seus discursos e ações serão de tal forma harmoniosos, que parecerá estarem esses indivíduos, dialogando juntos, num rico diálogo entre o passado e o presente.

Penso em Jesus Cristo pregando a paz em um de seus lugares preferidos: O Mar da Galiléia.  Sem fazer uso de discursos rebuscados, porém, usando de grande profundidade e sabedoria em suas palavras, o homem da Galiléia sacudiu as estruturas religiosas e sociais vigentes à época, ao se declarar filho de Deus. Terá sido ao raiar do dia? Ou será que foi ao entardecer? Pode também ter sido em pleno meio dia que aquele homem simples, chamado Jesus, pisou pela primeira vez nas areias daquele grande lago de águas doces. Foi ali entre os pescadores, entre a gente simples e humilde da região, que Jesus iniciou seu ministério. Foi ali que viu os irmãos pescadores, Simão Pedro e André e os convidou para serem os seus primeiros apóstolos. E assim, com voz suave, porém firme, foi percorrendo o lugar, recrutando homens para ajudar na missão de semear o bem e a paz, através da valoração da pessoa humana.

Fico a pensar: Porque Jesus não escolheu seus discípulos dentre os letrados e sábios de Jerusalém, preferindo escolhe-los entre o povo simples da Galiléia?

Belas passagens do ensinamento de Jesus acontecem em meio a essa paisagem singular. Uma delas é o caminhar de Jesus sobre as águas. O Mestre havia ficado na beira do mar despedindo-se da multidão e ordenara que os discípulos seguissem para alto mar. O vento era contrário e a ondas açoitavam a frágil embarcação. De repente, os discípulos veem Jesus vindo até eles, caminhando sobre as águas. Assustam-se ao pensar que, talvez, seja um fantasma. O Galileu percebe seus espíritos agitados e diz: “Sou eu. Não temais”. Pedro lhe diz que se é, realmente, ele que está ali, que lhe peça então para ir aos seu encontro caminhando sobre as águas. Jesus diz a Pedro que não se opõe a esse pedido e que o apóstolo pode ir até ele caminhando sobre as águas. Pedro desce do barco e vai até Jesus. Porém, durante o curto percurso, as ondas se agitam. O vento sopra mais forte. Pedro tem medo e o medo faz com que ele perca a concentração e comece a afundar. Jesus toma então sua mão e diz: “Porque duvidaste”? Chegando ao barco onde estavam os discípulos, Jesus ordena aos ventos e ao mar agitado que se acalmem.

Assim somos nós: Às vezes duvidamos e temos medo. Não! Não devemos ter medo e duvidar. Temos que nos concentrar e nos manter firmes em meio ás águas da vida, mesmo que estejamos enfrentando mar e vento revoltos. Tenhamos a consciência de que não estamos sozinhos: Uma força maior que nos guia e nos rege está o tempo todo ao nosso lado. Quanto menos ouvirmos do Mestre: “Porque duvidaste”? Mais serena será nossa caminhada e mais firme a nossa fé.

O Mar da Galiléia devia ser um lugar realmente inspirador, pois foi em um monte situado às suas margens, que Jesus pronunciou o mais belo dos sermões: O Sermão da Montanha, que abrange os capítulos de 5 a 7 do evangelho de Mateus. Diz o mestre, em trecho desse discurso: “Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro onde ela brilha para todos que estão em casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”.

Num mundo conturbado, Deus não nos deixa às escuras, ao contrário, ele vai acendendo lâmpadas ao longo do caminho, para que possamos caminhar com mais conforto e segurança. Vai fazendo nascer pessoas iluminadas que lembram ao mundo, de que a paz é um caminho possível. Ainda do Sermão da Montanha, colhemos a perola: Por seus frutos os conhecereis. Porventura se colhem uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis”.

E quantas árvores de frutos bons já não passaram pelo mundo?! Nelson Mandela, Ghandi, Martin Luther King, Dom Helder Câmara, Madre Teresa de Calcutá, Imã Dulce, Heinz Kraschutzki, Francisco de Assis. Esses e muitos outros homens e mulheres, em seus respectivos momentos da história e, mais importante, em suas histórias de vida, foram exemplos dessa centelha de luz divina, pela qual o mundo tanto anseia e da qual sente tanta falta. Essas pessoas acenderam suas luzes e não as colocaram debaixo da mesa, ao contrário, colocaram-nas em um lugar bem alto de onde pudessem iluminar o mundo inteiro.

Os promotores da paz, apóstolos, discípulos e discípulas de Cristo em qualquer tempo, são exemplos de vida em plenitude. Luzes iluminando uma infinidade de consciências comprometidas na busca pela verdade e pela harmonia no planeta. Não amar pela metade, não lutar pela metade, não viver pela metade, são algumas das lições que podemos aprender com eles.

Esses personagens nos dizem com palavras e nos mostram com exemplos, que dentro de cada ser humano, há uma força em potencial, em harmonia com os princípios fundamentais que regem o universo. Força que comandam as mentes e os corações dos homens em direção à paz, ao bem e à verdade. Os ensinamentos de Cristo, refletidos na pessoa daqueles que lutaram e lutam para fazer um mundo melhor, estão o tempo todo a nos impulsionar para o alto, jogando nossos pensamentos por cima das barras das dificuldades, do pessimismo e do desânimo. Pensemos no exemplo dos atletas que praticam o salto com varas: eles estão diante do obstáculo, porém, não desanimam nem se abalam. Sabem-se capazes de tal feito. Sabem que terão êxito. Sabem acima de tudo que, se fizerem a mente transpor aquele obstáculo momentâneo, o corpo, inevitavelmente irá junto.

 Transporte-se mentalmente, ainda que seja por uns breves momentos durante o dia. Vá para as margens do Mar da Galiléia. Chegando lá, dispa-se de toda arrogância, de todo egoísmo, de toda maldade e, simples — como simples são os lírios do campo, que nem mesmo o rei Salomão, em toda a sua grandeza, jamais se vestiu como um deles — sente-se aos pés do mestre Jesus e tente compreender a riqueza contida nas lições que ele lhe oferece. Ah, procure também despir-se dos mantos religiosos, pois eles, muitas vezes, nos impedem de beber da taça dos ensinamentos morais e espirituais que cristo nos oferece. Procure ficar a sós com o Mestre. Afaste tudo que pode limitar essa paz que ele oferece.

Quando você pensar que não é capaz de fazer alguma coisa, lembre-se que a mola propulsora que lhe fará transpor os obstáculos que a vida apresenta, está dentro de você. Basta apenas ativá-la. Não queira ser pela metade, nem viver pela metade. Dentro de seu coração há um rio de felicidade, de sucesso, de prosperidade, de amor e de paz, querendo encontrar-se com o mar. Deixe esse rio, correr para a imensidão do oceano de beleza que lhe está reservado. Pense sempre que é capaz de realizar qualquer atividade a que se propuser. Ah, mas é tão pouco o que posso oferecer, tão pouco aquilo no qual posso contribuir, você poderia dizer. Cada um fazendo um pouco, todos nós teremos feito muito. 

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