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Les Plaisirs de Versailles no Teatro Castro Mendes

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 23:28
Sexta-feira, 28 de fevereiro

                                Palácio de Versalhes

Domingo, dia 22, fui ao Teatro Casto Mendes, na Vila Industrial. Eu estava ansioso por assistir a ópera, Os Prazeres de Versalhes,, que seria apresentada pela Orquestra Sinfônica da Unicamp e pelo Coral, também da Unicamp, Ziper na Boca. Cheguei às 18h30 para um espetáculo que começava às 20h. Vai sobrar-me muito tempo, e agora o que faço? Perguntei a mim mesmo. Olhei para um lado e para outro, além de mim, aquela hora só haviam chegado umas quatro ou cinco pessoas para assistir o espetáculo.





Não queria ficar esperando tanto tempo até começar o espetáculo, resolvi, então, dar uma volta nas proximidades do teatro. Sai caminhando pelas ruas, admirando o bairro que, apesar de estar bem próximo ao centro, ainda conserva, aliado aos prédios modernos, um jeito de bairro antigo. Estava na Avenida Sales de Oliveira e deixei-me invadir pela emoção de passear por uma parte importante da cidade de Campinas: a Vila Industrial, um dos primeiros bairros de Campinas.


Nesse curto e saudoso passeio, na quietude da tarde, cujo horizonte alaranjado prenunciava uma bela e quente noite, chegou aos meus ouvidos, vindo de um tempo distante, o apito da sirene da Companhia Férrea Mogiana. O apito da sirene soava sempre às 5h da tarde, lembrando aos trabalhadores que era hora de voltar para casa e descansar um pouco depois de um mais de um dia de trabalho. Passeava pela rua, mas não estava sozinho: junto comigo estava um pedaço da história da cidade e a lembrança de pessoas anônimas que ajudaram a construí-la.





Aproximadamente dez minutos de caminhada, retornei ao local de onde saíra, dessa vez, caminhando pelas ruas de paralelepípedo que me lembravam ainda mais o passado. Quando cheguei em frente ao teatro, já havia-se formado uma pequena fila. Não me importei em ficar um pouco mais atrás: o passeio havia valido a pena. Enquanto ainda estava na fila, comecei a reparar melhor na fachada do teatro. Fiquei observando o design moderno do prédio do qual emana forte simbologia.


O Projeto de Otto Felix para a nova fachada do Teatro era bastante fiel à história da cidade e à realidade no qual estava inserida aquela casa de espetáculos. As ranhuras na parede, que se percebe de longe como linhas verticais e diagonais, lembram a malha viária e ferroviária que havia na região. Os trens, já foram para a região de Campinas, sinônimo de progresso, e a linha ferroviária era um divisor sócial: a região central da cidade abrigava os ricos e brancos e, para além da linha do trem, era destinada a habitação dos imigrantes e dos negros. O local onde hoje é o teatro era, antigamente, o Campo Santo dessas classes marginalizadas. 

Uma janela existente na fachada do prédio, na verdade a única janela, também tem sua simbologia dentro do contexto. Ela representa uma espécie de conexão entre o universo lúdico e o mundo real. A janela também serve como a luz que ilumina a cultura, uma vez que serve de iluminação natural para a área interna do teatro, antes que se entre para a platéia, o chamado “foyer”.

Na parede, ao lado da entrada principal, há cubos amarelos que formam uma espécie de ponto de conexão cultural entre diferentes áreas da cidade, todas nos levando ao teatro.

Imagem: http://jornalocal.com.br/site/cidades/pendente-luminoso-e-instalado-no-teatro-castro-mendes/


Finalmente, cheguei à bilheteria e peguei o meu ingresso e ao adentrar às dependências do teatro me deparei com uma iluminação, também não convencional, que me chamou bastante atenção: uma escultura de luz. O pendente luminoso no teto emitia raios de luz amarelada, transmitindo-me a sensação de alvorecer, remetendo-me àquele momento em que o imponente sol se levanta no horizonte e vai a tudo e todos iluminar. Pensei no sol da cultura iluminando a todos e afastando, para longe do mundo, as trevas da ignorância.


Já no foyer – hall de entrada do Castro Mendes - me deparei com uma bela exposição de fotos. Fiquei ali passeando, através das imagens fotográficas, por uma Campinas antiga. Subindo um lance de escada havia outra interessante exposição chamada “Imagens Efemeras”, mostrando fotos do artista Pedro Ribeiro, que tinham como tema central o urbano e o efêmero. O interessante na proposta do artista é que ele entende que as o processo artístico não se finaliza com a impressão das imagens, mas com a interação do público, elas podem se modificar, se completar, num perfeito jogo de criatividade. Ao lado das fotos impressas em grandes painéis, havia canetas para que o público pudesse exercer sua criatividade e sentir-se co-autor da obra, por alguns breves instantes. Eu não podia deixar passar essa oportunidade e também fiz minhas criativas interferências.

Quando voltei ao foyer, o salão já estava repleto de pessoas aguardando que as portas se abrissem para, finalmente, comporem a platéia. Porém, para nossa surpresa, o espetáculo começou ali mesmo, com dois atores, um homem e mulher, com figurino inspirado nas festas nos luxuosos salões do Palácio de Versalhes. Eles dialogaram com o público, fizeram-nos rir um pouco, e em seguida nos convidaram a subir o curto lance de escada que nos separava da entrada para a platéia. Sentei-me nas confortáveis poltronas e quando todos se acomodaram, fomos transportados aos prazeres da música nas luxuosas festas promovidas pelo rei Luis XIV, na corte de Versalhes, centro do poder do Antigo Regime, na França.

A Orquestra Sinfônica da Unicamp - sob a regência da maestrina e co-responsável pela direção artística, Vivian Nogueira - abriu o espetáculo com a peça Vivaldiana: Uma Abertura Concertante, de Denise Garcia, em seguida tocou, Water Music (Música Aquática), de George F. Hendel, enquanto essa peça era apresentada, integrantes do Coral Ziper na Boca, fazia simultaneamente, representações cênicas a respeito desse tema. 




Em seguida, foi à vez da apresentação da peça principal Les Plaisirs de Versailles (Os Prazeres de Versalhes), opera composta por Marc-Antoine Carpentier. Encontrei uma breve descrição da ópera, na página eletrônica da Prefeitura de Campinas: “Os Prazeres de Versailles” foi escrita para ser representada nas dependências do castelo de Luis XIV, em soirées privadas oferecidas pelo rei em seu castelo. Os principais personagens são a Música e a Conversação, às quais se junta um coro. Mais tarde aparecem Comus (o Deus das festas) e o “Jogo”. Seu enredo hedonista trata da arte e do prazer de entregar-se aos momentos de ociosidade.

A incessante tagarelice da Conversação interrompe o canto da Música. Uma questão se instala e o tom aumenta: qual das duas é mais essencial ao prazer do rei, a Conversação ou a Música? Temendo que elas desapareçam do castelo de Versailles, o coro dos Prazeres pede ao Deus das festas, Comus, que intervenha. Ele oferece a cada uma delas chocolate, o mais fino dos vinhos, tortas. Mas é tudo em vão. Ele solicita então a ajuda do Jogo, que é imediatamente derrotado: as duas rivais continuam sua disputa.

Apesar de tudo elas acabam se reconciliando, para o alívio do coro dos prazeres: a Música e a Conversação continuarão a sua missão de fazer "descansar" o grande rei Luis XIV, nos períodos em que ele não estiver ocupado com a guerra”.

Ao final do espetáculo, o público aplaudiu intensamente aos atores/cantores do Coral Ziper na Boca e a Orquestra Sinfônica de Campinas, em agradecimento pelo belíssimo espetáculo.




O Projeto “M.A Carpentier: Les Plaisirs de Versailles, faz parte de um projeto do Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (FICC), sendo realizado em parceria com a Orquestra Sinfônica da Unicamp e Coral Ziper na Boca, numa proposta que se traduz em diálogo entre a música contemporânea e barroca. O ponto alto do espetáculo é a montagem da opera francesa “Les Plaisires de Versailles, apresentada o público em versão cênica e legendada, revivendo os espetáculos peculiares oferecidos aos seus convidas, pelo rei Luis XIV, em sua corte.


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Maioria no STF absolve mensaleiros do crime de formação de quadrilha

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 22:52
Quinta-feira, 27 de fevereiro


Imagem: http://picadinhoderoteiro.wordpress.com/2011/04/24/tropa-de-elite-2/

Começo esse texto com uma frase do Capitão Nascimento, personagem vivido pelo brilhante Wagner Moura, no filme Tropa de Elite 2...

“Eu fui pra CPI do Fraga pra detonar o sistema. Eu fui lá pra falar a verdade, pra dizer o que eu estava sentindo. Contei tudo que eu sabia, reconheci meus erros e falei por mais de três horas. E dei porrada em muita gente. Botei muito político na cadeia. Por causa do meu discurso, teve filho da puta que foi pra vala muito antes do que esperava. Foi a maior queima de arquivos da história do Rio de Janeiro. E mesmo assim o sistema continuava de pé. O sistema entrega a mão pra salvar o braço. O sistema se reorganiza, articula novos interesses, cria novas lideranças. Enquanto as condições de existência do sistema estiverem aí, ele vai resistir. Agora me responda uma coisa, quem você acha que sustenta tudo isso? É… E custa caro. Muito caro. O sistema é muito maior do que eu pensava. Não é à toa que os traficantes, os policiais e os milicianos matam tanta gente nas favelas. Não é à toa que existem as favelas. Não é à toa que acontece tanto escândalo em Brasília e que entra Governo, sai Governo, a corrupção continua. Pra mudar as coisas vai demorar muito tempo. O sistema é foda”.

Imagem: http://www.atual7.com/noticias/politica/2014/01/joaquim-barbosa-diz-que-condenados-no-mensalao-merecem-ostracismo/


... E continuo com uma frase proferida pelo brilhante Ministro Joaquim Barbosa, proferida no dia de hoje...

“Esta é uma tarde triste para o Supremo Tribunal Federal, porque, com argumentos pífios, foi reformada, foi jogada por terra, extirpada do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extermamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012". 

Com essa frase, O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, expressou seu profundo desapontamento, ao final da sessão de hoje, naquele Tribunal, que absolveu oitos dos condenados no processo do mensalão pelo crime de formação de quadrilha. Pela absolvição votaram os ministros; Luís Roberto Barroso, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Rosa Weber. A favor da condenação, votaram; Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Joaquim Barbosa.

A decisão coloca José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares entre aqueles que deixarão de responder pelo crime de formação de quadrilha e passarão a responder, apenas, pelo crime de corrupção ativa.  A nova decisão do Supremo tem um valor altamente simbólico, pois o foi, justamente,  o crime de formação de quadrilha que motivou a denúncia do Ministério Público. Talvez por isso, Barbosa tenha alertado a nação de que esse é apenas o primeiro passo.

Amigos, o sistema é foda...

Deixo com vocês uma matéria sobre o tema, publicada no site do Yahoo notícias.

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Imagem: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2014/02/27/maioria-no-stf-nao-ve-formacao-de-quadrilha-e-livra-dirceu-do-regime-fechado.htm

Alerto o Brasil que este é só o 1º passo, diz Barbosa após absolvição no STF

Fernanda Calgaro e Guilherme Balza
Do UOL, em Brasília e em São Paulo 27/02/201412h48


Após o STF (Supremo Tribunal Federal) absolver nesta quinta-feira (27) oito réus do mensalão da acusação por formação de quadrilha, o ministro Joaquim Barbosa fez um desabafo antes do intervalo da sessão. O presidente da Suprema Corte criticou os pares e, indiretamente, a presidente Dilma Rousseff, ao afirmar que se formou no tribunal uma "maioria de circunstância".

BARBOSA FAZ DESABAFO APÓS ABSOLVIÇÃO

"Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo. Esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora", disse. "Essa maioria de circunstância [foi] formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso, levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012", disse o ministro.

Quando fala em maioria circunstancial, Barbosa refere-se à nomeação dos ministros Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki, indicados por Dilma para os lugares de Ayres Britto e Cezar Peluso, que em 2012 votaram pela condenação dos réus por formação de quadrilha. Barroso e Zavascki tiveram entendimento diferente dos antecessores e foram decisivos para absolver os réus.

Apesar de negar publicamente que irá se candidatar a algum cargo nas eleições de 2014, Barbosa teria recebido o convite do PSB para disputar uma vaga no Senado. Nos bastidores, comenta-se que o presidente do STF está cansado e pode deixar a Corte. Pela lei, Barbosa pode deixar o cargo até seis meses antes das eleições (abril) caso queira disputar algum cargo.

Por 6 votos a 5, o STF (Supremo Tribunal Federal) absolveu, em sessão nesta quinta-feira (27), oito réus do mensalão do crime de formação de quadrilha. Com isso, a pena do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares serão diminuídas e ambos vão deixar o regime fechado e ir ao semiaberto.

Hoje, apresentaram seus votos os ministros Teori Zavascki e Rosa Weber, que inocentaram os réus desta acusação, e Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Joaquim Barbosa, que votaram pela manutenção da condenação. Ontem (26), Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski já haviam votado pela absolvição.

Além de Dirceu e Delúbio, o ex-presidente do PT José Genoino, os publicitários Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz e os ex-dirigentes do Banco Rural Kátia Rabello e José Roberto Salgado estão sendo julgados novamente pela acusação de formação de quadrilha e terão as penas diminuídas.

Crítica a Barroso e Zavascki

Em seu discurso, Barbosa criticou Barroso e Zavascki, os mais novos integrantes da Corte, por apresentarem cálculos em seus votos para demonstrar que a pena dos oito réus foi exagerada. "Ouvi argumentos tão espantosos como aqueles se basearam simplesmente em cálculos aritméticos e em estatísticas totalmente divorciadas da prova dos autos, da gravidade dos crimes praticados e documentados nos autos dessa ação penal", criticou, referindo-se aos votos dos novatos.

"Ouvi até mesmo a seguinte alegação: 'Eu não acredito que esses réus tenham se reunido para a prática de crimes'. Há duvidas de que eles se reuniram? De que se associaram? E de que essa associação perdurou por mais três anos? E o que dizer dos crimes que eles praticaram e pelos quais cumprem pena?", questionou o presidente da Corte.
Em seguida, Barbosa afirmou que era claro o papel que cada um desempenhava no esquema. Para o magistrado, o ex-ministro José Dirceu "se manteve na posição de líder e organizador da quadrilha até que o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) veio a público denunciar a quadrilha."

"Conforme se demonstrou fartamente", foi Dirceu "que encaminhou os deputados interessados para que recebessem a propina mediante agendamento com os réus Delúbio Soares e Marcos Valério", disse. "Não havia dúvida ainda do papel exercido por José Genoino como 'preposto' de José Dirceu no Partido dos Trabalhadores", acrescentou o presidente da Corte.

Ele disse ainda que Delúbio foi a "referência" dos parlamentares para saber "quanto receberiam, a data e o local" e que Valério foi a "fonte de todo o dinheiro ilícito", o "canal por onde circulou o dinheiro ilícito usado para distribuir aos deputados"

Ao encerrar sua sustentação, Barbosa disse que "esta é uma tarde triste para o STF". "Com argumentos pífios foi reformada, jogada por terra, extirpada, do mundo jurídico, uma decisão plenária sólida, extremamente bem fundamentada, que foi aquela tomada por este plenário no segundo semestre de 2012."

"Maior farsa da política"

Celso de Mello, o decano da Corte, também fez uma sustentação em tom de desabafo. O ministro disse que "quadrilha poderosa", "visceralmente criminosa", "se apoderou do governo".

Segundo o magistrado, que votou pela condenação de todos os réus por formação de quadrilha, houve "plena configuração do crime de quadrilha". "Os integrantes desta quadrilha agiram com dolo de planejamento, divisão de trabalho e organicidade."

O ministro ironizou declarações das defesas e apoiadores dos condenados, que acusam o julgamento do mensalão de ser "a maior farsa da história" da Justiça.

"A 'maior farsa da historia política brasileira' residiu, isso sim, nos comportamentos moralmente desprezíveis, cinicamente transgressores da ética republicana de delinquentes travestidos então da condição de altos dirigentes governamentais políticos e partidários, que fraudaram despudoradamente os cidadãos dignos de nosso país", declarou.

O decano encerrou sua fala dizendo que os réus do mensalão "nada mais são que meros e ordinários criminosos comuns".







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Roberto Jefferson já está preso, agora só falta Henrique Pizzolato

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:10
Quarta-feira, 26 de fevereiro

Imagem: http://clkmon.com/static/rdr.html?pid=tutu&cid=Source2


Quando em 2005, o político e advogado Roberto Jefferson Monteiro Francisco,  denunciou o criminoso esquema do mensalão, ninguém, nem ele mesmo, imaginava o desfecho daquela atitude. Até porque, naquele tempo, políticos influentes não iam parar na cadeia. Quando a imprensa brasileira começou a noticiar, em profusão, os fatos, quem imaginaria o, então ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, atrás das grades, junto com outros políticos e empresários do mais alto gabarito? Em seus anos primeiros, o Partido dos Trabalhadores (PT) representava uma luz no fim do túnel da corrupção e dos desmandos que se via nas gestões da máquina estatal.

Mas os tempos mudaram, e o PT conseguiu o que tanto queria e pelo qual tanto lutou: depois de anos de luta, chegou à sede do poder, ao Palácio do Planalto, em Brasília, com sede de poder.  Foi então que as mascaras cairiam e aquele que parecia ser o redentor da moralidade nacional, não correspondeu às expectativas nele depositadas. Os dirigentes do partido adotaram as mesmas práticas criminosas que antes combatiam... É como disse o poeta Cazuza: “Meus heróis morreram de overdose...” No caso, em questão, meus heróis morreram de over dose de poder.

Voltando ao Roberto Jefferson, o homem em questão começou a ganhar projeção nacional em tempos de grandes mudanças, ocasião em que o país fazia, como fez atualmente a Ucrânia: depôs um presidente. Os brasileiros depuseram o Fernando Collor de Melo. A diferença é que tudo foi feito sem que sangue inocente fosse derramado na praça.  Vivia-se àquela época sonhos de um Brasil melhor, afinal, tínhamos tirado do comando do país, um presidente corrupto. Os jovens pintaram o rosto em sinal de protesto. Era bonito demais ver os “caras pintadas” nas ruas, exercendo seu direito à cidadania sem depredar patrimônio público, sem jogar pedras e bombas em policiais... E sem matar jornalistas. Claro que, nessas ocasiões polêmicas e de grandes mudanças, há, pelo menos, três grupos de pessoas: os prós, os contra e os indiferentes. Roberto Jefferson atuou na ocasião como defensor do presidente Fernando Collo, junto com outros deputados, que formavam uma espécie de tropa de elite na defesa do presidente.

Em 1993, o deputado aparecia novamente na cena política, envolvido em escândalo. Dessa vez, seu nome aparecia como envolvido no esquema de propina, no caso CPI do Orçamento. A quadrilha dos “anões do orçamento, como ficou conhecida, realizava fraudes em recursos do Orçamento da União. Dessa acusação, Jefferson saiu ileso, apesar da Subcomissão de Patrimônio ter apurado que o deputado possuía bens que não foram declarados à Receita Federal.

Vieram as eleições para a presidência da República, em 2002, e o apoio de Jeferson foi para o candidato do PPS, Ciro Gomes. Ciro não teve um bom desempenho na campanha e, portanto, não conseguiu passar para o segundo turno das eleições. Os candidatos que passaram a segunda fase foram Luís Inácio Lula da Silva, candidato pelo PT e José Serra, candidato pelo PSDB.  Roberto Jefferson resolve então apoiar Lula. É interessante que diante de interesses pessoais, posições extremadas são rapidamente esquecidas. Digo isso, porque até aquele momento, Jefferson era inimigo ferrenho dos petistas. Após mudar de posição e apoiar Lula, era natural que, sendo presidente do PTB e, conseqüentemente, líder do partido, ordenasse às bases, que fizesse aliança com o Partido dos Trabalhadores.Lula, finalmente, 22 anos pós a fundação do PT, foi o grande vencedor daquelas eleições presidenciais. Uma grande vitória, conseguida após três derrotas em campanhas anteriores.Como tudo na vida tem um preço, e na vida política, principalmente, Jefferson foi cobrar o seu preço. Ele queria que o PT ajudasse financeiramente seu partido, o PTB. Após revelar o esquema do mensalão, Jefferson admitiu que havia recebido uma ajuda de R$ 4 milhões e admitiu também, que esse valor não tinha sido declarado á Justiça Eleitoral.

O escândalo do mensalão estourou mesmo, depois que a revista Veja, trouxe a explosiva reportagem que denunciava um esquema de corrupção nos correios, que envolvia desvio de dinheiro dos cofres públicos, além de fraudes em licitações. O nome de Roberto Jefferson e de seu partido o PTB, aparecia como envolvidos no escândalo. O deputado, inicialmente, negou sua participação, porém, diante das evidências,  não havia mais como esconder os fatos. Jefferson, então, decidiu: Vou para a forca, mas não vou sozinho. No dia 06 de junho de 2005, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, ele revelava que havia um grande e bem montado esquema de corrupção no governo federal. Através desse esquema, deputados eram pagos para que votassem de acordo com a vontade do Palácio do Planalto. Jefferson apontou o ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, como responsável pela compra dos votos dos parlamentares. O deputado denunciava o ministro e o Brasil ficava conhecendo um dos maiores esquemas de corrupção do país. O denunciador do esquema do mensalão teve seu mandato cassado ainda no ano de 2005, perdendo seus direitos políticos por oito anos.

No julgamento do mensalão, Roberto Jefferson foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 7 anos de prisão.

A prisão de Roberto Jefferson aconteceu na tarde da última segunda-feira (24). Jefferson estava em casa, em Levy Gasparian, Rio de Janeiro. O cumprimento da pena foi determinado pelo ministro do Supremo, Joaquim Barbosa, na sexta-feira (21). Joaquim Barbosa negou o pedido de prisão domiciliar. O pedido havia sido feito em vista de um tratamento que Roberto Jefferson faz contra um câncer no pâncreas. Diante da negativa, o condenado deve cumprir presa no regime prisional semi-aberto. Claro que essas decisões sérias, não podem ser tomadas por um homem sério como Barbosa, de forma aleatória. O presidente do Supremo procurou, primeiro, se informar, perante o Tribunal de Justiça do Rio, se os presídios cariocas teriam condições de receber um preso na condição de Jefferson, que faz tratamento de saúde devido a um câncer. Diante da resposta positiva do Tribunal, Joaquim Barbosa negou o pedido feito por Jefferson.

A cadeia brasileira espera agora por Henrique Pizzolato, que havia fugido para a Itália e que lá está preso, desde o dia 05 desse mês. O Brasil deve pedir a extradição dele na semana que vem. Espera-se que as autoridades italianas digam sim ao pedido do governo brasileiro.



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Quão grande és tú

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:58
Terça-feira, 25 de fevereiro

Quem não gostaria de, em meio às lutas de vida, deixar-se apenas ficar em contato em contato com a natureza, ouvindo o cantar dos pássaros, o barulho gostoso das cachoeiras e o sussurrar da brisa mansa. Como seria bom recarregar as energias da alma, para depois retornar a essas mesmas lutas, das quais não podemos nem devemos fugir.  É, justamente, ao enfrentar as intempéries da vida, que nos tornamos mais fortes. Em meio às dificuldades, nós crescemos e, se soubermos com elas lidar, reluziremos tal qual ouro que no fogo é provado. Convido o leitor a entrar em comunhão com a natureza e fazer-se um só com ela. Inebriando-se de sua paz, sorvendo a sua real beleza.
O texto a seguir é inspirado em duas canções do repertório gospel de Elvis Presley: We Call on Him e How Great Thow Art.



Ano de 1967. Na tranqüilidade da sala de uma mansão em Memphis, Tennessee, as mãos de um homem executam ao piano, acordes divinos. Sua voz suave, firme e potente entoa hinos de louvor a Deus. Canta tão docemente que é fácil imaginar anjos sentados aos pés do piano bebendo daquela fonte de canções maravilhosas. Aos 32 anos, já é um astro de fama internacional, acostumado aos holofotes, ao assédio da mídia e muita badalação. Talvez se deva a isso o fato de poucas pessoas conhecerem esse seu lado místico. O nome desse homem: Elvis Presley. Fascinado ouço a interpretação da música gospel We Call On Him (Nós Clamamos por Ele), e sinto o cantar com a alma, com o sentimento. Logo em seguida é a vez de How Great Thou Art (Quão Grande És Tú). Enquanto essa canção é magistralmente executada ao piano, minha mente voa nas asas da melodia e vai parar nas matas exuberantes da pátria que se cobre de verde, amarelo, azul e branco.



Ergo meus olhos para a copa das árvores centenárias que dão vida a imensa floresta. Elas se erguem imponentes e majestosas em direção ao infinito. Seus galhos se agitam ao sabor do vento como braços que, em desespero, clamam misericórdia aos céus. Enquanto folhas e galhos se agitam e se debatem em doce lamento, o tronco que os sustenta permanece firme e inabalável. Embaixo de todo esse espetáculo, humilde e silenciosa, está a raiz indo terra adentro em busca do alimento que nutre, fortifica e verdeja a árvore irmã.
Acima do verde intenso desenha-se um céu azul de suave esplendor, mesclado de nuvens que ora desenham figuras de anjos, ora desenham figuras de leões e, assim, vão brincando como se fossem crianças que não se cansam de criar formas.
Suavemente meus olhos descem do céu a terra. Sinto a quietude que me envolve. Ouço, não muito distante, uma orquestra de colibris, pintassilgos e sabiás. Fecho os olhos e deixo o canto doce e sonoro dessas maravilhosas criaturas invadir minha alma. De repente, ouve-se o som de uma flauta em plena floresta: é o canto mavioso do uirapuru. A passarada silencia enquanto o rei da passarada faz o seu solo de acordes longos e melodiosos.
Ainda ouço embevecido o cantar daquela ave quando uma brisa leve traz até minhas narinas um cheiro gostoso de terra e mato. Um pequeno mimo para o meu olfato.
Minhas mãos deslizam pelas folhas da calendula, planta das flores cor-de-sol (flores amarelo-alaranjada, de perfume inigualável e de folhas aveludadas). A pedra angular, na qual estão firmados meus pés, me transmite segurança. À minha frente e um pouco mais adiante contemplo o esplendor de uma cachoeira que desce forte e graciosa pelas encostas da montanha. Ouço o suave murmurar das águas e isso me inebria. Sorvo em grandes goles do vinho da felicidade que a natureza derrama em minha taça. 
Entre as pedras ao pé da cachoeira forma-se uma piscina natural de porte médio. Sinto o apelo irresistível da águas, enquanto minhas roupas, debruçadas num galho qualquer, assistem meu corpo nu mergulhar nas águas cálidas. Permito que a serenidade das águas me inunde. Uma emoção me invade e me sinto voltar ao início de tudo quando era apenas um pequenino feto envolto em liquido no útero de minha mãe. Pequenino ser a necessitar de cuidados.
Imerso nessa estonteante beleza que me envolve e fascina, ergo meus olhos para o alto e, dessa vez, minha pequenez se vê diante da grandeza do Deus Altíssimo. Minha alma canta acompanhada do coro dos anjos celestiais: “Quão grande és tu, maravilhoso Deus!”
Quão miserável é o homem que, envolto em véus de tristeza, angústia e decepção, não abre os olhos para as infindáveis belezas da criação. Infeliz de quem não olha a vida senão através do olhar da esperança. A vida acontece ao nosso redor, a todo instante, seja na criança que nasce, seja na flor que desabrocha, seja na luz de um radiante amanhecer. Basta abrir os olhos e o coração.
Por que, pois, ó criaturas, não agradeceis e dais louvores ao vosso Criador a cada instante de vossas vidas? Por que clamais por Ele somente naqueles momentos em que pesadas nuvens cobrem o vosso céu? Por que elevais a Ele o vosso clamor apenas quando todas as esperanças parecem perdidas e tua taça de vinho se transforma numa taça de fel?
Nesses instantes vos lembrais que és um nada... E Deus te quer tanto bem. Tu que nem acreditavas... E ele acreditava em ti o tempo todo... Tu que nem o amavas... E ele te amava todo o tempo.
Levanta a cabeça, abre os olhos, aquieta e sossega a tua alma, ainda que alguns instantes por dia e entra comigo na floresta. Eleva teu espírito além das preocupações cotidianas. Lembra-te do que disse o Mestre Jesus no Sermão da Montanha: bastam a cada dia as próprias preocupações. Juntos façamos reverência ao Deus Criador, o nosso Rei e Senhor... E deixemos que nossa alma cante junto com os anjos: Quão grande és tu! Quão grande és tu!”


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São Paulo tem novos protestos contra a Copa do Mundo

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:18
Domingo, 23 de fevereiro

A matéria abaixo foi extraída do portal Globo.com


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PM usa 'Tropa do Braço' e detém cerca de 120 em protesto em SP

Grupo com 140 policiais sem armas 'cercou’ manifestantes no Centro. Policia usou estratégia em segundo ato contra a Copa deste ano em SP.


Imagem: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/02/pm-usa-tropa-do-braco-e-detem-cerca-de-120-em-protesto-em-sp.html


Um protesto contra a Copa do Mundo, realizado neste sábado (22) no Centro de São Paulo, teve cerca de 120 detidos, agências bancárias depredadas e confronto entre policiais e manifestantes. Segundo a PM, sete pessoas ficaram feridas: cinco policiais e dois manifestantes.

Foi a primeira vez que a polícia paulista usou a “Tropa do Braço”, um grupo de 140 policiais não armados e treinados em artes marciais, como o jiu-jitsu, que cerca e isola manifestantes.

Convocado pela internet, o protesto “Não vai ter Copa” teve início às 17h, na Praça da República, em frente à Secretaria de Educação do Estado. A concentração fez com que a Feira da República fechasse mais cedo. Às 18h, cerca de mil pessoas protestavam no Centro, de acordo com a PM.

Por volta da 18h40, um grupo de mascarados, alguns deles carregando pedaços de pau, começou a quebrar portas de agências bancárias e orelhões, e a polícia usou bombas de efeito moral. Perto do Theatro Municipal, algumas pessoas atearam fogo a sacos de lixo e houve correria.

Manifestantes foram detidos para averiguação na Rua Coronel Xavier de Toledo, próximo a uma das entradas da estação Anhangabaú do Metrô. Com a ajuda de escudos e viaturas, policiais bloquearam a Rua 7 de Abril.

Por volta das 21h, de acordo com o major Larry Saraiva, a PM já havia levado os cerca de 120 detidos para, ao menos, três delegacias da região central: 4° Distrito Policial (Consolação), 1° Distrito Policial (Liberdade) e 78º Distrito Policial (Jardins). No horário, os últimos ônibus com manifestantes presos deixavam a rua Coronel Xavier de Toledo.

Durante o confronto, ao menos cinco policiais e dois manifestantes ficaram feridos. Ainda segundo a Polícia Militar, foi encontrado um coquetel molotov dentro de uma mochila deixada na estação Ana Rosa do Metrô. Câmeras de segurança captaram o momento em que a bagagem foi deixada, segundo a PM.

‘Tropa do Braço’

A PM usou policiais especializados em artes marciais para acompanhar de perto a manifestação. Eles carregavam capacetes, cassetetes e algemas.  Ao longo do trajeto, eles seguiram em fila ao lado dos manifestantes. Quando houve o primeiro tumulto, os policiais fizeram um círculo e isolaram boa parte dos detidos para averiguação. Além da “Tropa do Braço”, policiais de outros grupamentos que normalmente participam de controles de distúrbios com uso de armas não letais, como Rocam e Força Tática, seguiam o ato.

 Jornalista é detido por meia hora

Entre os detidos na manifestação, estavam jornalistas, entre eles, o repórter do G1 Paulo Toledo Piza.

Por volta das 18h50, Piza estava perto de onde o primeiro tumulto com depredações. No ponto onde ele estava, na altura do número 404 da Rua Xavier de Toledo, outras sete pessoas também foram detidas junto com ele quando corriam para se proteger.

O grupo foi abordado por PMs, que chegaram a dar golpes de cassetete em um jovem. Todos foram detidos e receberam ordem para sentar na calçada. O jornalista mostrou o crachá, mas não foi liberado. Ele ficou cerca de 30 minutos retido e impedido de trabalhar. Não foi algemado e não sofreu agressões físicas nem verbais. Durante o período, policiais chegaram a impedir que Piza usasse o telefone e exigiram que ficasse com as mãos para trás.

Ele só foi liberado por volta das 19h20. Antes, porém, o grupo onde estava foi levado a um ponto onde estavam outros detidos, entre eles o repórter de O Globo Sérgio Roxo e o fotojornalista freelancer Victor Moryama. O fotógrafo Bruno Santos, que cobria o ato pelo Terra, relatou ter sido agredido por policiais militares e precisou passar por atendimento médico. Ele diz que seu equipamento ficou destruído.


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Mais de 30 mil clientes podem ter sido enganados por advogado no Rio Grande do Sul

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 09:20
Sábado, 22 de fevereiro



Imagem: http://ceiagiongo.blogspot.com.br/2012_10_01_archive.html
(Na foto acima, o advogado Maurício Dal Agnol e sua esposa, Márcia)

Maurício Dal Agnol é advogado e mora em Passo Fundo, maior cidade do norte do estado do Rio Grande do Sul. Havia se decidido pela carreira jurídica na década de 80, por influência da mãe, uma serventuária do Poder Judiciário. Quando começou o curso de Direito, seu intuito era seguir a carreira pública em áreas burocráticas, mas durante os estudos, decidiu-se, enfim, pela advocacia. Trabalhou em alguns escritórios de advocacia e, finalmente, em 1997, inaugurou o próprio escritório: a Dal Agnol Advocacia. Na época o patrimônio do advogado era muito modesto. Desenvolvendo um bom trabalho, ele logo conseguiu uma boa clientela e, em ascensão meteórica, tornou-se um dos advogados mais ricos da Região Sul do país. Caros luxuosos, aeronaves caríssimas, mansões, jóias e viagenseram coisas corriqueiras em sua vida.

O advogado negociava cifras milionárias, como quem negocia centavos. A imagem que passava à sociedade era a de um profissional de conduta ilibada. Imagem que se desfez ante aos olhos da sociedade na manhã de ontem, sexta-feira, (21). Para a polícia, entretanto,  essa imagem de bom moço, já vinha se desfazendo faz dois anos, tempo em que começaram as investigações. Nesse período, a Polícia Federal conseguiu reunir provas e desmantelou uma quadrilha que enganou milhares de pessoas, muitas delas, gente simples e humilde, que precisava do dinheiro das ações ganhas na justiça para necessidades básicas, como saúde e alimentação.

Foi um choque para os funcionários, quando a polícia chegou com um dos mandados de prisão, ao luxuoso prédio onde funciona a sede da Dal Agnol Advocacia. No local, os policiais apreenderam documentos e computadores em busca de mais provas dos crimes cometidos pela quadrilha chefiada por Maurício.

Em fins da década de 90, o bando, chefiado por Maurício, começou a articular o golpe, que funcionava da seguinte forma: advogados e contadores procuravam clientes em todo o estado. Todos os clientes procurados por eles tinham reclamações contra a empresa de Telefonia, Brasil Telecom. Empresa essa, que era a antiga Companhia Riograndense de Telecomunicações  (CRT), que por sua vez, havia sido criada em fevereiro de 1962, quando o Rio Grande do Sul era governado por Leonel Brizola. 

Maurício Dal Agnol fez um bom trabalho nessa área, que logo se tornou uma de suas principais áreas de atuação profissional. Os processos movidos por seus escritórios tinham o objetivo de reembolsar clientes que haviam sido prejudicados pela companhia telefônica. Tudo era feito conforme o figurino: petição inicial, apresentação de documentos, audiências e demais fases do processo, enfim, um trabalho impecável. O “pulo do gato” se dava quando o processo já havia sido concluído e a justiça condenava as empresas a pagar as indenizações. O advogado se apropriava do dinheiro das indenizações que os clientes deveriam receber. Dois, eram o “modus operandi”: ou ele ficava com todo o dinheiro, ou quando pagava a alguém, o fazia com valor bem menor que a quantia determinada pela justiça. Segundo a Polícia Federal, a quadrilha pode ter enganado cerca de 30 mil clientes e faturado mais de R$ 100 milhões com esse golpe.

Na manhã de ontem, ao realizar os mandados de busca e apreensão, a polícia chamou um chaveiro para abrir as portas da mansão do advogado, porém, não o encontrou em casa: ele está de férias nos Estados Unidos. A Policia Federal o incluiu na lista de procurados pela Interpool.

A operação que desmantelou a quadrilha, recebeu da policia o nome de “Operação Carmelina”. A ação, que resultou na apreensão de computadores, documentos, no bloqueio de bens do acusado, e na decretação de sua prisão, foi empreendida pela Polícia Federal, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), e pela Promotoria de Justiça de Passo Fundo.

Segundo relatou uma vítima da quadrilha, chefiada por Maurício Dal Agnol, o dinheiro que receberia pela indenização, serviria para pagar o tratamento da esposa que estava com câncer e que veio a falecer posteriormente.

O líder da organização criminosa, que há 15 anos possuía patrimônio modesto, hoje é proprietário de centenas de imóveis, avião a jato, automóveis de luxo e milhões de reais em contas bancárias. O modelo do avião do advogado é um Phenom 300, fabricado pela Embraer. Ele é considerado um dos melhores do mundo em sua categoria. O avião é avaliado em 8 milhões de dólares. “Carmelina” é o nome de uma senhora, lesada pelo grupo, que faleceu em decorrência de um câncer. Ela poderia ter um tratamento mais adequado se tivesse recebido a quantia aproximada de cem mil reais a que teria direito, valor que os criminosos nunca lhe repassaram”, afirma uma reportagem publicada pelo jornal O Nacional, da cidade de Passo Fundo.

Diante das graves acusações contra Dal Agnol, a Ordem dos Advogados do Brasil, decidiu suspender o registro profissional do advogado. À noite, os advogados de Maurício Dal Agnol, que se encontra foragido e é procurado pela Polícia Federal e pela Interpool, pediram à Justiça, uma reconsideração do valor da fiança estipulada no momento da decretação da prisão preventiva. A defesa também ofereceu um imóvel como garantia de pagamento aos clientes. O juiz negou o pedido e o valor da fiança ficou como determinado antes. Além de Maurício Dal Agnol, foram denunciados, a esposa dele, Márcia Fátima da Silva Dal Agnol, e mais três pessoas; Pablo Geovani Cervi, Vilson Belle e Celi Acemira Lemos, pelo crime de apropriação indébita.

A Rádio Uirapuru AM/FM, da cidade de Passo Fundo, explica em artigo, em sua pagina na Internet, como funcionava o esquema criminoso: “Conforme o MP, Maurício Dal Agnol, com escritório de advocacia em Passo Fundo, captou antigos clientes da Brasil Telecom e recebeu deles procuração a fim de propor ações contra a empresa. Esses processos judiciais foram julgados procedentes e o indiciado acabou por se apropriar de parte ou da totalidade dos créditos dos clientes, adotando tal conduta como prática corriqueira no exercício da profissão.

 A denunciada Márcia Fátima da Silva Dal Agnol, esposa do advogado Maurício, coordenava em conjunto a administração do escritório de advocacia e dos valores havidos das apropriações indébitas.

 Pablo Geovani Cervi, também advogado, atuava na captação dos clientes e na apropriação dos créditos.

 Vilson Belle e Celi Acemira Lemos eram os responsáveis por aliciarem clientes para outorgarem procurações aos advogados da associação criminosa. Segundo a denúncia, eles induziram em erro clientes interessados no ajuizamento das ações contra a Brasil Telecom, apresentando a esses, para assinatura, contratos de cessão de crédito como se fossem a segunda via do contrato de honorários advocatícios. Celi Acemira Lemos, ainda, realizava o pagamento de créditos a clientes, em valores inferiores aos devidos, apropriando-se de parte da quantia em favor dos integrantes da associação criminosa, com a ciência e a determinação de Maurício Dal Agnol, Márcia Fátima da Silva Dal Agnol e Pablo Geovani Cervi”.

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Policiais de Limeira dizem que jovem cometeu suicídio, mesmo estando com mãos para trás e preso por algemas

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 00:05
Sexta-feira, 21 de fevereiro

Uma das artimanhas usadas pela polícia, durante o período da ditadura militar no Brasil, eram as simulações de suicídio. Levava-se o preso para algum lugar afastado, armava-se um teatro e o filme tinha o final que os policiais desejavam.  No dia seguinte, as manchetes de jornais estampavam em letras garrafais, manchete anunciando que o prisioneiro havia se suicidado. Policiais militares da cidade de Limeira, interior do estado de São Paulo, resolveram reviver esses tenebrosos dias, ao afirmar que um jovem, preso por suspeita de envolvimento em assalto, havia cometido suicídio, mesmo estando algemado, com as mãos para trás e dentro de uma viatura policial. A desculpa dada pelo perito chega a ser hilária, coisas de filme de comédia, de uma tragicomédia. Não importa se os tempos eram outros, se havia luta por um ideal, se havia a resistência contra uma vontade política que queria se impor a qualquer custo, mesmo que fosse sob o preço de sangue inocente. Tanto no caso do jovem de limeira, quanto no caso dos presos políticos da ditadura, uma necessidade se fazia e se faz preeminente: o direito de defesa e a realização de um justo julgamento.

A matéria abaixo foi publicada no portal MSN, pelo repórter do jornal O Estado de São Paulo, Bruno Paes Manso.


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14/02/2014 10:30 | Por Bruno Paes Manso, estadao.com.br
Jovem algemado com mão para trás deu tiro na própria cabeça, diz PM

Família busca ajuda para comprovar que jovem foi executado dentro de camburão da PM de Limeira, no interior de São Paulo, em setembro de 2013







O jovem José Guilherme Silva, de 20 anos, que aparece na foto (acima), morreu no dia 14 de setembro do ano passado dentro de um camburão da Força Tática da PM de Limeira, no interior de São Paulo. Antes de entrar no carro, sob a acusação de ter participado de um assalto, ele tinha sido revistado pelos policiais “nos pés, tornozelos, cintura e genitália”, conforme eles próprios admitem. Os policiais não encontraram armas com ele. José Guilherme foi algemado com as mãos para trás. O pai do menino, José Alves, conseguiu chegar ao local a tempo de ver seu filho apanhando da polícia. Diante de mais ou menos 30 pessoas, ele entrou imobilizado e desarmado no camburão.

Segundo a versão dos policiais, poucos minutos depois, quando a viatura se dirigia à delegacia com o jovem dentro, José Guilherme teria sacado um revólver 38 de cano longo e atirado contra a própria cabeça. A bala, segundo os exames criminalísticos, percorreu uma trajetória de cima para baixo. O tiro foi dado a uma distância de cerca de 50 centímetros da cabeça.

No laudo, o perito escreveu provavelmente uma das maiores pérolas da história do instituto de criminalística, digna de entrar no roteiro de um CSI brasileiro – que certamente seria uma comédia. Depois de examinar o disparo na cabeça e ver que o preso estava algemados para trás, o perito justifica a possibilidade do suicídio nos seguintes termos:  "Isso envolve um estudo personalíssimo da habilidade do agente que encontra-se algemado. E é sabido nos meios policiais tanto sobre a habilidade de movimento de alguns detidos, bem como sua condição pessoal de burlar a revista".

Passados cinco meses, apesar dos fortes indícios contra os policiais que participaram da ação, pais e irmãos do garoto ainda lutam para provar que seu filho foi executado dentro da viatura e para verem punidos os responsáveis pelo crime. Como os policiais permanecem na rua, o resultado da luta da família, por enquanto, foi apenas um: expor pai, mãe e cinco filhos (um deles gêmeo de Guilherme) ao risco de represálias. Quando foram conversar com um dos que participaram da detenção de José Guilherme, Maria de Lourdes Jesus Fagundes, e a mãe Claudia Regina, tiveram que ouvir: “antes um bandido morto do que um policial morto”.

Sem desanimar da luta fadada a inúmeras frustrações, as duas foram buscar ajuda da comissão municipal de direitos humanos de Limeira e da comissão estadual da Assembleia Legislativa, onde também funciona a Comissão da Verdade. É desanimador, passados mais de 40 anos da fase mais violenta da Ditadura Militar, sabermos que ainda se vive sob fortes suspeitas de que simulações de suicídios ainda são usadas para simular execuções.

A reportagem já pediu informações para a PM a respeito do caso. Mas ainda não obteve retorno.

(Fonte: http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/jovem-algemado-com-mao-para-tras-deu-tiro-na-propria-cabe%C3%A7a-diz-pm)

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