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Um duelo de gigantes no UFC termina de forma inesperada. Um passeio de esqui acaba de forma trágica

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 11:33
Segunda-feira, 30 de dezembro

“Não se trata da força com que você bate. 
Se trata de quanto você agüenta apanhar e continuar na luta”.
(Frase de Rock Balboa (Silvester Stalone), 
no filme, Rock Balboa (2006)

A vida é um imenso tabuleiro de xadrez. Ganha o jogo quem sabe o momento certo de mudar-se a si mesmo. A diferença entre o tabuleiro da vida e o tabuleiro real, é que o jogo da vida está sujeito a imprevistos, inesperados, chocantes e, ás vezes, trágicos...

***

Campinas, sábado, 28 de dezembro de 2013
Esquina das Ruas Conceição e Francisco Glicério. 18h30

Enquanto espero uma carona que me seria dada por Gentil e Toninha, pego o celular e disco o número de Ricardo, filho deles. Digo:

__ Oi Ricardo, vamos pedalar amanhã de manhã?

__ Vamos!

__ Que horas vocês pretendem sair?

__ Acho que por volta das oito horas.

__ Tudo bem. Chego aí às oito.

Ricardo mora em Souzas, distrito de Campinas, distante cerca de 10 km.

Enquanto ainda falava com Ricardo, o carro trazendo os dois amigos parou. Entrei no veículo ainda falando ao celular. Eu, Gentil e Toninha, participamos de um coral e íamos cantar na missa de aniversário de morte de Décio Delamano, que também havia participado do coral. Durante o percurso, Gentil comentou:

 “Hoje à noite tem a luta do Anderson. Você vai assistir”?

“Claro, não perco essa luta de jeito nenhum”.

Naquele momento, meu sexto sentido ordenou:

“Fala para ele que o Anderson não vai ganhar essa luta”.

“Fica quieto. Não fala nada”. Sussurrou minha razão de brasileiro esperançoso na vitória de Anderson.

Ao chegar em casa, após cantarmos na missa, fiquei na expectativa da luta que seria transmitida, no Brasil, na alta madrugada de sábado para domingo. Tentei dormir um pouco antes da luta, porém, não consegui: a expectativa era grande demais.

***


MGM Grand Graden Arena. Las Vegas. USA
Sábado, 28 de dezembro de 2013.

O imenso tabuleiro de xadrez estava armado no centro do imenso MGM Grand Garden Arena. Os jogadores, há meses, estudavam os movimentos um do outro, cada qual com a convicção de que ganharia a luta. Os movimentos naquele tabuleiro deveriam ser perfeitos. Uma jogada mal feita estragaria o treinamento de meses. O tabuleiro de xadrez, não era, na verdade, um tabuleiro. Era um octógono. Os jogadores, não estavam ali para jogar,  mas para realizar a luta de suas vidas.  

Em volta do octógono, milhares de pessoas ávidas pelo show, haviam esgotados os ingressos desde o início da semana.  Junto com elas, milhões de pessoas mundo afora, estavam parados em frente à televisão para assistir um dos maiores espetáculos da história do UFC (Ultimate Figthing Championship). As semanas que antecederam aquele momento, haviam sido de grande expectativa, debates na imprensa, nas bolsas de apostas foram bastante freqüentadas.  Os holofotes, espargindo luzes brancas e coloridas sobre o palco e sobre a multidão, lembravam bem o ambiente dos grandes shows. E aquele era um grande show. Aliás, o UFC é luta, é show e também uma fábrica de dólares. Os ingressos para a luta mais esperada da história do UFC: a revanche entre Anderson Silva e Chris Weidman, esgotaram-se rapidamente. Na primeira luta, a casa recebeu um publico de 12.964 pagantes, que gerou uma renda de US$ 4.826 milhões. Dessa vez,  a bilheteria não confirmou quantos ingressos foram colocados a venda, porém, uma vez que a capacidade máxima do local é de 16.800 pessoas, estima-se que os ingressos, que foram vendidos a preços entre US$ 100 e US$ 1.000, superem os US$ 6.901.655,00 que foram arrecadados no UFC 148, na também revanche entre Anderson Silva e Chael Sonnen, maior desafeto do Spider, no Ultimate. A expectativa dos organizadores é de recorde na arrecadação do em Vegas.

Tensão e expectativa pela chegada dos dois atores principais. A luta se tornava ainda mais especial por ser a revanche da luta entre Chris Weideman e Anderson Silva, ocorrida em 07 de Julho de 2013, no mesmo local onde agora será disputada a revanche. Na ocasião, Weideman venceu a luta por nocaute, devido a uma série de atitudes imprudentes de Silva. Durante cinco meses, a luta e a atitude de Silva, foi alvo de debates e discussões na imprensa e nas academias. A revista americana Forbes chegou a publicar uma matéria em que dizia que a derrota do brasileiro Anderson Silva fora coisa combinada. Especulações á parte, foi que Chris Weideman levou para casa o tão cobiçado cinturão dos pesos médios.


Imagem; http://o.canada.com/photos/photos-ufc-162-silva-vs-weidman/attachment/chris-weidman-anderson-silva-6/


Em um dos lados do octógono, de bermuda azul, está o atual campeão dos pesos médios do UFC, Chris Weideman, Nova Yorkino, nascido em Baldwin, em 17 de junho de 1984. No currículo de lutador de MMA: 10 lutas. Incentivado na carreira esportiva pelo pai, começou a lutar muito cedo. Especializou-se em luta olímpica e destacou-se nesse tipo de luta. Ganhou várias medalhas no colégio e na faculdade. Sua formação acadêmica é um bacharelado de Psicologia pela Universidade de Hofstra. Fez sua estréia no UFC em 3 de março de 2011 e, rapidamente, se destacou. Possui a habilidade de derrotar os adversários com facilidade, levando a luta para o chão, onde consegue melhores resultados. Aos 29 anos, não sabe o que é ser derrotado no octógono. No UFC, foi o único lutador a conseguir vencer Anderson Silva e a nocauteá-lo. Está invicto há dez lutas.

Do outro lado, de bermuda amarela e preta, está o desafiante, Anderson Silva, conhecido no meio esportivo como Spider. Nasceu na cidade de São Paulo, mas foi criado em Curitiba. Um lutador de estilo provocador, rápido, completo. Igual a seu adversário, começou a praticar esportes muito cedo, aos 5 anos de idade. Praticou, inicialmente, o Taekwondo, indo depois para o Muay Thai, Jiu-jistsu e boxe. Sua especialidade, porém, é o Muay Thai. Tendo passado por tantos tipos de luta, é considerado um lutador completo. Estreou no UFC em 2006 e sua ascensão foi meteórica. É considerado o melhor lutador de MMA de todos os tempos. Desde sua estréia, já contabiliza 17 vitórias, 10 defesas de títulos, 15 nocautes. É o lutador com maior  seqüência de vitórias e títulos da história do UFC. Não conhecia derrotas até que o nova yorkino cruzou seu caminho, em julho de 2013. Agora, tudo o que ele mais quer é recuperar o cinturão.

Enfim, chega o momento tão esperado: o portão do octógono fecha. O arbitro da luta olha para o Anderson Silva e para Chris Weidman e autoriza o início da batalha.


Imagem: http://clikhear.palmbeachpost.com/2013/all-sports/boxing-i-mma/ufc-168-weidman-and-rousey-retain-titles-silva-suffers-gruesome-injury/


Os dois lutadores começam a luta, no centro do ocotogono, com a postura de boxeadores. Analisam-se um ao outro, como fariam dois praticantes do xadrez. Chris Weidman tenta o primeiro o chute. Anderson se esquiva. A platéia se agita. Todos estão tensos. Muito tensos. Chris tenta levar a luta para o seu campo de especialidade: o chão. Agarra Anderson pelas pernas e consegue o seu objetivo. O Spider passa alguns segundos no chão e consegue se levantar. A platéia continua agitada. É como se ela pudesse lutar junto, como se, naquele momento, estivesse, também ela, defendendo um título. Anderson dá uma joelhada, tenta equilibrar a luta, sua concentração é total. Weidman novamente derruba Anderson e desfere uma seqüência de socos violentos. Anderson Silva está no chão e Chris Weidman o atinge com socos violentos, bate forte, muito forte. Anderson esboça alguma reação com alguns socos tímidos e, com as pernas, tenta se livrar da pressão de Weidman. Anderson Silva passa alguns minutos, no chão, em situação desesperadora. Será que aquele seria o fim da luta para o Spider? Aquela situação, porém, não era novidade. Ele já havia passado por situação semelhante, quando lutara com Chael Sonnen, no dia 07 de agosto de 2010, no UFC 117. Na ocasião, Anderson caiu após ser atingido por um golpe de esquerda de Sonnen, que partiu para cima do adversário, golpeando-o violentamente. Anderson conseguiu aplicar um triangulo de pernas em Sonnen, obrigando-o a pedir arrego, aos três minutos do quinto round. 

Para alívio de todos e, principalmente de Anderson Silva, soa o toque anunciando o fim do primeiro round. Os lutadores vão, cada um, para o seu ponto de apoio no ring, receber os cuidados necessários e orientação dos técnicos.


Imagem: http://esporte.uol.com.br/mma/ultimas-noticias/2013/12/28/anderson-mostra-familia-e-ve-show-na-vespera-da-revanche-com-weidman.htm


O arbitro anuncia o inicio do segundo round que começa com um Weidman, confiante, buscando a luta. Anderson tenta um chute baixo. Passa no vazio uma tentativa de um soco direto de Anderson Silva. A postura de Weideman é de quem quer levar a luta, novamente, para o chão, como no primeiro round. Tentando evitar que isso aconteça, Anderson procura manter certa distância. Weiderma lança golpes na tentativa de que o desafiante parta para o ataque e, dessa forma, ele possa derrubá-lo. Anderson tenta um lance comum, um chute para cima de Crhis Weidman. Chris, que já havia estudado os movimentos de Anderson, e sabe que aquele é um de seus movimentos características, se defende levantando um pouco a perna, apenas um pouco, de forma que o seu joelho forme um ângulo de 90 graus. O chute de Anderson vem com uma forte potencia e sua canela choca-se fortemente contra o joelho do americano. As câmeras de TV mostram o movimento em câmara lenta. A impressão que dá é a de que a canela do brasileiro havia se tornado de borracha. Uma imagem estarrecedora. O brasileiro desaba no chão gritando de dor. O público presente silencia. Ninguém queria ou esperava aquele desfecho. Os diversos telões espalhados pelo MGM mostravam o replay do lance. As pessoas colocavam as mãos no rosto evitando ver novamente a imagem. Os locutores esportivos que narravam à luta soltam um grito de espanto: “Meus, Deus! O que foi isso”? Chris Weidman sai alegremente comemorando, quando percebe a gravidade da situação, sua comemoração tornou-se bastante discreta. A equipe médica presta os primeiros socorros, ali mesmo, no ring. Colocam talas em sua perna e o retiram da Arena MGM, direto para a ambulância que o levaria ao hospital, enquanto o Spider  grita e se contorce com imensas dores. Quem assiste o embate pela TV também vê, com incredulidade, tudo aquilo. “Uma fatalidade”! “Que pena”! “Triste desfecho”, diziam os narradores televisivos da luta.

***

Campinas/Souzas. Brasil.
Manhã de domingo

Após a luta, tentei dormir um pouco, porém sempre que fechava os olhos vinha aquela imagem terrível da perna de Anderson Silva quebrando-se. Diferentemente dos outros, teimei em assistir o tal replay. Vendo que não conseguiria mesmo dormir, levantei-me e fui cuidar dos preparativos para as pedaladas de logo mais. Quando o dia clareou, me dirigi á casa do Ricardo. Cheguei lá ás oito e dez. O domingo estava bem agradável para se andar de bicicleta.

Chegando a Souzas, conheci também o Marcelo, que pedalaria junto conosco. Fizemos o nosso agradável passeio pelas belas trilhas de Souzas. Ninguém quebrou coisa alguma e foi tudo muito bom.

À noite, soube pelos noticiários, que o lutador brasileiro havia sido levado para o Centro Médico, em Las Vegas, onde havia passado por uma cirurgia durante à madrugada. Tudo havia corrido bem, em uma cirurgia de, mais ou menos, duas horas. Na cirurgia havia sido colocada uma haste dentro da Tíbia, um dos ossos quebrados, com a finalidade de estabilizá-lo. Além da Tíbia, Anderson quebrou também a Fíbula. A cirurgia foi tão bem sucedida que o lutador receberá alta em breve.  Ainda no hospital, Anderson recebeu as visitas de Dana White, presidente do UFC e do boxeador Roy Jones Jr. O atleta brasileiro, Ronaldo Fenômeno, também ligou. A intenção de todos era a mesma: levantar o astral de Anderson Silva. Particularmente, fiquei aliviado por ver que Anderson Silva estava bem.


Imagem: http://www.ausmotive.com/2009/07/30/more-on-schumachers-formula-one-comeback.html


Fiquei sabendo, também pelos noticiários, que o heptacampeão de Formula 1, Michael Schumacher, entrou em coma, depois de sofrer um grave acidente ao esquiar com o filho.  O acidente aconteceu às 11h, em horário local, enquanto ele praticava o esporte na estação de esqui de Méribel, nos Alpes franceses e, ao cair, bateu a cabeça numa pedra. O ex-piloto já chegou em coma ao hospital universitário de Grenoble, cidade próxima à divisa da França com a Suiça e a Itália. Neste hospital, foi submetido a uma cirurgia e os médicos consideraram seu estado “crítico”.


Imagem: http://3.bp.blogspot.com/-RF5Pqpj-1zM/UsF1iiLeBeI/AAAAAAAAAyQ/6pyVwSK-_98/s320/Schumacher+Reuters+01.jpg


Logo após o acidente, Schumacher foi levado de helicóptero ao hospital de Moütiers, região dos Alpes, porém, diante da gravidade da situação, o ex-piloto foi levado ao centro médico de Grenoble. De acordo com o serviço de imprensa da estação de Meribel, o local onde Schumacher esquiava não era sinalizado. Por sorte, ele usava os equipamentos de segurança necessários, pois se não estivesse usando capacete, não teria chegado com vida ao hospital. Quando as equipes de resgate chegaram ao local do acidente, o ex-piloto ainda estava consciente. Já nesta segunda-feira, pela manhã, os médicos do hospital onde Schumacher está internado, deram uma entrevista coletiva, e disseram que o ex-piloto ainda está em coma e seu estado continua crítico. Os médicos disseram também que o estado de saúde de Schumacher, em coma induzido, é muito grave e que ele corre risco de morte. O objetivo de mantê-lo em coma induzido é reduzir ao máximo os estímulos exteriores e estimular a boa oxigenação de cérebro. Dr. Girad Sailant, grande nome da medicina esportiva e especialista em lesões de cabeça e coluna, foi de Paris para Grenoble para acompanhar o paciente e amigo, Schumacher. Ao chegar a Grenoble e ver se perto a situação, o Dr. Girad se disse muito preocupado com a situação do piloto. A esposa do ex-piloto, Corinna, também está no hospital, juntamente com os dois filhos do casal, Gina-Marie, de 16 anos e Mick, de 14, que esquiava com o pai no momento do acidente. Michael Schumacher, um dos grandes nomes da Fórmula 1,  com sete campeonatos mundiais, é o piloto que tem mais títulos mundiais na história da F1. Schumacher fará aniversário no dia 03 de janeiro, quando completará 45 anos de idade.

Resta-nos enviar a Anderson e Schumacher, nossos pensamentos positivos em forma de oração. E que seja uma boa semana para todos nós.


 Boa recuperação Anderson! Força Schumacher! Estamos torcendo por vocês.

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