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Os desafios do advogado

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 01:47
Quarta-feira, 21 de agosto

Entrevista Cícero Marcos Lima Lana


Não existe segredo: quem sabe muito se destaca

Dr. Cícero Lana
                                       
A carreira jurídica apresenta-se como um desafio nos dias atuais, principalmente, para quem está iniciando. O desafio começa nos bancos das faculdades e no esforço para obter o diploma. Vencida essa etapa, o candidato não consegue a vermelhinha (a carteira de advogado) sem passar pelo Exame de Ordem que, nos últimos anos tem alcançado altos índices de reprovação. Passado o sufoco do exame é preciso enfrentar a selva do mercado de trabalho no qual é preciso “matar um leão por dia”.  Apesar disso, o advogado Cícero Lana garante que vale a pena.  Nessa entrevista, feita por e-mail, o Dr. Cícero revela os motivos que o levaram a escolher a advocacia como profissão, da sua opinião sobre os altos índices de reprovações no Exame de Ordem, dentre outros assuntos. Aos 35 anos, Dr. Cícero é um homem simpático e um profissional dedicado a carreira que escolheu.

José Flávio - Em sua palestra Os Desafios do Advogado o Sr. afirma: O advogado é um contador de histórias. A maioria das pessoas ficaria surpresa com essa afirmação. Pelo fato de sempre pensarem a advocacia em seus aspectos técnicos: prazos, petições, contestações, recursos, audiências, dentre outros. O que o leva a pensar o profissional da advocacia como um contador de histórias?

Cícero Lana - A função essencial do advogado é repassar a historia do seu cliente, a fim de que seus interesses sejam atendidos; nesse sentido, o que fazemos é, em suma, contar uma história. Todos os aspectos técnicos da profissão passam, em sua essência, pelo contar de uma história; por exemplo, o conteúdo de uma petição nada mais é do que a versão dos fatos contada de maneira a convencer o Juiz de que o meu cliente tem razão.
José Flávio - Ainda nessa palestra, o Sr. diz que, se pudesse, retornaria aos bancos de faculdade. Para que alguém que já possui um currículo como o seu, isso é uma afirmação interessante. Por quais motivos o Sr. voltaria aos bancos de faculdade?
Cícero Lana - Todos os estudantes, no momento em que estão na faculdade, não percebem quanta informação podem obter de seus professores e companheiros; muitas coisas são mais interessantes do que a sala de aula: festas, bares, jogos de truco, etc.. Comigo não foi diferente: perdi muitas aulas (e, consequentemente, muita informação) simplesmente pela vontade de fazer alguma outra coisa que, naquele momento, me pareceu mais interessante. Hoje, sabendo de tudo que perdi, gostaria de fazer a faculdade novamente.
José Flávio - Todos os anos, o mercado de trabalho recebe centenas de novos advogados. Segundo dados recentes do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, existem atualmente no país, cerca de 850.000 advogados. Pode-se dizer que é um mercado saturado. Diante dessa realidade, o exercício da advocacia torna-se um desafio para o advogado recém-formado. Ele terá de competir com profissionais experientes na área. Isso, seguramente, deve provocar nele alguma insegurança e muitos questionamentos. O que fazer? Como deve agir esse novo guerreiro numa terra de gigantes?
Cícero Lana - Estudar! A única coisa que pode tornar o recém-formado alguém de destaque é o estudo. Não existe segredo: quem sabe muito, irá se destacar! Para isso, só há uma coisa a ser feita: estudar!
José Flávio - O 9º Exame de Ordem, realizado em março deste ano, constituiu um dos mais baixos índices de reprovação desde que o exame foi unificado, em 2010. Essa situação de baixos índices de aprovação tem sido uma constante nos últimos anos. Alguns atribuem esse fato a baixa qualidade do ensino nas Faculdades, outros, ao desempenho dos candidatos. Que análise o Sr. faz da situação?
Dr. Cícero Lana - Acho que todos tem sua parcela de culpa: as faculdades que são muito numerosas e querem lucro a todo custo, os estudantes que não se importam em ter uma educação de qualidade, o Governo que autoriza a abertura de tantas vagas na graduação, a OAB que não combate isso com fervor...
José Flávio - A Constituição Federal, em seu art. 133, diz que o advogado é indispensavel à administração da justiça. Em que medida e de que forma isso acontece?
Cícero Lana - Para esta pergunta, uma única frase; Sem advogado, não há como as pessoas terem acesso ao Poder Judiciário; somente através de um advogado é que se consegue postular em Juízo. Em outras palavras: somente através de nós é que as pessoas podem ser ouvidas, ter seus direitos reconhecidos.
José Flávio - O que o levou a escolher a advocacia como profissão?
Cícero Lana - A certeza de que nenhum dia seria igual ao outro; a possibilidade de escolher qual assunto quero tratar, com o que quero trabalhar. Não preciso fazer a mesma coisa todos os dias; posso variar, mudar.
José Flávio _ Quais os maiores desafios enfrentados pelo Sr. em sua vida acadêmica. E o que o Sr. diria aos que estão iniciando esse caminho que o Sr. já trilhou?
Cícero Lana - Na vida acadêmica, os maiores desafios são: passar as informações de maneira objetiva, profunda e que desperte o interesse dos alunos; também tenho que destacar a busca por melhores condições de trabalho e salários. Diria aos que pretendem iniciar a vida acadêmica que, dinheiro nenhum, paga um aula e que vocação sozinha não levam ninguém para dentro da sala de aula: é preciso gostar e receber para isso. Mas, não se iludam: o começo é difícil, com poucas aulas, horários horríveis, salários baixíssimos. 

DR. CÍCERO MARCOS LIMA LANA é Advogado. Professor de Direito Processual Penal e Pratica Jurídica Penal na Facamp (Faculdades de Campinas). Professor de Direito Penal e Processual Penal no Curso Proordem. Mestre e Doutorando em Direito Processual Penal pela PUC-SP. Especialista em Direito Penal pela Escola Superior do Ministério Público. Especialista em Direito Tributário pelo IBET. Autor de livros jurídicos, dentre eles “Crimes de apropriação indébita previdenciária: uma nova classificação e suas consequências” (Ed. Juruá) e “Crimes de sonegação fiscal e o princípio da intervenção mínima” (Ed. Impactus). Coordenador do Núcleo de Campinas da Escola Superior da Advocacia.

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