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ELVIS PRESLEY: Um astro de brilho incomum - I parte

Posted by José Flávio Santos de Carvalho on 02:47
Sexta-feira, 16 de agosto 

A Lonely Life Ends on Elvis Presley Boulevard (Uma vida solitária chega ao fim na Elvis Presley Boulevard), dizia a Manchete de um jornal de Memphis – o Jornal Memphis Pess-Scimitar – em edição especial, no dia 17 de agosto de 1977. Naquele dia, a Elvis Presley Boulevard, avenida onde morava o cantor, estava em polvorosa.  Em frente a Graceland – residencial oficial de Elvis, circulavam centenas de fãs e curioso. Alguns aproveitavam a oportunidade para ganhar algum dinheiro vendendo balas e refrigerantes, dentre outros produtos.  Pessoas subiam em árvores tentando ver o que se passava para além dos muros de pedra que cercavam a mansão. No rosto de todos havia muita tristeza. Na verdade, desde à tarde do dia anterior, a cidade chorava a morte de seu morador ilustre: Elvis Presley. Um artista que marcou para sempre seu nome na história da música norte-americana. Naquele e nos dias subsequentes, a cidade de Memphis, no estado do Tennessee/USA, foi invadida por uma multidão de jornalistas. Meios de Comunicação do mundo inteiro noticiaram a morte do astro.
Escrevi o texto abaixo em agosto de 2010. Ele foi publicado originalmente no site http://www.rec2010.blogspot.com.br/. Para quem já leu, boa releitura.  Para quem ainda não o conhece, boa leitura. Sou fã do rei há cinco anos. Elvis chegou em minha vida em momento de mar agitado, daqueles com direito a vagalhões, raios e trovoadas. E suas canções agitadas me animaram. Suas baladas me acalmaram. Seu repertório gospel me ajudou a elevar o espírito. Por isso tudo, considero Elvis um amigo. Pois quem é amigo de verdade? Aquele que chega nos momentos mais difíceis e  ajuda a atravessar a tempestade, como uma ponte sobre águas turvas.

Vamos ao texto. 

06 de Julho de 1954. Noite quente e gostosa de verão em Memphis, Tennessee. Nos abafados estúdios da Sun Records estava Sam Philips na parte técnica. Sob seu comando, três jovens talentosos: Scoot Moore na guitarra, Bill Black no contrabaixo e Elvis Presley na voz e no violão. As sessões de gravação haviam começado na primeira noite de Julho. Já haviam passeado por diversos estilos indo do pop ao gospel, passando pelo country e pelo R&B. Elvis era afinado, cantava bem. Os rapazes davam show na guitarra e no contrabaixo. Mas o som que estavam produzindo era tudo muito igual ao que já existia. E Sam Phillips, dono da Sun Records, procurava um diferencial. Algo completamente novo. Seu maior sonho era encontrar um branco que cantasse como negro. Cansados de tantas tentativas pararam para um lanche.
Dizem que “Quando o gato sai os ratos fazem a festa”. Foi bem por aí. Aproveitando a ausência do chefe na sala, Elvis pegou o violão e de forma alegre e descontraída começou a cantar That’s All Rigth Mamma, um antigo sucesso de Arthur Crudup. Scoot e Bill deram prosseguimento à farra. Quando Sam retornou e viu aquela brincadeira, correu imediatamente para a técnica. Os rapazes ficaram com aquela cara de “Ih, o chefe chegou!” Quiseram parar. Sam incentivou: “Vamos, continuem!”. Ele havia finalmente encontrado o que procurava. Na mesma noite gravaram também Blue Moon of Kentuck, um country gravado anteriormente por Bill Monroe. Dessa loucura naquela noite de verão, nascia uma música que abalaria as estruturas da música norte-americana: o rock. E um cara que se tornaria uma lenda no cenário musical mundial: Elvis Presley.

Com as duas músicas gravadas Sam, imediatamente, procurou Dewey Philips, DJ local que apresentava o programa radiofônico Red Hot and Blue, e pediu-lhe para que tocasse as músicas. Dewey atendeu ao pedido. Choveram telefonemas à rádio pedindo que repetissem as músicas. O resultado vocês já conhecem.

Imagem: http://hq-pictures.ru/pt/preview.php?hd=13677


Esse primeiro disco de Elvis, gravado pela Sun Records, teve o efeito de uma bomba. Explosivo tanto quanto. Numa Memphis conservadora, quem ousaria misturar melodias brancas e negras numa mesma música? Impensável para os mais lúcidos! Sam Philips ousou. E muito! That’s All Right Mamma foi cantada nesse disco como country, enquanto na versão original era um blues. O inverso com Blue Moon of Kentuck, na gravação original um country, recebia com Elvis uma roupagem de blues. Ou seja, o cara já chegou subvertendo as regras da equação musical da época. Resultado muita gente torceu o nariz. Muitos DJs relutaram em tocar as músicas, entretanto o disco aconteceu. O nome Elvis Presley em poucos meses já era bastante popular. Um sucesso regional. Entretanto, aos poucos, Elvis foi se tornando grande demais para a pequena gravadora.

As raposas são animais espertos e enxergam longe. Em fins de 1954, a carreira de Elvis começava a decolar, mas ele era conhecido apenas no Sul do país. Uma raposa estava a sua espreita, cercando-o. Queria empresariar o menino. Seu nome Tom Paker, mais conhecido como Coronel, empresário esperto, ambicioso e bem sucedido do show-biz. Conseguiu tirar o cantor da Sun Records e levá-lo para uma grande gravadora: a RCA (Radio Corporation of America). Essa transação custou aos cofres da RCA, nada mais, nada menos que U$ 40 mil dólares. Sendo que U$ 5.000 mil foram para o bolso do cantor. Se U$ 40 mil dólares é uma grana boa hoje, imaginem em 1955... O contrato com a RCA foi assinado definitivamente em 21 de novembro de 1955. Representou uma grande virada na carreira do cantor.

A partir daí, a indústria fonográfica e, posteriormente, a cinematográfica, o transformou numa máquina de ganhar dinheiro. Muito dinheiro! Milhões de dólares! Ao ser alçado a condição de superstar em tão pouco tempo, o jovem talento perdeu sua vida própria. Não só pelo fato de que não podia sair mais às ruas como qualquer pessoa, por razões obvias, mas também pelo fato de que passou a ser manipulado pela indústria para fins comerciais e de marketing. Foi considerado, no início de sua carreira, má influência para a mocidade. Era preciso mudar a imagem de rebelde. Era preciso transformá-lo num produto que fosse facilmente consumido não apenas pelos jovens, mas também pelo restante da família. Então que tal uma boa jogada de mestre. O Exército? Perfeito! Caía como uma luva. E lá se vai Elvis servir ao Exército em 1958, sob uma ampla cobertura da imprensa. Servindo na Alemanha, conheceu a jovem Priscilla Beaulieu que viria a ser a Sra. Presley, com a qual teve uma filha: Lisa Marie - Lisa veio posteriormente a se unir a Michael Jackson com quem passou dois anos casada. Provavelmente foi no Exército que Elvis conheceu suas maiores inimigas: as anfetaminas – comprimidos que foram companhia constante no restante de sua vida. Outro fato marcante na carreira e na vida pessoal do astro ainda nesse período, foi a morte de sua mãe Gladys. Gladys sempre fora uma mãe superprotetora. Elvis aos quinze anos de idade ainda era levado pela mãe à escola, conforme contam alguns de seus biógrafos.

Enfim, o fenômeno retorna do Exército em 1960. Volta diferente. Já não é o rebelde que na década anterior era visto com maus olhos pela sociedade conservadora. Mudou também o comportamento. Ele que sempre fora tido como um cara bonachão, alegre, simples. Mostrava agora, por vezes, um lado agressivo, arrogante. Ainda na adolescência uma de suas paixões era o cinema. Fascinava-se com as interpretações de James Dean e Marlon Brando. Pediu e o coronel o levou também a Hollywood. Na década de 60, afastou-se dos palcos, do público e dedicou-se quase que 100% a sétima arte.


Imagem: http://rockabillynblues.blogspot.com.br/2011/11/elvis-love-me-tender-movie-premiered.html


A carreira no cinema havia começado antes de entrar para o serviço militar, em 1956, com o filme Love me Tender (Ama-me com ternura, 1956). Essa fase de sua carreira abrangeu o período de 1956-1969. No total foram 31 filmes e 02 documentários. Entretanto essa passagem pela telona representou uma “faca de dois gumes” para a carreira do cantor e, agora, ator. Hollywood percebeu rapidamente a fórmula: Elvis Presley = milhões de dólares. Sabendo disso produziu filme após filme num ritmo frenético. Nem ao menos terminava um e já outro era iniciado. O resultado disso foi uma série de filmes de baixa qualidade, com o ator desempenhando papéis fracos em roteiros mais fracos ainda. Os filmes sempre vinham acompanhados de trilha sonora, que, feita às pressas, resultava em discos cuja qualidade técnica deixava a desejar. Claro que Elvis não estava satisfeito com essa situação. Desde o início queria atuar de verdade. Interpretar papéis sérios. Era esse seu objetivo quando entrou para o fascinante mundo do cinema. Porém nem o coronel, nem Hollywood, estavam interessados nisso. Os filmes estavam fazendo com que entrasse muito dinheiro em caixa, portanto, para que mudar isso?


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